SILÊNCIO

 

Cala a voz, fala o silêncio.

Chora a agonia de uma distância tão longa.

Como dói esta dor tão doída.

Sai do fundo da alma partida.

Partida em duas metades.

Uma corre atrás, a outra fica a chorar.

 

O choro da ausência sentida,

A amargura da presença perdida.

Não tem gemidos nem ais.

Tem somente um suspiro profundo.

Um eterno lamento mudo,

Vem da boca que fica serrada

 

Grito pungente e triste

Do coração batendo no peito.

Já não bate ou repica esse sino

Que não tem o som do badalo.

Somente as batidas constantes

De um coração tão vazio.

 

O seu rosto, imagem gravada,

Fica pra sempre em minha memória.

Mas a minha saudade que é muita,

É o silêncio que beija sua face.

Autora: Maria do Carmo



 


            

 

 

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