Uma moça procura Sherlock Holmes
em profundo desespero. Um assassinato foi cometido em sua aldeia: encontraram
o tio dela morto em seu quarto, aparentemente baleado através da
janela aberta. O namorado da moça foi preso. É suspeito por
vários motivos:
1) Teve uma violenta discussão
com o velho, que ameaçou alterar o testamento, a favor da sobrinha,
se ela tornasse a falar com o namorado.
2) Descobriram um revólver
em sua casa, com suas iniciais riscadas na coronha e uma bala disparada.
A bala encontrada no cadáver se ajusta ao revólver.
3) Ele possui uma escada de mão,
a única da aldeia. Há marcas dos pés de uma escada
assim na terra por baixo da janela do quarto. Fragmentos de terra foram
encontrados nos pés da escada.
Apesar dessas provas condenadoras,
a moça insiste em acreditar que o namorado é absolutamente
inocente. Desconfia de outro homem, que também tinha um caso com
ela, embora não tenha nenhuma prova contra ele. Apenas sente por
instinto que o homem é um criminoso, não hesitaria diante
de nada.
Sherlock e Watson vão à
aldeia e examinam o local, junto com o policial encarregado do caso. As
marcas da escada atraem uma atenção especial de Holmes. Ele
reflete, olha ao redor pergunta se há algum lugar em que um objeto
volumoso poderia ser escondido. Há, sim: um poço fora de
uso, que não foi revistado porque aparentemente nada está
faltando. Sherlock, no entanto, insiste numa exploração do
poço. Um menino da aldeia concorda em ser baixado pelo poço,
com uma vela. Antes da descida, Holmes sussurra alguma coisa no ouvido
do menino... que se mostra surpreso. O menino é baixado. Logo depois,
a um sinal seu, puxam a corda de volta. Ele traz para a superfície
um
par de pernas de pau!
- Santo Deus! - exclama o detetive.
- Quem poderia esperar uma coisa assim?
- Eu esperava - responde Holmes.
- Por quê?
- Porque as depressões
na terra do jardim foram feitas por duas estacas perpendiculares. Os pés
da escada, que fica inclinada, deixariam depressões mais profundas
na direção da parede.
(Nota: A terra era uma faixa ao lado
de um caminho de cascalho, onde as pernas de pau não deixariam marcas.)
A descoberta diminuiu a importância
da prova da escada, embora ainda restassem as outras provas.
A procidência seguinte era descobrir
quem era o usuário das pernas de pau, se possível. Mas ele
fora muito cauteloso, e nada se descobriu depois de dois dias. Na audiência
de instrução, o jovem foi considerado culpado de homicídio.
Mas Holmes está convencido de sua inocência. Nessas circunstâncias
- e como última esperança - ele resolve usarum estratagema
sensacional.
Vai até Londres, mas volta
na noite do dia em que o velho é enterrado. Holmes, Watson e o policial
vão ao chalé do homem de quem a moça desconfia. Acompanha
o grupo um homem que Holmes trouxe de Londres. Ele usa um disfarce que
o transforma na imagem viva do assassinado, corpo vergado, rosto pálido
e murcho, barrete na cabeça e todo resto. Também levam o
par de pernas de pau. Ao se aproximarem do chalé, o homem disfarçado
sobe nas pernas de pau, avança pelo caminho na direção
da janela aberta do quarto, gritando o nome do morador num tom sepulcral.
O homem, que já se tornou meio enlouquecido por terrores culpados,
corre para a janela e depara, ao luar, com o espetáculo aterrador
de sua vítima se aproximando. Ele cambaleia para trás, soltando
um grito, enquanto a aparição continua a avançar para
a janela e grita, com a mesma voz de alma penada:
- Já que você foi me
buscar, também venho buscar você!
- Quando o grupo sobe correndo a escada
e entra no quarto, o homem os agarra ofegante, aponta para a janela, onde
o rosto do morto aparece e berra:
- Por Deus, salvem-me! Ele veio me
buscar da maneira como fui ao seu encontro!
Depois da cena dramática, ele
perde o controle e faz uma confissão completa. Fez a marca no revólver,
escondeu-o onde fora encontrado... e também passou nos pés
da escada a terra que pegou no jardim do velho. Seu objetivo era afastar
o rival, na esperança de conquistar a moça e se apoderar
do dinheiro.