Há algum tempo venho pensando em elaborar uma página sobre "vivissecção" (*), mas dia desses recebi um e-mail divulgando um fato que vem acontecendo no Departamento de Clínica Cirúrgica, na disciplina de Técnica Operatória I e II da Universidade Federal de Santa Catarina. Li e fiquei tão chocada que achei que o e-mail por si só já englobaria tudo o que deveria ser dito nesta página. Leia com atenção, pense no assunto e se possível, divulgue e proteste. Não podemos nos calar diante de tanta crueldade. O homem tem que se coinscientizar que não é o "ser supremo" do planeta, que pode fazer e desfazer dos outros seres sempre em benefício próprio.
(*)vivissecção (do dicionário) = operação feita em animais vivos para estudo de fenômenos fisiológicos
"Se eu tivesse outra vida, dedicá-la-ia inteiramente à luta contra a vivissecção." - Bismark
"Se fôssemos capazes de imaginar o que se passa, constantemente, nos laboratórios de vivissecção, não poderíamos dormir em paz e em nenhum dia estaríamos felizes e tranqüilos." - Dr. Ralph Bircher
Por ano milhares de animais são queimados, afogados, feridos, aleijados, eletrocutados, mutilados, torturados e mortos em laboratórios de testes de empresas químico-farmacêuticas, empresas de cosméticos, universidades de medicina e genética, etc... Contribua para o término disto evitando o consumo de produtos sabidamente testados em animais. Existem meios mais racionais para o desenvolvimento e testes de produtos e testes de qualidade. Basta apenas boa vontade !
VÍTIMAS DA CIÊNCIA
Sacrifício de animais abre debate na Universidade. O envelope chegou sem eu saber como. Tinha o meu nome estampado. Dentro dele um poema, fotos e uma denúncia: cachorros usados em aulas de medicina são mortos e viram lixo. As fotos revelavam os bichinhos, dentro de sacos pretos, jogados atrás do hospital universitário, junto com o lixo hospitalar. Um deles com as patas e focinho amarrado, outro com a barriga cortada e suturada, outro, sujo de sangue com a expressão quase humana, na rigidez da morte. Junto das fotos a pergunta gritante:"Porque? Porque seres vivos viram lixo? Como tudo que consumimos e descartamos. Queria entender como alguém consegue sair de uma aula assim, e almoçar, namorar. Isso me dá medo e me entristece. É como se fosse uma guerra covarde em que de um lado está o homem com suas máscaras, seu equipamento, sua ciência, do outro, seres indefesos, ora presos e vivos, ora mortos e lixo." Impossível ficar impassível diante das fotos. O melhor amigo do homem e sua doçura, seu companheirismo. O melhor amigo do homem que beija a mão de quem lhe bate e olha para o dono com olhos leais.
Volta a cena uma briga nova: Os direitos dos animais. Até onde o homem tem direito de dipor da vida de outro ser, ainda que diferente de si? Qual é o limite? Só o próprio humano pode estabelecer. Por isso é hora de dicutir mais, de refletir, encontrar caminhos.Chocada com as fotos, fui onde deveria ir. Na sala de disciplina de Técnicas Operatórias. Aos fundos do HU. Lá o Prof. Antônio d'Acâmpora, responsável pela cadeira, conta que realmente a disciplina depende desses animais para acontecer: "Como vou treinar um cirurgião sem que ele aprenda a manusear tecidos vivos?", pergunta. Segundo ele, é impossível ensinar o manejo do bisturi e todas as técnicas cirúrgicas através da realidade virtual ou programas de computador. "Tu entregarias tua mãe para ser operada por um cirurgião treinado na realidade virtual?", provoca.
O Prof. Antônio explica que os alunos passam por várias etapas de treinamento. Primeiro com laranjas, luvas de borracha e só depois de muito treino começam a trabalhar com os animais. "Os erros técnicos não podem ser cometidos em seres humanos. O treinamento tem que ser assim. Mas tudo é feito dentro dos conceitos éticos universais. Nenhum animal passa por qualquer sofrimento. Eles são anestesiados e depois do trabalho são submetido à eutanásia. Tudo sem sofrimento ou dor."
Durante um semestre são aproximadamente 300 cachorros que passam pelas mãos dos alunos de medicina. São cães de rua da cidade de Curitiba, comprados especialmente para servirem de cobaias. Destes, 50% permanecem vivos, desde que estejam servindo a alguma experiência. Os demais viram lixo. "Mas eles vão acondicionados em sacos especiais, são lixo hospitalar", argumenta o professor."Não temos condições de sepultar os animais. Se fosse assim quando um médico amputa uma perna, também deveria sepultá-la?". Sobre manter vivos os cachorros, Antônio diz ser impossível. "Prá teres uma idéia, qualquer pesquisa aqui tem que ser mantida com o dinheiro do próprio pesquisador. Não há dinheiro prá cuidar desses animais. Para tê-los já gastamos R$ 500,00 por animal. Mantê-los seria inviável."
