
A Missão
Leon Scott Kennedy acordou com o maldito som do
despertador. Não que ele nunca acordasse cedo, muito pelo contrário, mas depois
de tudo o que ele passou na Espanha á dois meses atrás… bem, digamos que ele
começou a gostar de dormir até tarde.
Seis horas da manhã, Leon levantou-se, girou a válvula
do chuveiro e saiu do banheiro, indo em direção da sala para ligar o rádio.
Depois, ele voltou ao chuveiro e tomou um demorado banho.
Apenas de toalha, o agente do governo tentava fazer a
barba, e fazia o possível para que o seu cabelo longo não atrapalhasse. O
telefone toca. Ninguém em sua sã consciência deveria estar ligando pra ele ás…
putz, sete e meia da manhã, mas se alguém estivesse ligando, isso quer dizer
que algo estava errado.
- Kennedy.
- É a
Hunningham.
- Fale. Espero que seja importante. Eu não esperava ir
pra central tão cedo.
- Temos um
problema, Leon.
- Já imaginava. Chego alí em…
- Vinte minutos
no máximo.
- Beleza então. Hei, você ta usando aquela sainha
azul…
A cantada furada de Leon foi interrompida pelo som do
telefone mudo.
***
Agente Kennedy. Era assim que costumavam chamar ele.
Até que é um bom título, comparado com “Policial Kennedy”.
Leon soltou uma risada enquanto lembrava disso. Não
que aquele incidente fora algo cômico, mas… oras, estar em uma cidade cheia de
zumbis em 1998, no seu primeiro dia de trabalho como policial, não era
exatamente uma boa forma de começar uma carreira. Mas ele sobrevivera á aquilo,
e sobrevivera á fatídica missão na Espanha á uns meses atrás, quando resgatar a
filha do presidente de um culto misterioso.
Ingrid Hunningham era o contato de Leon no governo, e
praticamente a pessoa com quem ele mais conversava. Ela apareceu na frente de
Leon, com uma pasta nas mãos.
Ela praticamente jogou-a no colo dele, que pegou a
pasta e deu uma olhada superficial sobre alguns mapas e umas fotos estranhas.
- O que nós temos hoje?—Perguntou ele.
- Certo—disse Hunningham—Nossos contatos no sul nos
informaram de estranha atividade na costa da Argentina. Algum tipo de estranha
fortaleza foi erguida numa região desolada e foi noticiado vários
desaparecimentos na região, habitantes locais.
De repente, Leon deparou-se com a foto de algum tipo
de criatura, de certa forma humana, mas o seu rosto… oh céus… seu rosto,
parecia pálido, sem cabelos, com veias azuladas surgindo, dentes amarelados
ameaçadores…
- Algum tipo de praga tem se instalado dentro daquela
fortaleza, Agente Kennedy—continuou Ingrid—Estima-se que um número muito alto
de infectados esteja na fortaleza e nos arredores. Mais do que isso…
acreditamos que o culpado já seja alguém de nosso conhecimento—novamente,
Ingrid mostrou na pasta a foto de um homem de certa idade, louro, vestido um
uniforme cinza, próximo de algum tipo de complexo.
- Quem é o sujeito?
- O nome dele é Klaus Wulf. Ele é um criminoso nazista
procurado em meio mundo por terrorismo, tráfico de armas entre outras coisas.
Acredita-se que ele seja o causador da infecção, usando de alguma praga nativa
da região.
- Especifique os objetivos, Hunningham.
- O Governo quer que você consiga entrar na base,
pegar uma amostra da praga e… eliminar Klaus Wulf.
- Direta, hein?
- Você parte pela noite. O Exército estará enviando
alguns militares para ajuda-lo na missão, você os encontrará
Leon já estava saindo do escritório de Hunningham
quando ela disse:
- E diga para aquela loura… como é o nome dela mesmo?
Ah, sim, Ashley. Diga para ela parar de ligar pro meu escritório pedindo o seu
número!
***
A ruiva sensual caminhou lentamente até
o telefone que tocava no seu quarto de hotel, em algum lugar da costa da
Argentina. Pegando na mão o gancho, ela já imaginava quem estava do outro lado
da linha.
- Alguma informação nova, Severin?—perguntou ela.
- De certa forma
sim—disse ele—É bom que você chegou
cedo á Argentina. Lembra daquela sua missão, há uns… anos atrás. A fortaleza.
- Sim. Cinco anos depois que eu entrei para a
Sociedade Brimstone.
- Eu recebi a
informação de que os… daemites foram soltos novamente.
- O que? Os daemites… livres?
A ruiva não conseguia acreditar nas palavras de
Severin. Ela tinha certeza que fizera um trabalho completo antes… mas… agora,
ela sabia que alguém estava tentando novamente.
- Klaus Wulf… meu novo alvo.
***
Um avião militar cruzava rapidamente os
céus da Argentina, sobrevoando uma densa floresta. Dentro do avião, Leon
tentava se acomodar nos duros assentos metálicos. Ele estava ao lado de alguns
militares mal-encarados, com seus rostos sérios e preocupados em limpar e
carregar suas armas. Leon verificou se sua pistola estava bem preparada no
coldre, quando um militar se aproximou.
- Agente Kennedy, eu suponho.
- Sim, eu mesmo.
- Eu sou o Coronel Hawkear, responsável por essa
missão. Eu pedi para os meus superiores uma equipe maior com apenas militares,
mas eles insistiram em ter um maldito federal conosco para encontrar uma
amostra da praga.
- E eu imagino que esse “maldito federal” seja eu,
certo?—disse Leon. Hawkear com certeza não era o mais simpático naquele avião.
- Esse é o Major Augustus Ringold—disse ele apontando
pra um camarada sentado no canto, ao lado de um rifle—Ele é um dos soldados com
mira mais precisa disponível. Aquele é o Soldado Harvey Fordness, bom
rendimento físico em campo e especialista
- Leon Kennedy—disse Fordness—Eu presumo. Já ouvi
falar de você. Esteve em Raccoon certo?
Augustus cuspiu no chão, enojado.
- Maldita Umbrella—disse ele.
- Estive—respondeu Leon—E não foi um dia fácil.
- Pois se acha que aquilo foi fácil—disse
Catherine—Isso é porque você não esteve nas linhas inimigas no Afeganistão.
Quatro malditos inimigos me rodeando, eu pego a minha Magnun e dou um jeito
neles…
- Vamos pousar em alguma base por aqui?—Perguntou
Leon.
- O garoto… --disse Hawkear, colocando o seu rifle nas
costas—E quem disse em pousar?
Quinze minutos depois, cinco pára-quedas se abriam em
pleno céu azulado do cair da tarde da Argentina…
Capítulo II:
Vida difícil,
morte fácil
Leon ainda estava um tanto zonzo depois do salto de
pára-quedas. Não que ele nunca tivesse enfrentado coisa pior, mas oras, a idéia
de um salto numa hora como aquela nem tinha passado pela sua cabeça.
Os cinco estavam reunidos em uma clareira no meio da
selva.
- Segundo os rastreamentos do satélite, a base inimiga
deve estar por perto, quinhentos metros daqui talvez—disse o Coronel Hawkear—Soldados,
tomem cuidado. Se viram as fotos das criaturas que estão por aqui, sabem que
temos que ficar de olhos abertos para qualquer coisa. Vamos nos separar em dois
grupos, eu vou com Ferreti; Fordness e Ringold vão com o federal.
Em então os dois grupos se separaram, cada um seguindo
uma direção diferente.
Ferreti seguia o coronel logo atrás, segurando a sua
Magnun pronta para atirar em qualquer instante.
Por um instante o Coronel brincou.
- Se eu levar uma bala no traseiro, Soldado Ferreti,
você vai ter problemas…
Ela pareceu não ser afetada pela piada.
***
Leon Scott Kennedy, o Major Ringold e o Soldado
Fordness seguiram o seu caminho pela selva adentro. Tirando o pequeno
inconveniente com uma cobra em uma árvore, o começo pareceu fácil.
Tirando o detalhe que… a selva argentina estava quieta
demais.
Eles ouviram barulho de alguma coisa se arrastando
pelas folhas secas no chão.
- O que diabos?!—Leon exclamou.
- Shhhh—Ringold estava preocupado.
De repente, uma estranha criatura se ergueu diante de
Fordness. Parecia um estranho ser, com um corpo longo e fino, como uma
serpente, mas com dois pequenos braços e a cabeça… oh céus… era pálida, cheia
de sangue, com um olhar ameaçador…
Rapidamente, a criatura jogou-se na direção do rosto
de Fordness, mordendo-o com toda a força. Fordness gritou o mais alto que pode,
seu rosto começou a sangrar muito…
- Maldição!—exclamou Ringold, começando a atirar na
direção da coisa, enquanto Fordness se contorcia de dor.
Mais três daquelas coisas surgiram. Leon começou a
atirar, mas elas eram rápidas e moviam suas caudas com agilidade. De repente
uma delas jogou-se na direção de Leon, mas ele desviou dando um tiro certeiro
na cabeça da coisa, estourando-a.
Uma daquelas coisas jogou-se na direção do peito de
Fordness, mordendo-o e rasgando a sua carne, fazendo-o sangrar pra doido…
- Mas que merda é essa!—gritou Fordness.
Aquela coisa estava entrando no corpo de Fordness pelo
ferimento! O soldado remexia-se, gritava de dor, enquanto sentia aquilo dentro
de si, rasgando a sua carne, indo em direção da…
De repente, seus olhos começaram a sangrar. Saiu muito
sangue de sua boca e de todas as cavidades possíveis…
No instante seguinte, a cabeça de Fordness explodiu.
Voou sangue, e pedaços de cérebro pra todas as partes… mas… no lugar da cabeça
dele… surgiu uma… uma… nova cabeça. Idêntica á aquela da foto que Leon vira.
Aquele ser, no corpo de Fordness, tomou o controle e
abriu a boca, mostrando aqueles dentes cheios de sangue, suas veias aparecendo
e disse, numa voz grave:
- EU VOU COMER A SUA CARA!
Leon levantou o seu braço, apontando a sua pistola
para a testa dele. Leon atirou…
***
Um jipe militar roubado movia-se com toda a velocidade
possível pelos pântanos no meio da selva. No controle do jipe, estava uma
mulher ruiva, extremamente sensual, vestindo uma roupa de couro justa, o decote
de seu colete deixando muito á mostra. Sobre o seu lado, duas espadas longas de
aço, afiadas, com um mecanismo especial que fazia com que elas ficassem presas
á seu braço. A jovem ruiva sorriu sarcasticamente, mostrando os seus dentes, em
especial os seus caninos, que eram mais longos do que o normal…
Ela freia o veículo e salta dele.
- Ótimo. Hora de botar um fim nisso… de novo.
Rayne, ou BloodRayne começou a caminhar, segurando em
suas mãos as duas espadas, olhando atentamente onde iria pisar e para onde
deveria seguir.
De repente, Rayne cai numa emboscada. Ela se vê no
mesmo instante rodeada por aquelas “coisas”, em formas humanas, sorrindo
malignamente. De suas bocas saiam frases cruéis como:
- EU VOU ARRANCAR A SUA LÍNGUA!
- VENHA, GAROTINHA…
- EU VOU TE VESTIR COMO COURO!
Rayne nem mostrou espanto ou preocupação. Passando
sensualmente sua língua entre os dentes, a ruiva pegou as duas espadas nas mãos
e disse:
- Certo. Quem é o primeiro?
Capítulo III:
As muralhas vazias
Leon Scott Kennedy ainda não conseguia entender a
situação em que se encontrava. Alí estava ele, correndo no meio da selva,
seguido pelo Major Augustus Ringold, enquanto os dois tentavam atirar naquelas
coisas que os seguiam.
Havia muitos deles. Com corpos humanos. Suas faces
pútridas berrando frases ininteligíveis.
- Corra, Kennedy, corra!—gritou Ringold, mirando com
seu rifle e atirando certeiramente na cabeça de um deles.
O agente louro já esteve em muitas encrencas antes,
mas nada parecido com aquilo. Céus… ele estava no meio do mato fechado, um
passo em falso e ele toparia de cara com uma árvore.
- Malditos desgraçados!—gritou Leon, girando ao torno
de si mesmo e atirando novamente na direção de dois que saltavam na direção
deles—De onde vêm tantos deles?
Voltando á sua corrida infernal, Leon e Ringold
apressaram mais ainda o passo, até que de repente…
- Que droga é essa?—Perguntou Ringold, confuso.
Bem na frente deles, havia algum tipo de fortificação
metálica. Alguns muros altos, e um portão fechado. No portão havia um símbolo,
algum tipo de bandeira vermelha. As paredes de metal estavam muito sujas de
sangue.
Leon ouviu uma voz feminina.
- Essa é, ou era, a fortaleza da Guerrilha
Dolorat—disse a soldado Catherine Ferreti, surgindo ao lado do Coronel Hawkear
por detrás de alguns arbustos—Era um grupo separatista que dominava a região,
buscando libertá-la do governo, mas… a fortaleza parece…
- Abandonada—disse Hawkear—É estranho. Deveria haver
uma porção de guerrilheiros por aqui mas não parece haver ninguém.
- Deve ser uma emboscada. Não devemos entrar—disse
Ringold, com cautela—Coronel, o senhor deve ter visto aquelas coisas lá atrás…
faz alguma idéia sobre o que DIABOS ERA AQUILO?
- Nenhuma idéia, major—respondeu secamente
Hawkear—Parece que são algum tipo de parasita que controla corpos humanos. È a
praga.
Catherine lentamente abriu o portão.
- Deve ser seguro lá dentro, se está abandonado.
Ela espiou do lado de dentro, e espantada com a visão…
abriu totalmente o portão…
A visão que tiveram era bem cruenta. Havia corpos de
guerrilheiros jogados por todos os lados, sangue e vísceras em todo o chão, as
paredes manchadas com o sangue e terríveis marcas de mãos.
- Deve ser obra daqueles bastardos lá fora!—disse
Leon, o último a entrar—Cara! Mas que diabos eles são?
- Espalhem-se e vejam se tudo está seguro—disse
Hawkear, apontando as direções.
Embora Leon não fosse exatamente um militar, ele seguiu
uma direção, com sua arma empunhada em mãos.
Seguindo por uma porta de metal semi-arrancada, Leon
entrou em um corredor escuro. Havia um silencio total, exceto pelas gotas de
água (ou sangue) que pingavam em algum lugar. Leon passou sua mão enluvada por
um interruptor e então com um estralo, as luzes ligaram-se.
Leon começou a caminhar, seus pés pisando em um chão
úmido e frio. Imaginando que com o silencio no recinto, não deveria haver
nenhum inimigo, e então Leon colocou sua arma no coldre na perna.
O agente louro virou-se, procurando uma saída, quando
de repente, encarou-se com mais uma daquelas coisas, os olhos de Leon grudados
nos olhos leitosos do outro. A coisa sorriu, mostrando os dentes sujos de
sangue, abrindo a boca e deixando sair um bafo de podridão:
- Não!—gritou Leon, jogando-se no chão…
A coisa vinha seguindo para Leon quando de repente,
ele ouviu um tiro. Na testa do inimigo, havia uma marca vermelha. Sangue saiu,
e um pouco dele pingou na jaqueta de Leon.
Mas quem
diabos…
Leon virou-se para o outro lado, e das sombras surgiu
uma mulher ruiva. Sensual. Lasciva. Encaixadas em seus braços estava um tipo de
espadas gêmeas. Em suas mãos, duas armas estranhas, que Leon jamais vira igual.
A ruiva estendeu o braço na direção dele.
- Pode me agradecer depois—disse ela, Leon notou os
estranhos caninos que ela tinha.
- Obrigado… eu acho—ele levantou-se, passando suas
mãos pela roupa—Qual é o seu nome? E o que você faz aqui?
- Pra que se preocupar com nomes—a ruiva passou sua
mão pelo rosto de Leon. O agente sentiu-se desconfortável—Isso só vai durar uma
noite…
- Leon Kennedy, agente federal do governo dos Estados
Unidos—disse ele—Aos seus serviços. Então pelo menos pode me dizer o que você
faz aqui?
- Negócios inacabados. Você pode me chamar de… Rayne.
- Humm… --Leon analisou Rayne dos pés á cabeça, “putz, ela é bem atraente” pensou ele—Rayne.
Belo nome.
Rayne estava dando meia volta e seguindo o seu caminho
quando Leon disse:
- Hey, aonde você vai?
- Eu tenho que seguir meu próprio caminho.
- Você não vai sobreviver com todas aquelas coisas lá
fora…
- São os daemites.
- São o que?
- Daemites. São parasitas demoníacos que vivem dos
corpos de seres humanos. Eles enrolam o seu corpo frágil na coluna vertebral do
hospedeiro, e então o controlam como um fantoche, até finalmente explodirem a
cabeça do hospedeiro e colocarem a sua própria no corpo.
- Como você pode saber disso?
- Eu já os enfrentei antes. Uns anos atrás. Eu achei
que tinha selado o templo dos Daemites, mas… alguém reabriu o templo.
- Klaus Wulf.
- Como você pode saber disso?—Rayne repetiu a frase,
sorrindo sensualmente.
- Meu objetivo. Pegar uma amostra dos daemites, e
eliminar Klaus Wulf.
- Então eu acho que nossos objetivos são… quase os
mesmos. Podemos trabalhar juntos, ou eu posso matar você e trabalhar sozinha.
Leon estendeu sua mão para Rayne. A ruiva retribuiu o
gesto, sabendo que eles estariam juntos nessa missão. Era estranho… Rayne
sempre tinha um sexto sentido para saber quando as pessoas estavam mentindo,
mas esse homem que ela havia encontrando… ela sentia uma energia forte vindo
dele. Talvez fosse apenas a sua força. Muito
atraente, pensou Rayne.
- A fonte dos daemites fica numa fortaleza nas
montanhas, não muito longe daqui—disse ela—O templo fica abaixo, nas cavernas.
A Fortaleza foi erguida na Segunda Guerra por um alemão nazista maníaco chamado
Jurgen Wulf…
- Wulf?
- Klaus Wulf se considera descendente de Jurgen Wulf.
