O Canil da Prata

Texto: Paulo Roberto Moraes Rocha
Presidente da extinta APAT -
Associa��o Protetora de Animais de Teres�polis - RJ, em exerc�cio, na �poca.

Considerando que o Centro de Recolhimento de Animais - Canil da Prata - ainda se encontra fechado para os membros da APAT, por ordem expressa do Secret�rio da Sa�de Dr. Habib Tauk, � que viermos dar conhecimento � popula��o do real motivo que levou � cria��o desta Associa��o.

Aos 27 dias do mes de Mar�o de 1997,ao tentar reaver um c�o recolhido pela odiosa Kombi de Recolhimento de Animas (Carrocinha) da Prefeitura Municipal de Teres�polis, uma visita foi feita ao Canil da Prata, objeto de hist�rias terr�veis de torturas e sacrif�cios de animais at� ent�o, por n�s, n�o comprovadas

Logo ao entrar, na companhia do Sr. Administrador do Canil, um mau cheiro insuport�vel de fezes, urina, mat�ria org�nica em decomposi��o, aliado a uma grande quantidade de moscas e pombos que esvoa�avam de um lado pro outro, defecando por sobre tudo aonde passavam, aumentando a sujeira do lugar. O local era de total abandono pois a imund�cie proliferava por toda� parte. Mal pod�amos caminhar.

Meias paredes formavam canis, �midas, sujas eram complementadas por grades, praticamente destru�das e que, pela simples observa��o poderia se concluir que o foram pelos pr�prios animais no desespero de fuga.

Os buracos feitos nessas grades eram cobertos por peda�os de madeira, amarrados com cordas e arame, inclusive suas portas, impedindo assim o acesso ao interior. A pouca ra��o oferecida aos c�es naquele momento pelo empregado, foi jogada sobre as grades, misturando-se �s fezes e urina que l� se acumulavam.

A limpeza que vimos fazer desses can�s consistia em simplesmente jogar �gua com uma mangueira no ch�o, aumentando ainda mais a umidade do lugar e encharcando os pobres animais que al� ficavam confinados.


Observem a ra��o espalhada no ch�o �mido.

Nesses can�s, como n�o poderia deixar de ser, os c�es adoeciam e quando n�o mais aguentavam ficar de p�, ca�am e eram devorados pelos outros. Uma cena Dantesca digna de qualque filme de terror, por�m considerada normal e rotineira pelo Sr. Administrador do Canil.

Continuando a visita, chegamos a um canil grande, que seria para animais de porte grande como cavalos, bois, etc. Nesse c�modo haviam grandes valas, naturalmente para ser colocada a ra��o, por�m o que l� encontramos foram v�rios filhotes que se amontoavam uns sobre os outros em total estado de desnutri��o face � magreza que apresentavam.

Chegando mais perto e tentando peg�-los, que terr�vel surpresa! Os que estavam por cima, quase mortos, amontoavam-se sobre os corpos gelados dos que j� haviam morrido. Mais uma cena Dantesca que bem demosntra o descaso, a indeferen�a e a falta de caridade daqueles respons�veis por esse circo de horrores!


Filhotes morrendo de desnutri��o.

� do nosso conhecimento que muitas doa��es de ra��o para filhotes, assim como rem�dios, leite , estrados de madeira foram entregues ao Canil, mas pelo que constatamos nada chegou aos animais que viviam na umidade do cimento, sem rem�dios nem comida...

Mais adiante, sempre ao lado do Administrador, encontramos compartimentos individuais, ao todo 28, uns ficavam rente ao ch�o e outros acima destes. Eram o que chamavam de gaiolas. Ali, mais uma vez os c�es eram trancafiados, �s vezes, v�rios em um mesmo compartimento que mal dava para um. Ali ficavam at� morrer. Neste local era sempre noite porque o Sol n�o entrava e n�o havia luz porque n�o haviam l�mpadas nos bocais enferrujados e cheios de teias de aranha.