O estudante Huang Hee Lee da 11ª fase acredita que as pessoas não devem olhar radicalmente por um lado só. Há que se ver os dois lados. Para ele o trabalho com os animais é uma maneira de garantir uma ação mais eficaz no trato com o humano. Huang Lee não acha que esse tipo de prática torne o médico mais frio diante da vida, ao contrário, "dá mais equilíbrio". Ele defende o uso dos animais porque "não há outro jeito, e usá-los como experimentação faz com que a probabilidade de erro num corpo humano seja bem menor".
A Prof. do Departamento de Ecologia e Zoologia, Paula Brugger, diz que não tem dúvida que todos os procedimentos éticos são utilizados no trato com os animais dentro da UFSC. Mas para ela é necessário transcender a esta ética. "O que acontece é que nossa cultura legitimou separar o homem da natureza, considerando os demais seres vivos como objetos a seu serviço, meros recursos, prontos para o uso. Isso tem que mudar. Se a gente se horrorizar diante dessas práticas, as alternativas surgem.", argumenta. Ela lembra que existem culturas chamadas de primitivas que vêem os animais como seres sagrados, tão sagrados como a vida humana. "E eles são os primitivos", ironiza.
A questão talvez seja abrir o debate, mudar a visão do mundo. Encontrar um ser humano integrado à natureza, que entenda que só não é parte da natureza, como é a própria natureza. Um só corpo vibrando. Planeta Terra, Universo, uma coisa só. Olhar o mundo assim nos faz ínfimos, insignificantes e ao mesmo tempo sagrados, tal qual qualquer outra forma de vida. Que venha um tempo que a vida não seja mais lixo. Que venha...
( Artigo publicado no Jornal Univ. AGECOM #323 em 23/04/99 pela jornalista Elaine Tavares da Agência de Comunicação da UFSC )
Ode ao lixo À você, lixo de coração partido, de ventre violado e olhos que ainda insistem em brilhar, mesmo sob o sol escondido. Amarraram tua boca e roubaram-te a vida... Meus olhos fecham contigo com vergonha, vergonha de pertencer a espécie a qual te estupra. À você lixo, de cheiro conhecido...O tive ainda morno em minhas mãos cobertas de sangue e vergonha. E nunca hei de esquecer seu choro de despedida e medo antes do nosso encontro. Agora te vejo em pedaços... Pagaste com a vida os males que criamos. O homem ainda há de acordar. ...Não amarrarão nossas bocas e nossos braços... E as sementes que germinarem sob teu corpo exposto e violentado, alimentarão muitas vozes, e tomara, romperão muitas cercas! (Poema de autoria desconhecida, enviado junto com as fotos)
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"Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima." - Lamartine
"Se experiências em animais fossem abandonadas, a humanidade teria tido um avanço fundamental." - Richard Wagner
ANTES DA VIVISSECÇÃO |
DEPOIS DA VIVISSECÇÃO |
OPINIÃO:
POR DETRÁS DAS MÁSCARAS E DA VIDA ![]()
As máscaras da medicina estão caindo. A oportunidade de ver, através das fotos, o que se faz dentro da UFSC com um animal que tanto convivemos, parece vir acompanhado de um convite a reflexão. Ficarmos conformados com as justificativas desses profissionais para que tais procedimentos continue, não me parece ser a melhor alternativa. É muito suspeito e triste ver um fato de tamanha gravidade morrer justamente na boca de quem o pratica, sem que ninguém se manifeste. De acordo com a Physicians Commitree Medicine , 68 escolas de Medicina dos EUA (50%), não utilizam animais na formação do médico. Estas práticas foram substituídas por simulações de computadores, intervenções cirúrgicas simples em pacientes humanos (sob severa supervisão), observação atenciosa durante cirurgias em pacientes humanos e práticas em cadáveres humanos e placentas provenientes de partos. Universidades como Harvard, Columbia, Stanford ou Yale adotaram tais alternativas durante o currículo de formação do médico. Em muitos outros países acontece o mesmo. Se tais práticas fossem tão cruciais, porque tantos doutores e outros profissionais da saúde são educados todos os anos nessas universidades, sem participar dessas práticas e sem trazer qualquer prejuízo à sua habilidade profissional? Será que a utilização desses animais é o único meio para se praticar cirurgia como afirmam?
