O maior chato é o chato perguntativo.
Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra
coisa... Me lembro que fiz um soneto inteiro — bem certinho, bem clássico
e tudo — durante o assalto ao Quarto do Sétimo, isto é, quando
um veterano de 30 me contava mais uma vez a sua participação
nas glórias e perigos daquela investida.
As velhotas que nos contam seus achaques
também são de grande inspiração poética.
Mas que fazer contra a amabilidade
agressiva do chato solícito? Aquele que insiste em pagar nossa passagem,
nosso cafezinho, ou quer levar-nos à força para um drinque,
ou faz questão fechada de nos emprestar um livro que não
temos a mínima vontade de abrir...
Ah! ia-me esquecendo dos proselitistas
de todas as religiões. Os proselitistas amadores, que são
os piores. Quanto aos sacerdotes que conheço, registre-se em seu
louvor que eles sempre me falam de outras coisas. Ou me julgam um caso
perdido ou um caso garantido... Bem, qualquer que seja o caso, deixam-me
em paz.
O que pode acontecer de mais chato no mundo
é o chato que se chateia a si mesmo, o autochato.
Para essa extrema contingência, descobri
em tempo que a última solução não é
o suicídio. É escrever, desabafar para cima do leitor, o
qual, se me leu até aqui, a culpa é toda dele.
Há gente para tudo...