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O Movimento Punk no Mundo
Em meados da década de 70 o mundo se encontrava no auge da Guerra
Fria, e uma Europa de pós-guerra, em constantes transformações
sociais, se encontrava propicia para a formação de movimentos
de transformações sociais, e foi lá, na Inglaterra,
que surgiu um dos movimentos mais importantes deste século: O Movimento
Punk.
Jovens, marginalizados pela sociedade, pobres e desempregados, começam
a chocar a sociedade pelo seu modo agressivo de ser, de se vestir, e de
agir. Tudo é contestação para os Punks, eles defendiam
o Anarquismo e a liberdade individual, e manifestavam a sua rebeldia contra
a hipocrisia, os privilégios, a sociedade conformista, as desigualdades
sociais etc... Mas com o passar do tempo os Punks foram engolidos pela
sociedade que eles tanto rejeitavam, para quase desaparecer.
Porém, no inicio da década de 90, o Movimento Punk reaparece
com grande intensidade, mas deixa de ser um movimento de transformação
social, para se tornar um movimento musical e um modismo, ainda existem
muitos punks de verdade, é só procurar nas ruas das grandes
cidades brasileiras, mas existe também uma grande parte das pessoas
que se dizem punks e não passam de um bando de manés idiotizados.
Muitas crianças do final da década de 70 e início
dos anos 80 provavelmente se assustavam toda vez que passavam por perto
de grupos de jovens e adolescentes trajando roupas pretas, com penteados
estranhos e alfinetes nas bochechas. Ao menos que estivessem em companhia
dos pais, elas evitavam aquele grupo exótico. No entanto, os próprios
pais, que viveram outra época, achavam aquilo tudo estranho e não
entendiam de forma alguma o comportamento desses jovens aparentemente
agressivos.
Os jovens eram os punks, porta-vozes de um movimento que sacudiu o cenário
musical e comportamental do começo dos anos 80.
A semente do movimento punk foi plantada em Nova York, Estados Unidos,
onde uma casa noturna chamada CBGB, no bairro do Village, abriu suas portas
e cedeu seu palco para grupos novos e alternativos. Lá se apresentavam
bandas que traziam uma proposta musical nova e agressiva como Stooges,
Velvet Underground e MC5.
Enquanto que as bases sonoras e comportamentais do movimento foram lançadas
na América, ele só veio mesmo a germinar e a se expandir
no Reino Unido.
Tudo começou quando um sujeito chamado Malcolm McLaren, em visita
aos Estados Unidos, conheceu de perto os novos grupos que por lá
se apresentavam e se encantou com suas propostas sonoras e musicais. De
volta à Londres, McLaren difundiu a idéia de formar um grupo
britânico com aquele mesmo estilo musical. Ele só não
imaginava que estava ajudando a fundar uma das mais expressivas bandas
de rock de todos os tempos e abrir o terreno para um dos mais contestadores
movimentos juvenis do século.
Formado pelo vocalista Johnny Rotten e os músicos Paul Cook, Steve
Jones e Glen Matlock ( substítuido por Sid Vicious) e empresariado
por McLaren, o Sex Pistols surgiu como um arrasa-quarteirão, um
furacão, uma bomba no cenário musical internacional.
Na época, o Reino Unido passava por um período de desemprego
e injustiças social, que que se refletia no aumento do número
de jovens que perambulavam pelas ruas da Capital. Foi justamente entre
esses jovens que o punk ganhou adeptos. Assim, o que parecia apenas um
estilo musical e de comportamento acabou se transformando num movimento.
Os grupos americanos, o Sex Pistols e as bandas que logo surgiram na sua
cola tinham músicas curtas, agressivas, que falavam de problemas
sociais. Protestavam contra a hipocrisia da sociedade, denunciavam a falência
das instituições e cantavam um mundo pré-apocalíptico,
onde o desemprego e a miséria eram o único cenário
visível. Descrentes do futuro, pregavam a anarquia e a liberdade
de expressão como um meio de ir contra a corrente conservadora
representada pela figura da rainha. Os ecos dessa mensagem foram ouvidos
não apenas pelos jovens da Grã-Bretanha, mas pela juventude
do mundo inteiro.
Os punks queriam resgatar a agressividade do rock e criar uma outra alternativa
ao cenário musical do final da década de 70. Suas músicas
geralmente tinham 3 acordes e eram quase sempre curtas. As letras eram
como uma blasfêmia para os mais conservadores. Porém, essa
agressividade não se resumia apenas ao estilo musical. Estava também
presente no modo de vestir e de se comportar. Usavam geralmente o preto
como base para toda a vestimenta. O coturno era o calçado mais
comum. Quepes militares, pulseiras com arrebites e alfinetes pelo corpo
também faziam parte do visual. Os cabelos eram cortados em estilos
incomuns como o moicano, espetados para cima e pintados de cores chocantes.