Jurgen tentou ressuscitar na Alemanha um antigo demônio, mas foi impedido por…
bem… por alguém. Essa fortaleza aqui da Argentina estava abandonada desde a
Segunda Guerra, mas Klaus a tomou de volta. Ele pagou os mercenários Dolorat
para que aprisionassem habitantes da região para servirem de hospedeiros para
os daemites…
- Mas esses “daemites” estão então ajudando Klaus?
- Eu acho que de alguma forma ele os controla. Eu só
não entendo o que diabos Klaus deseja com os daemites…
- Solta-los pelo mundo, talvez—Leon fez um gesto com
as mãos.
- Venha. Siga-me.
Rayne prosseguiu pelo corredor escuro, até uma porta.
Durante esse meio tempo, Leon ficou bem espantado e
admirado com as duas espadas que a ruiva possuía. Eram bem afiadas, o
suficiente para arrancar a cabeça de alguém. Ao mesmo tempo em que pensava
nisso, Leon imaginava quantos anos Rayne teria, 25 ou 26…
Capítulo IV:
A Passagem
Leon Scott Kennedy parecia não entender muito bem a
situação: ele estava mesmo seguindo essa misteriosa ruiva sensual?
Os dois agora estavam em algum tipo de sala de
armamentos. Leon verificou se havia alguma coisa de útil, mas não havia nada.
Apenas caixas vazias de armas e munição.
De repente, a porta estourou e por ela entraram três
daquelas coisas… os daemites.
Aqueles daemites pareciam estar vestidos como
guerrilheiros… e nas mãos tinham…
- Os desgraçados estão armados!—Leon gritou,
jogando-se num canto, enquanto um dos daemites começava a atirar com uma
metralhadora.
Rayne não perdeu tempo e jogou-se pra cima de um
deles, com suas espadas empunhadas. Num movimento rápido, ágil e em pleno ar,
as espadas atravessaram os braços do daemite, arrancando-os.
Leon atirou na direção dos outros dois, seguido por
Rayne, que deu um chute na metralhadora do inimigo, para então finalmente
degola-lo com sua lâmina na mão esquerda.
O ultimo daemite parecia mais forte e tentou morder
Rayne. A ruiva segurou-o pelos braços para finalmente Leon surgir por trás e
golpeá-lo na cabeça.
- Há tantos deles… como pode?—Perguntou Leon, á si
mesmo.
- Klaus deve ter formado algum tipo de exército
nazista… apenas para da-lo de presente aos daemites. Uma última coisa, Sr.
Kennedy…
- Me chame de Leon.
- Uma última coisa, “Leon”. Se um desses desgraçados
te morder, você vai ser infectado. Em pouco tempo, você vai virar um deles e se
isso acontecer, eu mesma irei cortar a sua cabeça…
- Acho que posso dizer o mesmo pra você.
- Não eles não podem me ferir. Eu sou… diferente…
- Como assim? Diferente?
- Eu não sou totalmente humana. Alguns me chamariam de
aberração. Outros, me chamariam de “dhampir”.
- Dhampir?
- Nascida da união de uma humana com um vampiro. Meio
humana. Meio vampira.
Leon soltou uma pequena risada.
- Vampiro?—disse ele.
- Se não quiser acreditar—Rayne ficou um tanto
furiosa—Não acredite. Mas o desgraçado do meu pai estuprou a minha mãe e matou
a família dela. E então eu passei toda a minha vida indo atrás dele e dos seus
servos. Até que eu finalmente vinguei a minha mãe…
- Se você diz…
Rayne guardou suas lâminas de volta nos braços. Ela
seguiu pela porta que os daemites abriram. Quando ela e Leon perceberam, já
estavam no lado externo da fortaleza.
De repente, alguém veio se aproximando. Parecia ser o
major Augustus Ringold. Leon ia chama-lo, quando de repente, ele mostrou a sua
face e disse:
- EU VOU COMER AS SUAS TRIPAS!
Rapidamente, e sem demonstrar expressão em sua face,
Rayne pegou as suas estranhas pistolas e atirou, acertando certeiramente a
testa de Ringold-daemite. Depois de ter matado, ela enfiou a ponta afiada das
pistolas no corpo do daemite e parecia estar… enchendo a pistola de sangue.
- Que tipo estranho de armas são essas?—perguntou
Leon.
- São as Carpathian Dragons—disse ela, terminando de
enchê-las com sangue—Usam munição feita de sangue. Se eu não recarregá-las
periodicamente, começarão a sugar meu próprio sangue.
De repente, um outro daemite saltou na direção deles.
Leon pegou a sua pistola e atirou, lançando a criatura para longe.
- “Carpathian Dragons” apresento-lhes “Matilda”—disse
ele, sorrindo para Rayne, que em resposta sorriu também, mas de forma sedutora.
Do outro lado da fortaleza, surgiram o Coronel Hawkear
e a Soldado Catherine Ferreti, atirando na direção de mais daemites que
surgiam.
- Hey, Federal!—disse Hawkear—A base está cheia de
daemites! Mas… quem é você?—disse ele, apontando para Rayne.
- Sem tempo pra falar!—disse Leon, atirando nos daemites.
- Vamos sair da base!—gritou Ferreti, tirando alguma
coisa de sua mochila e jogando no chão—Rápido!
Rayne reconheceu o objeto no mesmo instante. Aquilo
era um detonador… explosivos.
De repente, Leon, Hawkear, Ferreti e a misteriosa
Rayne correram na direção da saída… quando toda a base explodiu. Voou metal e
pedaços de daemites por todos os lados.
- Que diabos… --disse Leon, levantando-se do chão, á
alguns metros de distancia de Hawkear e de Catherine.
O agente olhou em volta, mas, Rayne havia sumido.
- Rayne?—-disse ele.
- Quem era ela?—-disse Hawkear—-Onde ela está?
Hawkear e Ferreti examinaram as árvores e a vegetação
ao redor deles, mas não havia nenhum sinal da ruiva.
Foi então que Leon encontrou algo que ela deixara em
seu bolso. Um pequeno papel dobrado.
O mapa para a Fortaleza.
***
Rayne deu um chute na porta metálica, tão forte que
quebraria o pé de um humano qualquer. Mas
eu não sou qualquer uma, oh não… pensou consigo mesma.
Céus! Eu nem
sou totalmente humana! Pensou,
pegando as duas armas Carpathian Dragons, aquelas movidas á sangue.
Ela estava na Fortaleza, exatamente como estivera á
anos atrás. Uma grande base militar, camuflada sobre uma montanha. Rayne
começou a atirar na direção de vários daemites que estavam não muito longe.
Começando a correr pela estranha base militar, Rayne
ora atirava e ora defendia-se com suas lâminas duplas.
Mais á frente, a ruiva deparou-se com uma sala cheia
de celas e grades.
- Aquele maldito Wulf deveria estar prendendo as
pessoas aqui antes de da-las aos daemites—concluiu.
De repente, Rayne ouviu passos e vozes humanas. A
dhampir ruiva escondeu-se por trás deu um pilar. Dois soldados encontraram-se,
estavam vestindo uniformes cinzas, um deles parecia ser um superior, enquanto o
outro um simples guarda. O superior disse para o outro:
- O Fuhrer Wulf ordena que as gaiolas restantes sejam
abertas!—disse o superior.
- Senhor, mas os daem…
- Obedeça.
- Mas Senhor, eles vão estar soltos!
O superior, ao ver o guarda tremendo, deu um tapa em
seu rosto. O subordinado, resignado, foi na direção de suas ordens, algumas
gaiolas fechadas.
Rayne disse para si mesma:
- Parece que eles têm os seus próprios problemas. Eu
estou feita aqui.
Dando uns passos á frente, Rayne apontou cada uma de
suas mãos na direção dos dois soldados. E então, de seu antebraço um tipo de
corrente, um arpão foi lançado na direção dos soldados, prendendo-os pelo
pescoço. Eles começaram a se debater, sufocados pelo metal da corrente. Em
seguida, Rayne apertou um pequeno botão sobre o mecanismo em seu braço, e as
correntes, assim como os soldados, foram jogados na direção dela.
Rapidamente, a ruiva pisou com suas botas no peito de
um deles, e jogou-se sobre o pescoço dele.
Ela abriu lentamente sua boca, tocando com os lábios a
pele do soldado, e então seus dentes caninos cravaram-se nas veias dele…
Sugando o seu sangue.
Logo em seguida, ela pegou as Carpathian Dragons e
atirou, acertando os soldados nas testas.
Capítulo V:
A Catedral
dos Sonhos Perdidos
Rayne tentava manter-se concentrada na sua missão, nos
seus objetivos, enquanto corria pela fortaleza militar, mas não conseguia
manter fora de sua mente o agente federal que conhecera á algumas horas atrás.
Era estranho se sentir assim, ela sempre fora uma
pessoa fria, sem sentimentos, movida apenas pela pura vingança. Mas aquele
homem deixara impressionada, pois além de nunca ter conhecido um humano com
aquela coragem…
- Ele nem é tão bonito assim!—disse á si mesmo,
abrindo uma porta dupla.
A primeira visão que teve foi de algum tipo de igreja.
Por que afinal teria uma igreja dentro de
uma base militar? Pensou consigo mesmo.
Andando lentamente, com suas lâminas empunhadas nas
mãos, ela foi reconhecendo os bancos velhos, a estátua em frente deles.
Definitivamente, ela já estivera ali da outra vez, e não fora fácil.
De repente, surgiu um vulto na frente dos bancos.
- O Mestre Wulf disse que a intrusa logo chegaria
aqui!—disse a voz grave—Bem vinda ao seu túmulo!
Rayne virou-se na direção do sujeito. Era um homem
alto e forte, robusto. Metade de sua face era de aparência daemite, mas a outra
ainda era humano. Em seu peito estava um medalhão com o símbolo nazista.
- Oh, eu não estou pronta ainda pra um túmulo—disse
Rayne, sarcasticamente—E com certeza você precisa de uma nova entrada… mais
humilde. Mais fracassado.
- Hahaha—disse ele—Você me faz rir.
- Só me diga uma única coisa: o que diabos Klaus Wulf
deseja com os daemites?
- O Mestre Klaus será o líder da Nova Ordem Mundial.
Ele tem o controle sobre os daemites… ele é o princípio e o fim. Os daemites
são a nova raça! Em breve, eles marcharão pelos países, dominando e destruindo
tudo. Então, o Mestre Klaus será o novo começo!
- E você seria…
- Eu sou o Comandante Hyde Schmidt!—disse ele, com
pompa, apertando as enormes mãos—Segundo em comando…
- Sim, sim. Isso eu já sei. Primeiro vem Wulf. Mas eu
já vou avisando: eu matei o vovô de Wulf, e o que me impede de matar ele
também?
- Pelo visto você conhece a história do grande Jurgen
Wulf—disse Schmidt.
- Pare de falar e venha logo lutar!
- Não me interrompa, sua vadia!
O Comandante Schmidt retirou de suas costas uma grande
Grenade Launcher e rapidamente atirou na direção de Rayne. A ruiva deu um salto
para o seu lado esquerdo, desviando da explosão causada. Novamente, Schmidt
atirou na direção dela, que correu no lado oposto.
O Comandante colocou a Launcher novamente nas costas e
foi em direção da dhampir ruiva. Rayne tentou atirar, mas as balas eram inúteis
contra a pele grossa dele.
Ela decidiu então que era hora de usar não apenas as
suas lâminas… mas a sua Raiva do Sangue…
Apertando fortemente suas mãos, ela sentiu seu sangue
ferver… uma energia estranha percorrer todo o seu corpo, preenchendo suas veias,
cobrindo o seu corpo.
Num movimento rápido, Rayne pegou suas lâminas e
começou a lutar contra o soldado, ela estava mais rápida e mais forte, devido á
Raiva do Sangue. Ora atacava no peito dele, ora concentrava-se nas pernas, numa
velocidade tão incrível que nem ele conseguia segura-la.
De repente, ele pegou, com suas mãos enormes, o
pescoço da ruiva. Ela instantaneamente começou a se debater, dando chutes nele,
até que deu um chute tão forte, que fez ele recuar, largando-a no chão.
Recuperando-se rapidamente e tomando fôlego, Rayne deu
apenas um ultimo golpe com suas lâminas, certeiro, no pescoço dele. Um golpe,
que separou cabeça do corpo…
***
- Atire nos malditos!—gritou a soldado Catherine
Ferreti, em algum lugar da fortaleza, atirando na direção de vários daemites
que vinham pro lado dela, do Coronel Hawkear e do agente federal Leon Scott
Kennedy.
Seja lá onde eles estavam naquela maldita base,
estavam com sérios problemas. A munição estava acabando e já sentiam-se
exaustos.
- Vamos por aqui!—disse Leon, abrindo uma porta ao seu
lado, e entrando, sendo seguido pelos outros dois. Em seguida, Hawkear bloqueou
a porta com uma barra de ferro que encontrara.
Era um corredor muito escuro onde eles estavam. As
paredes estavam sujas de sangue, e havia uma única lâmpada que piscava. Leon
contou mentalmente quantas balas teria, e o resultado não foi muito
satisfatório.
Em um ato de puro cansaço, ele soprou sua franja que
teimava em cair diante dos olhos.
Tentando afastar de seus pensamentos a visão da ruiva,
Leon concentrou-se nos seus objetivos. Bom, o primeiro objetivo ele havia cumprido:
chegara á misteriosa base. Ele pensara o quão larga seria ela…
Próximos objetivos: recolher uma amostra da praga
daemite. Isso deve ser fácil, pensou
ele verificando uma pequena seringa no seu bolso.
E por fim, eliminar Klaus Wulf, o misterioso homem que
causara tudo isso. Leon sabia que ele não era um assassino, e ele sabia que
esse era o motivo daqueles militares estarem ali. Eliminar o alvo. Fazer o
trabalho sujo. E…
- Kennedy, cuidado!—gritou Ferreti, quando um parasita
daemite saltou de algum lugar pra cima dele.
Leon jogou-se no chão, tentando segurar com as duas
mãos o maldito ser.
- Essa porcaria… é… mais forte do que eu pensava!—Leon
disse, colocando toda a força possível na voz e nas mãos enluvadas segurando o
corpo do parasita, que mexia-se e balançava a cauda com força.
O Coronel Hawkear arrancou de seu coldre uma faca e
cravou-a na cabeça da criatura, fazendo jorrar sangue por todos os lados. Por
incrível que parecia, o daemite continuou se mexendo, mesmo depois de ter uma
faca cravada na cabeça.
- Isso não morre, não?—disse Leon, levantando-se.
- São mais fortes do que eu imaginava!—disse Hawkear,
limpando uma gota de sangue de seu uniforme—E Hey! Federal!—ele começou a dar
uma bronca em Leon—Tome mais cuidado da próxima vez!
Vendo que o daemite não morria, Hawkear pisou com toda
a força na cabeça dele, fazendo-a estourar…
Capítulo VI
Sobre
Garotos e Lobos
Rayne estava andando na direção oposta do corpo
decapitado do Comandante Schmidt, quando notou que algo caíra do bolso dele. Retornando
ao corpo, a jovem dhampir ruiva pegou no chão uma pequena medalha dourada, e
nela entalhada a face de um lobo.
- O que é isso?—disse ela, guardando a medalha no
pequeno “bolso”* do seu cinto, onde ela normalmente guardava munição.
Rayne voltou pela porta dupla, saindo da catedral, e
prosseguindo no outro corredor.
Foi então que ela chegou á algum tipo de depósito. Haviam
caixotes e pilhas de coisas guardadas ali. De repente, vários daemites vieram
atirando na direção de Rayne, que se jogou rapidamente atrás de uma caixa e
pegou a suas pistolas de sangue Carpathian Dragons, e começou a atirar em
retorno ás criaturas.
- Desgraçados…
A dhampir atirou certeiramente na testa de um deles,
enquanto corria pelo depósito, desviando das balas inimigas e continuando a
atirar como se não houvesse um amanhã. Um daemite estava no seu caminho, e
Rayne deu um giro de 360 graus, ao mesmo tempo em que chutava a cara dele tão
forte que ela conseguia até ouvir os ossos da criatura quebrando-se.
Continuando a correr, ela percebeu que havia mais
deles bloqueando a porta da saída. Ela guardou suas Carpathian Dragons no
coldre nas pernas para então pegar as lâminas em seus braços.
Ela deu apenas mais um giro em torno de si quando
estava próxima dos daemites, e então voou pedaços de corpos e sangue para todos
os lados.
- Ah, nojento—disse ela, quase de forma irônica.
Passando pela porta, Rayne chegou á um tipo de Sala de
Comunicações. Havia velhos rádios e equipamentos de câmeras por todos os lados,
e monitores, com imagens de todo o complexo.
A ruiva chegou mais próximo de um monitor e então viu
três pessoas andando pela fortaleza: Leon Kennedy e os outros dois que estavam
com ele. Eles pareciam estar bem encrencados: sem munição para as armas de fogo
e com mais daemites no seu encalço. De alguma forma, Rayne sabia, e realmente
queria, que o jovem agente federal conseguisse sair bem dessa, enquanto passava
a sua unha pelo monitor, deixando um rastro de sangue, pois suas mãos estavam
sujas de sangue.
Vendo isso, Rayne passou lentamente sua língua entre
os dedos, limpando o sangue e pegando uns fones de ouvido, sintonizou uma
freqüência num dos rádios que ali estava.
- Severin, é BloodRayne. Severin, você está ali?
- Pronto.
Cambio—disse uma voz, era Severin, um tipo de ajudante de Rayne, que tinha
um forte sotaque britânico.
- Estou na fortaleza e estou usando uns velhos
equipamentos de comunicação. Cambio.
- Bom. Já
localizou o seu alvo? Cambio.
- Não. Mas sinto que ele está próximo. Cambio.
- BloodRayne, há
um sistema de autodetonação no complexo, está localizado no setor oeste,
próximo de um elevador. Localize o detonador e o ative logo depois de ter
eliminado Klaus Wulf. Cambio.
- Roger.**
- Além disso,
você precisa localizar e destruir a fonte dos daemites, fica localizado nas
cavernas subterrâneas abaixo da Fortaleza. Há um elevador no setor oeste que te
levará até o templo dos Daemites, no subterrâneo. Cambio.
