Escrito por: Bloodcold
“Perigo, Perigo. Intruso detectado no setor
norte”.
Essa era a única coisa que os auto-falantes em todo
quartel-general das Indústrias Umbrella soavam. Isso e os alarmes infernais.
Havia um alvoroço entre todo o pequeno exército de seguranças, que se juntavam
entre os corredores da empresa, indo atrás de…
Uma bela e corajosa jovem. Seus cabelos castanhos voavam
enquanto ela corria pela indústria, com suas armas nas mãos e usando uma
jaqueta de motoqueira, com uma frase parecida com “Feita no Céu”. Seus olhos
azuis olhando cuidadosamente onde ela iria pisar e que caminho seguir. Suas
mãos quase trêmulas apertavam seus dedos contra o gatilho da arma, enquanto o
suor frio corria pelo seu corpo.
Claire Redfield começou a atirar na direção de um bando de
seguranças que vinham vindo. Logo depois, ela correu, jogando-se contra um
vidro e alcançando uma outra sala.
Naquele exato momento foi que a lembrança do porque ela
estava ali veio á sua mente.
Dez anos antes...
A pequena Claire tinha apenas oito, talvez nove anos, mas
lembrava-se daquele dia como se fosse hoje. Seu irmão mais velho Chris
Redfield, estava no quarto dele, com uma guitarra na mão e ensaiando algumas
notas meio desafinadas.
Era mais ou menos umas nove horas da noite, e os pais de
Claire haviam saído para jantar, deixando ela aos cuidados do irmão, embora ela
achasse que não precisasse de uma babá—e ele achava o mesmo.
Claire estava deitada no chão da sala de estar, fazendo
alguns desenhos com seus lápis de cor.
De repente, o telefone tocou. Chris saiu correndo de seu
quarto, jogando a guitarra na cama.
Chris: Eu atendo!—com animação—Deve ser a Mandy!
Chris atendeu o telefone. A ligação era a cobrar. Primeiro
ele achou que fosse um trote ou algo parecido, mas a voz era de um homem sério.
Um policial. Chris ouvia cada palavra angustiante do policial, letra por letra,
e não conseguia acreditar no que ouvia. Passou as mãos sobre o rosto, limpando
as lágrimas. Estava suando frio. Logo depois, ele colocou o telefone no gancho
com força.
Chris: Claire, se arruma rápido.
Claire: O que aconteceu?
Chris: Vai se arrumar, a gente tem que ir…
Claire: Maninho! O que aconteceu! Me fala logo!
Chris: É o papai e a mamãe—Chris disse isso com lágrimas
nos olhos—eles… sofreram um acidente.
Claire: Isso é sério?—Claire jogou os lápis no chão e
começou a chorar.
Chris: Eles morreram, Claire.—Chris saiu correndo na
direção do quarto, batendo a porta com força.
Alguns dias depois
Num dia chuvoso, no Cemitério de Raccon City, ocorreu o
funeral do Sr. e da Sra. Redfield. Claire e Chris estavam abraçados um ao
outro, embaixo de uma sombrinha negra, enquanto um padre idoso fazia os últimos
ritos religiosos. Os poucos parentes que tinham vinham na direção dos dois
irmãos, dando os pêsames.
Claire pegou uma rosa e delicadamente colocou-a sobre a
terra do tumulo de seus pais. Eles foram enterrados lado a lado, bem no canto
esquerdo do cemitério.
A partir daquele dia, Chris deixava de ser apenas o irmão
chato de Claire. Ele virava um tipo de pai e mãe ao mesmo tempo. O jovem
prometeu, no túmulo de seus pais, tomar conta da irmã mais nova, e educa-la o
melhor que pudesse.
Os dois irmãos ficaram mais unidos, mas sempre tinham na
mente a lembrança de seus pais vivos. Chris foi o que mais sofrera, por ser
mais velho e por ter sido aquele que foi identificar os corpos.
Quando Chris foi para a faculdade em Raccon City, alguns
anos mais tarde, ele pediu que uma tia que morava na cidade vizinha cuidasse de
Claire. Os dois irmãos separaram-se, mas sempre mantiveram contato, ligando um
ao outro a cada semana. Sempre.
Aos cuidados da tia, Claire entrou para um colégio local, e
viveu como qualquer garota normal, com seus professores chatos, as tarefas
diárias, estudando—e colando uma vez ou outra—para uma prova, ligando para as
amigas e sendo paquerada pelos garotos da sala. Claire nunca foi uma garota
fácil, muito pelo contrário, sempre gostava de um pouco de romance á moda
antiga, embora tenha beijado pela primeira vez aos quatorze anos, com um cara
do colegial.