É provável que muitas pessoas "não entregassem suas mães para serem operadas por um cirurgião treinado na realidade virtual", mas me parece muito mais ameaçador entregar a mãe, ou quem quer que seja, a um cirurgião que até então tinha em sua frente um cão. A anatomia dos cães difere bastante da humana. Aspectos inumeráveis sobre o cão - da quantidade de pressão necessária para promover uma incisão na pela, até o tamanho e a posição dos órgãos internos - são diferentes em humanos.
Economicamente, a utilização de animais na didática é dispendiosa. Para se ter uma idéia, cada cão morto nessas práticas corresponde a R$ 500,00. Faça as contas: 300 cães por semestre somente na medicina. Cursos de Odonto, Biologia, Farmácia, Psicologia e outros também requerem animais em muitas práticas didáticas. Não sabemos até que ponto a insensibilidade requerida em tais procedimentos pode se extender na carreira profissional do médico. Dizer que tais práticas "dão mais equilíbrio" ao médico parece especulativo. A relação médico-paciente tem sido discutida profundamente em congressos de bioética, sem que se avalie o processo de formação do profissional. A primeira experiência clínica de um paciente não deveria valorizar a vida? Lidar com pacientes envolve muito mais do que apenas fisiologia, farmacologia e cirurgia. Envolve aconselhamentos, escutar as necessidades, e acima de tudo, ajudar ao invés de prejudicar. Estas são umas das razões do porque universidades médicas de ponta expõem o estudante em clínicas e salas de operação no seu treinamento, e eliminaram o uso de animais de laboratório. Tais procedimentos podem acarretar danos psicológicos ao estudante. O simples fato do estudante se submeter à uma prática obrigatória que vai contra os seus princípios morais (quando existentes) é algo de grande relevância. Muitos estudantes simplesmente não expressam seu desconforto ou oposição a tais procedimentos por medo de alguma repercussão ou repreensão acadêmica. Lògicamente, comparado ao tédio de leituras em sala de aula, os estudantes gostam da oportunidade de estar no meio de equipamentos cirúrgicos e participam de tais práticas. Porém, eles podem obter tais oportunidades observando os procedimentos necessários em salas de operações humanas. Os estudantes podem gostar de tais práticas em laboratórios, uma vez que são os seus primeiros contactos com experiências médicas, mas eles podem experimentar essa excitação observando uma cirurgia humana.
Um estudo recente feito nos EUA, mostrou que 25% dos estudantes de medicina se opõem ao "cão de laboratório" e que o número de estudantes descontentes com o uso de animais, tende a ser maior do que o número de estudantes que expressam seus sentimentos. Outra pesquisa mostrou que apenas um pequeno número de estudantes afirmam não terem nenhum problema com a utilização de animais. A American Medical Student Association (AMSA) passou duas resoluções exigindo às Universidades fornecerem alternativas aos "animais de laboratório" para estudantes com objeções "morais ou pedagógicas" e tem condenado "o poder de intimação sobre estudantes de medicina, forçando-os a participar de aulas e práticas que usam animais vivos. (AMSA-1993).
Estudantes têm direito de se expressar quando são obrigados a fazer algo que viole seus princípios. Uma parte de ser um bom doutor é viver sob princípios que motivaram uma pessoa a trabalhar na área da saúde e sob aquelas que vem sob um conteúdo ético, como primeiro, "não provoque sofrimento" de Hipócrates. Todo estudante é qualificado para decidir o que é certo e o que é errado, de acordo com os seus princípios morais pessoais. Estudantes devem ser aptos a questionar e objetar a uma parte do programa que é desnecessária, ultrapassada e/ou violem sua ética. Os fins justificam os meios? Os meios justificam os fins? Na minha opinião, os fins devem ser os meios, com uma semente que brota e gera uma árvore. Logo, nada mais coerente que propor a medicina para que
comece a valorizar a vida desde o começo da formação do profissional da saúde. Não é assim em muitos países? Agora, mais do que nunca, é o momento para discutirmos sobre as necessidades destas práticas. Todos somos responsáveis por isso, seja por nossa cumplicidade, seja por nosso compromisso em defender aqueles que não podem argumentar contra os bisturis da "ciência" e do "conhecimento".
(Texto escrito por Thales Tréz - Laboratório de Ética Prática da UFSC - Membro do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis - Estudante de Biologia) - e-mail: [email protected]
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DEPOIS DA VIVISSECÇÃO |
CASO VOCÊ QUEIRA PROTESTAR CONTRA ESTA PRÁTICA, VEJA COMO ABAIXO:
Um grupo anônimo tirou fotos dos animais (que vc vê nesta página) antes e depois da disciplina de Técnica Operatória I e II, ministradas no curso de Medicina da UFSC, mostrando à comunidade os animais vivos antes da disciplina e mortos, com suturas, cortes, cateteres, e dispensados como lixo. As fotos foram entregues a jornalista Elaine Tavares, da Agência de Comunicação da UFSC, que fez um belo artigo que foi em circulação no Jornal Universitário de número 323 (23 de abril) - que está na íntegra nesta pág. sob o nome: VÍTIMAS DA CIÊNCIA - , juntamente com um um poema (também publicado acima).
