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Quando devemos utiliza-lo?
Ao se constatar a impossibilidade de recuperação de um colapso do
velame, o piloto deverá imediatamente decidir pelo acionamento do pára-quedas
de emergência, também chamado de reserva. Trata-se de uma medida extrema
que tem por finalidade básica salvar sua vida, e jamais deve ser
utilizado se não for esta a circunstância. Apesar de ser a última das
medidas a serem tomadas, quando todos os recursos alternativos já não
forem suficientes para tira-lo da situação de risco, não há nada de
muito complexo nesta operação.
Primeiramente, puxamos a alça para destravar o pino de segurança e
trazendo em seguida o reserva inteiro, ainda dentro da fraldinha para
junto de nós. Se simplesmente o largarmos, ele abrirá de qualquer
modo, portanto, devemos procurar lançá-lo o mais longe possível para
trás, a uma distância segura e suficiente para sua abertura segura
largando por completo a fraldinha com alça. Após o reserva ser aberto,
o que não toma mais do que alguns segundos, procure recolher o velame
principal o mais rápido possível para evitar o pêndulo. Para tanto,
agarre ambos os tirantes e puxe o máximo que puder até alcançar as
linhas. Segure-as com uma só mão e vá recolhendo o resto como quando
se vai dobrar o paraca. Recolha o máximo que puder até ter certeza que
o velame esteja totalmente embolado. Prepare-se para a queda. Muito
provavelmente o rolamento será necessário a fim de evitar traumas
maiores.
Os cuidados que tevemos tomar.
A checagem do pino-trava a cada vôo é obrigatória, não custará
muito do seu tempo. Já foram observados vários casos de pilotos que
tiveram seus pára-quedas de emergência acionados no meio do vôo, por
que não inspecionara o pino. Este corre e o equipamento acaba por
abrir, podendo assim, provocar sérios acidentes. A cada 6 meses o pára-quedas
de emergência deverá ser aberto, arejado, inspecionado, redobrado e
recolocado no container por uma pessoa de confiança, de preferência,
VOCÊ. Os seis meses que o nosso reserva passa fechado dentro do
container, podem nos causar uma série de pequenos problemas, tais como:
1 - Magnetização das costuras e do tecido por eletricidade estática:
Alguns reservas são dobrados de uma maneira especial que atenta para
esta possibilidade. O método afasta as costuras da borda por meio de
uma dobra estrategicamente localizada. Contamos aqui, com a desvantagem
do tempo de abertura que acaba sendo maior. O ideal, é fazermos a
reabertura e o arejamento do velame a cada seis meses. Apenas o fato do
velame estar dobrado durante tanto tempo, dificulta e muito a abertura
devido à acomodação e magnetização do tecido.
2 - Apodrecimento dos elásticos: Podemos imaginar facilmente as conseqüências
quando os elásticos que servem para manter as linhas unidas, funcionam
agora, como uma trava impedindo a sua abertura. Pense nisso !
3 - Acúmulo de detritos no container: Não se espante, a quantidade de
objetos como pedaços de mato, pedras e até objetos que podem
escorregar do compartimento de carga da selete para o reserva é algo a
se considerar com o muito cuidado e respeito.
4 - Enroscamento das linhas: O tempo passa e a selete tomba prá lá,
cai prá cá, bate aqui, vira ali... As linhas ! Coitadas... lá dentro
do container estão mais ou menos soltas. Tanto movimento pode acabar
enroscando-as de maneira perigosíssima. Estamos certos de que ninguém
quer descobrir isso quando precisar acionar o "second-chance",
não é?
A Posição do Container
Outro fator que podemos lembrar aqui, é a posição do container do
reserva. Vejamos:
1 - Ao lado da selete: Desta maneira, temos o reserva sob fácil alcance
e acionamento, entretanto, alguns problemas podem nos assolar:
a) As linhas do glider enroscam-se facilmente na alça podendo abrir o
container indevidamente. Isto não acontece nas seletes que são
projetadas para este tipo de disposição do pára-quedas.
b) A possível má distribuição de peso faz com que vários pilotos a
rejeitem.
2 - Atrás da selete, no compartimento próprio: o mais usado, a alça
fica um pouco mais para trás e basta o piloto "lembrar" onde
ela está de vez em quando. Entre os problemas, podemos citar:
a) O piloto "esquece" que o reserva existe e acaba por passar
um longo tempo sem verificar os dispositivos de disparo, o pino de
segurança, que podem acabar abrindo sozinhos no meio do vôo ! Isto
pode acontecer com você ? A resposta certa é "Sim... mas não
deveria".
b) Alguns pilotos dizem que podem não "achar" a alça numa
emergência, numa emergência podemos estar emocionalmente perturbados e
atrasar sua localização.... procure então "forçar" a prática
em sua área de vôo de simulações em solo das possíveis emergências,
treinamento e condicionamento podem salvar a sua vida quando você menos
espera, teste a posição da alça. E é nesta hora que ocorrem as emergências.
Quando suas mãos estiverem condicionadas a localizarem, "sem você
pensar", onde seu equipamento reserva se encontra, aí então você
está condicionado, mas, o treinamento contínuo é fundamental.
3 - Na frente: Com certeza, o método mais seguro, onde você voa
"abraçado" no reserva o tempo todo, o centro de gravidade está
mais alto, ajudando o seu vôo, não se corre risco de enroscos e a
inspeção do pino pode ser feita até mesmo em vôo, mas, a recomendação
é claro, faça antes, pois, do que adiantaria lá em cima descobrir o
problema, até o pouso uma emergência poderá acontecer. A desvantagem
é aquele trambolho no colo, dizem alguns, mas, EPIs (Equipamentos de
Proteção Individual) protegem mesmo que sem conforto. Mas, os reservas
que são comercializados aqui no Brasil, normalmente não possuem adaptação
para esta posição.
Promova então em seu grupo de vôo sugestões aos
fabricantes, apresentem idéias, isso poderá também um dia salvar a
sua vida.
Não importa muito a posição do reserva, mas, o piloto deve ter em
mente que em vôo aquele equipamento deverá estar em plena capacidade
de cumprir sua tarefa e que todo o seu equipamento faz parte de seu
corpo, como uma expansão de seu corpo, portanto mantenha seu "novo
corpo" em ordem. O que importa é que o piloto tenha sempre um
compromisso não só com a reabertura a cada seis meses, mas que também
a cada vôo inspecione o pino de segurança, devendo pelo menos a cada 3
vôos, tentar alcançar a alça para memorizar a sua posição, não
deve ser em vôo, e no momento de um,a emergência real, o
"teste" deste equipamento.
Nem o dispositivo mais seguro do mundo é a prova de irresponsabilidade,
imperícia, desmazelo ou imprudência, pior ainda a prova de
auto-confiança.
Fonte : Leandro Brioshi (Embraer) & Ventomania
Adaptado : Eng. Jefferson V.Fragoso
www.airsafetygroup.com.br
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