Claire completou os seus dezesseis anos com uma festa na
sua casa, sob o olhar vigilante de sua tia, onde convidou todos os seus amigos
e amigas, e ficaram conversando, assistindo á um filme de terror daquele
assassino mascarado e comendo pizza.
Era mais ou menos umas 8 horas quando a campainha tocou.
Claire: Chris!—ela correu, indo abraçar o irmão, que agora
estava diferente, mais velho e maturo, e estava usando um tipo de jaqueta
policial.
Chris: Trouxe pra você—entregou uma caixa embrulhada pra
ela—Espero que goste. Quase nem tive tempo de vir pra cá, peguei o carro e vim
o mais rápido possível. Ah… oi tia Alicia!
Claire: Você ta tão diferente! Achei que você ia deixar a
barba crescer ou raspar o cabelo depois da faculdade!
Chris: Putz… e você hein? Continua aquela magrela que eu
encarnava!
Claire riu, abrindo o seu presente. Dentro da caixa, havia
uma jaqueta de couro com a frase escrita nas costas “Let me Live”.
Claire: Eu sabia que você gostava de Queen, mas não sabia
que queria me viciar com essa banda também!
Chris: Serviu?
Claire: Ficou perfeito! Valeu!
Uns dois anos depois, Claire já
estava começando a faculdade e começara a simplesmente “amar” motocicletas. Com
o dinheiro que ganhava como estagiária na Universidade conseguira comprar uma
moto, a qual Claire ficava “babando” na vitrine da loja todos os dias.
Mas aquela semana estava estranha. Chris sempre ligava nas
quartas-feiras, e continuara a ligar, mesmo tendo entrado pra policia. Um tipo
de esquadrão… como era o nome mesmo? Ah sim, STARS, alguma coisa sobre Resgate
Especial e por aí vai…
Mas aquela semana… ele não ligou. E na semana seguinte e na
terceira também.
Claire sabia que algo estava errado.
Então naquela noite fria de setembro, Claire pegou o seu
capacete e sua moto e partiu para Raccon City, atrás de seu irmão…
Mal sabia ela que aquele foi o seu maior erro. As
Indústrias Umbrella, uma mega corporação farmacêutica com base em Raccon, havia
criado um vírus, chamado T-Vírus, que se espalhou pela cidade, transformando os
cidadãos locais em algum tipo de zumbi, com fome de carne humana, sem qualquer
forma de raciocínio.
Ela temia que seu irmão fosse um deles agora.
Presa em um pesadelo, Claire quase foi morta logo de cara,
se não fosse a ajuda de um jovem policial novato, cujo nome era Leon.
Leon era o tipinho inexperiente, que estava, assim como
Claire, amedrontado, no lugar errado e na hora errada.
Depois de sobreviver á um acidente na estrada, Claire ficou
sozinha, até chegar na Delegacia, onde reencontrou Leon e soube que seu irmão
Chris ainda estava vivo, mas fora de Raccon.
A única mensagem que ele lhe deixara em seu diário—que Leon
encontrara sobre a escrivaninha de Chris—era “Perdoe-me Claire”.
Uma semana depois.
Claire estava sentada na frente de um computador, com um
amigo hacker do lado dela, um que se chamava Tomas, ou alguma coisa parecida, e
que estava á fim dela. Ela não estava á fim dele na verdade, mas ele não negou
ajuda quando ela pediu que ele entrasse—invadisse—no banco de dados do site das
Corporações Umbrella.
Claire: Desgraçados…
Afinal, a Umbrella estava fazendo mais do que simples
Ufsprins, remédios para dor de cabeça e cosméticos…
Como o impacto
de uma bala no corpo, Claire acordou de suas lembranças. Agora, tudo aquilo era
passado.
Tudo havia sido deixado para trás, os momentos bons e os
momentos ruins. Agora, ela estava na sua própria vontade, num terreno
desconhecido. Ela estava lidando com coisas perigosas demais, e fazendo atos
estúpidos como invadir o quartel general das Indústrias Umbrella…
E por falar nisso.
Claire: Onde eu estou?—a jovem levantou-se. Sentia-se
nocauteada. Ela estava em algum tipo de cela escura.
Foi então que um misterioso homem de bigode, parecia meio
espanhol, veio na sua direção.
Droga, preciso
acender o meu isqueiro pra ver a cara do sujeito…
~~FIM~~