Período pré-descobrimento (até
1500)
-
Quando descoberto pelos portugueses em
1500, estima-se que o atual
território do Brasil (a costa oriental da
América do Sul), era habitado
por 2 milhões de indígenas, do norte ao sul.
A população ameríndia era repartida em grandes nações
indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se
destacam os grandes grupos
tupi-guarani,
jê e
aruaque. Os primeiros eram
subdivididos em
guaranis,
tupiniquins e
tupinambás, entre inúmeros
outros. Os
tupis se espalhavam do atual
Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje. Segundo
Luís da Câmara Cascudo[1],
os tupis foram «a primeira raça indígena que teve contacto com o
colonizador e (…) decorrentemente a de maior presença, com
influência no
mameluco, no
mestiço, no
luso-brasileiro que nascia e no
europeu que se fixava». A influência tupi se deu na
alimentação, no
idioma, nos
processos agrícolas, de
caça e
pesca, nas
superstições, costumes,
folclore, como explica Cascudo:
«O tupi era a raça histórica, estudada pelos
missionários, dando a tropa auxiliar, recebendo o batismo e
ajudando o conquistador a expulsar inimigos de sua terra.
(…) Eram os artífices da
rede de dormir, criadores
da
farinha de mandioca,
farinha de pau, do complexo
da goma de
mandioca, das bebidas de
frutas e raízes, da carne e peixe moqueados, elementos que
possibilitaram o avanço branco pelo
sertão».
Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por
vários tratados entre
Portugal e
Espanha, estabelecendo limites
e dividindo o mundo já descoberto do mundo ainda por descobrir.
Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o
Tratado de Tordesilhas (1494)
é o mais importante, por definir as porções do globo que
caberiam a Portugal no período em que o Brasil foi colônia
portuguesa. Estabeleciam suas cláusulas que as terras a leste de
um
meridiano imaginário que
passaria a 370
léguas marítimas a oeste das
ilhas de
Cabo Verde pertenceriam ao rei
de Portugal, enquanto as terras a oeste seriam posse dos reis de
Castela (atualmente Espanha).
No atual território do Brasil, a linha atravessava de norte a
sul, da atual cidade de
Belém do Pará à atual
Laguna, em
Santa Catarina.
Quando soube do tratado, o rei de França
Francisco I teria indagado qual
era "a cláusula do testamento de
Adão" que dividia o planeta
entre os reis de Portugal e Espanha e o excluía da partilha.
Período colonial (1500-1808)
A chegada dos portugueses
No dia
22 de abril de
1500, o então
português
Pedro Álvares Cabral, saindo de
Lisboa, iniciou viagem para
oficialmente descobrir e tomar posse das novas terras para a
Coroa, e depois seguir viagem para a
Índia (contornando a
África para chegar a
Calecute). Levava duas
caravelas e 13 naus, e de 1.200 a 1.500 homens - entre os mais
experientes
Nicolau Coelho, que acabava de
regressar da Índia;
Bartolomeu Dias, que descobrira
o cabo da Boa Esperança, e seu irmão
Diogo Dias (que mais tarde
Pero Vaz de Caminha descreveria
dançando na praia em
Porto Seguro com os índios,
« ao jeito deles e ao som de uma gaita»). As principais naus se
chamavam Anunciada, São Pedro, Espírito Santo,
El-Rei, Santa Cruz, Fror de la Mar,
Victoria e Trindade (RIBEIRO,
«História do Brasil», pág.43). O vice-comandante da frota era
Sancho de Tovar e outros
capitães eram
Simão de Miranda,
Aires Gomes da Silva,
Nuno Leitão,
Vasco de Ataíde,
Pero Dias,
Gaspar de Lemos,
Luís Pires,
Simão de Pina,
Pedro de Ataíde, de alcunha
o inferno, além dos já citados Nicolau Coelho e Bartolomeu
Dias. Por feitor, a armada trazia
Aires Correa, que havia de
ficar na Índia, e por escrivães
Gonçalo Gil Barbosa e Pero Vaz
de Caminha. Entre os pilotos, que eram os verdadeiros
navegadores, vinham
Afonso Lopes e
Pero Escobar. Diz a Crônica
do Sereníssimo Rei
D. Manuel I:
«E, porque el Rei sempre foi mui inclinado às coisas que
tocavam a nossa Santa fé católica, mandou nesta armada oito
frades da ordem de S. Francisco, homens letrados, de que era
Vigário frei Henrique, que depois foi confessor del Rei e
Bispo de Ceuta, os quais como oito capelães e um vigário,
ordenou que ficassem em Calecut, para administrarem os
sacramentos aos portugueses e aos da terra se se quisessem
converter à fé.»
Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou por
São Nicolau, no arquipélago de
Cabo Verde, em 16 de março. Tinham-se afastado da costa africana
perto das
Canárias, tocados pelos
ventos alísios em direção ao
ocidente. Em
21 de abril, da nau capitânea
avistaram-se no mar, boiando, plantas. Mais tarde surgiram
pássaros marítimos, sinais de terra próxima. Ao amanhecer de
22 de abril ouviu-se um grito
de "terra à vista", pois se avistou o monte que Cabral batizou
de
Monte Pascoal, no litoral sul
da atual
Bahia.
Ali aportaram as naus, discutindo-se até hoje se teria sido
exatamente em
Porto Seguro ou em
Santa Cruz Cabrália, e fizeram
contato com os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a que
os nativos chamavam
Pindorama ("terra das
palmeiras"), foi a princípio chamada pelos portugueses de
Ilha de Santa Cruz e nela foi
erguido um
padrão (marco de posse em nome
da
Coroa Portuguesa). Mais tarde,
a terra seria rebatizada como
Terra de Vera Cruz e
posteriormente Brasil. Estava situada 5.000km ao sul das terras
descobertas por
Cristóvão Colombo em
1492 e 1 400 quilômetros aquém
da
Linha de Tordesilhas.
Sérgio Buarque de Holanda
descreve, em História Geral da Civilização Brasileira:
«Tendo velejado para o norte, acharam dez léguas mais
adiante um arrecife com porto dentro, muito seguro. No dia
seguinte, sábado, entraram os navios no porto e ancoraram
mais perto da terra. O lugar, que todos acharam deleitoso,
proporcionava boa ancoragem e podia abrigar mais de 200
embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra, mas não pode
entender a algaravia dos habitantes, diferente de todas as
línguas conhecidas».
No dia
26 de abril, um
domingo (o de Pascoela), foi
oficiada a
primeira missa no solo brasileiro
por frei
Henrique Soares (ou frei
Henrique de Coimbra), que
pregou sobre o Evangelho do dia. Batizaram a terra como
Ilha da Vera Cruz no dia
1 de maio e numa segunda missa
Cabral tomou posse das terras em nome do rei de
Portugal. No mesmo dia, os
navios partiram, deixando na terra pelo menos dois degredados e
dois grumetes que haviam fugido de bordo. Cabral partiu para a
Índia pela via certa que sabia existir a partir da costa
brasileira, isto é, cruzou outra vez o
Oceano Atlântico e costeou a
África.
O rei
D. Manuel I recebeu a notícia
do descobrimento por cartas escritas por
Mestre João e
Pero Vaz de Caminha, semanas
depois. Transportadas na nau de
Gaspar de Lemos, as cartas
descreviam de forma pormenorizada as condições geográficas e
seus habitantes, desde então chamados de
índios. Atento aos objetivos da
Coroa na expansão marítima, Caminha informava ao rei:
«Nela até agora não podemos saber que haja
ouro nem
prata, nem alguma coisa de
metal nem de ferro lho vimos; pero a terra em si é de muitos
bons ares, assi frios e temperados como os d'antre
Doiro e
Minho, porque neste tempo
de agora assi os achamos como os de lá; águas são muitas
infindas e em tal maneira é graciosa, que querendo
aproveitar-se dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem;
pero o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que
será salvar esta gente (...) boa e de boa simplicidade».