Chamavam atenção de tal forma que acabaram se incorporando
à paisagem londrina e até virando atração
turística.
Também foi a partir de Londres que o punk se espalhou para o resto
do mundo.
Por aqui, o movimento começou timidamente. Tinham uns poucos seguidores
entre os adolescentes da periferia de São Paulo e da região
do ABC. Só começou a ganhar expressão no começo
dos anos 80.
Foi só por volta de 1982 que eles começaram a sair do underground
e chamar a atenção da mídia. Nesse ano se realizou
no Sesc Pompéia em São Paulo, o festival "O Começo
do Fim do Mundo". Por lá se apresentaram as bandas "Estado
de Coma", "Suburbanos", "Olho Seco", "Cólera",
"Inocentes", "Ratos de Porão" (cujo vocalista
é o não menos conhecido João Gordo) e outras. O que
era para ser uma grande festa acabou se transformando em pancadaria. A
polícia acabou intervindo e prendendo muitos punks e a repercussão
nos meios de comunicação de massa não poderia ter
sido menos negativa.
A filosofia punk já havia se expandido para quase todas as grandes
cidades do Brasil, mas São Paulo continuou sendo a Meca nacional
do movimento. Casas como a danceteria "Carbono 14" e "Madame
Satã", que viviam abrindo suas portas para novos grupos e
tendências, não deixaram os punks passarem batidos. Era possível
de se assistir a grupos de rock recém-chegados como o "RPM"
e na semana seguinte curtir o som apocalíptico do "Cólera".
A Grandes Galerias, ou "Galeria do rock", entre a 24 de Maio
e São João, se transformou em ponto de encontro para os
jovens adeptos do estilo. Quem circulava pelo Centro da cidade estranhava
muito a reunião daqueles jovens "esquisito".
No mesmo ano de 1982, o jornalista e dramaturgo Antônio Bivar aderiu
ao movimento e lançou o livro "O que é punk" pela
Editora Brasiliense. A partir dai o movimento já estava virando
motivo para tese acadâmica. Também não demorou muito
para que fosse lançada a coletânea "Grito Suburbano",
com músicas do Cólera e Inocentes, entre outros. O selo
"Baratos Afins"(nome de uma loja nas Grandes Galerias) logo
deu seu apoio às bandas lançando Lps de alguns grupos. Surgiram
dezenas de "zines" feitos à máquina de escrever,
xerocados e distribuídos nos locais de reuniões punk ou
enviados pelo correio para adeptos em outros pontos do país.
É errôneo afirmar que o Punk foi um modismo. Na verdade foi
um movimento que teve seu apogeu naquela época, mas que continua
vivo até hoje. Ele já não tem tantos adeptos e nem
consegue causar a mesma repercussão que causou, mas continua influenciando
muita gente e fazendo escola. Bandas como Sex Pistols, The Clash, Ramones,
Exploited, Dead Kennedys, UK Subs, New York Dolls e as brasileiras Ratos
de Porão e Inocentes beberam (e algumas ainda bebem) da fonte da
fonte do Punk.
Aquela explosão genuinamente rebelde dentro do rock veio a influenciar
outros grupos e movimentos, inclusive alguns que aparentemente não
tem nada a ver com o estilo: Echo & The Bunnyman, The Cure, Joy Division,
Adam & the Ants, Sioussie & the Banshees são algumas dessas
bandas.
Se a New Wave pôde buscar inspiração no Punk, por
que não outros estilos como o Heavy Metal também não
iriam atrás de influências? Metallica, Sepultura, Accept,
Anthrax, Exodus, Flotsam & Jetsam, Motorhead, Slayer e um quase infindável
número de nomes do metal seguiram a mesma trilha. O movimento Grunge
também foi outro que foi pelo mesmo caminho. Já o hardcore
nasceu como filho legítimo do punk. Até o rock brasileiro
teve influências punk! Titãs, Ira! e Legião Urbana
são algumas das bandas brasileiras que tiveram essas influências.
Aquela época gloriosa nunca mais se repetirá, mas pelo visto
ainda vai continuar a fazer a cabeça de muita gente. Hoje é
mais difícil encontrar grupos de jovens com aquelas roupas ou com
aqueles cabelos - mesmo em Londres eles já não são
tão abundantes. Mas a filosofia e a rebeldia punk ainda vão
continuar vivos por muito tempo.
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