CAPÍTULO 1


Estamos no ano de 2002. A pequena cidade de São Raimundo ganha dois habitantes. Ana Clara e sua mãe, Helena acabaram de se mudar. As pequenas ruas da cidade abrigavam seus habitantes, que na maioria, eram jovens.

Ana Clara (abrindo uma caixa): Achei, mãe!
Helena (com uma caixa na mão): Achou?! Que ótimo, minha filha!
Ana Clara (pegando um quadro): Esse quadro ficaria ótimo naquela parede!
Helena (analisando): Será? Acho que próximo à escada ficaria melhor!
Ana Clara (olhando para a parede): Pode ser, não sei.
Helena (lembrando-se): Ah! Minha filha, o antigo morador dessa casa deixou uns sacos de lixo no quintal. Pegue lá e jogue eles no lixeiro que tem na rua?

Ana Clara e Helena estavam muito felizes. Aquela casa significava a independência financeira de Helena, que acabara de se separar de seu marido, Augusto. Ana Clara, com 15 anos, entendia muito bem que a relação dos pais estava se desgastando a cada dia. Ana Clara foi ao quintal. Ao ver as sacolas com lixo, fez uma cara nada agradável. Com um pouco de disposição, ela pegou duas, das quatro sacolas e dirigiu-se para a rua, pela lateral da casa.

Ana Clara (largando as sacolas no chão): Que fedor! Isso está podre.
Júnior (se aproximando): Você está morando nesta casa?
Ana Clara (virando-se): Eu?! Estou... acabei de me mudar com minha mãe... Júnior (sorrindo): Gostou da cidade?!
Ana Clara (sorrindo): Se eu gostei?! Vamos ver... é! A cidade é muito agradável, mas não faz muito o meu estilo.
Júnior (gargalhando): Você veio da capital?
Ana Clara (sorrindo): Sim.
Júnior (encostando-se no muro): E sua mãe, vai trabalhar aonde?
Ana Clara (tentando lembrar): Na... na... como é... na folha de...
Júnior (completando): Na Folha de São Raimundo!
Ana Clara (sorrindo): Isso mesmo!
Júnior (sendo prestativo): E já que vocês acabaram de se mudar... querem ajuda?
Helena (aparecendo no portão): Ana Clara, preciso da sua ajuda...
Ana Clara (virando-se): Já vou, mamãe.
Helena (olhando para Júnior): E você, meu jovem?
Júnior (estendendo a mão): Meu nome é Júnior! Eu vi que vocês se mudaram e vim oferecer ajuda... a senhora quer?
Helena (sorrindo): Ora, ora! Vejo um cavalheiro à minha frente! Muito obrigada, Júnior, mas fica para uma outra vez. Tudo bem?
Júnior (sorrindo): Tudo bem!

Júnior é um dos garotos mais prestativos da cidade. Educado e inteligente, tem a famosa fama de CDF. Ana Clara achou Júnior muito legal. Na despedida, o olhar de satisfação tomou conta dos dois jovens. Uma amizade está por vir. Na praça, Isadora trazia sua filha à força.

Isadora (puxando pelo braço da filha): Já te falei, sua estúpida!
Natasha (resmungando): Não vejo nenhum defeito nele!
Isadora (parando no caminho): Não vê? Não enxerga nada por que você é uma cega, uma menina estúpida que acha que um sujeito que atende pelo nome de Furacão é a melhor pessoa do mundo. Mas não é!
Natasha (lagrimando): Mamãe...
Isadora (puxando a filha, novamente): Eu já te falei. Se quiser namorar, que seja com outro, mas aquele viciado em drogas...

Pobre Natasha! A garota é apaixonada por um rapaz problemático. Furacão, apelido do namorado dela, é usuário de drogas e bebe muito. Isadora, mãe de Natasha, não quer ver sua filha com ele. O prefeito da pequena cidade, Mauro Leão, é um dos homens mais ricos da região. Tem um caso com Isadora, mas ninguém sabe disso. Ele é um homem perigoso e abusa do poder, para conseguir o que quer.

Mauro (chegando na prefeitura): Dona Carmem, comunique-me com o jornal!
Carmem (nervosa): Eles publicaram mais uma nota sobre o senhor?
Mauro (jogando o jornal na mesa): Leia. Depois, ligue para lá!
Carmem (lendo o jornal): “Prefeito Mauro Leão é acusado de estuprar empregada”. Minha nossa! Que horror!

Carmem é secretária de Mauro Leão. Sempre que Mauro precisava contar com alguém, Carmem era a solução. Apesar dela ser um pouco idiota, ela administrava com perfeição toda a fortuna do ricaço. Mauro, odiava as colunas de crítica do jornal da cidade. Helena estava contratada pelo jornal. Ela e a filha resolveram conhecer a cidade e ir até o emprego de Helena.


Ana Clara (fechando o portão): A cidade é pequena, que tal irmos andando?
Helena (pensando): É... (falando): Vamos!
Ana Clara (envergonhada): Eu achei o Júnior muito...
Helena (sorrindo): Simpático! É um excelente garoto.
Ana Clara (olhando para os lados): O engraçado é que tudo é muito... quieto.
Helena (séria): Mas os problemas da cidade grande, também estão aqui.
Ana Clara (sem entender): Por que?
Helena (olhando para frente): Olha só essa cena.

O que Helena estava vendo era Furacão, namorado de Natasha. Ele e sua turma estavam fumando na calçada do bar. Helena e Ana Clara passaram, sobre o olhar atento de cada um dos que fumava.

Furacão (sorrindo): Carne nova...
Beto (olhando para Helena): A mãe da pirralha tem uma bunda...
Furacão (gargalhando): Pirralha? Ela no mínimo tem uns 16 anos.
Beto (lembrando-se): Cara, elas moram perto da casa do viadinho!
Furacão (virando-se): Do Júnior?
Beto (sorrindo): É... cara, ele pode pegar a carne primeiro!
Furacão (gabando-se): É mais fácil eu pegar ele, do que ele pegar ela!
Furacão, um garoto totalmente perturbado. Ele e seu amigo, Beto, morrem de raiva de Júnior. Os dois acham que ele é homossexual. Será? Ana Clara e sua mãe continuaram o passeio pela cidade.

Ana Clara (fazendo uma careta): Aqueles garotos... eca! Mauro (rapidamente, esbarrando em Helena): Saia da minha frente, encosto! Helena (se espremendo na parede): Quem pensas que é? O presidente do país?





Hosted by www.Geocities.ws

1