Os Anarquistas 


Mikhail Alexandrovich Bakunin (1814-1876)

Bakunin, o mais brilhante entre todos os anarquistas, pertencia a uma rica família de proprietários de terra na Rússia. Alguns membros da família de sua mãe tinham participado do levante decembrista de 1825, mas de início a rebelião de Bakunin teve caráter filosófico, quando ele descobriu Hegel e Fichre. Foi Herzen que iniciou a sua conversão as radicalismo e mais tarde, em 1843, quando completava seus estudos filosóficos na Europa, ele se tornou um revolucionário graças àinfluência de Wilhelm Weirling e Proudhon. Durante os anos de 1848-1849, tomou parte ativa nas rebeliões que ocorreram em Paris, Praga e Dresden; capturado após o fracasso da rebelião de Dresden, esteve preso em prisões da Saxônia e da Áustria, tendo sido entregue posteriormente à polícia do Czar. Depois de um longo período de internamento na fortaleza de Pedro-e-Paulo, onde o escorbuto provocou a perda de seus dentes, foi enviado para a Sibéria, conseguindo mais tarde fugir para o Japão e de lá, para os Estados Unidos e Europa. Participou de uma fracassada revolta na Polônia e, tendo abandonado definitivamente suas idéias pan-eslávicas, desenvolveu uma série de teorias anarquistas e fundou uma organização política secreta, a Aliança da Social Democracia. Em 1868 juntou-se à Internacional e liderou a corrente que se opunha a Marx; foi oficialmente expulso da Internacional em 1872, mas muitos membros oriundos da Itália, Espanha, França, Bélgica e Suíça saíram com ele, fundando uma organização independente, a chamada Internacional St. Imier. Na década que se iniciou em 1870 Bakunin tomou parte nas revoltas de Lyon e Bolonha, acabando por morrer em Berna, onde foi sepultado. Sua obra escrita é vigorosa mas muito mal organizada; o próprio Bakunin confessou a Herzen que não tinha qualquer noção de arquitetura literária, e só muito raramente conseguia concluir qualquer trabalho mais longo do que um artigo. Era um ativista e talvez a sua mais importante contribuição à causa tenha sido como fundador do movimento anarquista histórico, que acabaria com a destruição das organizações anarco-sindicalistas espanholas em 1939.

 


 

Buenaventura Durruti (1896-1936)

Durruti foi o mais famoso entre os ativistas militantes, tão numerosos no movimento anarquista espanhol. Nunca escreveu, nem chegou a fazer qualquer contribuição à teoria do anarquismo, mas possuía uma personalidade envolvente que até Malraux admirava. Era um homem disposto a arriscar tudo pela causa. Quando jovem, trabalhou como mecânico na estrada de ferro e, depois de participar ativamente da greve de 1917, fugiu para a França de onde voltaria mais tarde para filiar-se ao C.N.T. e ao anarquismo. Integrava um grupo terrorista que assaltava bancos para financiar a causa, tendo participado de vários atentados - o mais notável deles contra o Arcebispo de Salamanca, assassinado durante a missa. Vivendo quase todo o tempo ora na prisão ora no exílio durante a monarquia e a república, depois de 1936 Durruti participou dos combates contra os generais Franquistas em Barcelona. Mais tarde liderou a coluna que entrou em Aragão, onde conseguiu recuperar grande parte do território nas mãos do inimigo. Conduziu seus homens para que lutassem em defesa de Madri e lá morreu, atingido por um tiro dado pelas costas. Seu assassino nunca foi identificado.


 

Peter Alexeyevich Kropotikin (1842-1921)

Nascido em Moscou e pertencendo a uma família nobre e tradicional, os Príncipes de Smolensk, descendentes de Rurik, o Grande Príncipe de Kiev na Idade Média, Kropotkin ainda menino atraiu a atenção do Czar Nicolau I e passou a integrar o seleto Corpo de Pagens. Já oficial, servindo na Sibéria, seus interesses científicos levaram-no a realizar explorações de grande importância para a geografia da região. Suas experiências na Sibéria aguçaram uma tendência já existente para a rebelião. Desligou-se do exército, tornou-se geógrafo e mais tarde abandonaria a ciência para tornar-se um anarquista. Ingressou na Internacional em 1872 na Suíça e voltou à Rússia para realizar um trabalho clandestino de propaganda. Aprisionado, conseguiu fugir espetacularmente para a Europa Ocidental, onde fundou e editou mu jornal, Le Révolté até ser novamente preso na França em 1882.
Em 1885 seria libertado, depois de um amplo movimento de protesto apoiado por escritores, cientistas e acadêmicos. Passou os próximos 30 anos na Inglaterra, onde escreveu suas obras mais importantes: A conquista do pão, Ajuda mútua, Memórias de um revolucionário e Campos, fábricas e oficinas. Voltou à Rússia durante a revolução de 1917, mas desiludido com a ditadura bolchevique e sem qualquer influência sobre os acontecimentos, passou seus últimos anos dedicado a escrever mais um livro, Ética, que deixou inacabado ao morrer. Escreveu também muitos panfletos, e, embora tivesse abandonado a pesquisa científica, seu espírito transparece e todos os seus trabalhos


