A Aventura do Assassinato de Abergavenny
rascunho inédito de um conto de
Sir Arthur Conan Doyle

    Uma moça procura Sherlock Holmes em profundo desespero. Um assassinato foi cometido em sua aldeia: encontraram o tio dela morto em seu quarto, aparentemente baleado através da janela aberta. O namorado da moça foi preso. É suspeito por vários motivos:
    1) Teve uma violenta discussão com o velho, que ameaçou alterar o testamento, a favor da sobrinha, se ela tornasse a falar com o namorado.
    2) Descobriram um revólver em sua casa, com suas iniciais riscadas na coronha e uma bala disparada. A bala encontrada no cadáver se ajusta ao revólver.
    3) Ele possui uma escada de mão, a única da aldeia. Há marcas dos pés de uma escada assim na terra por baixo da janela do quarto. Fragmentos de terra foram encontrados nos pés da escada.
    Apesar dessas provas condenadoras, a moça insiste em acreditar que o namorado é absolutamente inocente. Desconfia de outro homem, que também tinha um caso com ela, embora não tenha nenhuma prova contra ele. Apenas sente por instinto que o homem é um criminoso, não hesitaria diante de nada.
    Sherlock e Watson vão à aldeia e examinam o local, junto com o policial encarregado do caso. As marcas da escada atraem uma atenção especial de Holmes. Ele reflete, olha ao redor pergunta se há algum lugar em que um objeto volumoso poderia ser escondido. Há, sim: um poço fora de uso, que não foi revistado porque aparentemente nada está faltando. Sherlock, no entanto, insiste numa exploração do poço. Um menino da aldeia concorda em ser baixado pelo poço, com uma vela. Antes da descida, Holmes sussurra alguma coisa no ouvido do menino... que se mostra surpreso. O menino é baixado. Logo depois, a um sinal seu, puxam a corda de volta. Ele traz para a superfície um par de pernas de pau!
    - Santo Deus! - exclama o detetive. - Quem poderia esperar uma coisa assim?
    - Eu esperava - responde Holmes.
    - Por quê?
    - Porque as depressões  na terra do jardim foram feitas por duas estacas perpendiculares. Os pés da escada, que fica inclinada, deixariam depressões mais profundas na direção da parede.
    (Nota: A terra era uma faixa ao lado de um caminho de cascalho, onde as pernas de pau não deixariam marcas.)
   A descoberta diminuiu a importância da prova da escada, embora ainda restassem as outras provas.
    A procidência seguinte era descobrir quem era o usuário das pernas de pau, se possível. Mas ele fora muito cauteloso, e nada se descobriu depois de dois dias. Na audiência de instrução, o jovem foi considerado culpado de homicídio. Mas Holmes está convencido de sua inocência. Nessas circunstâncias - e como última esperança - ele resolve usarum estratagema sensacional.
    Vai até Londres, mas volta na noite do dia em que o velho é enterrado. Holmes, Watson e o policial vão ao chalé do homem de quem a moça desconfia. Acompanha o grupo um homem que Holmes trouxe de Londres. Ele usa um disfarce que o transforma na imagem viva do assassinado, corpo vergado, rosto pálido e murcho, barrete na cabeça e todo resto. Também levam o par de pernas de pau. Ao se aproximarem do chalé, o homem disfarçado sobe nas pernas de pau, avança pelo caminho na direção da janela aberta do quarto, gritando o nome do morador num tom sepulcral. O homem, que já se tornou meio enlouquecido por terrores culpados, corre para a janela e depara, ao luar, com o espetáculo aterrador de sua vítima se aproximando. Ele cambaleia para trás, soltando um grito, enquanto a aparição continua a avançar para a janela e grita, com a mesma voz de alma penada:
    - Já que você foi me buscar, também venho buscar você!
    - Quando o grupo sobe correndo a escada e entra no quarto, o homem os agarra ofegante, aponta para a janela, onde o rosto do morto aparece e berra:
    - Por Deus, salvem-me! Ele veio me buscar da maneira como fui ao seu encontro!
    Depois da cena dramática, ele perde o controle e faz uma confissão completa. Fez a marca no revólver, escondeu-o onde fora encontrado... e também passou nos pés da escada a terra que pegou no jardim do velho. Seu objetivo era afastar o rival, na esperança de conquistar a moça e se apoderar do dinheiro.


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