Damião de Góis narra o
descobrimento em sua língua renascentista:
«Navegando a loeste, aos xxiiij dias do mes Dabril viram
terra, do que forão muito alegres, porque polo rumo em que
jazia, vião não ser nenhuma das que até então eram
descubertas. Padralures Cabral fez rosto para aquela banda &
como forão bem à vista, mandou ao seu mestre que no esquife
fosse a terra, o qual tornou logo com novas de ser muito
fresca & viçosa, dizendo que vira andar gente baça & nua
pela praia, de cabelo comprido & corredio, com arcos &
frechas nas mãos, pelo que mandou alguns dos capitães que
fossem com os bateis armados ver se isto era assi, os quaes
sem sairem em terra tornaram à capitaina afirmando ser
verdade o que o mestre dixera. Estando já sobrancora se
alevantou de noite hum temporal, com que correram de longo
da costa ate tomarem hum porto muito bom, onde Pedralures
surgio com as outras naos & por ser tal lhe pos nome Porto
Seguro».
Além das cartas acima mencionadas, outro importante documento
sobre o descobrimento do Brasil é o
Relato do Piloto Anônimo.
De início, a descoberta da nova terra foi mantida em sigilo
pelo Rei de Portugal. O resto do mundo passou a conhecer o
Brasil desde pelo menos
1507, quando a terra apareceu
com o nome de América na carta (mapa) de
Martin Waldseemüller, no qual
está assinalado na costa o Porto Seguro[2].
A controvérsia sobre o descobrimento
será estudada em verbete à parte, dada sua extensão.
Expedições exploratórias
Em
1501, uma grande expedição
exploratória, a primeira frota de reconhecimento, com três naus,
encontrou como recurso explorável apenas o
pau-brasil (madeira avermelhada
e valiosa usada na tinturaria européia), mas fez um levantamento
da costa. Comandada por Gaspar de Lemos, a viagem teve início em
10 de maio de
1501 e findaria com o retorno a
Lisboa em
7 de setembro de
1502, depois de percorrer a
costa e dar nome aos principais acidentes geográficos. Sobre o
comandante, podem ter sido D. Nuno Manuel, André Gonçalves,
Fernão de Noronha, Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo este
último o nome mais aceito. Em 1501, no dia
1 de novembro, foi descoberta a
Baía de Todos os Santos, na
atual
Bahia, local que mais tarde
seria escolhido por
D. João III para abrigar a sede
da administração colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo Coelho, que
só teria partido de Lisboa em 1502. O
Barão do Rio Branco, em suas
Efemérides, fixa-se em André Gonçalves, que é a versão mais
comumente aceita. Mas André Gonçalves fazia parte da armada de
Cabral, que retornou a Lisboa quando a expedição de 1501 já
partira para o Brasil e com ela cruzou na altura do arquipélago
de Cabo Verde.
Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos, que
entre junho e julho de 1500 havia chegado a Portugal com a
notícia do descobrimento. O
florentino
Américo Vespúcio vinha como
piloto na frota (e por seu nome seria batizado todo o
continente, mais tarde). Depois de 67 dias de viagem, em
16 de agosto, a frota alcançou
o que hoje é o
Cabo de São Roque (Paraíba)
e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de posse mais
antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre portugueses
e os índios
potiguares.
Ao longo das expedições, os portugueses costumavam batizar os
acidentes geográficos segundo o calendário com os nomes dos
santos dos dias, ignorando os nomes locais dados pelos nativos.
Em
1 de novembro (Dia
de Todos os Santos), chegaram à Baía de Todos os
Santos, em
21 de dezembro (dia de
São Tomé) ao
Cabo de São Tomé, em
1 de janeiro de 1502 à
Baía da Guanabara (por isso
batizada de "Rio
de Janeiro") e no dia
6 de janeiro (Dia
de Reis) à
angra (baía) batizada como
Angra dos Reis. Outros lugares
descobertos foram a foz do
rio São Francisco e o
Cabo Frio, entre vários.
As três naus que chegaram à
Guanabara eram comandadas por
Gonçalo Coelho, e nela vinha
Vespúcio. Tomando a estreita entrada da barra pela foz de um
rio, chamaram-na Rio de Janeiro, nome que se estendeu à cidade
de São Sebastião que ali se ergueria mais tarde.