- Sim, eu sei. Cambio.
- Cambio,
desligo.
Sem esperar mais alguma ordem, Rayne pegou as lâminas
e enfiou-as no sistema de comunicação. Ninguém poderia saber que ela usara o
rádio.
Saindo dali, ela chegou á uma outra sala, com várias
gaiolas cheias de parasitas daemites, que tentavam morder as barras de aço que
os mantinham presos. Rayne olhou com nojo para eles e disse:
- Essa gente precisa de uns bichos de estimação…
***
Leon Scott Kennedy já estava começando a ficar
realmente com raiva dos malditos daemites. Além deles estarem por todos os
lados, e de dizerem coisas idiotas e nojentas, não tinham medo de lutar, e
lutavam até a morte. O Agente federal, seguindo o Coronel Hawkear e a Soldado
Catherine Ferreti, tentou ligar o seu comunicador, para entrar em contato com a
central, com Ingrid Hunningham, mas a única coisa que tinha era estática.
- Cara, porque essa coisa nunca funciona quando se
precisa!—disse ele, para si mesmo.
Hawkear abriu uma porta no fim da sala onde estavam, e
abriu passagem para um tipo de biblioteca. Havia várias estantes espalhadas
pela sala, em volta de uma grande mesa vazia. Próximo de uma lareira apagada
estava uma bandeira vermelha com o símbolo do nazismo.
Leon deu uma olhada em volta, colocando os olhos sobre
um velho livro que estava sobre a mesa. Algo escrito num velho dialeto sobre
ocultismo, criaturas e lendas do sul… daemites. Folheando o velho livro, ele
viu várias gravuras sobre aquelas criaturas, alguns estudos estranhos. Enquanto
Hawkear e Ferreti davam uma olhada se a Biblioteca estava segura, Leon tentava
ler algumas passagens do livro.
“E no ano de
nosso Senhor de
“Nosso
superior acredita que a fonte inicial de todos os daemites se encontra no
templo subterrâneo…”
“A nova
raça…”
- O que isso significa?—Leon disse, imaginando se
Rayne talvez soubesse mais sobre os daemites.
Hawkear deu um chute em uma pilha de livros,
jogando-os no chão, enquanto verificava se não havia algum daemite escondido na
Biblioteca.
De repente, por detrás de uma estante, um daemite
saltou na direção do Coronel Hawkear. O militar tentou revidar, mas antes que
se movesse a criatura mordeu fortemente o seu pescoço, mastigando a sua carne e
soltando enzimas no corpo dele…
Catherine Ferreti pegou a sua faca e cravou-a no
crânio do daemite, que começou a se retorcer, arrancando a lamina de sua
cabeça. Leon foi na direção da criatura, dando um chute na cara dele, enquanto
Hawkear caiu no chão.
O daemite levantou-se num salto e pulou na direção de
Leon, que desviou á tempo, tentando acertar a criatura com sua faca.
Rapidamente, Catherine agarrou o pescoço do daemite por trás e com um rápido
movimento, quebrou o pescoço do mesmo.
Mas de repente, algo saiu do corpo caído do daemite.
Uma daquelas formas parasitas, que começou a balançar-se pelo chão, tentando
acerta-los com seu rabo.
Catherine chutou o daemite com tanta força que o ser
foi esmagado quando se chocou contra uma parede.
- Tudo ok, Coronel?—disse Catherine.
O Coronel levantou-se com as mãos no rosto. Ele
virou-se para Leon e tirando as mãos do rosto revelou sua face horrível… com
sangue por todos os lados, e uma estranha forma parasita saindo de sua boca.
Com sangue saindo de sua boca, o Coronel disse com uma
voz grave:
- EU QUERO ARRANCAR O SEU CÉREBRO, FEDERAL!
Leon recuou mas antes que ele pudesse reagir, um tiro
acertou a testa do Coronel-daemite. O agente federal tentou ver quem fora o seu
salvador misterioso… mas não vira ninguém. Apenas ouvira o barulho de um
cartucho da bala caindo no chão, e passos correndo. Mas quem quer que fosse,
havia sumido.
***
Aquela parecia ser uma Sala de Monitoração. Estava
tudo escuro, a não ser pela iluminação que vinha dos televisores e monitores
ligados. Um misterioso homem caminhou pela sala, analisando com os seus
pequenos “visitantes” estavam lidando com os daemites. O homem louro, vestido
com um uniforme militar cinza e uma insígnia no peito, olhou para um televisor
e viu duas pessoas: uma mulher loura e um homem na Biblioteca, analisando o
corpo morto de um daemite vestido como um militar.
- Eles são tão estúpidos—disse o homem, com um sorriso
sarcástico, massageando o próprio peito.
O homem então olhou para um outro televisor. Lá ele
viu uma mulher sedutora, ruiva, vestida com roupas pretas e com duas lâminas,
uma em cada braço.
A ruiva foi na direção da câmera, olhando fixamente
para ela.
O homem sentia que ela podia vê-lo.
Ela mostrou o seu dedo médio, e disse algo que, embora
o homem não conseguisse ouvir, conseguira ler os lábios dela.
Fuck you.
Logo depois um tiro na câmera deixou apenas estática
no monitor.
O homem sorriu, de forma sinistra.
- Hora de receber os visitantes.
***
Leon encostou-se sobre a soleira daquela porta,
enquanto a Soldado Catherine Ferreti entrava naquela estranha câmara, para
verificar se tudo estava seguro. Foi então que um misterioso homem surgiu por
detrás de um painel, apertou um botão e antes que alguém reagisse, o chão
metálico abaixo de Catherine começou a se abrir.
- Mas que… --gritou Leon.
O alçapão abriu-se, e Catherine caiu, embora tivesse
tentado se segurar. Lá embaixo, ao invés de cair sobre um chão metálico,
Catherine caiu sobre uma tina cheia de daemites-parasitas.
- Nãããããoooo!-gritou Catherine, enquanto as criaturas
começavam a devorar seu corpo, e ela imóvel, só conseguia sentir os parasitas
entrando em seu corpo, perfurando-a totalmente, sua carne rasgando-se…
Logo depois, o homem louro vestido de cinza apertou
mais um botão e o alçapão fechou-se.
- Meus parabéns. Eu estou vendo que você permaneceu
vivo até agora—disse o homem, uma voz misteriosa, rouca.
- E quem diabos é você?—Leon nem conseguia acreditar
na situação que chegara.
- Eu sou apenas um instrumento do destino. A mão da
imortalidade.
- Nomes. Eu prefiro nomes.
- Eu sou o grande Klaus Wulf! O futuro soberano da
raça daemite!
- Você é insano…
- Não… eu sou um mestre. Interessantes criaturas esses
daemites, não acha?—Parecia que Klaus se deliciava ao ouvir os gritos finais de
Catherine, trancada para sempre no alçapão—Sabe, primeiro eles injetam os seus
corpos parasitas na vítima, por meio de enzimas em sua boca. Depois eles se
enroscam na espinha do hospedeiro, geralmente á força, controlando a vítima…
deliciando-se com sua carne interna… E então, eles arrancam a cabeça da vítima,
colocando a sua própria cabeça no corpo.
- Malditos bastardos…
- Eu passei mais de quinze anos estudando essas criaturas
e nessa noite, finalmente eu serei o mestre deles, agora eu os entendo
totalmente, sei suas fraquezas e seus pontos fortes…
De repente, Klaus abriu o seu casaco militar cinza,
revelando em seu peito uma estranha forma, uma metade de um coração daemite,
presa em seu corpo.
- Há muitos anos, antes da Segunda Guerra, meu
antepassado, o grande Jurgen Wulf tentou ressuscitar um demônio. Na sua busca,
ele acabou encontrando essas fascinantes criaturas que são os daemites. Infelizmente,
Jurgen foi morto por…
- Seu nazista desgraçado!—de repente, uma voz sensual
surgiu do outro lado da sala.
Rayne foi caminhando com passos lentos na direção
deles, com suas duas lâminas empunhadas.
- Oh, eu vejo que a Senhorita BloodRayne juntou-se á
nós!—disse Klaus—È bom que você tenha vindo.
- Não comece a falar essas coisas sem necessidade. Não
vai conseguir falar depois que eu cortar a sua língua fora!—disse Rayne,
mostrando raiva em sua face.
- Enquanto meu avô Jurgen procurava pelo seu
demônio—continuou Klaus, sentindo-se honrado em contar essas histórias—ele não
soube a respeito da origem dos daemites… da “Matriarca”. Da Rainha do Submundo.
A mãe de todos os daemites. Eu recuperei metade de seu coração e hoje, nos
Templos eu recuperarei a outra metade! Eu serei o Mestre dos Daemites! Eu serei
um deus á reger o meu povo! Com as duas metades do coração, eu serei o pastor á
guiar o meu rebanho de daemites…
Rayne lançou-se na direção de Klaus Wulf, dando um
salto, mas o misterioso nazista deu-lhe um golpe tão forte que lançou-a do
outro lado da sala. E foi então, enquanto Rayne estava jogada no chão, que
Klaus foi na direção de Leon…
O agente federal tentou defender-se com sua faca, mas
aquilo era inútil. Klaus já era forte o suficiente.
Klaus pegou Leon pelo pescoço e então espetou a sua
unha na pele do pescoço dele. Da unha de Klaus saiu uma estranha substância que
foi se misturando ao sangue do agente Kennedy. Klaus segurou Leon mais um
pouco, sentindo o quão frágil eram os humanos. Foi então que ele lançou o loiro
sobre Rayne, que estava levantando-se.
Foi então que Klaus desapareceu.
Rapidamente, a dhampir ruiva levantou-se e percebeu
que Leon não estava normal.
- Você está bem?—perguntou ela, acariciando o peito de
Leon, vendo se ele estava normal. Ela podia sentir o seu coração pulsando mais
forte, o sangue correndo em suas veias.
- Eu… meu… pescoço… está… coçando…
- Bom Deus, ele deve ter infectado você.
- Eu… irei morrer?
- Não—Rayne sabia que podia estar errada, ela sabia
que a infecção se alastrava facilmente. Mas, ela não queria perdê-lo tão
facilmente.
Rayne pegou Leon nos ombros, e com um braço ao redor
dele, ajudou-o a se levantar. Os dois começaram a andar, sem saber aonde ir ou
o que fazer. Ela levou-o até uma plataforma, na câmara seguinte, e colocou-o no
chão. Havia uma grande ponte de metal, e
os dois estava bem no meio dela.
- Eu ouvi aquele desgraçado dizer que “entendeu
totalmente os daemites”… suas fraquezas—disse Rayne—Eu acho que ele bem pode
ter encontrado uma cura… Eu tenho que ir atrás dele. Se bem me lembro, há um
laboratório aqui. Ele deve ter feito suas pesqu…
- E se eu virar uma daquelas coisas, Rayne eu quero
que você…
- Você não vai se tornar um deles, eu garanto. Eu
preciso encontrar Wulf, e preciso impedi-lo de encontrar a outra metade do
coração da Matriarca.
Leon se sentiu fraco, e olhando bem nos olhos da
dhampir disse:
- Rayne…
- Leon… eu tenho que ir. O quanto antes—Rayne pegou a
arma de Leon, verificou a munição e recarregou-a com algumas balas que tinha em
seu bolso—Fique aqui. Eu volto… E não arrume encrencas.
Rayne jogou a arma no chão e deu as costas para Leon,
saindo dali antes que ouvisse mais alguma coisa da boca dele.
Alguns minutos depois, Leon já estava sentindo-se
menos fraco, e embora houvesse passado pouco tempo, ele já estava impaciente.
Pegando a sua arma, ele começou a andar quando de repente… um tiro.
Leon viu uma faísca sair do chão, onde a bala
acertara. Com certeza, quem quer que atirara, não queria acerta-lo… agora, pelo
menos.
O agente federal, virou-se, e das sombras surgiu uma
jovem loura de cabelos longos, vestindo uma calça militar, uma camisa negra e
sobre todo o conjunto, um jaleco de laboratório.
A moça tinha um rosto bonito, e olhos azuis profundos.
- Não se mova. Identifique-se—disse ela.
- Leon… Leon Kennedy.
- Ah… Leon. Eu ouvi falar que sua missão era paralela
á minha… imaginava que nos encontraríamos aqui.
- Quem é você?
- Você mudou muito desde nosso ultimo encontro, em Raccoon
á algumas anos atrás. Também devo dizer que mudei um pouco…
- Quem é você?
- E pensar que você nem ligou a mínima para onde eu
estivesse, nem se importou em me usar como se eu fosse um produto, um
passaporte…
- Quem é você??—Leon já estava irritado com todo
aquele lengalenga.
- O nome Birkin representa alguma coisa para você?—A
jovem estendeu mais ainda o seu braço, que segurava uma arma, e dizia aquelas
palavras com uma certa honra.
- Sherry?
=================================
N.A.
*
“Bolso”— esse “bolso” é um tipo de “sidepack”, como aqueles que aparecem
**Roger:
Nas comunicações em rádio, os ingleses usam essa palavra, “Roger”, e significa
algo mais ou menos como: “Entendido e á caminho”.
Esse
capítulo foi mais longo, acho que daqui em diante eles vão ser mais ou menos
desse tamanho.
Capítulo VII
Sherry
Sherry Birkin. Esse era o ultimo nome que Leon
esperava ouvir naquele maldito lugar.
Naqueles poucos segundos, nos quais havia uma Sherry
Birkin adulta apontando uma arma para Leon, os dois em uma plataforma estreita,
o agente federal começou a se lembrar dos acontecimentos em Raccoon, em 1998.
Era o seu primeiro dia de trabalho como policial
Fugindo dele e de outras tantas criaturas, Leon, a
garota---Claire, é… esse era o nome dela---E Sherry Birkin conseguiram escapar
da cidade.
Dois meses depois, Claire foi pra Europa atrás do
irmão dela, e Sherry simplesmente sumiu…
- Não pode ser… você é mesmo a Sherry Birkin que eu
conheci em Raccoon?---Perguntou Leon, sentindo suas pernas bambas.
- Exato, mas pelo visto, ambos mudamos---a voz de
Sherry não era tão infantil e irritante quanto fora, agora era autoritária---E
hoje eu me vingarei de você!
- Mas… eu não fiz nada á você.
- Ah, você é tão idiota, Sr. Kennedy. Tão ingênuo,
igualzinho ao mesmo Leon Kennedy que fugiu de Raccoon. Você é o culpado de eu
ser assim hoje!
- Do que está falando? Eu não estou entendendo…
- Você nunca entende, não é? Nunca se perguntou porque
eu desapareci? Você não imagina, não é? Você me usou como um objeto, seu
passaporte para um cargo do governo! Você me entregou nas mãos dos militares…
eles sabiam o que me pai tinha colocado em mim…
- Está errada… a situação naquela época… as
coisas…---Leon nem sabia mais o que dizer.
- Mas você não imaginava que o comboio militar que me
carregava foi atacado, pelos agentes do Sr. Albert Wesker---Sherry pronunciava
cada sílaba do nome daquele criminoso com respeito---Ele me cuidou. Me criou, e
agora, eu retribuo a gratidão. Eu trabalho para ele…
- Você está trabalhando para Albert Wesker? Como pode?
- A minha missão hoje seria simples, tirando a sua
presença nessa base. Eliminar Klaus Wulf e retirar a amostra da praga daemite
presente no coração da Matriarca.
Leon agora lembrava-se do estranho órgão que Klaus
tinha no peito. O coração da Matriarca, a mãe dos daemites, ou pelo menos,
metade do coração.
- Podemos trabalhar juntos nisso. Não precisa ser
assim!---disse Leon, apontando para a arma de Sherry.
- Acha que eu vou ser tão idiota á ponto de cooperar
com você? Quem você acha que eu sou? Aquela Ada Wong? Não… Você está no meu
caminho, Leon Kennedy. E eu vou eliminar você…
Num movimento rápido, Leon levantou seu pé com toda a
força que lhe restava, e deu um chute certeiro na arma de Sherry. Sherry
disparou contra o teto, logo antes da arma ser jogada longe. Agora era a vez
dela revidar, Sherry deu um chute em Leon, que, por estar fraco demais, não
conseguiu desviar e acabou levando-o no peito.
Ainda jogado no chão, Leon deu um chute nas pernas de
Sherry, fazendo ela cambalear pra beirada da ponte da plataforma.
Agora ela estava quase caindo, segurando-se com toda a
força na ponte de metal, seus pés em pleno ar.
Leon sentiu-se na mesma situação que estivera em 1998,
naquele laboratório, com uma jovem espiã* na mesma situação que Sherry,
indefesa, com sua vida nas mãos de Leon. Sherry olhou fixamente nos olhos dele,
sentindo um pouco de sua raiva passar. Não dava pra ver o fundo da plataforma,
mas com certeza era profundo, e se ela não morresse na queda, com certeza iria
quebrar muitos ossos.
- Kennedy---dizia Sherry, sem fôlego---Eu… Você…
venceu…
As mãos da loira não agüentaram mais, e largaram a
ponte. E ela caiu, mergulhando na escuridão…
- Pobre Sherry—Leon nem sabia exatamente por que disse
isso, mas saiu de sua boca com tanta facilidade que ele até sentiu pena de Sherry
Birkin.
***
O daemite soltou um grito estridente quando seus
braços foram arrancados pelas lâminas afiadas da dhampir Rayne. Ela deu um
chute em um outro que vinha vindo em sua direção, enterrando o salto de sua
bota na cara dele. Rayne apontou a sua mão na direção de um terceiro daemite
que vinha vindo, e apertando o pequeno botão no mecanismo em seu braço, uma
corrente foi lançada, prendendo o daemite pelo pescoço. Apertando novamente o
botão, a corrente retornou ao mecanismo, e trazendo consigo o parasita, que
encontrou o seu destino com as pistolas Carpathian Dragons. Logo após, Rayne
enfiou a agulha da Carpathian na carne do daemite, sugando o seu sangue para
servir de munição á arma.
Continuando a correr por aquele corredor, Rayne chegou
até uma parte que estava bloqueada por várias caixas grandes.
- Não!---disse ela---Bloqueado…
Dando meia volta, a ruiva caminhou na direção oposta.