Esse lugar era terrivelmente �mido, chegando no inverno a correr �gua pelas paredes. O ch�o era coberto por uma crosta de fezes petrificadas, que nos custaram alguns dias de limpeza, para conseguirmos ver o cimento no ch�o.

Em outro compartimento, encontramos fios que saiam de tomadas, espalhados pelo ch�o, no molhado, podendo causar curto ou choque nos animais. Do teto desse terr�vel lugar, teias de aranha se desprendiam como esp�ssas cortinas, juntando-se a latas que ali eram colocadas pelo empregado do Canil para cria��o de pombos, aumentando assim a prolifera��o de doen�as.


Nos can�s onde n�o havia mais grades, os animais eram amarrados com cordas �s colunas e, sempre que tentavam pular a meia parede, ficavam pendurados e morriam enforcados.

O consult�rio veterin�rio estava trancado e ao ser aberto mostrou ser um lugar h� muito abandonado porque havia sujeira por toda a parte. Caixas e caixas de medicamentos com validade vencida e cobertos de poeira amontoavam-se nas prateleiras. Teias de aranha por todo lado. Grande era a evid�ncia de que h� muito tempo n�o passava veterin�rio por ali. Enquanto isso os animais morriam, sem qualquer assist�ncia.

Na sala onde supostamente deveria ficar a comida dos animais, encontramos ra��o pra porco; velha, mofada, espalhada pelo ch�o, juntamente com fezes ali espalhadas, de animais que gozavam da simpatia do Sr. Administrador e ficavam soltos pelos corredores.

Temos conhecimento que o Governo M�rio Tricano, que construiu o Canil da Prata, o fez dando toda infra-estrurura para seu pleno funcionamento, por�m, o Governo seguinte n�o s� n�o deu continuidade como deixou ao completo abandono, piorando cada vez mais at� chegar a este ponto que relatamos com muito pesar e tristeza.

Gostar�amos de nunca precisar vir a p�blico para divulgar t�o triste epis�dio que, temos certeza, chocar� a todos que como n�s s�o sens�veis ao sofrimento dos animais, t�o maltratados e explorados pelo homem, em todos os sentidos, sem poder sequer se defenderem.

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A partir desse dia come�amos, com recursos pr�prios, a obra de recupera��o do Canil, devidamente autorizada pelo Sr. Secret�rio de Obras Dr.Luiz Medeiros. Diariamente passamos a ir ao Canil, levando ra��o de boa qualidade e em quantidade suficiente, rem�dios e empregados pagos por n�s para a limpeza.

Hoje o Canil da Prata ainda est� muito longe do ideal, tem can�s com solarium onde os animais ficam soltos, sem cordas ou correntes. Fizemos uma maternidade onde ficam as f�meas prenhes ou com filhotes. Fizemos can�s para filhotes, recuperamos a rede el�trica e hidr�ulica, muramos toda a volta do canil e colocamos port�es de ferro nas entradas e depend�ncias internas.

Gastamos em torno de R$ 12.000,00 ( doze mil reais ), do que temos provas como recibos e notas fiscais de material de constru��o.

Gostar�amos de pedir ao Sr. Secret�rio da Sa�de Sr. Habib Tauk, que tivesse a humildade de divulgar em suas entrevistas que todas as benfeitorias que orgulhosamente cita foram feitas pela Associa��o - APAT- cujos membros ele mesmo proibiu a entrada no Canil.

O nosso trabalho durou todo o ano, n�o havendo s�bados, domingos, feriados, Carnaval, Natal, Ano Novo. Todos os dia sempre dois empregados e um membro da Associa��o estavam l�, dando assist�ncia aos animais.

Acreditamos, no entanto, que dever�amos estar incomodando ou ferindo interesses porque dia 27/03/98, ao chegarmos no Canil, como de costume, encontramos um cadeado no port�o e uma ordem expressa do Sr. Secret�rio da Sa�de Dr. Habib Tauk, que nos foi entregue pelo Sr. Administrador, proibindo n�o s� nossa perman�ncia como nossa entrada naquele local!