Em
1503 houve nova expedição,
desta vez comandada (sem controvérsias) por
Gonçalo Coelho, sem ser
estabelecido qualquer
assentamento ou
feitoria. Foi organizada em
função um contrato do rei com um grupo de comerciantes de Lisboa
para extrair o pau-brasil. Trazia novamente Vespúcio e seis
navios. Partiu em maio de Lisboa, esteve em agosto na ilha de
Fernando de Noronha e ali
afundou a nau capitânia, dispersando-se a armada. Vespúcio pode
ter ido para a Bahia, passado seis meses em Cabo Frio, onde fez
entrada de 40 léguas terra adentro. Ali teria deixado 24 homens
com mantimentos para seis meses. Coelho, ao que parece, esteve
recolhido na região onde se fundaria depois a cidade do Rio de
Janeiro, possivelmente durante dois ou três anos.
Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal, retornou ao
maior porto natural da costa brasileira, a Baía de Todos os
Santos. Durante as três primeiras décadas, o litoral baiano, com
suas inúmeras enseadas, serviu fundamentalmente como apoio à
rota da Índia, cujo
comércio de produtos de
luxo –
seda,
tapetes,
porcelana e
especiarias – era mais
vantajoso que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos
pequenos e grandes portos naturais baianos, em especial no de
Todos os Santos, as frotas se abasteciam de
água e de
lenha e aproveitavam para fazer
pequenos reparos.
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que os
índios chamavam de Uruçu-Mirim, a atual
praia do Flamengo. Junto à foz
do
rio Carioca (outrora abundante
fonte de
água doce) foram erguidas uma
casa de pedra e um
arraial, deixando-se no local
degredados e galinhas. A construção inspirou o nome que os
índios deram ao local (cari-oca, "casa dos brancos"), que
passaria a ser o
gentílico da cidade do Rio. O
arraial, no entanto, foi logo destruído. Outras esquadras
passariam pela Guanabara: a de
Cristóvão Jacques, em
1516; a de
Fernão de Magalhães (que chamou
o local de Baía de Santa Luzia), em
1519, na primeira
circunavegação do mundo; outra
vez a de Jacques, em
1526, e a de
Martim Afonso de Sousa, em
1531.
Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter ocorrido,
já que desde
1504 são assinaladas atividades
de
corsários. Holanda, em
Raízes do Brasil, cita o capitão francês
Paulmier de Gonneville, de
Honfleur, que permaneceu seis
meses no litoral de
Santa Catarina. A atividade de
navegadores não-portugueses se inspirava
doutrina da liberdade dos mares,
expressada por
Hugo Grotius em
Mare liberum, base da
reação européia contra Espanha e Portugal, gerando
pirataria alargada pelos mares
do planeta.
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Extração de pau-brasil
O pau-brasil (que os índios
tupis chamavam de
ibirapitanga) era a principal riqueza de crescente demanda
na Europa. Estima-se que havia, na época do descobrimento, mais
de 70 milhões de árvores do tipo, abundando numa faixa de 18km
do litoral do Rio Grande do Norte até a Guanabara. Quase todas
foram derrubadas e levadas para a Europa. A extração foi tanta
que atualmente a espécie é protegida para não sofrer extinção.
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política de
oferecer a particulares, em geral
cristãos-novos, concessões
de exploração do pau-brasil mediante certas condições: os
concessionários deveriam mandar seus navios descobrirem 300
léguas de terra, instalar fortalezas nas terras que
descobrissem, mantendo-as por três anos; do que levassem para o
Reino, nada pagariam no primeiro ano, no segundo pagariam um
sexto e no terceiro um quinto. Os navios ancoravam na costa,
algumas dezenas de marinheiros desembarcavam e recrutavam índios
para trabalhar no corte e carregamento das toras, em troca de
pequenas mercadorias como roupas, colares e
espelhos (prática chamada de "escambo").
Cada nau carregava em média cinco mil toras de 1,5 metro de
comprimento e 30 quilogramas de peso.
Em
1503, toda a terra do Brasil
foi arrendada pela coroa a
Fernão de Noronha (ou Loronha),
e outros cristãos-novos, produzindo 20 mil
quintais de madeira vermelha.
