Criatividade, Criação e Apreciação Artísticas:
A Atividade Criadora segundo Vygotsky
Vygotsky define a atividade criadora - ou criatividade - como toda realização humana criadora de algo novo, quer se trate de reflexos de algum objeto do mundo exterior, quer de determinadas construções do cérebro ou do sentimento, que vivem e se manifestam apenas no próprio ser humano. Desta forma, tudo o que é externo ao homem, e que é produzido por ele, advém de sua imaginação: "Todos os objetos da vida diária, sem excluir os mais simples e habituais, vêm a ser algo assim como fantasia cristalizada" (1982, p.10).
A criatividade, ao contrário do que muitos pensam, não é privilegio dos gênios, cientistas, artistas, talentosos ou inventores: é uma função psicológica comum a todos. Consiste no processo de imaginação ou fantasia (coletiva ou individual), no sentido de transformação da realidade, devendo ser estimulada desde cedo nos ambientes escolares. Para a criança, a atividade criadora está ligada ao lúdico, onde 'reelabora a experiência vivida, edificando novas realidades de acordo com seus desejos, necessidades e motivações.'
Quanto mais rica a experiência de vida do indivíduo, maior será sua bagagem criativa, e maior será o material disponível para sua imaginação. Segundo Vygotsky, memória, fantasia e imaginação, são funções psicológicas que se inter-relacionam, fazendo parte da composição do quadro da atividade criadora humana.
A atividade teatral infantil, desenvolvida de forma lúdica e espontânea (excetuando-se, portanto uma reprodução artificial do teatro, ao utilizar leituras de textos literários próprios para atores profissionais), constitui uma rica experiência para o desenvolvimento do potencial criativo dos pequenos. Além disso, segundo Vygotsky, essa atividade contribui para: incremento das intenções voluntárias; formação e distinção dos planos da realidade e da fantasia; fortalecimento das noções de lazer e trabalho; internalizarão de papéis sociais e exercício da representação simbólica de segunda ordem, que facilita a compreensão da escrita como processo de representação semiótico.
O incentivo da espontaneidade nessas atividades não significa deixar que a criança se 'perca' em seus impulsos internos e gostos pessoais, mas, dar-lhe orientação na organização de seus jogos, no sentido de bem conduzir suas realizações artísticas.
Para Vygotsky, o ensino das artes deveria ser parte indispensável da educação escolar pública, pois confere ao aluno uma ampla criação espontânea, ao mesmo tempo que requer do professor uma intervenção pedagógica precisa, para desenvolver o panorama cultural do estudante.
Fonte:
Visite também:
http://www.educacaoonline.pro.br/art_do_desenho_de_palavras.asp?f_id_artigo=545
http://www.ricardojapiassu.pro.br/Teatro_ed_%20infantil.htm
http://www.ricardojapiassu.pro.br/O_desenv_cult_cri.htm