Entrando por uma porta, ela chegou á uma grande câmara com colunas. Havia
vários daemites pela sala, que de inicio não noticiaram a presença dela.
Ela avistou ao
fundo uma outra passagem. Mas ela precisaria passar pelos daemites antes.
Rayne começou a correr na direção da passagem, e ao
mesmo tempo atirando nos daemites que vinham pra cima dela. Aqueles que estavam
na sua frente, ela simplesmente dava um golpe com as mãos, ou um chute
certeiro.
De repente, um daemite grandão pulou pra cima de
Rayne. Ele estava vestido como militar, era muito resistente e sem medo de
lutar até morrer.
Rayne tentou dar um chute no peito dele, mas foi sem
resultado.
- HAHAHAHAHA---riu o daemite com sua voz
medonha---ACHA QUE PODE ME FERIR?
O daemite tentou pegar Rayne com suas mãos, mas a
ruiva desviou a tempo. Ele era muito rápido e logo estava atacando novamente…
Rayne sabia que ela precisaria de algo mais para
matá-lo.
Foi então que ela percebeu que precisava de raiva.
Não de uma simples raiva. De Raiva do Sangue.
De repente, ela apertou fortemente suas mãos, e sentiu
seu sangue ferver, a raiva correndo novamente em suas veias, guiando o sangue
para suas mãos. Era como o fogo que corria em seu corpo, percorrendo desde as
pontas dos cabelos até os dedos dos pés. Ela pegou as duas lâminas de aço que
estavam encaixadas aos seus braços e empunhando-as, moveu as duas na direção do
pescoço do daemite.
Instantes depois o corpo decapitado do daemite
despencou no chão.
- Hey doçura, não se preocupe---disse Rayne, seu
sangue e humor voltando ao normal---Cirurgias plásticas fazem milagres hoje em
dia…
Rayne voltou á atirar na direção de mais dois daemites
que vinham atrás dela. Duas balas certeiras que derrubaram os dois em segundos.
- Onde diabos está Klaus Wulf?---disse Rayne á si
mesma, e pegando um papel amarelado que saia do bolso do daemite---Um mapa… que
gentileza do nosso amigo.
O mapa era daquele setor da base. Não muito longe dali
havia o Laboratório, e o Elevador próximo. Haviam mais algumas salas á frente,
e uma grande câmara no fim do nível.
Naquele instante que Rayne lembrou-se das ordens de
Severin: “Ativar o sistema de autodestruição que estava localizado próximo do
elevador”. Ela sabia que precisava cumprir essa ordem, não que fosse obrigada,
mas daria um fim naquele lugar.
Mas antes ela precisava achar o antídoto. E salvar
aquele agente federal.
- Laboratório, então?---disse ela, guiando-se na
direção do laboratório.
***
Leon olhou em volta, procurando pela arma de Sherry.
Numa situação como aquelas, qualquer arma seria bem vinda. A plataforma em que
ele estava era estreita e a arma dela devia ter caído longe. Fim da linha, pensou.
O agente federal sabia que Rayne havia dito para ele
ficar alí e não se meter em encrencas, mas ele não conseguiria ficar ali
parado, nem que fosse o fim do mundo. E quanto á se meter em encrencas, bom,
isso é apenas um efeito colateral da coisa.
Então ele começou a andar na direção do outro lado da
plataforma. No fim da ponte, Leon encontrou uma porta semi-aberta e passou por
ela.
De repente, vários daemites parasitas começaram a
surgir no chão, balançando os seus corpos finos cheios de vasos sanguíneos na
direção de Leon, que começou a atirar e pisar em cima das cabeças deles, mesmo
que isso significava sujar todo o seu sapato.
Num instante depois, aqueles parasitas haviam morrido,
alguns pisoteados, outros com tiros. Leon viu uma porta ao fundo e ia na
direção dela, quando de repente, sentiu uma estranha tontura.
Imaginando ser apenas um mal estar, ele continuou a
andar, mas sentiu novamente as tonturas.
Sentiu um forte enjôo, como se o seu estomago
estivesse querendo sair de seu corpo.
Leon cerrou os olhos e perdeu a consciência no mesmo
instante.
***
As portas de aço do Laboratório Oeste
abriram com força, quando uma ruiva com espadas nos braços passou por elas.
Rayne olhou á sua volta, tentando procurar por algum
inimigo, mas a câmara parecia vazia.
- Que lugar interessante---disse ela, passando a mão
sobre um tipo de computador.
Alí parecia ser um laboratório como tantos outros.
Microscópios, computadores, mesas, vitrines com líquidos estranhos.
Numa parede, havia um tipo de diagrama, mostrando um
daemite parasita tomando o controle de um corpo humano.
Rayne procurou entre alguns líquidos algum tipo de
antídoto, mas tudo parecia bagunçado.
- Por que nunca colocam um rótulo no antídoto?---a
ruiva fez uma expressão de raiva.
Dando mais uma olhada, Rayne encontrou uma porta
branca. Entrando por ela, a ruiva chegou á um outro laboratório. Semelhante ao
anterior, mas haviam daemites neste. Eles estavam vestidos como cientistas e
armados com bisturis e facões.
Quatro deles partiram pra cima de Rayne. Ela pegou as
suas lâminas gêmeas e num primeiro golpe despedaçou um deles. Rayne então deu
um chute na cara do segundo, enquanto enfiava uma das lâminas pela garganta do
terceiro. Arrancando a cabeça desse e do anterior, Rayne finalizou o quarto com
um chute forte que lançou-o longe.
De repente, umas gaiolas no fundo do laboratório
estouraram e por elas fugiram vários parasitas daemites, vindo na direção de
Rayne.
A dhampir guardou as lâminas de volta nos encaixes em
seus braços para então sacar as duas Carpathian Dragons.
Ela começou a atirar na multidão de parasitas que
vinham vindo em sua direção. Ela atirou e atirou até que ficasse sem munição.
Muitos haviam sido mortos, mas ela estava agora rodeada por uns dez parasitas.
- Então, vocês são loucos ou só idiotas?---Rayne
disse, enquanto pegava novamente as suas lâminas.
A dhampir ruiva fez apenas um movimento, um giro em
torno de si, suas espadas cortando a carne dos daemites em pleno ar.
Finalmente, havia apenas Rayne e um monte de pedaços de daemites no chão.
Rayne viu ao fundo uma porta dupla. Ela entrou por ela
e então se viu em uma grande câmara metálica, em formato hexagonal. No centro
de toda a câmara, havia um pedestal e sobre ele, um líquido em um frasco.
- Aposto que é o antídoto…
Mas havia alguém guardando o antídoto. Bem em frente
do pedestal, estavam três estranhos guardas, vestidos com alguma armadura
metálica idêntica. Seus rostos estavam escondidos por trás de mascaras
metálicas, apenas seus olhos de fora. Aqueles eram os Guardiões.
De repente, Rayne ouviu um deles falar:
- Você…---disse um deles.
- Nunca…---disse outro.
- Passará.... ---disse o primeiro.
- Por nós---disse o terceiro.
- Ah que legal, os três terminam as frases um do
outro---disse ela, sendo irônica novamente---Será que farão a mesma coisa
quando estiverem despedaçados?
- Você não faz nem idéia…
- De quantos problemas…
- Causou ao Mestre Wulf---terminou a frase o primeiro.
- Jamais passará…---disse o segundo.
- E pegará o Anti-Daemite… ---disse o terceiro.
- Nosso---disse o primeiro.
- E do Mestre… ---disse o segundo.
- O Mestre ordena… ---disse o terceiro.
- Que você morra---o segundo terminou a frase, e os
três pegaram ao mesmo tempo um estranho tipo de espada, cada um com a sua. Uma
espada afiada, de aço puro, uma insígnia nazista encravada no corpo dela.
De repente os três lançaram-se num salto pra cima de
Rayne, que se defendeu com suas lâminas gêmeas. Os três voltaram a atacar, ao
mesmo tempo, e novamente a ruiva teve que se defender. Ela não era do tipo que
gostava de defender-se, atacar era o seu ponto forte.
Rayne deu um chute, que lançou ao mesmo tempo os três
ao chão. Porém, eles rapidamente se levantaram, e voltaram a atacar, mas desta
vez Rayne desviou e enfiou as suas lâminas no estômago de um deles. Foi um
golpe inútil, pois a armadura protegeu-o. Ela novamente atacou com uma lâmina
um outro, mas este se defendeu.
Ela tentou dar um golpe forte no peito de um dos
oponentes, mas teve medo de quebrar uma de suas lâminas.
A dhampir então deu um salto, indo parar atrás de um
dos Guardiões. Foi então que ela golpeou-o com sua espada, bem no pescoço,
separando a cabeça do corpo dele.
Foi então que ela apontou seu braço para a cara de um
deles, e apertou o pequeno botão no mecanismo que estava preso á seu pulso. No
mesmo instante, uma corrente presa ao seu braço saiu do mecanismo em alta
velocidade, quebrando a mascara do oponente, quebrando os dentes e atravessando
a sua carne. Rayne apenas aplicou um golpe semelhante ao anterior, decapitando
o Guardião, seu corpo foi lançado para longe de sua cabeça. Rayne finalizou a
batalha, pegando rapidamente as suas Carpathian Dragons e atirando bem na cara
do último, muitas e muitas vezes…
De repente, Rayne ouviu uma voz grave num alto
falante:
- Você acha que acabou, dhampir?---a voz era de Klaus
Wulf---Pois saiba que ninguém escapa de meus domínios…
- Bastardo!---Rayne gritou, nas esperança que ele
pudesse ouvir.
- Essa será a noite em que eu me unirei á Matriarca
dos Daemites. E ninguém pode impedir.
Rayne ouviu uma sirene.
Alguns segundos depois, começou a sair fogo por várias
cavidades nas paredes metálicas da câmara. Chamas, jatos de fogo vindo na
direção dela. Estava começando a ficar extremamente quente.
Rayne sabia que precisava agir. Ela precisava pegar
aquele maldito antídoto e salvar Leon, isso se ele já não estivesse…
- Ahhhhhh---Rayne começou a correr, com fúria, na
direção do pedestal e do antídoto.
Desviando das chamas de fogo, Rayne rapidamente
alcançou o centro da câmara e pegou o pequeno frasco com o líquido azul, e
colocou-o dentro do seu colete, entre os seios.
- Hora de voltar…
Rayne correu em direção da saída, novamente desviando
dos jatos incandescentes. Trancando a porta por trás de si… Rayne sabia que
precisava fazer mais uma coisa antes de encontrar Leon.
***
- Humm… qual seria o botão certo?---Rayne analisou o
grande gerador ou computador que estava ali.
Sobre ele, Rayne encontrou uma nota:
“Em casos
emergenciais, o Sistema de Autodetonação do complexo deve ser ativado. O
protocolo de segurança fará com que o sistema leve duas horas e trinta minutos
para efetuar a autodetonação, tempo suficiente para todos os indivíduos saírem
na direção das docas…”
- Duas horas e meia então?---Rayne relutantemente
girou uma válvula e apertou um botão de confirmação, e então uma luz vermelha
se acendeu. Sirenes tocaram por todo o complexo.
De repente, Rayne ia saindo, quando ouviu uma voz
vindo do final do corredor. Entre Rayne e a voz feminina havia uma porta
trancada.
- Não mova um músculo---disse a voz, uma mulher loura.
Sherry foi andando lentamente na direção de Rayne, com
uma pistola Magnun
- Ou eu estouro os seus miolos---E Sherry não estava
brincando. Sua mira era perfeita, e agora ela mirava entre os cabelos ruivos de
Rayne.
=======================
N.A
* “Jovem Espiã”: Referencia á Ada Wong, uma personagem
de Resident Evil 2, que “morre” numa queda em uma plataforma, mais ou menos
como a Sherry nesse capítulo. No game, a Ada acaba se apaixonando pelo Leon, e
vice-versa ^^.
Sherry Birkin é uma personagem também de Resident Evil
Capítulo
VIII
Corra,
Rayne, Corra…
- Quem é você?---Rayne virou-se na direção da loira,
tentando reconhece-la, mas jamais vira ela antes.
- Ninguém que lhe interesse---Sherry preferiu ficar
“inidentificável” dessa vez. Segurava firmemente sua arma apontada---Mas eu lhe
reconheci da primeira vez que a vi.
- Então sabe que deve ficar fora do meu caminho…
- Você é aquela dhampir chamada “Rayne”. Eu deveria
imaginar que você estaria aqui. O meu chefe tem um interesse especial
- Seu chefe?
- Albert Wesker. Reconhece o nome?
Albert
Wesker. Sim, Rayne já ouvira esse
nome. Já conhecera o sujeito. Esse era uma das pessoas que Rayne esperava
jamais encontrar novamente. Sujeito cruel, um criminoso, insano… um dos poucos
que fugiram de Rayne.
Rayne e Wesker haviam se encontrado á alguns anos
atrás, em Londres… alguns vampiros estavam tentando encontrar uma antiga
relíquia, Rayne os impediu, mas foi então que o misterioso loiro de óculos
escuros surgiu da escuridão. Os dois lutaram, mas ele acabou levando a
relíquia.
- E como vai o bom e velho Wesker?---Rayne fez isso
parecer quase irônico---Ele está por aqui?---Por favor, garota, diga que sim, Rayne pensou em dez maneiras
diferentes de matar Wesker.
- O Sr. Wesker está á salvo, protegido em sua base de
operações. Mas isso não vem ao caso agora. E não se mova, pois eu não quero
errar o meu tiro…
- Nem ao menos sei o seu nome, menina.
- Não me chame de MENINA!---Sherry disse isso com uma
certa raiva. Embora ela tivesse idade suficiente para ser considerada adulta,
se comparada á Rayne, sim, ela era uma menina.
- Se você está aqui á mando de Wesker, então isso quer
dizer que está aqui atrás de alguma coisa. Klaus Wulf? Dos daemites?
- Ele também é seu alvo, não é? Ambas estamos aqui
para eliminar ele. Mas você será eliminada antes…
A frase de Sherry foi interrompida por um barulho.
Pareciam passos, correndo. Alguém ou alguma coisa muito grande, vindo na
direção delas.
Sherry ficou preocupada, olhando em volta.
De repente, a porta que estava entre Rayne e Sherry
estourou. Por ela, surgiu o Comandante Hyde Schmidt, aquele contra qual Rayne
lutara na Catedral. Mas ele parecia mais monstruoso, e sua cabeça era de forma
daemite. De sua boca saiam tentáculos, seu uniforme militar nazista agora
estava totalmente sujo de sangue.
Sherry começou a correr na direção da porta pela qual
entrou, e quando percebeu que o Comandante voltara os olhos para Rayne, Sherry
disse:
- Vejo você mais tarde---Sherry saiu pela porta, trancando-a
atrás de si.
Agora era Rayne e o Comandante Daemite Hyde Schmidt. A
ruiva pegou rapidamente as suas lâminas nas mãos, analisando o inimigo.
A situação para Rayne estava desvantajosa: ela estava
num longo corredor largo, e só havia duas opções: lutar ou correr.
- EU VOU… PEGAR-TE… SUA VADIA!---a frase do daemite
saiu atrapalhada pelos tentáculos que saiam da boca---WULF QUER RUIVA MORTA.
SCHMIDT MATA RUIVA.
- Segundo “round”…
O Comandante tentou pegar Rayne com suas mãos, mas a
ruiva desviou, pouco antes de golpeá-lo, nas costas, o que pareceu não ter
efeito. Ele tentou novamente ataca-la, com alguns socos, mas novamente ela
jogou-se no chão, desviando. Foi então que Rayne pegou suas Carpathian Dragons
e começou a atirar na direção dele, mas a pele dele parecia tão grossa que nem
as balas de sangue atravessavam.
Ela tentou ganhar alguma distancia, correndo para o
fim daquele estreito corredor. Os dois vieram correndo de encontro um ao outro,
quando Rayne enfiou suas lâminas pelas costelas dele.
O inimigo soltou um berro estridente, e os tentáculos
em sua boca ficaram visíveis. Anormalmente visíveis.
Quando Rayne percebeu, os tentáculos haviam aumentado
de tamanho, parecendo três línguas que saiam da boca dele.
O Comandante Schmidt-daemite fez um movimento com a
cabeça que lançou os tentáculos na direção de Rayne, que desviou do ataque. Ele
novamente lançou os tentáculos, mas dessa vez Rayne cortou-lhe as línguas
usando as lâminas gêmeas. Soltando um outro grito cheio de sangue, o Comandante
daemite gritou:
- AHHHHH!! AINDA NÃO ACABOU!!!
Rayne achava que tinha visto muitas coisas grotescas
na sua vida. Mas nada como aquilo: a cabeça de Hyde Schmidt rachou-se, e dentro
dela saiu um liquido branco, pastoso, e por alí, surgiram várias garras. Nas
mãos dele, surgiram mais garras esbranquiçadas, quase como dedos sobre os dedos
dele. O uniforme sujo de sangue dele rasgou-se no peito e sua carne abriu-se, e
pela abertura saíram três tentáculos.
- Garoto, você é feio que dói!---disse Rayne, com nojo,
preocupação e repulsa.
Rayne saltou e em pleno ar golpeou a criatura,
cortando um dos tentáculos em seu peito. Antes que ela pudesse reagir, os
outros dois tentáculos agarraram-na, aproximando seu corpo perigosamente
próximo demais do daemite. O rosto dela estava quase colado no rosto nojento
dele.
- Urgh---Rayne estava com nojo. Aquela que bebera
sangue a vida inteira, estava realmente enojada.
Ela se debateu o máximo que pode, até finalmente
conseguir pegar as lâminas e cortar os tentáculos, livrando-se deles.
Novamente, o daemite soltou um grito, provavelmente
tentando intimida-la.
Rayne segurou firmemente as lâminas, suas mãos
pressionando o cabo das espadas, olhando fixamente o Comandante Hyde Schmidt e
suas mutações grotescas. Ela aplicou apenas três golpes com as lâminas… três
únicos e rápidos golpes.
E antes que ele percebesse, seus braços foram
arrancados. E quando ele tentou gritar, não conseguiu…
Sua cabeça desprendeu-se do corpo.