Solicitamos que se enviem cartas protestando contra tais práticas na educação médica e que se divulgue este fato o mais amplamente possível. A denúncia é grave!
E-mails devem ser enviados ao Departamento de Clínica Cirúrgica: [email protected]
Cartas à:
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Ciências da Saúde - Departamento de Clínica Cirúrgica
Campus Universitário - CEP 88040-900 - Florianópolis/SC
Opiniões para:
[email protected]
Cópias podem ser enviadas à:
Caixa Postal 758 - CEP 88010-970
Florianópolis/SC
ou pelo e-mail: [email protected]
Proposta de carta-modelo:
(Cidade) (data)
Caros professores do Departamento de Clínica Cirúrgica,
Através desta venho manifestar minha profunda tristeza e indignação ao ver o tipo de tratamento que a medicina tem dado aos animais destinados a disciplina de Técnica Operatória I e II, ministradas pelo professor Antônio d'Acâmpora. Sabemos que hoje em dia existem técnicas didáticas alternativas para tais animais, que respeitam o aluno e o próprio animal. Gostaria de apoiar a iniciativa de debate sobre este tema, da maneira mais ampla possível e sob vários aspectos interdisciplinares. É o mínimo que se pode fazer em frente a uma situação vergonhosa como esta.
Atenciosamente,
(nome) (opcional: organização/ profissão)
Publico abaixo a opinião de um médico-veterinário sobre o assunto:
"Gostaria de manifestar um profundo ar de lamento quanto à essa questão. Que tentasse buscar uma alternativa em relação ao fim da aula, que é o sacrifício, ou melhor, um nome bem mais bonito e menos cruel, a eutanásia, mas que tem o mesmo peso, o final de uma vida! Porque eutanásia? Porque não deixar o animal vivo e libertá-lo depois ou enviá-lo à um abrigo? Será que o que foi feito na aula é incompatível com a vida depois? Quais os procedimentos na aula? Retirada de órgãos? Se os animais são anestesiados e "operados", porque MATÁ-LOS? São VIDAS !!! Isso não é aula. É tortura seguida de morte !!! É crime ! Se não tiver outro jeito de dar aulas, que ao menos deixem vivos os cães !! Mas não deixem com amputações, nem com sequelas ! Pelo que sei, um paciente tem que estar vivo e bem no final de uma cirurgia, e não ser sacrificado, ou melhor, ser feita a EUTANÁSIA...para ficar mais bonitinho... É melhor deixá-los nas ruas soltos que matá-los. Contra a vida não há argumento !! A eutanásia é coisa do século passado...é pura falta de inteligência e interesse. Dr. Victor de Oliveira - CRMV/RJ 5007 "
Opinião de um dos menbro do "Defesa-Animais" sobre esse assunto:
"Foi com profunda tristeza que soube dos horrores ensinados como ciência nesta instituição, conforme http://www.ufsc.br/agecom/jusn.html.
Palavras não são suficientes para expressar minha indignação e vergonha ao perceber que pessoas em formação para a defesa da vida, em pleno fim de milênio e com os recursos tecnológicos disponíveis, ainda justifiquem ações tão bárbaras, dignas dos maiores carniceiros que este mundo já acolheu, com a simples argumentação que os métodos modernos não são tão bons quanto os antigos.
Certamente a conveniência de vítimas incapazes de se expressar permite que
tais fatos não sejam divulgados amplamente, este sempre foi um ponto a favor dos opressores ao longo de nossa história. Gostaria apenas de apontar minha opinião, sobre o comentário do professor que questiona se alguém entregaria sua mãe nas mãos de alguém treinado com realidade virtual. Não apenas entregaria minha mãe como a mim mesmo, por
acreditar que não é a diferença entre esse recurso e a vivisecção em cães que tornarão um cirurgião mais o menos hábil, uma vez com certa prática.
Certamente, a diferença será muito mais sutil, mas não menos importante: em
minha opinião, aquele que fez a vivissecção é um assassino frio e cruel, independentemente de sua habilidade. - Ricardo Neves"
"Em termos de evolução, bem maior é o débito da Humanidade para com os animais do que o crédito que lhes temos dispensado para seu bem-estar e progresso." - Eurípedes Kühl
Visite também a página para as petições da "FRENTE BRASILEIRA PARA ABOLIÇÃO DA VIVISSECÇÃO" ( http://www.apasfa.org/peti/vivisec.html )
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