Dos Cadernos de Alquimia, Tomo 2: 7: 7, página 01001
Fábio François

    "Durante quanto tempo fugíamos do invencível Tiamek? A última notícia que tivéramos dele foi que deitara-se supremo na Avenida Presidente Vargas.
    Mas aquele mundo era muito vago e vagamos por muito tempo. Tínhamos sede e nenhum líquido era bastante para nossos olhos. A dor não bastava, o sol não bastava, a noite não bastava.
    Felizmente, tínhamos também abençoados demônios ao nosso lado. Nos guiaram não mais a castelos, mas a um sótão. Um buraco escuro no alto de uma ruína no fim de uma rua sombria, onde, na entrada, uma placa velha catalogava o local: 'Sótão 277'. Uma formalidade apenas para nós, viajantes da magia e da ciência.
    Lá dentro, um homem velho de muitas faces turvadas e um sorriso apenas nos recebeu. Sentou-se no chão daquele retiro e acendeu uma fogueira amistosa e inconseqüente.
    'Deixem suas vírgulas aí fora'.
    E pegou suas unhas e escreveu com as próprias unhas e contou todas as suas histórias de homens embriagados de emoção que viviam do próprio sangue e do próprio amor e da própria solidão e contou como estes ébrios selvagens lutavam contra os tigres que cuspiam fogo que roubavam a alma dos homens e também contou como estes bêbados bárbaros retomaram o fogo de seus olhos que os tigres haviam roubado e por fim ergueu sua taça contendo aquela bebida ardente que era o prêmio para toda a luta daqueles homens alucinados em existir e por fim desencravou suas unhas do chão sorrindo salivando e oferecendo-nos a taça.
    'Liqüicopulesias saborosas...
                                            bebam-se!'"
 


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