Logo depois que o corpo de Hyde Schmidt desabou no
chão, Rayne ainda aplicou-lhe um ultimo golpe na espinha, para ter certeza que
ele estava morto dessa vez.
Ela verificou o frasco do antídoto entre seus seios.
Era incrível, ele estava inteiro, mesmo depois daquela luta.
- Ok, Rayne---disse á si mesma---Hora de correr!
A dhampir ruiva começou a correr o máximo que pode,
passando pelas portas, corredores e salas. Ela precisava encontrar logo aquele
agente federal, antes que fosse tarde… isso é, se já não fosse tarde. Ela
tentou afastar esse pensamento da cabeça, enquanto jogava-se contra uma porta
para abri-la.
Apenas ouvia-se o som do salto alto de metal das botas
de Rayne, chocando-se contra o chão, o impacto, sua respiração pesada enquanto
corria, a exaustão. Ela deveria fazer todo o percurso de volta, em muito menos
tempo que ela levara para vir.
Finalmente, a última porta. Leon deveria estar do
outro lado, Rayne esperava.
Quando a ruiva chegou á plataforma de metal onde
deixara Leon, percebera que não havia nem sinal dele.
- Oh, Céus!---Rayne ficou impaciente.
A Ruiva começou a olhar, desesperadamente por todos os
lados, até que viu uma porta aberta no fim da ponte. Correndo até a direção da
porta, Rayne então chegou á uma sala…
Um corpo no chão. Um homem louro.
- Leon!---Rayne jogou-se no chão, ao lado dele.
O agente federal estava numa situação péssima. Seu
rosto estava todo suado, sua pele pálida, seus olhos fechados, pressionando as
pálpebras, como se estivesse tendo um pesadelo.
Rayne afastou do rosto dele os cabelos da franja, que
estavam ensopados pelo suor. Por um instante, a dhampir achou que era tarde
demais. Ela moveu seus olhos na direção do rosto dele, que mesmo naquela
situação parecia calmo, quase numa serenidade… fúnebre.
Ela pegou o antídoto, do local onde ele estava, e
aplicou o liquido—com uma seringa que levara junto do laboratório—no braço do
loiro, esperando que fizesse algum efeito.
- Leon… por favor---disse ela, afastando novamente uma
mecha de cabelo do rosto dele---Não morra ainda… Leon…
Antes que ela pudesse perceber, a ruiva sensual estava
segurando entre as suas mãos, a mão direita de Leon, sentindo a temperatura do
corpo dele em contato com á sua. Acabou,
pensou ela, é simplesmente tarde demais.
Rayne encostou a sua cabeça no peito de Leon,
esquecendo ali toda a situação em que ela estava agora. Ela queria que tudo
fosse para o inferno, os daemites, Wulf, a Matriarca… era ela e um cadáver
agora.
Lembrou-se de repente de todas as pessoas que perdera,
sua mãe, a família dela, o homem que fora um pai adotivo, sua melhor amiga e
mentora… Uma lágrima saiu dos olhos esverdeados dela. Não qualquer verde, um
verde translúcido, quase anormal.
Com a cabeça encostada no peito dele, Rayne ouviu
algo. Talvez fosse… sim, Rayne
começou a sentir o sangue dele começar a bombear novamente, o coração pulsando…
sua respiração pesada. A boca de Leon abriu-se devagar, e dela saiu uma única
palavra:
- R… Rayne…
- Leon!---Rayne não se conteve e abraçou o loiro, a
cabeça fraca dele no ombro dela, seus braços quase imóveis nas costas de Rayne.
O que ela estava
fazendo? Ela não podia estar
abraçando o sujeito… não! Ela era uma assassina, ela não podia fazer uma coisa
dessas… ela caminhava sozinha e não podia sentir…
Amor?
Rayne tentou afastar de sua cabeça esse sentimento,
julgando ser apenas uma coisa para atrapalhar a sua vida. Ela matava, caçava
ameaças sobrenaturais de todo o tipo, e isso era a ultima coisa que ela
precisava. Ela era meio vampira, tinha sangue vampiro, e vampiros não deveriam
ter sentimentos de afeto… Mas ela também era meio humana…
- Achei que você tinha morrido!---Rayne voltou á sua
natureza fria---Eu não disse para ficar onde eu…
- Pelo… visto… você não me conhece---disse ele,
passando a mão sobre o rosto, tirando o suor da frente de seus olhos---Não
consigo ficar muito longe de… problemas.
Leon tossiu, um pouco de sangue saiu de sua boca.
- Como se sente, garoto?---Perguntou Rayne.
- Tonto… fraco… encontrou Klaus Wulf?---Rayne teve de
soltar um pequeno riso, até alguns minutos ele estava morrendo e agora estava
falando de trabalho.
- Não, mas eu suspeito que ele foi para o subterrâneo.
Há algumas cavernas e um templo, a outra metade do coração da Matriarca deve
estar por lá. Preciso chegar lá. E temos pouco tempo…
- Espere… eu… só vou descansar um pouco e vou com
você…
- Você deve estar brincando, não é?
Capítulo IX
Abaixo da
terra
Quando a dhampir Rayne colocava alguma coisa na sua
cabeça, ninguém tirava de lá. Ninguém… até agora.
Ao seu lado estava um agente federal, Leon Scott
Kennedy. Alguém que ela havia conhecido naquela mesma noite.
Rayne tinha um talento “natural” para atrair homens,
mas nunca se imaginou naquela situação, do outro lado da moeda, sentindo alguma
coisa a mais por aquele homem.
- Estamos muito longe do elevador?---Leon perguntou,
referindo-se ao elevador que os levaria para o subterrâneo.
- Não muito. Acho que deveríamos nos apressar um
pouco---Rayne ainda não havia contado á ele sobre o sistema de autodestruição,
que se ativaria dentro de duas horas.
Dois daemites surgiram do nada na frente dos dois. Leon
recuou um pouco, enquanto começava a atirar em um deles, tentando mirar na
cabeça da criatura, embora estivesse um pouco tonto ainda. Rayne pegou uma de
suas lâminas e cravou-a no corpo do segundo daemite, cortando-o pelo meio.
- Eu espero que não haja tantos deles no
subterrâneo---disse Leon.
- Não conte com isso, garoto---Rayne apontou na
direção de uma porta---O subterrâneo guarda o Templo dos Daemites. A fonte
deles. A outra metade do coração da Matriarca Daemite deve estar por lá…
- Como você sabe tanto sobre esse lugar? Com certeza
você já esteve aqui antes e…
- Não pergunte.
- Mas eu quero saber.
- Vai ficar querendo.
- Ouça---Leon pegou Rayne pelo braço---É hora de botar
as cartas na mesa. Por que você tem que ser tão misteriosa? Eu tenho certeza
que você sabe mais do que está contando…
Leon tinha um faro para saber quando alguém escondia
alguma coisa. O ruim era que esse faro geralmente falhava com alguma mulher
bonita. E Rayne não era só bonita. Ela era com certeza a mulher mais sensual que
Leon já encontrara.
Rayne preferiu ignorar Leon, embora fosse difícil, e
soltou-se dele, indo na direção da porta. Ao abri-la e passar por ela, os dois
tiveram uma surpresa:
Lá estava Sherry Birkin, encurralada por vários
daemites.
- Sherry?---Leon não sabia que Sherry sobrevivera de
alguma forma.
- Espere um pouco… vocês dois se conhecem?---Agora era
Rayne que não entendeu as coisas.
Instantaneamente, Leon começou a atirar nos daemites
que vinham pra cima de Sherry. Rayne ajudou Leon, enquanto atirava com sua
Carpathian Dragon.
Quando os daemites estavam caídos no chão, de repente,
Sherry sacou a sua Magnun. Antes que pudesse atirar, Rayne lançou-se pra cima
dela e arrancou a arma das mãos da loura. A dhampir pegou Sherry pelo braço e
prensou-a contra a parede, segurando as mãos dela nas costas.
- Agora eu quero umas respostas, senhorita---disse
Rayne---Primeiro qual é o seu nome, e o que faz aqui!
- Vá se…---a frase de Sherry foi interrompida pela voz
de Leon.
- O nome dela é Sherry Birkin---disse Leon---Ela é uma
sobrevivente da catástrofe
- É isso eu já sabia, tive o desprazer de conhecer a
figura---Rayne, enquanto segurava Sherry com uma mão, guardou no coldre as
Dragons.
- Seus desgraçados, vocês não vão me segurar
aqui!---disse Sherry---E você Leon! Vai me pagar por ter me largado nas mãos
dos militares!
Quando saíram—fugiram—de Raccoon City, em 1998, Leon
entregou Sherry nas mãos do exército, ele achava que ela ficaria segura com
eles. Mas algo saiu errado… e Sherry sumiu. Ela havia explicado pra Leon no
primeiro encontro deles na Fortaleza que o comboio que a levava foi atacado
pelos agentes de Albert Wesker, e Sherry então foi criada por ele.
- Eu não sou culpado de nada, Srta. Birkin---Leon
tentou fazer isso quase mecânico---Eu… queria o melhor pra você. Você era só
uma garotinha na época…
- Garotinhas crescem---disse Rayne.
- Eu só não entendo---disse Sherry---Por que vocês me
ajudaram? Por que não me deixaram morrer?
- Esse não é o meu estilo---Leon pegou a arma de
Sherry no chão e colocou no coldre dela, mas como ela estava sendo segurada por
Rayne, não poderia pegar a arma---Escutem… nós três… estamos aqui, no meio de
todo esse caos. Nossos objetivos são os mesmos, pegar uma amostra da praga do
coração da Matriarca e eliminar Klaus Wulf… então, por que não cooperamos
juntos?
- Mas se Wesker… ---As palavras calmas de Leon estavam
fazendo efeito. Sherry estava se lembrando de Raccoon City, de Leon e de Claire
Redfield, de como ele a ajudou.
- Dane-se Wesker!---Pelo visto, Rayne gostara da idéia
de trabalharem juntos, embora “esse não fosse o seu estilo”---Se eu te soltar
agora, Srta. Birkin, prometa que não vai tentar fazer nada… pois se tentar…
saiba que não vai ver o dia amanhecer.
Rayne lentamente foi soltando os braços de Sherry. A
loira acalmou-se, olhou bem nos olhos dos dois, e de repente começou a correr.
Rayne ia atrás dela, mas Leon disse:
- Não, Rayne---disse ele---Deixe ela ir…
Leon entendia agora Sherry. Ela era uma espiã
competente, e deveria seguir os seus objetivos, mesmo eles sendo contra a sua
vontade.
Sherry continuou a correr, sem olhar para trás.
Atravessando algumas salas, ela de repente se deparou com algo terrível, um ser
monstruoso… na sua frente.
Um grito. Foi apenas isso que Leon e Rayne ouviram,
seguido por alguns tiros. E mais um grito. E depois o silencio.
- Pobre garota---Leon sabia que ela deveria ter sido
morta em algum momento de distração, durante a corrida.
Leon ficou um momento em silencio, e Rayne preferiu
respeitar. Pouco depois ela disse:
- Temos que continuar.
O agente federal fez um sinal positivo com a cabeça, e
logo em seguida, os dois seguiram pela fortaleza.
***
Rayne jogou um maldito daemite na direção de uma porta,
que estourou. Atirando bem na cabeça dele, e o eliminando, os dois chegaram até
algum tipo de docas internas. Parecia estar dentro da montanha, e algumas
embarcações estavam ancoradas.
A dhampir olhou com preocupação para a água.
- Ótimo. Água. Era tudo o que eu precisava.
- Por quê? Tem medo de tomar um banhinho?
- Não brinque com uma coisa dessas. Eu sou uma
dhampir. A água queima a pele de dhampir’s. É a nossa fraqueza. Então você deve
ter uma idéia do quanto “eu amo água”.
- O.k. então. Mas---a mente “maliciosa” de Leon
começou a funcionar---Então como você toma banho?
- Simples---Rayne tentou ser sarcástica---Eu me banho
em sangue.
Aquilo não tinha muita graça. Segundo Rayne, ela era
meio vampira. Á principio Leon não acreditou muito nisso, mas ao ver os dentes
caninos afiados dela, ele começou a imaginar que ela estava mesmo falando a
verdade. Isso só a fazia parecer mais cativante, talvez todos os vampiros
tivessem um tipo de atrativo.
- É melhor seguirmos pela fortaleza---Disse Leon---Há
uma porta…
O agente federal nem havia percebido, mas Rayne já
estava saindo pela porta lateral.
***
Leon pressionou um pequeno botão ao lado das portas
metálicas do elevador. Instantes depois, elas se abriram. Os dois entraram no
elevador, que parecia mais uma gaiola. Antes de pressionar um outro botão,
Rayne disse:
- Você está realmente bem?---Ela disse isso enquanto
armava-se com suas lâminas---Eu quero dizer… você quase morreu.
- Eu estou O.k. agora.
- Se você diz…
As portas fecharam-se e pouco depois, o elevador
começou a descer. Ao subterrâneo.
- Rayne… você sabe… meus objetivos aqui. Pegar uma
amostra da praga e… eliminar Klaus Wulf.
- Eu já percebi isso---Rayne passou o seu dedo
indicador, a sua unha, pelo rosto de Leon. Isso deixou-o um tanto desconfortável---Você
não tem cara de ser um assassino. Você não é uma maquina de matar… como eu---Ao
invés de se vangloriar de sua força e agilidade, Rayne abaixara a cabeça, como
se sentisse o peso de sua consciência.
- Se eu encontrar Klaus Wulf eu vou…
- Você não vai encontrar Klaus Wulf. Á julgar pelo o
que eu vi dele, ou ele vai te encontrar primeiro, ou eu encontro ele antes.
- Ele mencionou o avô dele, Jurgen. Segunda Guerra
Mundial. Você tem alguma ligação com…
- Chega de perguntas.
- Mas…
- Por favor. Não me faça mais perguntas.
- Está bem. Acha que Klaus já encontrou a outra metade
do coração da Matriarca?
- Provavelmente, eu espero, que não. Já teríamos
percebido. Ele já tem a primeira metade, e isso lhe deu uma força descomunal.
Imagine quando ele tiver a outra metade… será um deus.
Cerca de um minuto depois, as portas novamente
abriram-se, revelando as cavernas, o Templo dos Daemites. Uma rede de cavernas
e minas interligadas, escuras, a não ser pelas lamparinas e lâmpadas velhas,
que pouco iluminavam. O cheiro de morte era presente em todos os lugares. As
paredes de pedra escorriam água. Sons estranhos eram ouvidos por todos os
lados.
Rayne deu o primeiro passo para dentro das cavernas. Droga, aquele lugar estava diferente
desde a última vez que viera ali.
- Vamos por aqui!---ela apontou para uma passagem á
sua esquerda.
Seguindo em frente, de repente, alguns daemites
parasitas surgiram de buracos nas paredes. Havia muitos deles, muitos mesmo. Rodeando
com suas caudas Rayne e Leon. Imediatamente, a ruiva pegou as suas lâminas
gêmeas e começou a triturar as criaturas, enquanto Leon atirava pra todos os
lados.
Rayne espetou uma das criaturas em sua lâmina e
jogou-o na direção de outros três e Leon pisou com toda a sua força na cabeça
de um outro. Logo em seguida, teve que dar um chute para desviar dois deles que
saltaram pra cima dele.
- Por aqui, Leon, rápido!---Rayne apontava para uma
outra passagem, que estava aparentemente segura, sem daemites.
Atirando uma última vez, Leon correu na direção que
Rayne apontava, enquanto a dhampir enfiava a lâmina da Carpathian Dragon na
cara de um daemite, recarregando as suas pistolas com o sangue dele.
Enquanto Leon corria, Rayne dava-lhe cobertura,
atirando nos daemites desgraçados, que persistiam em segui-los.
O agente federal seguiu por um túnel escuro, correndo
sem ter certeza de onde estava indo. Seus sapatos pisando com força no chão
úmido, sua respiração pesada, seu coração acelerado. Poucas luzes, as vozes dos
daemites. Que caminho seguir? Aquilo
parecia mais um labirinto! Quando ele deu conta de si, percebeu que estava
sozinho.
- Rayne?---Leon tentou chamar, mas tudo o que ouviu
foi o eco de sua voz nas paredes de pedra do túnel---Droga…
Diminuindo o passo, Leon chegou até uma porta dupla. Com
o pouco de força que lhe restava, ele abriu a porta, enquanto restaurava o
fôlego.
Entrando na estranha câmara, o loiro esperava
encontrar um lugar seguro. A sala era ampla, vazia, de forma retangular. O piso
frio, tinha uma coloração acinzentada. Quase toda a sala estava imersa na
escuridão. Leon ouviu uma voz, o estranho nazista surgiu das sombras:
- Pelo visto você sobreviveu ao parasita que eu lhe
dei de presente---a voz de Klaus Wulf parecia mais sarcástica do que nunca.
Klaus Wulf parecia um monstro. Não na aparência
física, mas sim na fúria e na ganância de seu olhar, o uniforme semi-aberto,
mostrando a metade do coração da Matriarca fixamente preso ao seu peito…
Leon cerrou os dentes, pressionando os seus caninos
nos lábios, fazendo-o sangrar. Era hora
do acerto de contas.
Capítulo X
Acerto de
contas
- Eu me impressiono com a forma que você conseguiu
sobreviver---Klaus Wulf se orgulhava de suas criações---Ninguém conseguiria
viver por mais de dez minutos com a benção daemite em seu corpo.
- Acho que você se enganou---Leon foi pegando
lentamente Matilda, a sua arma no coldre.
- No fim, isso não importa---O nazista foi saindo mais
ainda das sombras, a metade do coração da Matriarca fixado ao seu peito, a
insígnia nazista em seu casaco, o quepe cinza com o símbolo do falcão---Pois
você morrerá em minhas mãos!
- Não sou tão fácil de matar quando você imagina,
Wulf.
- Humanos são fracos. E você não é nada mais que um
humano. Um humano… um mortal.
- E você é o que? Algum tipo de alienígena por acaso?
- Quando eu conseguir a outra metade do coração da
Matriarca… eu serei O Mestre dos Daemites! E nada, e nem ninguém me impedirá…
- Eu e Rayne não deixaremos!
