O Anarquista
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É
anarquista, por definição, aquele que não quer ser nem
oprimido, nem opressor, aquele que quer o máximo de bem-estar, o
máximo de liberdade, o maior desenvolvimento possível para
todos os seres humanos. Suas idéias e sua vontade têm sua
origem no sentimento de simpatia, de amor e de respeito por todos
os humanos: sentimento que deve ser bastante forte para levá-lo
a desejar o bem dos outros tanto quanto o seu próprio, e a
renunciar a toda vantagem pessoal cuja aquisição implicaria o
sacrifício de outrem. Senão, por que não ser inimigo da
opressão e não tentar tornar a si próprio um opressor? O
anarquista sabe que o indivíduo não pode viver fora da
sociedade e que ele só existe enquanto indivíduo porque traz
consigo a soma total do trabalho de incontáveis gerações
passadas e se beneficia, ao longo de sua vida, com a
colaboração de seus contemporâneos. Ele sabe que a atividade
de cada um tem uma influência, direta ou indireta, na vida de
todos e, por isso mesmo, reconhece a grande lei da solidariedade
que prevalece na sociedade humana assim como na natureza. E como
deseja a liberdade para todos, é preciso que deseje também que
a ação desta solidariedade essencial não seja imposta e
sofrida inconsciente e involuntariamente, nem deixada ao acaso e
explorada em benefício de alguns em detrimento da maioria, mas
que, ao contrário, ela se torne consciente e voluntária e se
faça, por isso mesmo, em benefício de todos igualmente. Ser
oprimido, ser opressor ou cooperar voluntariamente para o maior
bem de todos; não há outra alternativa possível, e os
anarquistas são voltados naturalmente - não podem deixar de
sê-lo - para a cooperação deliberada e livre. Que não venham
"filosofar" e nos falar de egoísmo, de altruísmo e de
outros quebra-cabeças. Estamos de acordo: somos todos egoístas,
todos procuramos nossa própria satisfação. Contudo, é
anarquista aquele cuja maior satisfação é lutar para o bem de
todos, para a construçao de uma sociedade onde, irmão entre
seus irmãos, ele possa viver entre homens sãos, inteligentes,
cultos e felizes. Em contrapartida, aquele que pode adaptar-se e
viver contente entre escravos, e tirar proveito do trabalho dos
escravos, este não é e não pode ser anarquista.
Por
Errico Malatesta (Pensiero e Volontà, 15 de junho de 1913)
O
Estado: Alienação e Natureza