N�o houve sequer a considera��o de uma explica��o ou justificativa para ato t�o arbitr�rio e injusto, com pessoas que s� ajudaram e trabalharam sempre em sil�ncio.Nosso trabalho sempre fois an�nimo porque somos apol�ticos, nunca quisemos promo��o e nem temos a vaidade dos demagogos porque, se assim fosse, nossas obras teriam sido amplamente divulgadas pela imprensa com fotos e entrevistas.Nada disso foi feito. Aproveitamos pra deixar p�blico que a aus�ncia de veterin�rios da Prefeitura no Canil durante o ano em que l� trabalhamos, foi suprida por veterin�rios da Rede Particular, a quem deixamos nossos mais sinceros agradecimentos.

Paulo Roberto Moraes Rocha

Na �poca do fechamento do canil para os volunt�rios da APAT,o atual Prefeito estava afastado do seu cargo e o Secret�rio de Sa�de agora tamb�m � outro, mas os animais ainda sofrem os maus tratos porque o Administrador ainda � o mesmo. Os animais n�o t�m assist�ncia veterin�ria e sabe-se que os c�es s�o sacrificados por esse administrador, que � um leigo, das piores formas poss�veis.

Os contatos para quem quiser ajudar s�o:

Yara ou Paulo Henrique Esteves Teixeira
Tel: (0**21) 7425514
Fax: (0**21) 6431577
Teres�polis- RJ

Maria Elizabete
Tel: (0**21) 259-6164
Fax: (0**21) 567-9516
Rio de Janeiro.


PARA AUTORIDADES COMPETENTES
Ref. Canil da Prata

COPIE O MODELO DE CARTA ABAIXO E COLE AQUI
, OU ENVIE DIRETAMENTE PARA

( [email protected] , [email protected]� ,� [email protected]� ,� [email protected] )

onde j� est�o os e-mails das principais autoridades ,PREENCHA O CAMPO ASSUNTO (ou SUBJECT) com a frase� CANIL DA PRATA URGENTE, ASSINE e mande. Se algum e-mail voltar como usu�rio desconhecido, pode ser problema do seu provedor.

Prezados Senhores,

Tomamos conhecimento, pela internet, sobre o caso� de abusos cometidos no CANIL DA PRATA em Teres�polis. Pedimos que sejam tomadas provid�ncias URGENTES ! � inadmiss�vel, que essa situa��o ainda seja tratada com descaso pelas autoridades de nosso pa�s! A LEI DE CRIMES AMBIENTAIS� est� sendo completamente desprezada� e como cidad�o, que paga impostos para sustentar a m�quina p�blica, n�o posso me calar diante desses crimes b�rbaros cometidos pelo pr�prios �rg�os do Governo.

Visitem o link abaixo e vejam com seus pr�prios olhos ! Depois de tudo o que foi narrado, lemos que os funcion�rios continuam os mesmos e que os animais CONTINUAM sem assist�ncia veterin�ria! As pessoas que hoje lutam, SEM SAL�RIOS, para trazer dignidade �queles animais, est�o cobertas de provas de tudo o que aconteceu e ainda acontece no local.

Contamos com o vosso bom senso e aguardamos severas provid�ncias .

http://www.apasfa.org/peti/canilintr.html

Atenciosamente,

Nome
Cidade

Estado


OU AINDA AJUDE A DIVULGAR MAIS ESSE ABSURDO NOS JORNAIS LOCAIS E PESSOAS DE DESTAQUE NA REGI�O PARA QUE O POVO SAIBA O QUE REALMENTE EST� ACONTECENDO E ALGU�M FA�A ALGUMA COISA EM PROL DOS ANIMAIS ABANDONADOS DE TER�:

FolhaNet ( jornal semanal de Teres�polis ) - [email protected]

Caderno Zero On Line - [email protected]

Teres�polis Jornal On Line - [email protected]


( Esta p�gina foi elaborada e autorizada a publica��o neste site por Noeli Santisteban, volunt�ria da APASFA )

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