- Ah… Rayne… BloodRayne. Por acaso você sabe a verdade
sobre aquela vadia ruiva?
- Sei o suficiente---Por um minuto, Leon lembrou-se
que não sabia quase nada sobre ela.
- O meu avô, Jurgen Wulf… um general nazista da
Segunda Guerra, estava atrás das relíquias de um demônio. Assim como eu, ele
queria o poder. Mas ele foi impedido, morto… pela sua amiga Rayne.
Leon quase engasgou com isso, se não estivesse com
tanta raiva. Segunda Guerra? Rayne
matou o avô de Klaus Wulf, um criminoso da Segunda Guerra! Então ela teria… uns
oitenta anos no mínimo!
- Está blefando!---Leon tentava acreditar que Klaus
estava mentindo mesmo, mas Rayne disse ser uma “dhampir”… havia mais em uma
dhampir do que o agente federal Kennedy imaginara.
- Se não acredita em mim, eu não me importo!
Klaus Wulf ergueu as mãos e juntou-as. De suas mãos
surgiu uma luz, um círculo ardente… chamas. O alemão apontou seus braços na
direção de Leon, lançando chamas ardentes na direção do loiro.
Leon jogou-se no chão, rapidamente desviando das
chamas, que atingiram uma das paredes. Ele levantou-se, apenas para desviar
mais uma vez, quando Klaus lançou mais fogo na direção de Leon.
Novamente, Wulf voltou a lançar labaredas de fogo por
sobre Leon, que embora desviou novamente, acabou queimando o seu braço. Jogado
em um canto, o agente federal pôs a mão sobre a jaqueta rasgada na altura do
braço, sentindo o local da queimadura. Seus cabelos estavam novamente
encharcados pelo suor, sua visão quase embaçada, o suor começando a pingar pelo
seu rosto, pelo seu corpo, deixando suas roupas grudentas.
- Ahahaha---A risada sarcástica de Wulf---Eu tenho mais
truques do que você imaginava, não é mesmo?
- VÁ SE FODER!---Leon berrou as palavras com raiva,
misturadas com saliva que saia de sua boca, ele apontou Matilda, sua pistola e
começou a atirar na direção de Klaus.
Ele descarregou toda a munição que tinha no maldito,
mas não pareceu funcionar. Era como se as balas se desintegrassem quando
chegavam perto dele.
Largando a pistola no chão, o que era raro, Leon
decidiu dar um jeito em Klaus com as próprias mãos. Quando ele percebeu, os
dois estavam encarando-se, um em frente ao outro, circulando-se, como dois
leões ferozes.
Leon tentou dar um chute na direção do rosto de Wulf.
Instantaneamente, Wulf agarrou o pé de Leon em pleno ar, e elevando-o mais
ainda, o agente federal sentiu-se sem chão, numa posição desconfortável, isso
pouco antes de Wulf larga-lo no chão. No instante seguinte que seu corpo
chocou-se contra o chão, Leon deu um chute forte nas pernas de Wulf, golpe que
fez ele cair no chão.
Os dois se afastaram. Novamente estavam se encarando. Dessa
vez, Leon preferiu usar de uma ultima carta que tinha na manga. Uma carta não,
duas. Levantando um pouco as pernas da calça, mas ainda com os olhos fixos em
Klaus, Leon retirou das fivelas de couro presas á suas canelas, duas facas.
Duas lâminas afiadas. Não tão grande quanto ás de Rayne, mas por ora deviam
servir.
Ao ver as novas armas de Leon, Klaus apertou
firmemente sua mão direita. A parte do coração daemite começou a pulsar feito
doido, bombeando um sangue impuro por todo o corpo do nazista, chegando às
mãos. Foi então que as unhas de Klaus cresceram, viraram garras, garras tão
resistentes quanto metal.
Klaus atacou Leon com suas garras, mas o louro
defendeu-se com suas facas, impedindo a passagem das garras do oponente. O
agente federal atacou dessa vez, mas Klaus recuou um passo para trás e logo em
seguida lançou suas garras na direção de Leon, e não acertou o peito dele por
alguns milímetros. Caso contrário, teria feito um belo estrago…
Leon chutou a mão monstruosa do inimigo, e se preparou
para cravar sua faca no crânio dele. Moveu suas mãos com rapidez, pra cima da
cabeça de Klaus, mas quando faltava pouco para a lâmina afiada de Leon penetrar
na cabeça de Klaus Wulf, o desgraçado segurou firmemente o pulso do loiro.
Segurou, e com força…
Muita força.
Leon achava que sua mão seria arrancada, a força que
Klaus segurava o pulso dele era enorme. Kennedy já quase conseguia sentir seu
sangue preso, e a dor era tanta que ele largou ambas as facas. O loiro sabia
que aqueles seriam seus últimos momentos, a qualquer instante Klaus iria
arrancar alguma parte do corpo de Leon, e isso iria doer pra caramba.
De repente, as portas se abriram.
- Hey doçura---A voz sensual de Rayne foi quase como
um conforto para Leon, sua silhueta surgindo do escuro, apenas suas lâminas
duplas iluminadas---Por que não se mete com alguém do seu tamanho?
Klaus levantou Leon com força, e ainda segurando no
pulso dele, lançou o loiro na direção de Rayne. Os dois corpos se chocaram,
Rayne foi quem sofreu o impacto na parede. Mas desta vez seria diferente, a
ruiva ergueu-se rapidamente, correndo na direção do maldito Wulf.
- Ahhhhhhhh---Rayne saltou na direção dele, um grito
de raiva saiu de sua boca. No instante em que seus pés saíram do chão, a Raiva
do Sangue tomou por completo o seu corpo, fazendo a sua velocidade aumentar e
ficar mais ágil.
A ruiva apenas manejou as suas lâminas em pleno ar, um
simples movimento, transpassando os braços de Klaus.
Ambos os braços de Klaus Wulf foram arrancados como se
fossem papel. Rayne imaginava que aquele seria o momento em que ele iria
gritar, espernear, que seu corpo seria jogado no chão, sangrando até morrer.
Mas não…
- O que diabos?!---Rayne recuou, a visão era confusa.
Novos braços foram surgindo no corpo de Klaus. Braços
reconstituídos, nus, sem qualquer cicatriz ou marca.
- Eu te enganei dessa vez, não foi?---Klaus elevou
seus braços, olhando “o ser perfeito que ele se tornou”.
Rayne lançou-se novamente, e ainda no ar, deu um chute
na cara de Klaus Wulf, golpe que fez ele perder um dos dentes. Wulf cuspiu
sangue.
A expressão do alemão não agradou muito á Rayne. Ele
olhou para ela com um rosto sério, com raiva, como se tudo antes fosse uma
brincadeira, mas Rayne ultrapassara do ponto. Um filete de sangue saia da boca
dele, mas misteriosamente foi absorvido pela pele. Ele apontou sua mão na
direção da dhampir ruiva.
De repente, o braço dele se tornou uma lâmina viva,
afiada, mortal, metálica, que ultrapassou o estomago de Rayne.
Seu braço encheu-se de sangue da ruiva. Recolhendo
novamente o braço, que voltava a ser carne, e retirando-o de dentro do corpo dela,
ele sorriu.
- Maldita vadia…
Rayne caiu no chão, seu corpo em contato com o piso
frio, sangue saindo de seu estomago, a respiração dificultada. Suas lâminas
desprenderam-se dos braços, sua visão turva olhando para o teto cinzento
daquela câmara.
Leon levantou-se lentamente do chão, meio zonzo depois
da luta que teve. Ele esperava ver o corpo de Klaus no chão e Rayne triunfante
por cima dele. Mas, não foi isso…
O loiro correu na direção de Rayne. Nenhum sinal de
Klaus.
- Oh, Deus---disse Leon, sentado ao lado de Rayne,
colocando seu braço por trás das costas dela, tentando levanta-la um
pouco---Rayne… o que?
- Aquele… bastardo…
- O que eu faço, Rayne? O que eu faço?---Leon não sabia
bem o que fazer naquela hora. Ninguém conseguiria agüentar um ferimento como
aqueles.
- Leon… sangue.
- O que?
- Sangue.
Foi então que Leon entendeu. Sangue era a resposta. Se
Rayne era meio-vampira, então o sangue deveria ajudar. Ele correu até onde
largara as facas, pegou uma delas e voltou novamente até Rayne. Leon arrancou a
sua luva, fez um corte na palma da mão, um corte longo e quase profundo demais.
Logo o sangue estava escorrendo entre seus dedos. Ele
colocou a sua mão acima da boca de Rayne, e o sangue vermelho enegrecido
começou a pingar entre os lábios da dhampir.
Com sua língua, Rayne foi lambendo o sangue que caía,
aproveitando cada gota do liquido precioso. Não se contentando com isso, e meio
que num instinto natural e selvagem, Rayne agarrou a mão de Leon, sugando o
ferimento, e lambendo os dedos dele, quase que sem consciência do que estava
fazendo.
Leon nem sabia o que fazer ou dizer, permaneceu
quieto, apenas observando enquanto aquela ruiva lambia a sua mão, colocando-a
entre seu rosto. Ele até conseguia sentir as pontas afiadas dos caninos de
Rayne, que não ultrapassavam ou se quer rasgavam a sua pele, apenas encostavam
em sua mão. Leon sentou-se, deixando com que ela continuasse a beber o seu
sangue, sua boca sentindo a pele dele, explorando-a, sua língua passando entre
os dedos.
- Rayne---Leon estava um tanto estático para poder
dizer algo logo de cara e nem percebeu que estava gaguejando---Nós… nós temos
que… Klaus Wulf… ele… onde… a Matriarca…
O que ela
estava fazendo?, foi o que Leon
pensou.
Rayne largou da mão de Leon e foi direto na boca dele.
Seus lábios se tocaram no instante seguinte, e Leon ficou confuso, meio que sem
corresponder ao beijo sedutor da dhampir, apenas quieto, passivo, seus olhos bem
abertos, seus braços parados, sua boca semi-aberta, deixando com que Rayne
aproveitasse-se dele.
Esse era um
jogo fatal. Um jogo de dois. Um jogo de gato e rato.
Enquanto Rayne beijava-o, seus tecidos, sua pele, seus
órgãos feridos se rejuvenesciam e o ferimento no estômago era curado. O seu
sangue fervia, mais ainda do que quando estava com a Raiva do Sangue. Um calor
natural, nas raízes do “instinto selvagem” humano… ou vampiro.
De repente, a ruiva recuou com sua respiração voltando
ao normal. Era como se ela tivesse retomado o controle de si mesma.
Eram duas
Rayne’s diferentes.
- Ah---Rayne falava com dificuldade---Me desculpa… eu
sinto… eu não deveria… Olhe. Quando eu bebo sangue, eu me sinto diferente, e
além do mais…
- Não se preocupe---disse Leon, tentando ser “o
responsável” e ao mesmo tempo tentando impedir que Rayne visse o quão vermelho
estava o rosto dele---Sem problemas.
- E além do mais, obrigado.
- Por quê?
- Pelo sangue. Isso me rejuvenesce. É o elixir da vida
para mim.
Leon notou uma certa doçura na voz de Rayne, diferente
do tom “guerreiro” que sempre mantivera.
- O maldito Klaus Wulf!---Agora sim, essa era a Rayne
que Leon conhecera---Eu vou arrancar cada membro daquele desgraçado! Ele vai me
pagar…
- Viu pra onde ele foi?
- Eu ia fazer a mesma pergunta. Não vi.
- Nem eu. Mas vamos, ele não deve ter ido muito longe.
Os dois levantaram-se do chão, tentando comportarem-se
como dois estranhos. Leon deu uma olhada por toda a câmara, procurando por uma
possível passagem usada por Klaus Wulf.
- Rayne, veja isso.
Leon havia encontrado um tipo de porta, mas não tinha
qualquer abertura ou maçaneta aparente, e parecia ser bem sólida. No centro da
porta, havia um tipo de entalhe circular.
- Eu poderia quebrar a porta, mas parecer ser bem
grossa---disse Rayne, analisando tanto as portas quanto as suas lâminas.
Leon achava que por ali eles não passariam. Dando uma
volta pela sala, ele recolheu as suas facas e Matilda, a sua arma.
- È isso!---Rayne disse em voz alta, tirando do
pequeno bolso em seu cinto uma medalha. Aquela era a medalha que Rayne havia
tirado Hyde Schmidt no seu primeiro combate. A medalha dourada com o entalhe de
falcão, que encaixou perfeitamente no entalhe da porta.
Os dois ouviram o som de um mecanismo. A porta se
abriu verticalmente, revelando um corredor.
Rayne entrou primeiro, sendo seguida por Leon.
Passando pelo corredor, eles chegaram até uma sala
circular, vazia. Havia quatro portas, sendo uma aquela pela qual eles entraram.
- Não gosto desse lugar---disse Rayne, armando-se com
suas espadas duplas.
De repente, as outras três portas escancararam-se, e
por elas surgiram uns vinte daemites. Quando os dois perceberam, estavam
novamente rodeados por criaturas, alguns parasitas, e outros em corpos humanos.
Rayne efetuou um golpe que Leon jamais vira igual. A
dhampir saltou nos ombros de um daemite, suas botas ao lado da cabeça dele. Foi
então que ela sacou as duas Carpathian Dragons e começou a atirar na direção
dos outros daemites que os rodeavam. Vários inimigos sucumbiram no mesmo
instante. E então, ainda nos ombros do daemite, Rayne pegou as duas lâminas e
cravou-as na cabeça da criatura, arrancando-a. Saltando novamente no chão,
Rayne continuou sua luta contra os daemites utilizando as suas lâminas duplas…
O agente Kennedy estava totalmente sem munição… mas
nem por isso sua Matilda seria inútil: Com a coronha da arma, ele golpeava a
cara dos inimigos que o cercavam. E manuseando como um mestre as suas facas,
ele conseguia se defender.
A dhampir agora tinha certeza que Leon era capaz de
sobreviver em uma situação de alto risco. Ele era um gênio no combate, e
conseguia utilizar o que tivesse em mãos.
Logo, a coronha de Matilda estava imunda de sangue. Rayne
finalizou o último dos inimigos enfiando a ponta metálica do salto de sua bota
bem na cara dele.
- Vamos, rápido!
Sem trocar mais palavras, os dois correram por uma das
portas, chegando á um novo corredor, mais estreito. Por algum motivo, eles
continuavam a correr, embora fosse mais Rayne que decidira isso do que Leon.
De repente, Rayne ouviu um barulho. Parecia um som
estranho…
Olhando para o começo do corredor onde estava, Rayne
só viu um daemite… segurando uma dinamite acesa nas mãos. A ruiva sabia que
esses desgraçados não tinham medo de morrer.
- Leon corra!
Leon e Rayne correram, como nunca tiveram corrido
antes. O corredor atrás deles explodiu, o teto desabou, havia pedras por todos
os lados. Os dois jogaram-se pra dentro de uma sala, trancando atrás de si a
porta metálica, a saída, que fora bloqueada na explosão.
Mas os problemas apenas começaram quando Leon percebeu
que a porta bloqueada—a entrada deles—também era a única saída.
- Droga, estamos presos!---disse Leon, procurando uma
saída.
- Maldição!---Rayne começou a chutar a porta, mas era
inútil, estava bloqueada totalmente. Ela olhou atentamente para cada canto das
paredes, mas não havia qualquer saída aparente.
Aquela sala não era muito grande, as paredes
empoeiradas deixavam-na com uma aparência lúgubre. No alto, uma velha lâmpada
ainda funcionando. No centro, algum tipo de mesa de pedra ou algo parecido.
- Como nós vamos sair desse maldito lugar---Leon
estava exausto.
- Estou pensando---Rayne não estava mesmo pensando,
ela só estava tentando tomar o controle da situação---Merda… temos pouco tempo.
- Como assim?
- É que… eu… ativei um sistema de autodestruição. Em
mais ou menos uma hora, todo esse lugar vai pelos ares.
- Você o que?---Leon inflou-se de raiva---Como você!?
Por que diabos!
- Não posso deixar esse lugar em pé! Preciso
exterminar com os daemites, se eu não destruir o coração da Matriarca e ou
Wulf, pelo menos ele vai ser soterrado aqui. Essa praga não pode se alastrar!
- Ah, claro… Wulf… Klaus Wulf… Jurgen Wulf. Segunda
Guerra, Rayne? Eu não entendo…
- Do que está falando?---Rayne começou a imaginar se
Leon não tivesse descoberto a verdade, toda a verdade.
- Klaus Wulf me disse que foi você que matou o avô
dele, um criminoso na Segunda Guerra Mundial.
- Ele estava blefando.
- Não, não estava! E eu quero que você me conte tudo…
desde o começo!
- Eu já disse que…
- Rayne, ouça-me---Leon tentou abaixar um pouco o tom
de voz, “isso sempre funcionava com as garotas”---Se vamos sair vivos daqui, é
melhor você cooperar. E se estamos presos aqui, temos um tempo pra você me
contar o que sabe… a sua história, Rayne.
- Você não vai acreditar.
- Mesmo assim.
- Está bem. Vou resumir ao máximo. Há um tempo atrás,
uma mulher foi estuprada por um vampiro chamado Kagan. Desse ato, nasceu uma
criança, uma dhampir, meio humana e meio vampira. Mas Kagan matou a mãe da
criança e a família dela… E eu… essa criança cresceu, buscando vingança.
- Você, Rayne?
- Sim. Mais ou menos em 1933, eu fui recrutada pela
Sociedade Brimstone, uma sociedade secreta que trata de eliminar ameaças
sobrenaturais no mundo. Alguns anos depois, eu fui enviada numa missão,
eliminar membros de um grupo nazista criado por… Wulf, Jurgen Wulf. Esse grupo,
chamado GGG, buscava as relíquias de um antigo demônio, Beliar, o demônio
original. No meio de sua busca, aqui, na Argentina, os nazistas se depararam
com antigos parasitas demoníacos, os daemites. Eu achava que tinha impedido os
daemites, achava que tinha destruído a fonte, selado as câmaras, mas… então
veio Klaus Wulf. Ele deve ter pesquisado sobre a história da GGG, e reabriu
esse complexo.
- O que houve com a GGG?
