O Papiro Rhind

Um  colecionador inglês chamado Rhind adquiriu um documento antiqüíssimo encontrado pelos árabes entre as ruínas dos túmulos dos faraós. Consistia esse documento   - conforme provaram os sábios que o traduziram - num papiro escrito vinte séculos antes de Cristo por um sacerdote egípcio chamado Ahmés. Ninguém pode avaliar a dificuldade que os egiptólogos encontraram para levar a termo a tarefa de decifrar o papiro. No velho documento tudo aparece confuso e emaranhado! Subordinado a um título pomposo - Regras para inquirir a natureza, e para saber tudo que existe, cada mistério, cada segredo - , não passa afinal o célebre papiro de um caderno de aluno contendo exercício de escola. É essa a opinião de um cientista notável, chamado Revillout, que  analisou com o maior cuidado o documento egípcio.

O papiro contém problemas de Aritmética, questões de Geometria e várias regras empíricas para o cálculo de áreas e de volumes.

Vamos incluir aqui, a título de curiosidade, um problema do papiro:

Dividir 700 pães por 4 pessoas de modo a caber dois terços à primeira, um meio à segunda, um terço à terceira e um quarto à quarta.

No papiro de Ahmés - segundo mostrou o prof. Raja Gabaglia -, em vários problemas a adição e a subtração  aparecem indicadas por um sinal representado por duas pernas. Quando essas pernas estavam voltadas na direção da escrita, representavam  MAIS; quando voltadas na direção oposta, indicavam MENOS. Foram esses, talvez, os primeiros sinais de operação usados em Matemática.

E o colecionador Rhind - por causa desse papiro - ficou  célebre em Matemática sem ter jamais cultivado o estudo dessa ciência.

 

* Extraído do Livro : Matemática divertida e curiosa de Malba Tahan

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