A Morte Toca o Interfone
Edmilson Felipe

Tuas palavras são pedras e as pedras nada questionam

figuram no acostamento, na polidez da poeira

à beira de um abandono

Tuas certezas são regras e as regras foram banidas

incendiárias feridas na amplitude do jogo

no fogo de um recomeço

Meu endereço é distante,

mas caso queira pintar

desça como a neblina, com a frieza do mar,

venha com a purpurina que te enfeitou no altar.

Mas tenha ao menos cuidado,

no toque do interfone

porque o vizinho ao lado parece com o Stalone

E tenha ao menos bom senso de aparecer em silêncio

e assim que eu despertar

me traga um bom cafezinho e o jornal com carinho

pra que eu consiga entender em meio a tal burburinho

porque fui selecionado a ir jogar do outro lado,

se ainda não fui à França, ainda não fiz herança

se ainda não sou doutor e nem ao menos fiz filho.

Dona morte me poupe, seja compreensiva

não quero gastar saliva, nem assinar promissória

me tira deste convite, me exclui já desta história

Morrer não é fazer compras, nem caminhar na Paulista...

me tira já desta lista, me afasta então deste mal.

E eu juro virar turista da Igreja Universal.


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