Conclusão
Este trabalho teve por objetivo responder a duas questões:
Para responder à primeira pergunta mostrou-se que havia uma ameça de Crise Bancária em 1995. Em defesa desta hipótese foi realizada uma análise histórica nos capítulos I e II, nos quais descrevia-se as transformações e dificuldades por que passou o SFN, mais especificamente o SBB, aliando-se estas dificuldades à política econômica (em particular às políticas de juros e compulsórios elevados) adotada no período pós-Real. Concluiu-se pela existência de uma ameaça de crise bancária em 1995 (particularmente fortalecida após a intervenção no Banco Econômico em agosto do mesmo ano).
No capítulo seguinte foi descrito o programa do Proer em si, assim como as medidas complementares, objetivando apresentar de forma clara e sucinta a opção brasileira de prevenção à crise bancária. Foram relatados os casos de aplicação do programa. Chegou-se à conclusão de que o Proer efetivamente evitou uma crise bancária. A segunda pergunta foi introduzida neste mesmo capítulo, ao mostrar a preocupação do BC em garantir que as instituições em dificuldades fossem absorvidas por instituições saudáveis e que tivessem capacidade administrativa para tal.
No capítulo IV foram analisados indicadores que, aliados aos fatos posteriormente citados (referentes às vendas de três dos bancos que participaram do Proer, e a liquidação de um quarto) levam à conclusão que o segundo objetivo do Proer - formar instituições sólidas - não foi plenamente alcançado.
Ainda com relação a este ponto, pode-se perceber que a terceira fase da reestruturação do SFN pós-Real, a entrada dos bancos estrangeiros, teve um grande avanço com o Proer - através da compra do Bamerindus pelo HSBC - e continuou em grande parte em cima dos resultados deste programa - compra do Bandeirantes pela CGD e do Excel Econômico pelo BBV. De positivo - e concreto até aqui - neste processo de entrada dos bancos estrangeiros pode-se destacar a diversidade do capital que entrou no SBB - HSBC, Inglaterra; CGD, Portugal e BBV, Espanha, diminuindo uma suposta vulnerabilidade do sistema em relação à decisões tomadas no exterior - não estão concentradas num único país.
Com relação ao custo do Proer, não se pode calcular a sua medida exata, devido ao fato de que o tempo necessário para avaliar tal programa ainda não transcorreu. Mas chegou-se à conclusão de que em relação à experiência internacional o custo foi muito baixo. Pode-se afirmar, sem hesitação, que a prevenção da crise via Proer custou muito menos do que teria custado uma reestruturação pós-crise.
As especulações sobre as alternativas ao Proer ficam em aberto, mas através deste trabalho chegou-se à conclusão de que a ameaça de crise assumiu tamanha proporção devido à hesitação do BC em tomar medidas mais duras ao perceber a necessidade constante do Econômico de captar recursos no interbancário; que, somada à comprovação de longas fraudes em dois dos maiores bancos brasileiros na época - Econômico e Nacional, puseram em xeque a confiança da população no SBB e na própria fiscalização do Banco Central do Brasil.
Também mostraram-se questionáveis as garantias dadas pelos empréstimos do Proer, além dos critérios de escolha dos bancos compradores, que em quatro de sete casos se mostraram não exitosos.