- Eu eliminei os membros, e decapitei Jurgen Wulf na
Alemanha. Foi o fim. Ponto final, eu achava. Mas o que eles, e eu inclusive,
não sabíamos, era sobre a Matriarca. A mãe de todos os daemites.
- Essa parte eu sei. Klaus tem a metade do coração
dela, e quer a outra metade, não é?
Rayne fez um sinal positivo com a cabeça.
- Eu fui enviada aqui, para eliminar Klaus Wulf e
exterminar com a fonte dos daemites de uma vez por todas---Rayne foi direta
dessa vez---Se eu não sair dessa câmara, se tudo explodir, pelo menos eu sei
que Klaus também não sobreviverá… eu espero.
- Ah… Rayne… eu não sabia que foi assim. E, me
desculpe por ser um pouco grosso com você---Leon sentou-se sobre a mesa de
pedra.
- Não por isso---Rayne olhou em volta, buscando alguma
distração.
- Então você tem o que? Noventa anos de idade?
- Por aí…
- Pois não parece. Sabe, posso te fazer uma pergunta?
- Claro, se eu puder responder.
- Antes, quando você me beijou… você… e eu…
- Nós.
Rayne aproximou seu rosto do de Leon. Novamente seus
lábios se tocaram, dessa vez mais docemente. Ambos atuando, seus lábios
encostados, suas respirações se confundindo.
A dhampir ruiva retirou suas lâminas dos braços,
jogando-as no chão, enquanto empurrava Leon para a mesa de pedra, colocando a
sua mão delicada sobre o peito dele.
Estavam ali os dois, Rayne por sobre Leon, suas pernas
entrelaçadas, seus corpos unidos, a boca de Rayne firmemente colada a de Leon. O
loiro passou suas mãos pelas costas dela, sentindo o seu corpo bem torneado, os
cabelos dela encostados no rosto dele. Leon beijou o lábio inferior de Rayne,
enquanto ela colocava as suas mãos sobre o peito dele, abrindo a sua jaqueta,
como se implorasse por mais espaço junto á ele.
- O que estamos fazendo?---sussurrou Leon no instante
que seus lábios desencostaram-se, os olhos verdes de Rayne fitaram
profundamente os olhos de Leon---Não deveríamos estar… esse lugar… o perigo…
- Garotos, armas e situações de perigo---Rayne
sussurrou no ouvido dele, com aquela voz sensual de sempre---Eu amo tudo isso.
Rayne terminou a frase beijando a linha da mandíbula
de Leon, repousando a sua cabeça no pescoço dele. Mesmo na situação em que se
encontravam, a dhampir encontrou ali uma paz intensa, como se ele lhe fosse
algum tipo de calmante, ou talvez fosse o calor que emanavam os corpos que a
deixou assim. Leon beijava o pescoço de Rayne, sentindo a pele lisa e pálida da
dhampir, imaginando quantos homens haviam se perdido naquelas curvas.
Curvas perigosas. Mortais, na verdade.
Os dois voltaram novamente a se beijar, permanecendo
com seus lábios unidos por alguns instantes. Rayne desceu seu rosto um pouco,
voltando a beijar o pescoço de Leon, dando-lhe uma sensação de cócegas. O loiro
encostou os seus lábios no ombro dela, deslocando um pouco a alça do colete da
dhampir, beijando a pele dela.
Quando Leon deu conta de si, Rayne não estava mais
fazendo-lhe carícias. Não, ela estava dormindo em seus braços, sua cabeça
encostada no peito dele, subindo e descendo a medida que a respiração pesada de
Leon demandava.
Céus, Leon queria beijá-la, queria abraçá-la, acaricia-la, queria
possuí-la naquela maldita câmara, mas vê-la dormindo foi como ver um anjo em
seu vôo, mesmo que Rayne nem fosse comparável á um anjo. Ele permaneceu ali,
imóvel, seus braços abraçando o corpo adormecido de Rayne.
Leon moveu seu dedo sobre o rosto angelical dela, e
moveu uma mecha de cabelos ruivos que havia caído sobre a face de Rayne.
Capítulo XI
Lembranças
do Passado
“Flashback”
Em algum lugar da Europa
1932
Uma rua sombria e silenciosa. Carros estacionados,
portas e janelas trancadas. Sobre as casas, em suas ombreiras e suas entradas,
cruzes penduradas, sinais religiosos marcados com tinta.
O único barulho era de um cachorro uivando em algum
lugar da cidade.
No alto de um edifício, no terraço, na altura de uns
três andares, dois homens encapuzados conversavam. Seus rostos escondidos sobre
suas vestes negras, mas suas vozes eram misteriosas.
- Diga-me de novo---disse um deles---Por que você me
trouxe aqui depois do pôr do sol?
- Preste atenção---disse o outro---Espere. Olhe---Ele
apontou para a rua estreita.
Um casal de jovens namorados assustados corriam no
beco escuro. Seus passos chocando-se contra o chão rapidamente, suas
respirações desesperadas.
A moça caiu, o rapaz de boina, seu namorado, ajudou-a
a se levantar, rapidamente.
- Vamos!---disse o rapaz, sua voz estava trêmula.
Quando a moça levantou-se, uma corrente prendeu
fortemente o pescoço do rapaz de boina para o fundo do beco, escuro que nem
breu.
A única coisa que a moça ouviu foi o barulho de uma
lâmina de aço. Alguns ratos correram, amedrontados.
De repente, a cabeça do rapaz foi jogada em frente a
moça, que horrorizada colocou as mãos em frente ao rosto… amedrontada.
- Isso é porque eu o trouxe aqui---disse um dos homens
de capuz ao outro.
Das sombras do beco, da noite escura, surgiu um vulto:
uma ruiva, de pele pálida, em seus braços estavam duas lâminas de aço,
extremamente afiadas. A roupa de couro apertado deixava-lhe mais bonita do que
já era. Seus olhos verdes fitaram a moça.
- Nós não temos uso para uma vampira em nossas mãos,
isso é perda de tempo---disse o primeiro homem encapuzado, em voz baixa.
- Não é uma simples vampira---respondeu o outro---É
apenas meio vampira. Sem as fraquezas dos vampiros… Ela quer destruí-los.
A ruiva estendeu suas lâminas diante da moça
horrorizada, que se ajoelhou, colocando as mãos diante do rosto e chorou. De
repente, a moça revelou sua verdadeira face: seu rosto era cheio de pelos, seus
olhos verdes sobrenaturais, seus dentes caninos longos… a ruiva sabia que
aquela era uma vampira. Era por isso que ela estava ali.
A vampira atacou a ruiva, dando-lhe um soco no rosto. A
ruiva recuou, para então começar a contra tacar.
- Ela escolheu um lugar diferente para lutar---disse o
primeiro homem, meio cético, analisando a luta entre as duas.
- Ela quer alguma coisa… ela procura… pelo pai
dela---o outro homem disse, crente na misteriosa dhampir.
A ruiva derrubou a vampira no chão, e colocando suas
botas nas costas dela, pegou o braço da oponente e o quebrou.
- A Sociedade Brimstone… ---O primeiro homem, incrédulo
e desconfiado sobre a ruiva, foi interrompido.
- A Sociedade Brimstone precisa dela---o segundo homem
terminou a frase com sua própria idéia---Nós iremos estender o convite… hora de
ir.
Os dois foram saindo. Mas antes, um deles colocou um
pequeno medalhão sobre uma estátua que estava ali em cima do edifício.
As duas continuaram a lutar, até que a ruiva enfiou
uma de suas lâminas no peito de outra, erguendo-a do chão. A criatura vampira
começou a gritar, um grito não de dor, mas de alerta…
- Onde ele está, sua vadia?---A ruiva tentou arrancar
a informação preciosa da vampira, mas essa só gritava.
Para calar a boca da vampira, a ruiva cortou-lhe a cabeça
com a outra lâmina.
O alarme da vampira fora ouvido. De repente, todas as
portas e janelas estouraram, e por elas surgiram mais vampiros, cobertos por
capuzes marrons, seus dentes visíveis na escuridão.
Mas a única coisa que eles viram… foi uma granada.
Uma explosão, que matou todos.
A ruiva surgiu no alto do terraço, observando a
explosão. Mas havia alguma coisa sobre a estátua… um medalhão… um símbolo.
Agora ela deixava de ser só “Rayne”… e se tornava…
BloodRayne.
QG da
Sociedade Brimstone, 1939
O velho já estava agonizando quando Rayne encontrou-o,
dizendo coisas estranhas e sem sentido. Havia bagunça por todos os lados,
pessoas mortas, agentes da Sociedade Brimstone que haviam sido abatidos.
- Kagan---disse Rayne, sua voz tremendo ao falar esse
nome---Onde ele está agora?
- Blood Library---Foram
as ultimas palavras daquele agonizante velho.
Rayne abriu com todas as suas forças as portas duplas
da Biblioteca. Segurando com força suas lâminas nas mãos, ela disse as palavras
que sonhara em dizer toda a sua vida:
- Eu vou destruir você!
Lá dentro estavam soldados armados, nazistas. E
próximo de uma estante, analisando um livro, estava ele… ele… aquele que Rayne procurara a vida inteira apenas para se
vingar… Kagan… o pai dela… seu pai vampiro. Ele estava lá, ao lado de seus
aliados nazistas. O próprio Kagan era um “colaborador” nazista, embora
provavelmente queria ver todos mortos.
- Ah---disse Kagan, sua voz era grossa,
autoritária---Uma de minhas… crias. Mas você cheira impura. Qual era o nome de
sua mãe?
Rayne preferiu ficar quieta, em memória de sua mãe e
da família dela.
- Não ligue, eu sou terrível com nomes---continuou
Kagan, indo em direção da escrivaninha---Mas eu tenho certeza que ela deve ter
morrido, com muita dor, assim como o resto da família dela…
O maldito vampiro jogou um livro na direção de Rayne,
que explodiu em chamas.
- SEU NAZISTA BABACA, EU VOU TE…---Rayne tentou juntar
nas palavras toda a sua raiva.
Kagan começou então um discurso desnecessário, falando
sobre a sua glória, sobre o reino sangrento que ele tanto esperara. Ele então,
abriu uma das gavetas da escrivaninha, parecia procurar alguma coisa.
- Oh… sim… ---a voz de Kagan tinha uma certa
excitação, quando ele tirou de dentro da gaveta algum tipo de relíquia---Sim…
sim… a Vésper Shard. Exatamente o que eu estava procurando… Agora, você irá me
destruir? Irá provar de sua própria morte!
De repente, Kagan levantou do chão um velho,
totalmente sujo de sangue, seu estomago estripado, o intestino arrancado em
volta do pescoço dele, mas ainda vivo.
- Sir Trumain?---Rayne disse, espantada. Aquele era o
homem que cuidara dela por muito tempo, que lhe tirara do lado das trevas,
aquele que ensinara a Rayne que nem tudo é o que parece. Trumain foi o mais
próximo de um pai que Rayne tivera.
- Ah, então vocês dois já se conhecem. Simples, isso
facilita as coisas. Você andou tirando mais uma de minhas filhas, não é
Professor? Cuidando dela como se fosse sua… criada para matar os da sua própria
espécie.
- Rayne---a voz fraca de Trumain saia de sua boca com
sangue---Corra… saia daqui!
- COLOQUE ELE NO CHÃO, SEU RATO MENTIROSO, CHUPADOR
FILHO DE UMA…!!---Se Rayne tinha alguma raiva em seu corpo, ela foi colocada
naquelas frases, suas mãos quase suando em contato com as lâminas de aço, o
ódio em suas veias crescendo.
- Sabe o que ele e essa sociedade pretendiam fazer com
essa relíquia?---Kagan tinha uma prepotência na voz, que só era acentuada pelo
seu olhar maligno---Matar todos os de sangue vampiro, como eu e você!
De repente, Rayne percebeu que Trumain estava tirando
algo de dentro de seu casaco… um pequeno objeto.
Enquanto Kagan continuava o seu discurso de vitória,
nem percebia que Trumain puxava rapidamente o pino da granada…
Rayne correu na direção da janela, jogando-se nela,
pouco antes de toda a Biblioteca explodir, uma explosão que consumiu Kagan,
Trumain e os soldados.
Eu passei a
minha vida inteira atrás daquele bastardo, apenas para ter esse momento de
vingança, porque ele estuprou minha mãe e matou ela e a família dela. Mas agora
tinha acabado. Ele estava morto… era o fim. Não, não era um fim, era apenas um
começo.
Pois eu
decidi passar os sessenta anos seguintes caçando e matando os servos do meu p…
de Kagan.
***
Rayne lentamente abriu os olhos. Seja quanto tempo
havia passado desde que caíra no sono, ela não fazia idéia. Ao invés de acordar
nos braços de Leon, ela apenas sentira o frio da mesa de pedra. Ela ainda
estava presa naquela sala.
Leon estava sentado em um canto, exausto depois da
sexta tentativa de abrir a porta, mas estava bloqueada do outro lado.
- Por quanto tempo eu dormi?---Rayne levantou-se,
pegando as suas lâminas.
- Quinze minutos, um pouco menos talvez.
- Pareceu uma eternidade.
Eternidade. Essa era uma palavra estranha para Rayne.
Ela se perguntava: quanto tempo iria viver? Ou quanto tempo iria durar? Mas não
importava quanto tempo isso durasse, ela passaria esse tempo todo, caçando e
destruindo o mal… as trevas… vampiros… ou qualquer coisa que representasse uma
ameaça.
Rayne foi até a porta bloqueada e chutou-a, na
esperança de que conseguisse abri-la. Mas fora em vão, pois tudo o que vira foi
a porta imóvel, e ouvira o som das pedras que impediam a saída.
Eles estava literalmente ferrados agora.
Leon permaneceu sentado no chão, com as mãos por cima
dos joelhos. Uma das mãos estava visivelmente enfaixada, o que fez Rayne não só
lembrar-se do sangue que bebera do loiro, mas também dos beijos que haviam
trocados antes dela cair no sono.
Deviam faltar uns 45 minutos até a detonação do complexo.
Era o tempo que lhes restava.
O fim da eternidade, para Rayne. Ela nunca estivera
numa situação como aquela, sentindo-se sem saída, sem nenhum lugar para ir. Se
houvesse um simples buraco na parede de pedra, alguma perfuração… seria só isso
que Rayne precisaria. Mas não havia nada.
- Sem saída, não é?---Leon estava mais quieto agora, e
quebrou o silencio com seu comentário.
- Totalmente---Rayne jamais dissera algo assim---A
essas alturas, Klaus já deve ter encontrado a outra metade do coração…
- Acho que não. Eu espero que não.
Leon tentou rapidamente utilizar o seu comunicador,
tentando entrar em contato com Ingrid Hunningham, mas não havia sinal naquele
fim de mundo.
Por algum motivo, Rayne deitou-se sobre a mesa de
pedra, seus braços jogados ao lado do corpo. Seus olhos verdes translúcidos
olhavam fixamente o teto, a lâmpada, o duto de…
- O que?---Rayne levantou-se rapidamente---Leon… olhe!
- O que foi? É um… um duto de ventilação! Eu bem que
havia sentido uma brisa antes!
Rayne ficou em pé sobre a mesa de pedra, e arrancou a
pequena grade metálica sobre o duto.
- É largo o suficiente?---Perguntou Leon, enquanto
passava a mão sobre a barriga, certificando-se que toda aquela malhação e
treinamento não o deixaram gordo.
- Eu acho que sim.
Rayne percebeu que havia uma escada que subia no duto.
Ela entrou primeiro, apressadamente, sendo seguida por Leon.
Os dutos de ventilação eram antigos, e pareciam um
labirinto. Estranhos sons eram ouvidos dentro deles, como ecos e algumas vozes
sinistras.
De repente, um daemite parasita surgiu e pulou pra
cima de Leon, as suas garras tentando segurar o agente federal, seus dentes
amarelados na direção da pele dele.
- Leon!---exclamou Rayne, pegando uma de suas
Carpathian Dragons.
- Ahh---grunhiu Leon, segurando a criatura com as duas
mãos, tentando impedir que o mordesse---Caramba!
No instante
Rayne pegou uma das Carpathian Dragons e apontou bem
na cabeça do daemite. Ela atirou, e a cabeça explodiu, voando crânio e sangue
por todos os lados, chegando a sujar o rosto de Leon.
- Argh---disse ele, passando a mão sobre sua cara
suja---Que coisa mais nojenta…
Rayne deu um chute nas facetas metálicas do duto de
ventilação, que abriram-se. Os dois conseguiram finalmente sair das malditas
passagens de ar, e estavam em algum tipo de câmara de pedra, o que significava
que eles ainda estavam nas minas.
- Vamos, Leon, rápido!---disse Rayne levantando-se e
ajudando Leon.
- Sabe que direção seguir?
- Não sei direito. Esse lugar está muito diferente
desde a ultima vez que eu vim aqui: eles reconstruíram muitas câmaras que
haviam sido destruídas!
Leon e Rayne foram correndo na direção da porta,
passaram por ela e foram seguindo por um corredor rochoso, até chegar em uma
nova câmara. Havia alguns daemites no interior dela, que lançaram-se pra cima
deles.
Rayne protegeu-se deles com suas lâminas, enquanto
Leon colocou um novo pente de munições em Matilda, e começou a atirar. Um dos
daemites ultrapassou as balas de Matilda, mas recebeu um chute na cara de Leon,
um chute tão forte que estourou o seu crânio.
- Leon, por aqui, rápido!---Rayne apontou para uma
outra porta.
***
Leon e Rayne finalmente chegaram em uma câmara muito
alta, totalmente feita de pedra. Um portal de pedra estava erguido na parede
mais alta, mas havia alguma coisa guardando ele.
- O que diabos é aquilo?---Leon segurava firmemente a
sua arma nas mãos.
- É o Guerreiro Daemite… o Guardião…
Bem em frente ás portas de pedra, havia uma criatura
imensa. Tinha três cabeças semelhantes aquelas dos daemites, mas possuía vários
tentáculos ao lado de seu corpo. De suas bocas sobressaiam dentes afiados, e a
pele era de uma coloração amarelada mais escura.