 

Nestor Makhno (1889-1935)

Makhno nasceu em Gulvai-Polye, pequena cidade da Ucrânia que seria mais tarde o centro de sua atividade guerrilheira. Trabalhou nas grandes propriedades rurais da região, tendo se convertido ao anarquismo durante a revolução de 1905. Iniciando a atividade revolucionária, foi preso em 1909 por participar de atos terroristas e só seria libertado em 1917, quando retornou a Gulvai-Polye para organizar o soviete local. Quando os austríacos e alemães invadiram a Ucrânia, em 1918, Makhno organizou as ações de guerrilha contra o inimigo e aos poucos foi criando o exército revoltoso que teria importante participação na luta contra os Exércitos Brancos de Denikin e Wrangell em 1919-20.
Os bolcheviques estavam dispostos a beneficiar-se com as proezas militares de Makhno sem no entanto permitir que ele fizesse da Ucrânia uma região independente sob o anarquismo. Assim, imediatamente após a derrota dos Brancos, o Exército Vermelho se voltou contra ele. Makhno conseguiu resistir durante vários meses, mas finalmente foi obrigado a fugir para a Romênia em 1921.
Lá foi aprisionado, mas conseguiu escapar para a Polônia onde foi detido e acusado de ações criminosas contra a Polônia, jamais provadas. Libertado em 1923, permitiram-lhe que fosse para Paris, onde morreu pobre e quase sem amigos. Foi ao tempo de Makhno que o anarquismo conseguiu se tornar um movimento importante na Rússia, embora tivesse um caráter basicamente regional e ucraniano.


 

Errico Malatesta (1853 - 1932)

Filho de uma família abastada do sul da Itália, o estudante de medicina Malatesta ingressou na Primeira Internacional e sofreu a influência pessoal de Bakunin. Abandonou a profissão para dedicar os últimos sessenta anos de sua vida à agitação anarquista, tanto em sua terra natal, a Itália, quanto em países tão distantes e tão diferentes entre si quanto a Turquia e a Argentina. Participou de insurreições na Bélgica, Espanha e Itália. Totalmente absorvido pela ação ativista e tendo que ganhar a vida como eletricista, não chegou a escrever nenhuma obra importante mas seus artigos e panfletos estão entre o que de melhor existe na literatura anarquista. Passou os últimos anos de sua vida na Itália e, durante o regime fascista, foi mantido sob prisão domiciliar. Tal era o medo que inspirava às autoridades da época que, ao morrer, seu corpo foi jogado numa vala comum para impedir que seu túmulo se transforma-se num símbolo e no ponto de partida para as agitações dos dissidentes.


 

Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865)

Proudhon era filho de camponeses da região de Franché-Comté. Seu pai era um tanoeiro e proprietário de uma taberna. Proudhon iniciou a vida como tipógrafo e mais tarde trabalhou como representante de uma firma transportadora com sede em Lyon. Foi aí que manteve seus primeiros contatos com os socialistas e começou a desenvolver teorias próprias sobre um sistema sem governo baseado numa organização econômica cooperativista e na libertação do crédito da agiotagem que o controlava. Em 1840 publicou Qu'est-ce-que la propriété?, onde se declarou pela primeira vez anarquista. O livro foi elogiado por Marx que se transformaria mais tarde no grande crítico das idéias de Proudhon. Durante a revolução de 1848-9, Proudhon tornou-se deputado independente da Assembléia Nacional e fundou um Banco do Povo para demonstrar na prática as suas teorias de crédito livre e editou uma série de diarios altamente críticos, começando com Le Representant du Peuple, que lhe valeu uma longa temporada na prisão sob o reinado de Napoleão III. Posteriormente um outro livro De la Justice, levou a que fosse julgado e exilado na Bélgica. De volta a Paris, suas críticas corajosas fizeram dele um líder respeitado entre os operários, e um grupo de discípulos seus, os Mutualistas, teve participação ativa na criação da Primeira Internacional. Seu livro póstumo, De la Capacité Politiqque des Classes Ouvrières, forneceu a base teórica para o anarco-sindicalismo. Bakunin chamava-o de 

" Mestre de todos nós!"

 

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