Segundo
Capistrano de Abreu, em
Capítulos da História Colonial, cada quintal era vendido em
Lisboa por 21/3
ducados, mas levá-lo até lá
custava apenas meio ducado. Os arrendatários pagavam 4 mil
ducados à Coroa.
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à
costa para contrabandearem pau-brasil, aves de plumagem colorida
(papagaios,
araras), peles, raízes
medicinais e índios para escravizar. Surgiram, assim, as
primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares, o
Caramuru, estabeleceu-se desde
1510 na barra da Baía de Todos os Santos, onde negociava com
barcos portugueses e estrangeiros. Outra feitoria foi chamada de
Aldeia Velha de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta.
Além dos portugueses, seus rivais europeus, principalmente
franceses, passaram a freqüentar a costa brasileira para
contrabandear a madeira e capturar índios. Os franceses
contrabandearam muito pau-brasil no litoral norte, entre a foz
do rio Real e a Baía de Todos os Santos, mas não chegaram a
estabelecer feitoria. Outro ponto de contrabando, sobretudo no
século XVII, foi o
Morro de São Paulo (Bahia). Até
que Portugal estabelecesse o sistema de
capitanias hereditárias, a
presença mais constante na terra era dos franceses. Estimulados
por seu rei, corsários passam a freqüentar a
Guanabara à procura de
pau-brasil e outros produtos. Ganharam a simpatia dos índios
tamoios, que a eles se aliaram
durante décadas contra os portugueses.
Portugal, verificando que o litoral era visitado por
corsários e aventureiros estrangeiros, resolveu enviar
expedições militares para defender a terra. Foram denominadas
expedições guarda-costas, sendo mais marcantes as duas
comandadas por
Cristóvão Jacques, de 1516-1519
e 1526-1528. Suas expedições tinham caráter basicamente militar,
com missão de aprisionar os navios franceses que, sem pagar
tributos à coroa, retiravam grandes quantidades do pau-brasil. A
iniciativa teve poucos resultados práticos, considerando a
imensa extensão do litoral e, como solução, Jacques sugeriu à
Coroa dar início ao povoamento.
A expedição enviada em
1530 sob a chefia de
Martim Afonso de Sousa tinha
por objetivos explorar melhor a costa, expulsar os franceses que
rondavam o sul e as cercanias do
Rio de Janeiro, e estabelecer
núcleos de colonização ou feitorias, como a estabelecida em
Cabo Frio. Foram fundados por
esta expedição os núcleos de
São Vicente e
São Paulo, onde o português
João Ramalho vivia como
náufrago desde
1508 e casara-se com a índia
Bartira, filha do
cacique
Tibiriçá. A presença de
Ramalho, que ajudava no contato com os nativos e instalara-se na
aldeia de Piratininga, foi o que inspirou Martim Afonso a
instalar a vila de São Vicente perto do núcleo que viria a ser
São Paulo.
A mais polêmica expedição seria a de
Francisco de Orellana que, em
1535, penetrando pela foz do
rio Orinoco e subindo-o,
descreve que numa única viagem, em meio de um incrível
emaranhado de rios e afluentes amazônicos, teria encontrado o
rio Cachequerique, raríssima e
incomum captura fluvial que une o rio
Orinoco aos rios
Negro e
Amazonas.
Administração colonial
Típico engenho de cana-de-açúcar
-
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Capitanias do Mar (1516-1532)
A administração das terras ultramarinas, que a princípio fora
arrendada a Fernão de Noronha, agente da Casa
Fugger (1503-1511), ficou a
cargo direto da Coroa, que não conseguia conter as freqüentes
incursões de franceses na nova terra. Por isso, em
1516,
D. Manuel I e seu Conselho
criam nos
Açores e na
Madeira as chamadas «capitanias
do mar», por analogia com as estabelecidas no
Oceano Índico. O objetivo
fundamental era garantir o monopólio da
navegação e a política do
mare clausum (mar fechado). De dois em dois anos, o capitão
do mar partia com navios para realizar um cruzeiro de inspeção
no litoral, defendendo-o das incursões francesas ou castelhanas.
