Amortecedores de fricção,
esses desconhecidos
From:
augusto águas
José
Valente de Oliveira, escreveu :
...Fico curioso
relativamente a esta teoria, i.e., como será que se comporta a suspensão antiga
com os 30cvs do motor de 602cm3 em cima...
Caro
Valente
De 1967 a
1973, salvo erro, a dyane 6 (602cc, já que em Portugal não foi comercializada a
dyane 4 com 435cc) veio equipada com essa suspensão à frente e telescópicos
atraz e a curvar, era simplesmente fantástica, além da maior comodidade e até
segurança. Mesmo depois de começarem a usar os telescópicos a frente e atraz,
durante uns anos, mantiveram os batedores de inércia (os tais cilindros), que
mais tarde também deixaram de equipar a dyane e os 2cv.
Creio que
não terá sido essa a razão da substituição do sistema de suspensão, mas sim por
razões de preços na produção.
Um abraço
Augusto
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From:
tócarrapiço
Amigo
Augusto
Penso que
as DYANE mais antigas em Portugal são de 1968 e a suspensão acho que se manteve
até 1975 (tive um 2 cv importado com batedores de inercia na frente de 1974).
Quanto ao
conforto concordo consigo, mas segurança e estabilidade talvez só com os 424.
Digo isto porque alterei o motor e caixa para os 2cv6 club uma vez que levei o
carro num raid a Marrocos e pretendia melhor perfomance e travagem mas o carro
em ensaios de situações extremas tornava-se quase inguiável por a frente ser
muito dançarina e é claro que em TT o chassis batia no chão com bastante
facilidade.
tocarrapiço
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De: "augusto águas"
Caro Tó
Seja bem
aparecido.
Ora vamos
lá a ver se se desfazem algumas confusões que têm surgido, a propósito destas
(fantásticas) suspensões:
Os
batedores ou amortecedores de inércia, que na imagem
em anexo estão a encarnado,
são uma coisa muito diferente dos amortecedores de fricção, (a verde).
Os
primeiros, compõem-se basicamente de um peso, cilindrico, dentro do envólucro
visível, pousado numa mola fraca, que o mantém a meia altura do envólucro.
Ajudam a manter a aderência, aquando das pequenas oscilações do braço de suspensão.
Já os
amortecedores de fricção, a verde, destinam-se a produzir o efeito de
travamento das oscilações de maior amplitude como fazem os telescópicos.
Acontece
porém que esses amortecedores de fricção, sendo compostos por duas peças em aço
(são mesmo em AÇO) que apertam uma placa revestida de 'ferodo' de ambos os
lados, sofrem um desgaste com o uso e têm de ser afinados ou reparados de vez
em quando, sob pena de se tornarem totalmente inoperativos. Quando isso
acontece, o carro tem o mesmo comportamento de um equipado com os execráveis
telescópicos, quando estes estão no fim da vida útil. Só que, sendo uma peça
pouco ortodoxa para a mecânica convencional, nunca eram reparados, ou se o
eram, raramente o seriam da maneira adequada. Porque estes amortecedores, têm
de ser afinados, na pressão com que se apertam as tais peças em aço, que
'ensanduicham' a placa dos ferodos. Casos havia em que alguns mecânicos
zelosos, até besuntavam abundantemente eses ferodos com massa consistente !!!
Imaginem que se fazia o mesmo a uma embraiagem e o resultado seria que o carro
não conseguiria sequer arrancar. E no entanto o princípio de funcionamento é
semelhante.
Talvez por
má afinação, o carro do Tó não teria um bom comportamento e até 'afocinhava' na
travagem, pois conforme já me foi dado dizer, estes amortecedores, eram de
longe superiores aos telescópicos. O único inconveniente, era que seria muito
difícil aplicar uma barra estabilizadora em tal suspensão. Resta acrescentar
que nesses amortecedores era possível fazer uma afinação personalizada, mais
duros ou mais macios conforme o gosto ou vocação do cliente !
Quanto à
barra estabilizadora que está bastante vulgarizada, legada pelos AMI's em fim
de vida, deve dizer-se que 'apenas' serve para não deixar inclinar o carro nas
curvas. No entanto, o AMI 8, apenas podia 'dispensar' a da frente, já que atraz
apenas o AMI Super trazia. E a da frente do Super, tinha mais 1 mm. de diâmetro
que a do 8.
Esperando
ter esclarecido algumas confusões e dúvidas, mas sem dar o assunto por
esgotado, fico aguardando mais algumas opiniões e envio um abraço.
Augusto