Eu vi os jangadeiros preparando as jangadas e me aproximei.
    Nasci numa terra de pescadores. Adoro o Mar e tudo a que ele se refere me desperta a atenção.
    Fui ver como era.
    Preparavam-se as redes da espera, guardavam-se as iscas p'rá pesca de fundo, arrumava-se a jangada onde o homem navega porque ... 
    

        "Deus é brasileiro".

    Na popa, junto do pau que serve de leme, " O patrão". 
    Numa caixa tosca onde se guarda o que se tenta não ficar molhado, o velho jangadeiro guardava o lanche. Uma garrafa de cachaça, um xarque picadinho e bem torrado ... um pouco de farofa ... uma garrafa de água.
    Eram 8 horas da manhã.
    Curioso perguntei as horas do regresso.

        "Lá p'rás 4 horas a gente tá aqui".

  Eu tinha que ver.
    Vim esperá-los.
    Pouco passava das 4 da tarde as jangadas, velas cheias de vento, aproximavam-se do Recife.
    A perícia do jangadeiro procurava a onda e nela vinha passando, 
nas pequenas falhas dos recifes, que davam calado p'rá jangada passar.
    A arte nata do bem navegar.
    Fiquei esperando pra ver a pescaria e me perguntava:

            "O que terão pescado?"
            "O que terão ganho?"
            "Dará pra comer?"

    Robalos, ciobas, cavalas, garoupas ... peixe miúdo.
    Os grandes pra vender, tem que se ganhar o pão de cada dia. 
    Os pequenos, o jantar da família, o escabeche do almoço.
    Não fiquei triste, tristeza não havia por ali.
    Havia peixe, havia comer.

    Voltei sorrindo p'ra casa.

Steffanos
01.02.2002
Delmar Rosado

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