É batido o recorde carioca de Vôo de Parapente na modalidade Cross Country (XC).
17/06/2004


Voar, liberdade e prazer

Por: Stefan Reinold

                Niterói, 27 de maio de 2004, plena quinta-feira, Parque da Cidade, praia de Charitas. 11 horas da manhã. Alguns pilotos se preparam para voar na bela paisagem que a rampa da cidade proporciona. O piloto Ceará está entre eles. Recordista de distância em vôo de parapente no Ceará com 204 km voados – contabilizados a partir da decolagem até o local do pouso, em linha reta – Ceará observa uma condição rara. Vento de noroeste/oeste na altura da rampa e sudoeste na camada superior. Na expectativa de alcançar a altura da camada onde o vento empurrava para nordeste, Ceará entra em vôo.  Em poucos minutos alcança mil metros de altura sobre o nível do mar que, nesse caso, está, literalmente, aos seus pés. Paisagem magnífica da Baía da Guanabara podendo avistar a ponte Rio-Niterói, Pão de Açúcar, Cristo Redentor e pontos simplesmente maravilhosos da cidade maravilhosa.

                Piloto experiente, toma a direção da região dos lagos, deixando tudo para trás. Voando na direção do vento, alto e atrás da rampa, continua subindo. Além de o parapente aumentar de velocidade em vôo, Ceará alcança 2 mil, e nessa altura é vôo de distância na certa. De fato, não deu outra. Voando aproximadamente a 60 km/h, passando por diversas áreas de descendente, chega a Tribobó com aproximadamente mil metros. Na necessidade de um pouso de emergência, mil metros é bastante “confortável” para analisar o melhor lugar e local de aproximação. Mas Ceará olha seus instrumentos de vôo, analisa as informações do seu GPS, verifica a velocidade e força do vento, calcula suas chances e resolve manter sua direção. O vento continua a empurrar seu vôo para a região dos lagos. Às 13h30 e com o vento aumentando de força, resolve pousar para não ser empurrado para dentro do mar.  “Voar com vento de cauda é uma coisa, mas voar contra o vento, dependendo da sua força, a coisa pode complicar”. Foi o que pensou Ceará. Não quis arriscar além da sua façanha.

                Ao pousar, descobriu que havia voado 114 km, de Niterói a Búzios/RJ, em apenas 2h30, usando apenas as condições da natureza. Arriscando um palpite, o maior problema do Ceará deve ter sido seu retorno!

                Parabéns Ceará!

 

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