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Miro decolando aluno (Chapolha de Saquarema-RJ)

"COMO VAI O SEU POUSO?"
De Miro aos amigos iniciantes

Vamos fazer do nosso esporte somente alegria. Não é fácil, a cada dia recebermos notícias de torções ou fraturas provocadas por acidentes em pouso negligenciado. 

Já em 1995 o médico da FFVL - Federação Francesa de Vôo Livre, Dr. Jean François Clapé lembrava e comentava que, acidentes em pousos por aproximação e cálculos errados, geravam graves problemas de torções. 

Ainda hoje observando pilotos finalizando os pousos sentados em sua selete, sem dúvida é bem elegante, e também é o que mais preocupa tendo em vista haver a possibilidade de um impacto mais forte gerado sobre as nádegas e coluna, por ter deixado de usar o “trem de pouso” natural, os pés. E mesmo tendo eu certeza da capacidade de todos, e do estilo de cada piloto é necessário ressaltar que, o pouso é o que mais nos tem preocupado dado ao número crescente de pilotos hospitalizados. Fato este que certamente irá criar problemas familiares que o levarão ao impedimento da prática deste esporte. 

Alguns pilotos estolam em excesso, outros liberam totalmente, outros fazem tudo ao mesmo tempo. E dessa maneira o parapente deixa de ser uma asa (planador) e passa a ser um pára-quedas comum e assim o piloto ainda sentado vai parachutando aguardando lotéricamente o seu retorno ao solo. 

No pouso é preciso que nossa asa planeie, temos que alinhar contra o vento e nivelar em relação ao solo a nossa asa como um avião em situação de pouso. 

Precisamos ter atenção, no vento de rotores e desníveis no solo onde encontraremos também o gradiente de vento e em época de sol, bem próximo ao solo haverá pequenas "bufas" em nosso caminho que irão gerar leves movimentos de pêndulo, e outras "bufas" que ainda não se desprenderam formarão um colchão de sustentação bem próximo ao solo. 

É preciso que façamos uma aproximação com o mínimo de pêndulo possível, principalmente próximo ao toque no solo, e ter sempre em vista uma área de escape (um plano B) caso vare-se o pouso. Feito sua aproximação, vamos pousar. 

Sair da selete é importante. Frear progressivamente de acordo com a sua altitude e velocidade, pouca velocidade pouco freio. Evitar liberar os freios, pois pode ocorrer um colapso. Manter também as pernas fechadas e estabilizar os pé alinhando-os e tocando ao solo com a ponta dos pés, poupando o nosso calcanhar. 

Ok! Você pousou. 

Não esquecer de usar botas com proteção lateral, (Prestigiem os nossos amigos fornecedores de material de vôo). Mas se você tem estilo próprio de pousar, acha pouco provável que isso lhe sirva! Sorria, e deixe essas “bobagens” para que está iniciando, para que esse possa sorrir a cada pouso perfeito. A coluna vertebral, o cóccix, pernas e pés agradecem. 

Se você gostou e acreditas na utilidade desta pequena literatura indique-a a um amigo e que os ventos lhe tragam bons vôos.

Um abraço do amigo
              Miro
              (dez/2004)

 

Notas do WebMaster:
            Altamiro, o Miro, é um conceituado Instrutor de Vôo Livre (Tel. 21-9822.5997 e 22-3731.6153) na Região dos Lagos. Sua larga experiência em vôo livre, sem acidentes, é o que o credencia aos comentários feitos acima.
 

             Nosso amigo Miro deu ênfase ao pouso. Entretanto, chamo a atenção de todos para o fato de nossa Região (Maricá-RJ), ser de exuberante e densa floresta nas áreas de vôo. Por um momento, pense na possibilidade de não haver uma só árvore em nosso circuito de vôo, somente grama. Quantos pilotos você conhece que já teriam enroscado numa “térmica” para o Divino, por não terem acionado o pára-quedas de emergência em tempo hábil? O que será que está nos faltando?

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