Eu vi os jangadeiros preparando as jangadas e me aproximei.
Nasci numa terra de pescadores. Adoro o Mar e tudo a que ele se refere me desperta a atenção.
Fui ver como era.
Preparavam-se as redes da espera, guardavam-se as iscas p'rá
pesca de fundo, arrumava-se a jangada onde o homem navega porque ...
"Deus é brasileiro".
Na popa, junto do pau que serve de leme, " O patrão".
Numa caixa tosca onde se guarda o que se tenta não ficar molhado,
o velho jangadeiro guardava o lanche. Uma garrafa de cachaça, um xarque picadinho e bem torrado ... um pouco de farofa ... uma garrafa de água.
Eram 8 horas da manhã.
Curioso perguntei as horas do regresso.
"Lá p'rás 4 horas a gente tá aqui".
Eu tinha que ver.
Vim esperá-los.
Pouco passava das 4 da tarde as jangadas, velas cheias de vento, aproximavam-se do Recife.
A perícia do jangadeiro procurava a onda e nela vinha passando,
nas pequenas falhas dos recifes, que davam calado p'rá jangada passar.
A arte nata do bem navegar.
Fiquei esperando pra ver a pescaria e me perguntava:
"O que terão pescado?"
"O que terão ganho?"
"Dará pra comer?"
Robalos, ciobas, cavalas, garoupas ... peixe miúdo.
Os grandes pra vender, tem que se ganhar o pão de cada dia.
Os pequenos, o jantar da família, o escabeche do almoço.
Não fiquei triste, tristeza não havia por ali.
Havia peixe, havia comer.