O Guerreiro Daemite veio na direção de Rayne, e
atacou-a com um de seus tentáculos. A ruiva desviou, e ao mesmo tempo pegou uma
de suas lâminas e transpassou o membro do Guerreiro, arrancando-lhe o
tentáculo.
A criatura soltou um grito estridente, e Rayne
voltou-lhe a atacar, dessa vez saltando sobre ele e enfiando a sua lâmina em
uma das cabeças.
Foi então que Leon começou a atirar, o que desviou a
atenção da criatura, que veio em sua direção. Naquele momento, com aquela
monstruosidade vindo pra cima dele, o agente federal sentiu sua espinha gelar.
Aquele Guerreiro Daemite tinha a altura de dois homens
adultos!
Mas quando Leon iria atirar, com sua mira bem entre os
olhos da cabeça central, Rayne surgiu por trás, sua lâmina passou certeiramente
pelas três cabeças, e com um outro golpe, atravessando o corpo do Guerreiro
verticalmente.
A criatura despedaçou-se, e havia sangue por todos os
lados.
- Algo me diz que Klaus Wulf está perto!---disse
Rayne.
- Como consegue saber disso?
- Eu não sei. Só sinto isso. Intuição feminina…
Rayne chutou um dos pedaços do Guerreiro Daemite e
disse:
- Essa é uma noite que esse camarada jamais vai se
esquecer---voltando a olhar para Leon, e apontando com uma de suas lâminas o
grande portal de pedra---Quer ir na frente?
Leon tentou abrir o portão, mas era muito pesado. Foi
então que Rayne foi auxiliá-lo, colocando as suas mãos sobre a pedra e
pressionando com força. Instante depois, as portas de pedra abriram-se e ambos
entraram.
Rayne sabia que a luta final estaria começando.
Capítulo XII
Coração
Negro
Aquela era a Câmara Daemite. Uma grande sala em
formato hexagonal, feita também de pedra. No alto, vinha uma estranha luz. Do
outro lado da câmara havia uma outra porta, e no centro, algum tipo de altar de
pedra, com entalhes representando criaturas demoníacas. Em cima do altar, havia
alguma coisa embrulhada em um velho tecido.
A porta do outro lado da câmara se abre. Era Klaus
Wulf, vestido em um traje cerimonial.
- Bem vindos!---disse Klaus Wulf, com sua habitual voz
rouca e grave ao mesmo tempo---Vocês assistirão o nascimento de uma nova era!!
- Cale a boca seu idiota!---disse Leon---Nova era uma
ova!
- Vocês humanos são tão insolentes---disse Wulf, indo
em direção do altar, Rayne e Leon indo também---Não sabem o quanto poder eu
terei em minhas mãos… Não sabem quanto poder eu já tenho!
- Não se aproxime desse altar, Wulf!---disse Rayne, a
ruiva estava quieta até agora.
- Ahahaha---Wulf soltou sua risada sarcástica---Você,
BloodRayne. Você deveria permanecer quieta. Sabe, fostes um tormento para mim e
para minha família á anos! Já está bem na hora de teres o que merece!
- Babaca nazista---Disse ela---Eu corto pessoas como
você em pedaços todos os dias!
- O controle total dos daemites---Wulf pareceu ignorar
os dois que estavam ali, na mesma distancia que ele do altar---Meus preciosos
daemites!
- Eu já disse pra não se aproximar!---repetiu Rayne,
sua língua passando entre os dentes, as mãos presas ás espadas.
- Hey idiota!---Leon apontou Matilda bem na direção do
rosto dele. O agente federal atirou, mas bala pareceu “explodir” em pleno ar, á
alguns centímetros da cara dele---Mas que diabos!?
- Eu já lhe disse que não sou um mero mortal---disse
Wulf, apontando sua mão na direção ao altar---Eu sou o começo e o fim! Eu não
sou mais Klaus Wulf! Eu sou O MESTRE DOS MESTRES, O PAI DOS DAEMITES, EU E A
MATRIARCA SEREMOS UNOS!!!
De repente, o velho tecido em cima do altar começou a
chacoalhar. E de dentro dele, saiu um negócio avermelhado, a outra metade do
coração da Matriarca. Atraído pela outra metade que estava no peito de Klaus, a
segunda metade levitou na direção das mãos do nazista.
Rayne tentou impedir, mas sentiu uma força poderosa
que a impediu de se mover.
As duas metades do coração estavam unidas novamente.
Unidas no peito de Klaus Wulf. O nazista maníaco sentiu em seu corpo um fogo
percorrer, uma energia estranha, sentiu o seu novo coração ganhar vida, prender
seus nervos aos dele, a carne unindo-se, retalhando-se…
De repente, Klaus soltou um berro. Estranhas garras
saíram de dentro do peito dele. Sua pele começou a se esticar, e seus braços
aumentaram de tamanho, chegando a tocar o chão e suas mãos viraram lâminas
feitas de pele e osso, pontiagudas. Mais dois braços saíram por detrás das
costas dele, semelhantes aos outros. Suas pernas aumentaram de tamanho, mas
pareciam dobradas no joelho. Klaus estava mutando…
E a visão erra horrível. Leon teve que colocar a sua
mão na boca para não vomitar. Ambos, ele e Rayne recuaram, enquanto Klaus
continuava a mudar sua aparência.
E em seu peito, onde havia um coração daemite
completo—O Coração da Matriarca—agora haviam dentes pontudos e circulares, que
pareciam serras.
Os cabelos dele foram engolidos pela carne, que
continuava a aumentar. Seus olhos ficaram negros, seu nariz aquilino regrediu,
até restar apenas as cavidades nasais.
- NÃO HÁ MAIS KLAUS WULF---A voz do nazista estava
diferente, como se tivesse algum líquido em suas cordas vocais, era como a voz
dos daemites, mas numa versão mais feminina---AGORA, A MATRIARCA RETORNA!
De repente, Klaus Wulf---A Matriarca---atacou Rayne
com os seus tentáculos pontiagudos, mas ela recuou, saltando para trás. A
Matriarca voltou a atacar a dhampir, utilizando ainda de seus tentáculos, tentando
golpeá-la e ao mesmo tempo enfiar a ponta afiada das garras na carne da ruiva.
Dessa vez, Rayne decidiu dar o seu ataque. Armada com
suas lâminas duplas de aço, a ruiva as lançou na direção das pernas da
Matriarca, golpe que foi inútil, pois a mesma “dobrou” as pernas, de forma que
fosse quase impossível atacar.
Foi então que Leon começou a atirar na Matriarca, ao
mesmo tempo em que corria ao redor dela. A criatura notou a estratégia de Leon
e algo estranho começou a ocorrer com a Matriarca. Chamas incandescentes foram
surgindo em seus braços, e ela apontou-os na direção de Leon.
O agente federal jogou-se no chão, pouco antes das
chamas quase atingirem ele.
- Bom Deus… ---disse Leon, enquanto levantava-se
rapidamente.
Agora Rayne e Leon estavam em lados opostos da sala,
com a Matriarca entre eles. Rayne pegou as Carpathian Dragons e começou a
atirar feito doida na Matriarca. As balas pareceram não ter efeito sobre ela, e
o mesmo fenômeno que ocorria com Klaus ocorria com a Matriarca: a munição
estourava antes de atingir a carne podre da criatura.
A Matriarca saltou pra cima do altar e começou a mudar
novamente: aumentou o seu tamanho, e os dentes em seu peito também
alargaram-se, formando um tipo de boca. Os braços que saiam das costas dela
também aumentaram de tamanho, chegando a dar uma volta por seu corpo. A
criatura soltou um berro estridente, e de repente, Daemites Parasitas começaram
a sair da boca que ela tinha em seu peito.
As crias da Matriarca foram em ambas as direções: a
maioria pra cima de Leon, que receberam tiros logo de cara, enquanto alguns
outros foram pisoteados pelo salto metálico de Rayne.
- Leon!---Gritou Rayne---Continue atirando! Nas
costas!
Obedecendo as ordens da dhampir ruiva, Leon descarregou
toda a munição restante acertando as costas da Matriarca, que parecia ser o seu
ponto fraco.
Rayne apertou firmemente suas mãos e sentiu a Raiva do
Sangue fluir em seu corpo, quase que naturalmente. Ela canalizou todo o ódio,
todo o sentimento de raiva e vingança que possuía, transformando-o em força, em
energia.
A dhampir começou a correr na direção da Matriarca, e
saltou. Em pleno ar, ela manuseou as suas lâminas de modo que atravessassem a
carne da criatura, numa tentativa de cortar-lhe os braços pontiagudos. Depois
do salto, Rayne jogou-se no chão, mas ergueu-se num novo salto.
Os braços dianteiros da Matriarca forram arrancados.
Sangue por todos os lados. A mãe dos daemites soltou outro grito. Leon sentiu
uma ligeira dor nos ouvidos com o grito estridente.
- Essa vadia não cala a boca!---Disse Rayne.
- Rayne!---disse Leon---Estou zerado de munição!
- Droga…
O som que Rayne ouviu não foi muito convidativo. Ela e
Leon ouviram sons de sirenes, de alarmes, em todo o complexo.
Sistema de
Autodetonação em cinco minutos…
Cinco minutos
para autodetonação…
4:59
4:58…
- Merda---Leon sussurrou---Isso é o que eu acho que
é?!
Rayne sabia que agora era a hora de agir. Eram os seus
últimos momentos, a sua ultima chance. Ela iria dizer para Leon sair, antes que
acabasse o tempo, mas ela também sabia que ele iria negar no ato.
Sentindo as ultimas gotas de sua Raiva do Sangue,
Rayne saltou novamente na direção da Matriarca…
- Rayneeeeeee!!!!!---Gritou Leon.
Rayne estava em cima da Matriarca. Suas botas fixas
nos “ombros”---ou o que pareciam ombros---da criatura. E suas lâminas duplas profundamente
enfiadas bem onde era o coração da Matriarca. A fonte de sua energia.
- Vadia!---disse Rayne, ao saltar novamente no chão.
O corpo da Matriarca despencou no chão de pedra
maciça. A carne da criatura começou a derreter, seu sangue vazar por todos os
lados. E no fim, havia apenas no chão pedaços podres de pele e ossos, um
coração seco e…
- Wulf?---disse Leon, ao ver o corpo frágil e
esquelético do nazista, nu, jogado no chão, respirando com dificuldade.
- Vocês… não… sabem… o que fizeram!---Klaus Wulf disse
as palavras enquanto se levantava lentamente, seu corpo imundo de sangue. Agora
ele não passava de um nada, um rato sujo em um esgoto.
Mas antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa… a
lâmina afiada de Rayne transpassou-lhe o pescoço…
Leon não podia esquecer-se de sua missão.
Relutantemente, ele pegou a seringa em seu bolso e recolheu uma amostra do
Coração da Matriarca. Naquele momento, Rayne tentou ignorar o ato que o agente
federal fizera.
Para Rayne, a missão terminara… ou não.
***
Um agente federal loiro e uma dhampir ruiva corriam
pelo labirinto que era o subterrâneo do complexo. Passando pelas câmaras, pelos
corredores, estourando as portas, eles estavam exaustos, mas continuavam a
correr contra o tempo.
Finalmente chegaram no elevador.
Os dois jogaram-se pra dentro dele, enquanto Leon
pressionava alguns botões. Rapidamente, o elevador subia alguns andares.
- Anda logo, anda logo---Leon estava impaciente.
As portas do elevador abriram-se. Leon e Rayne
saltaram pra fora dele, continuando o percurso, procurando por alguma saída.
De repente, eles chegaram até as docas internas, e
viram um barco.
Em cima dele, havia uma pessoa que estava um pouco
suja de sangue, uma loura, que gritava:
-
Kennedy!---gritava Sherry Birkin---Rayne! Por aqui! Rápido!
-
Sherry?---Leon
parou por um instante. Ela estava viva?
-
Rápido, subam no
barco!---Sherry auxiliou os dois a subirem, embora Rayne preferiu subir na
embarcação com um salto. A ultima coisa que ela queria era encostar na água e
sentir sua pele queimando.
Rapidamente, Sherry ligou o barco, e apertou um botão,
que abriu uma comporta. O jet-ski foi acionado com toda a sua velocidade,
possibilitando que eles fugissem á salvo.
Alguns instantes depois, toda a montanha, todo o
complexo explodiu. Tinha fogo por todos
os lados e a terra sendo engolida pelas câmaras subterrâneas, que foram
soterradas.
Rayne jogou-se no jet-ski, esgotada e exausta. Ela
olhou para o céu, ainda não havia amanhecido. Devia ser umas seis horas, por
ali.
- Sherry---disse Leon---Obrigado… Por nos salvar… Mas,
por que nos ajudou?
- Você me ajudou, salvou minha vida uma vez,
esqueceu?---disse ela, limpando uma gota de sangue em seu rosto---Vocês dois…
- Você veio aqui para uma missão, não era?---continuou
Leon para Sherry, a montanha explodindo ao fundo deles---O que Wesker vai dizer
quando descobrir que você…
- Que eu falhei? Eu não sei---Sherry suspirou---Especialmente
por que a partir de agora, eu não trabalho mais pra ele.
Leon apenas fez um sinal positivo com a cabeça,
enquanto Sherry observava a paisagem ao fundo. O destino dela agora era mais
incerto do que nunca. Wesker jamais deixaria ela escapar. Ela teria de ser bem
esperta, e mover bem as suas peças agora, se quisesse sobreviver.
- Garota!---disse Leon para Sherry, enquanto pegava os
controles do jet-ski---Você tem um talento natural para retornar dos mortos,
sabia?
Sherry sorriu. Era a primeira vez que Leon vira ela
sorrir.
***
O jet-ski havia sido ancorado em uma praia deserta na
costa da Argentina. Não havia ninguém por perto apenas a água do mar, a areia e
algumas árvores próximas. Sherry havia sumido, entrado nas matas para então
seguir seu destino, seja lá qual fosse.
Foi a primeira vez que Rayne se dirigira a Leon desde que
escaparam do complexo. Os dois estavam sozinhos na areia da praia, os primeiros
raios de sol surgindo.
- E sobre nós?---Perguntou Leon.
- Eu acho que “nós” vamos seguir nossos caminhos
agora, Leon---respondeu Rayne---Você e seu governo, eu e meus vampiros.
- Tem certeza?
- Eu acho que sim. Oh, por favor, não faça disso um
momento melodramático. Odeio despedidas assim. Mas… você vai mesmo entregar a
amostra do Coração para o governo?---Rayne sentia que isso não seria um ato
seguro, pois a amostra poderia cair em mãos erradas---Sabe, pode ser perigoso
demais… coisas que pessoas más poderiam querer a todo o custo… Aquilo que foi
começado aqui não deve sair daqui…
Foi então que Leon pegou a seringa em seu bolso e
jogou no mar, bem distante.
- Que amostra?---disse Leon, o que fez Rayne sorrir.
Ela tinha um sorriso bonito, mesmo com dois caninos maiores do que a média.
- Ah Leon… É melhor eu ir indo. O sol está
nascendo, e digamos que minha metade vampira não curte muito o sol.
- Então é adeus?
- Não, não é adeus. Não ainda.
Rayne aproximou seu rosto do de Leon e beijou os
lábios dele. Permaneceram unidos por alguns instantes, até que a própria ruiva
quebrou o ato.
- Até mais, Agente Kennedy!---quando Leon abriu
novamente seus olhos, a misteriosa ruiva sumira, da mesma forma que aparecera,
de lugar nenhum para lugar nenhum.
- Kennedy,
droga, atenda isso!---Era o comunicador de Leon.
- Hunningham?
- Por onde
você esteve?---Ingrid Hunningham
parecia meio furiosa.
- Nem te conto, Hunningham.
- Informe sua
situação.
- Klaus Wulf está morto, os daemites foram destruídos.
- E a amostra?
Conseguiu?
- Não… infelizmente, a amostra se perdeu. Foi
destruída.
- E os militares
que estava com você?
- Todos mortos. Sou o único que restou.
- Ok. Já
consegui triangular a sua localização, estarei enviando um helicóptero em meia
hora… fique bem onde está.
- Leon desliga.
Cerca de
três meses depois
O sol nem tinha nascido ainda. Talvez nem fossem seis horas
da manhã e Leon estava na sua habitual caminhada de
Ele encostou-se em uma árvore do parque para retomar
um pouco de fôlego. Enquanto tirava os fones de musica dos ouvidos, pegou sua
garrafa de água e bebeu um gole do precioso liquido.
De repente, seu pager, que estava preso á sua cintura,
vibrou.
LEON
AGENCIA AGORA.
Leon sabia que era uma mensagem de
Ingrid Hunningham. Ela o estava requisitando naquele exato momento, e se Leon
conhecia-a bem, ele sabia que deveria estar lá o mais rápido possível.
Ingrid não era uma pessoa “fácil”. O
gênio forte dela havia encantado Leon uma vez, mas desde que o agente conhecera
a ruiva sequer olhara para as pernas—as famosas pernas—de Ingrid. Que avanço, pensou ele.
Era um pouco estranho Ingrid ter
chamado Leon naquela hora da manhã, mas…
***
- Eu já disse que não preciso de um
parceiro novato!---disse Leon.
- Kennedy… escute---Ingrid estava
tentando convencer Leon a aceitar o seu novo parceiro, um novo agente do
governo que fora contratado á pouco tempo---A nossa mais nova contratação não é
qualquer novato. Na verdade, ela já tem muita experiência. Você e ela…
- Espere um pouco, ela?
- Sim, é uma mulher, se é isso que você
quer saber. Você e ela serão enviados para uma missão de treinamento na zona
rural da Alemanha.
Ótimo,
pensou Leon, querendo sumir daquele escritório, a última coisa que eu preciso é de uma novata me incomodando. Leon
imaginava que sua parceira seria alguma filha-ou-prima-de-político, sem
experiência qualquer, um tanto atrapalhada e para piorar as coisas, feia.
Ingrid saiu por um momento, dizendo ir
buscar a nova agente. Alguns minutos depois ela voltou.
- Leon---disse Hunningham, ajeitando os
óculos---Me permita lhe apresentar…
Tudo o que Leon viu foi uma ruiva
sensual, roupas de couro e vinil negro, lâminas de aço, e dentes caninos.
- Rayne?
FIM