"Durante quanto tempo fugíamos
do invencível Tiamek? A última notícia que tivéramos
dele foi que deitara-se supremo na Avenida Presidente Vargas.
Mas aquele mundo era muito vago e
vagamos por muito tempo. Tínhamos sede e nenhum líquido era
bastante para nossos olhos. A dor não bastava, o sol não
bastava, a noite não bastava.
Felizmente, tínhamos também
abençoados demônios ao nosso lado. Nos guiaram não
mais a castelos, mas a um sótão. Um buraco escuro no alto
de uma ruína no fim de uma rua sombria, onde, na entrada, uma placa
velha catalogava o local: 'Sótão 277'. Uma formalidade apenas
para nós, viajantes da magia e da ciência.
Lá dentro, um homem velho de
muitas faces turvadas e um sorriso apenas nos recebeu. Sentou-se no chão
daquele retiro e acendeu uma fogueira amistosa e inconseqüente.
'Deixem suas vírgulas aí
fora'.
E pegou suas unhas e escreveu com
as próprias unhas e contou todas as suas histórias de homens
embriagados de emoção que viviam do próprio sangue
e do próprio amor e da própria solidão e contou como
estes ébrios selvagens lutavam contra os tigres que cuspiam fogo
que roubavam a alma dos homens e também contou como estes bêbados
bárbaros retomaram o fogo de seus olhos que os tigres haviam roubado
e por fim ergueu sua taça contendo aquela bebida ardente que era
o prêmio para toda a luta daqueles homens alucinados em existir e
por fim desencravou suas unhas do chão sorrindo salivando e oferecendo-nos
a taça.
'Liqüicopulesias saborosas...
bebam-se!'"