BIOHAZARD FILES
DIÁRIO DE UM ESTRANHO
Escrito por: Pam
23 de setembro
Não sei o que esta havendo, mas eu sei que há algo de
muito estranho acontecendo, e não querem revelar. Tudo começou com aqueles
assassinatos na Floresta...
Nos últimos dias a policia pediu para nós ficarmos em casa
trancados, assisti o noticiário antes da tv sair do ar, e ouvi dizer que está
havendo uma epidemia na cidade e que talvez esteja sendo transmitida pela água,
desde então não bebi nem uma gota. Se bem que não estou surpreso com isso,
trabalho já faz seis anos na base de tratamento de água, e lá não é um lugar
muito limpo, sempre há uma ratazana passeando, e fora à parte do lixo que
muitas vezes entra pelo bueiro do pátio de trás da Universidade quando está
chovendo, e na maioria das vezes aquela sujeira acaba desembocando no tanque da
água tratada, já reclamei com o supervisor mais de mil vezes, mas o imbecil
parece nem se importar, também nunca tira o rabo do escritório e desce para
inspecionar a área. Uma hora ou outra as pessoas começariam a ficar doentes, e
no final seria um grande problema para a empresa e para reputação da cidade de
Raccoon, que foi considerada a melhor para se viver no ano passado.
Três dias atrás teve uma inspeção lá na estação de tratamento
de água, acho que meus apelos deram certo, pena que no dia eu estava de folga e
não pude participar, gostaria de apontar os locais por onde a sujeira vem.
E falando nisso o que está acontecendo, é até de mais,
para a sujeira que desemboca no subterrâneo.
24 de setembro
Ainda não entendi direito o que esta acontecendo.
Sinceramente não acredito em criaturas estranhas e nem demônios, mas já não dá
pra ignorar que de vez em quando ouço gritos e barulhos muito estranhos
parecidos com gemidos, sem contar nos tiros. E para ajudar hoje mais cedo, um
carro bateu no poste em frente a minha casa, e agora estou sem luz e sem
telefone.
A situação está ficando insustentável, não dá mais pra
agüentar, estou sobrevivendo de refrigerantes e cervejas por dias e meus
mantimentos congelados estão acabando e ao mesmo tempo apodrecendo dentro da
geladeira, o máximo que posso agüentar é por mais um ou dois dias, se eu não
partir vou acabar morrendo com certeza.
25 de setembro
Ontem a noite foi pior ouvi muitos sons de tiros, acho que
está chegando à hora de usar a arma da minha esposa Melanie.
Faz quatro dias que ela foi para a delegacia e só me ligou
uma vez dizendo que estava tendo muitas ocorrências, e desde então não deu
noticia, principalmente depois que meu telefone perdeu a linha.
Agora sim me sinto totalmente isolado, e nem posso mais
saber se a policia está agindo para conter esses baderneiros, acho que daqui a
pouco eu vou lá na RPD, isso depois de tirar a estante da frente da porta de
entrada.
Com certeza me sentirei tranqüilo ao lado da Mel e de
todos aqueles policiais fortemente armados.
26 de setembro
Ontem quando eu abri a porta foi a pior burrice que fiz na
vida.
Do lado de fora eu vi meu vizinho Harry, agonizando no meu
gramado, e quando fui socorrê-lo, ele agarrou no meu braço e mordeu minha mão,
peguei o duende de jardim próximo de mim e esmaguei a cabeça do safado. Quando
eu me levantei eu vi a gravidade do ferimento, ele tinha me mordido para valer
e sangrava muito, naquele momento pensei em correr até a delegacia,
aproveitando o embalo, mas olhando ao redor eu vi, eu vi... as criaturas
vagando pela rua, através dos vidros das casas vizinhas, elas pareciam humanas,
eram pessoas que eu conhecia, mais estavam todos mortos, seus rostos sem vida e
desfigurados, me fez paralisar instantaneamente, a única coisa que pude fazer
quando meus olhos cruzaram com os das criaturas era correr de volta para casa e
fechar a porta. Sentei encostado na porta e as criaturas batiam na mesma,
parecia que ia derrubá-la facilmente, naquela hora eu acreditei no inferno,
aquilo era uma visão infernal, na qual eu nunca na vida acreditei e agora os
sons e gemidos soavam na minha cabeça, eu estou com medo, já faz algum tempo
que pararam de bater na porta, vou cuidar do meu ferimento e descansar.
Por hora, é só o que eu posso fazer...
27 de setembro
Depois que eu fui mordido, estou me sentindo péssimo, meu
corpo está pesado e minha cabeça está a ponto de explodir, e essa mordida que
não para de latejar, está me deixando louco, até agora as faixas que usei ontem
para fazer os primeiros socorros estão umedecidas com meu sangue.
Á poucos minutos atrás me olhei no espelho e percebi que
minha aparência lembra muito a “deles”, agora sim era claro que para mim era
impossível ir atrás da minha querida Melanie, que deve estar morta neste
momento, nem mesmo policiais fortemente armados poderiam ir contra essas
criaturas infernais, só espero que ela tenha partido sem sofrer muito, em breve
eu me juntarei a ela.
No verso há algo escrito ilegível...