CAPÍTULO 2


E agora? Helena esbarrou nada mais, nada menos, que na figura mais poderosa e malvada que aquela região já viu. Mauro Leão é sinônimo de vingança. Ele nunca aturou desaforo de homem, ainda mais de uma mulher.

Mauro (virando-se): Acho que não escutei bem...
Helena (encarando a situação): Escutou muito bem sim. Quem pensa que és? Não podes ficar arrastando as pessoas que atravessam o seu caminho!
Mauro (sorrindo): Parabéns, senhora... notei que sua garra é imensa!
Helena (furiosa): Não me provoque...
Mauro (se aproximando): Acho que a frase deveria ser dita por mim. Você está diante de Mauro Leão, prefeito da cidade...
Ana Clara (pensando): Ai mãe... por que justo com você? Helena (engolindo seco): Só que o senhor, prefeito, deveria ter respeito com o povo!
Mauro (sério): Não tenho mais nada a falar com a senhora. (virando-se): O que mais me preocupa agora, são as queimadas nas minhas terras.

Helena se livrou dessa situação, por pouco. Mauro Leão a tratou com muita educação, comparada à maneira com que ele trata as outras pessoas. Ana Clara abraçou a mãe, com muita ternura. As duas continuaram caminhando por uma rua. De longe, viram a praça da cidade. Elas almoçaram em um restaurante próximo ao jornal. No final do dia, foram para casa. Mauro Leão estava muito preocupado, aqueles dias. O jornal Folha de São Raimundo havia publicado uma matéria que revelou mais uma falta de caráter do prefeito. A noite chegou e Mauro marcou com Isadora, para se encontrarem na Fazenda Barros Leão, de propriedade de Mauro.

Isadora (entrando na biblioteca): Se capataz me avisou que...
Mauro (girando na cadeira): Que eu quero falar com você.
Isadora (sentando-se): O quer?
Mauro (sério): Soube da nova companheira da cidade?
Isadora (sem entender): Sim. Me disserem que é bonita.
Mauro (sorrindo): Muito. Hoje tive o desprazer de encontrar essa mulher na rua.
Isadora (levantando-se): Desprazer?
Mauro (olhando para uma estatueta): Sim... desprazer. Esbarrei nela e ela me reagiu como uma fera provocada.
Isadora (abraçando Mauro): Mal ela sabe quem foi que esbarrou nela...
Mauro (sorrindo): Quero que descubra o local do emprego dela, o nome dela... e tudo o que conseguir sobre aquela mulher.
Isadora (sem entender): Para que?
Mauro (gargalhando): Preciso saber com quem estou lidando, minha cara.
Duas víboras. Um feito para o outro. Mauro e Isadora tinham um caso. Apesar dele ser casado, ninguém desconfiava. Aquele dia ficou para trás. Na casa de Helena e Ana Clara, tudo acontecia normalmente.

Helena (lembrando-se): Ah! Não temos jantar!
Ana Clara (gargalhando): É mesmo! Será que tem alguma lanchonete por aqui?
Helena (sorrindo): Não sei... chama aquele seu amigo, Júnior!
Ana Clara (lembrando-se): É mesmo! Vou falar com ele e vou caçar comida neste fim de mundo. Vou só trocar de roupa para ir atrás dele.

A casa ainda estava desarrumada. Muitas caixas ainda não tinham sido abertas. Helena estava calma. O que começou à angustiá-la, foi uns barulhos que ouvia no quintal. Ana Clara acabara de vestir-se, ela desceu e foi procurar Júnior, que estava sentado na calçada.

Ana Clara (sorrindo): Oi?
Júnior (levantando-se): Tudo bem, Clara?
Ana Clara (sorrindo): Tudo... podes me fazer um favor?
Júnior (surpreso): Posso, qual?
Ana Clara (envergonhada): Estou morrendo de fome. Tem alguma lanchonete aqui?
Júnior (sorrindo): Sim! Eu te levo lá!
Ana Clara (andando): Vamos...

Ana Clara estava muito contente com Júnior. Os dois combinavam. Davam para ser melhores amigos. No caminho, passaram na frente da casa de Natasha, que estava com Furacão. Ana Clara e Júnior apressaram o passo.

Natasha (olhando para Ana Clara): Quem é a fulana?
Furacão (sério): Não sei... mas a bicha do lado dela eu sei quem é!
Natasha (sorrindo): Deixa ele... só sei que aquela moleca ficou olhando.
Furacão (gabando-se): Deve estar afim de mim.
Natasha (furiosa): Afim de você? Rapaz... ela vai ver quem é a namorada do Furacão!
Furacão (abraçando Natasha): Deixa ela para lá... vem, me beija!

Furacão e Natasha estavam namorando na porta da casa da garota. Eles aproveitavam enquanto Isadora estava fora. O pânico já tomava conta de Helena. Ela estava muito nervosa pois os barulhos no quintal continuavam.

Helena (sentada, na cozinha): Ai meu Deus... quem será?

De repente, Helena vê a maçaneta da porta torcer-se, como se alguém quisesse abrir por fora. Ela pegou a vassoura e preparou-se. Só que a maçaneta parou de girar. Ela correu para a porta do quintal e abriu. Viu um homem pulando o muro. Era um ladrão. Enquanto isso, na Fazenda Barros Leão, Angela, mulher de Mauro, passava mal no quarto do casal.

Angela (delirando): Mauro... me ajuda...
Mauro (entrando no quarto): Olha como ela está. Acabada.
Isadora (séria): Já ouviu falar em eutanásia?
Angela (horrorizada): Pelo amor de Cristo, me ajuda...
Mauro (sorrindo): Angela... não tenho culpa se te envenenei. Foi descuido muito pequeno, pois queria te matar, vagabunda.
Angela (berrando): Me ajuda!
Isadora (se aproximando): Eu te ajudo, vamos inserir esta seringa em você.
Mauro (sorrindo): Coitada, Isadora. Por que não a sacrificamos como uma vaca?
Angela (chorando): Me ajuda...
Isadora (preparando uma dose): Vamos tomar injeção? É melhor...
Mauro (sorrindo): Você vai morrer mais rapidamente.

Malvados. Sem escrúpulos. Totalmente capazes de matar. Angela estava à beira da morte por que ela denunciou Mauro ao jornal e à polícia, por causa do estupro. Isadora estava feliz, pois com a morte de Angela, poderia se tornar a nova senhora Leão. Impiedosa, Isadora enfia a seringa na garganta de Angela.





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