ANPEd
Associa��o Nacional de P�s-gradua��o e Pesquisa em Educa��o
Temos que reconhecer que n�o tivemos, ao longo dos encontros, maiores chances de discutir formas de organizar o ensino, com uso da Internet, de maneira a alcan�ar progressos expressivos na aquisi��o de habilidades de pesquisa e de tratamento da informa��o, por parte dos alunos. Mesmo porque este n�o era o objetivo da pesquisa. Apesar disto, encontramos, na webquest, uma forma de organiza��o da tarefa mais eficiente que as comumente usadas pelos professores/colaboradores.
� importante destacar que os professores sabem que a interven��o requerida a eles na tarefa educativa teve sua natureza alterada. Entretanto, em nenhum momento, os professores/colaboradores indicaram um saber sobre formas de interven��o por meios midi�ticos. N�o se considerou, em tempo algum, a possibilidade de contato com os alunos e as diferentes formas de intera��o que a Internet poderia proporcionar. Os professores se mostram bastante ligados �s formas de contatos limitadas pela presen�a do professor no mesmo ambiente f�sico que o aluno. Os recursos como chat, f�rum e e-mails n�o foram levados em conta, apesar de todos os professores terem acesso a estes recursos em seu cotidiano como usu�rios de Internet. Pensamos que esta limita��o possa estar vinculada ao fato dos professores n�o disporem de estrat�gias de como lidar, t�cnica e pedagogicamente, com este aspecto, como, por exemplo, criar listas de discuss�es na rede e moder�-las, explorar as ofertas das p�ginas comerciais ou criar chats.
"Envolvimento do aluno na tarefa
V�rias falas e a��es ao longo do trabalho evidenciam que os recursos que os professores sabem usar s�o diversificados. Lidam com situa��es de est�mulo � competitividade, mas podemos notar o esfor�o dos professores em gravitar em torno de termos e pr�ticas mais contempor�neas como desafio e problematiza��o. Eles parecem oscilar entre o discurso pedag�gico do que � �correto� e a pr�tica do que �d� certo�.
Os professores sabem que as caracter�sticas da tarefa t�m um peso importante no envolvimento do aluno na sala de aula e seu interesse em realizar a atividade. Caracter�sticas, tais como a forma precisa da solicita��o da tarefa ao aluno, foram muito comentadas. Observamos que as falas dos professores indicam que eles sabem que h� diferen�as nos modos e tempos de envolvimento com a tarefa, incorpora��o de novas metodologias e propostas por parte dos alunos.
Saber administrar o tempo e os recursos de que disp�e foi um saber mobilizado diante de aspectos t�picos do cotidiano escolar: as aulas distribu�das em m�dulos de 50 minutos; o calend�rio de dias letivos com recessos e f�rias; o tempo de que o professor disp�e para preparar e executar suas aulas; a quantidade de computadores dispon�veis para cada aula; alunos que n�o possuem computadores em casa; a nossa pr�pria cultura em rela��o ao tempo. Os professores sabem que para administrar o tempo � preciso considerar inclusive a vis�o social e cultural do tempo que permeia as atitudes de agilidade, rapidez e pouca concentra��o dos adolescentes e crian�as.
"As rotinas do cotidiano escolar
O termo usado pelos pr�prios professores foi �tradi��o�. Entretanto, o termo �rotina� pareceu traduzir melhor este saber de que existem formas esperadas de comportamentos, padr�es institu�dos dentro da cultura escolar e que os professores precisam conhec�-los, entender como eles se estabelecem e de que forma se fazem presentes na sua rela��o com os alunos.
Notamos que o tempo n�o s� contribui para o estabelecimento de rotinas como tamb�m est� presente no desempenho dos alunos. Sabemos que h� entre eles uma varia��o de tempo na execu��o das tarefas. Desempenhos em tempos diferentes traduzem ritmos diferentes de aprendizagem, agilidade e habilidade.
"Administra��o das diferen�as de ritmo entre alunos
Os alunos, em qualquer situa��o de aprendizagem, apresentam ritmos variados. O uso dos computadores demanda dos professores novas formas de administrar estas diferen�as. No grupo foram citadas algumas a��es neste sentido, como criar certas normas de uso, como desligar a m�quina de quem n�o atende �s regras de trabalho estipuladas. Vemos, por estes indicativos, que n�o s� existem possibilidades da Internet ser inclu�da como um recurso na cria��o de dispositivos de diferencia��o, como j� afirmamos, como tamb�m ela cria no seu uso esta demanda.
"Compara��o dos procedimentos de pesquisa na Web e em outros meios
Para avaliar um recurso de ensino al�m de conhec�-lo os professores sabem que estabelecer uma compara��o com outros de dom�nio mais seguro, de uso mais freq�ente � uma boa estrat�gia.
Encerrando este eixo de an�lise, numa compara��o com o processo de mobiliza��o observado para os saberes do eixo anterior, percebemos um movimento um pouco diferenciado. No primeiro eixo encontramos sinais de uma preocupa��o com o processo e n�o apenas com o produto. Entendemos que h� um movimento de reorganiza��o da l�gica dos professores em rela��o a este aspecto ligado � pesquisa estudantil. Neste segundo eixo, apesar de novas quest�es surgirem em fun��o da especificidade da Internet, os professores continuam a recorrer � l�gica que j� usavam na administra��o da sala de aula. Parecem querer gerir da mesma forma o processo de ensino usando apenas um recurso diferente. Presenciamos um movimento de acoplamento de um novo recurso dentro de uma l�gica j� usada. Como estamos tratando de fen�meno din�mico, em alguns pontos podemos perceber uma progress�o no sentido de uma outra l�gica. Essa outra l�gica inclui entender a aprendizagem como um processo, que precisa ser pensado em termos de seu percurso e n�o apenas de poss�veis produtos. Tal l�gica pode encontrar na Internet um instrumento pl�stico, din�mico onde se consegue integrar todas estas caracter�sticas. A progress�o a qual nos referimos tem um movimento muito mais lento que no primeiro eixo, mas percept�vel.
*Trecho do trabalho apresentado pela professora Aldeci Cacique Calixto, para a 27� Reuni�o da ANPEd. Pesquisa efetuada em 27/06/2005, endere�o: www.anped.org.br