BRAS�LIA
- A pol�mica proposta do presidenci�vel Luiz In�cio Lula da Silva de
criar gorjeta de 5% para ajudar a acabar com a fome no pa�s rachou o
Antiquarius.
No almo�o
de quarta-feira (18/07/2001) no restaurante do Leblon, um dos mais sofisticados
do Rio, a mesa mais estrelada, enfeitada por nove representantes da
alta sociedade carioca, dividiu-se em quatro votos a favor da proposta,
quatro contra e uma absten��o.Nada que chegasse a estragar a digest�o
das socialites, que h� seis anos, lideradas por
Evinha Monteiro de Carvalho, re�nem-se uma vez por semana
em algum restaurante caro da cidade.
Falar em
fome soa deslocado no Antiquarius, onde quem quiser saborear um bom
Petrus 92 (safra que nem � das mais brilhantes) tem que desembolsar
R$ 3.500, sem contar a gorjeta. O valor equivale � conta de 3.500 refei��es
no restaurante popular da Central do Brasil, ou a 44 cestas b�sicas.
Pontuadas
com cr�ticas ao ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS), ao governador
Anthony Garotinho (PSB) e, � claro, a Lula, a discuss�o que come�ou
ap�s a degusta��o de toucinhos do c�u e barrigas de freira revelou posi��es
inconcili�veis, mas ningu�m falou em trocar o Rio por Miami.
A disputa
precisaria de um segundo turno. Entre as socialites que se arrepiaram
s� de ouvir a id�ia de pagar 5% a mais em cada almo�o ou jantar fora
estavam Evinha Monteiro de Carvalho, leia-se grupo Monteiro Aranha (um
dos mais poderosos do pa�s), Ieda Assump��o ("o-de-io quando escrevem
sem o P"), Teresinha Noronha e Josephina Jordan. Aplaudiram a proposta
a fazendeira Kiki Almeida Braga, Gilda Sarmanho, Ruth Cohn e Perla Matteson.
Quem daria o voto de minerva se esquivou da tarefa alegando raz�es de
bom gosto.
"Isso
� conversa s�ria. N�o � para falar no almo�o, tomando vinho", reclamou
Maria Roberto, vi�va do arquiteto Maur�cio Roberto.
Que fome?
- N�o houve consenso sequer sobre a import�ncia de um debate sobre a
fome. Nascida no Egito, a socialite Josephina Jordan questionou o destaque
dado � quest�o. Para ela, h� assuntos mais importantes a serem discutidos
por aqui, como sa�de e educa��o. "N�o existe fome no Brasil",
declarou, enf�tica, com seu caracter�stico sotaque afrancesado.
"Um
pa�s em que qualquer um pode comer uma bananinha, um arrozinho... N�o
existe fome. Aqui n�o sabem o que � fome", enfatizou. "E n�o
sabem o que � frio tamb�m. Basta um short", acrescentou, antecipando-se
a uma poss�vel campanha do agasalho.
Casada
com um importante empres�rio que tem neg�cios nos setores banc�rio e
de minera��o, Ruth Cohn vociferou contra o candidato petista, mas, curiosamente,
n�o poupou elogios � id�ia da "CPMF da fome". "Eu sou contra o Lula,
mas 5% eu topo. Tudo o que o rico puder dar para o pobre eu acho bom",
concedeu. Outra socialite, Perla Mattison, que se apresentou como "aposentada",
tamb�m aprovou a gorjeta compuls�ria.
"Se for
para elevar o n�vel dessas pessoas e aumentar a dignidade dessa gente,
dou com prazer", afirmou, antes de filosofar: "Temos que fazer o que
for poss�vel para melhorar a condi��o humana".
Cristianismo
- A embaixatriz Ieda Assump��o discorda frontalmente. Para ela, a proposta
� "demag�gica e desnecess�ria". Deve saber do que fala: viveu
anos na �ndia, pa�s associado � mis�ria, acompanhando o marido embaixador.
"� preciso
fazer tudo para ajudar os pobres, mas o caminho n�o � esse", concordou
Teresinha Noronha, casada com um executivo e autodenominada "dona-de-casa
l�cida". Ela profetiza mais uma derrota de Lula em elei��o presidencial
se continuar com "id�ias como essa".
"Sou crist�,
precisamos ajudar na recupera��o dessa gente", diz, mas sem explicar
como faria isso. Teresinha s� elogia a proposta de Lula de aumentar
os impostos sobre bens sup�rfluos como cigarros e bebidas alc�olicas
a fim de compor um fundo contra a mis�ria. "Eu n�o fumo nem bebo horrores
mesmo", explicou.
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no Jornal do Brasil
A diferença
dos ricos dos paises desenvolvidos para os ricos dos paises sub-desenvolvidos
é que um enriqueceu pelo trabalho e outro pela exploração.
E pelo jeito aqui eles não querem que isto mude. Será
que 5% é uma taxa muito alta? Seria uma exploração
sobre o rico? Um único vinho, safra 92, custa R$ 3.500. Pagar
5 % a mais vai pesar?
"N�o
existe fome no Brasil" e "E n�o sabem o que � frio tamb�m. Basta um
short".
Podemos
perceber com a declaração de Evinha Monteiro de Carvalho
o tanto que algumas pessoas não tem sensibilidade e apenas pensam
em si mesmas e como alguns ricos acham que o pobre deve sofrer e sempre
ser pobre. E o principal: não sabem, ou não querem saber,
da real situação que está o Brasil. O caso dela
é bem grave. Uma pessoa não saber que no Brasil existe
fome é bem difícil de encontrar. É mais fácil
de encontrar alguém que acha que o FMI não é controlador,
que privatizar é a solução, que a ALCA é
justa, que Transgênicos ajudam muito, etc... mas "Não
existem fome no Brasil" é a primeira vez que ouço
isto, como uma opnião sincera.. Se bem que pareceu mais uma declara��o
anti-campanhas sociais.
"Eu
n�o fumo nem bebo horrores mesmo".
E se bebesse
ou fumace? N�o daria o seu voto para o projeto que talvez acabasse com
a fome no Brasil? Temos que para de pensar s� em si mesmos e ver a dificuldade
alheia. � preciso abrir m�o de certos benef�cios como um Petrus de R$
3.500 - totalmente superfluo - para arroz e feij�o totalmente necess�rios.
Temos que fazer igual a Ruth Cohn, que n�o vai com a cara do Lula, mas
n�o � s� por isto que vai regeitar qualquer ideia vinda dele.
Fl�vio
Gomes
Fonte: E-mail de Eunice
que retirou o conteúdo do Jornal do Brasil.