No Brasil, teriam visitado quatro armadas.
As armadas de Jacques assinaram-se com insistência no
rio da Prata. Também em 1516
ocorre a primeira tentativa de
colonização metódica e
aproveitamento da terra com base na plantação da
cana (levada de
Cabo Verde) e na fabricação do
açúcar. Já devia ter havido
algumas tentativas de capitanias e estabelecimentos em terra,
pois em 15 de julho de
1526 o rei
D. Manuel I autorizou
Pedro Capico, "capitão de uma
capitania do Brasil", a regressar a Portugal porque "lhe era
acabado o tempo de sua capitania". Talvez Jacques tenha ido
buscar Capico em Porto Seguro, pois a ele era justamente
atribuída a fundação de uma feitoria no local, muito antes de
ser doada como capitania a
Pero do Campo Tourinho. Outras
capitanias incipientes podem ter existido pelo menos em
Pernambuco,
Porto Seguro,
Rio de Janeiro e
São Vicente.
Roberto Simonsen (em
História Econômica do Brasil, pág.120) comenta:
«Na terra de Santa Cruz, o valor e as possibilidades de
comércio não justificavam (...) organizações da mesma
importância» que as feitorias de Portugal na África. «Mesmo
assim, foram instaladas, quer pelos concessionários do
comércio do pau-brasil, quer pelo próprio governo português,
várias feitorias, postos de resgate onde se concentravam,
sob o abrigo de fortificações primitivas, os artigos da
terra que as naus vinham buscar. São por demais deficientes
até hoje as notícias sobre estas feitorias,
Igaraçu,
Itamaracá, Bahia, Porto
Seguro, Cabro Frio, São Vicente e outras intermediárias, que
desapareciam, ora esmagadas pelo gentio, ora conquistadas
pelos franceses. Mas o próprio comércio do pau-brasil é uma
demonstração de sua existência, e as notícias sobre a década
anterior, de 1530, salientam a preocupação do Governo
português de defendê-las.» Eram assim postos de resgate de
caráter temporário, estabelecimentos efêmeros, assolados por
entrelopos e corsários franceses, por selvagens. Por muitos
anos cessará todo o interesse de Portugal pelo Brasil. O
Brasil ficou ao acaso... Colonizar a nova terra seria
dispendioso, sem lucro imediato. Portugal, no auge de sua
técnica de navegação, de posse de feitorias fincadas em
vastíssimas costas de oceanos, não tinha recursos humanos,
com uma população estimada em um milhão de habitantes.
Impunha-se uma atitude predominantemente fiscal.
Havia o quê? Havia
macacos, papagaios,
selvagens nus e primitivos. Mas havia
pau-brasil...»
João Ribeiro (em História do
Brasil) diz que
«depois das primeiras explorações, as terras do Brasil
tornaram-se constante teatro da pirataria universal.
Especuladores franceses, alemães, judeus e espanhóis aqui
aportam, comerciam com o gentio ou seelvajam-se e com eles
convivem em igual barbaria. Os navegadores de todos os
pontos aqui se aprovisionam ou se abrigam das tempestades.
Aventureiros aqui desembarcam, e vivem à ventura, na
companhia de degredados e foragidos. O que procura a corte
portuguesa de
D. Manuel I são as riquezas
do Oriente, e se alguma expedição aqui toca e se demora,
(....) não é o Brasil que as atrai mas ainda a fascinação do
Oriente.»
Capitanias hereditárias
(1532-1549)
-
As capitanias hereditárias
A apatia só iria cessar quando
D. João III ascendeu ao trono.
Na
década de 1530, Portugal
começava a perder a hegemonia do comércio na
África Ocidental e no
Índico. Circulavam insistentes
notícias da descoberta de ouro e de prata na
América Espanhola. Então, em
1532, o rei decidiu ocupar as
terras pelo regime de capitanias, mas num sistema
hereditário, pelo qual a
exploração passaria a ser direito de família. O capitão e
governador, títulos concedidos ao donatário, teria amplos
poderes, dentre os quais o de fundar povoamentos (vilas e
cidades), conceder
sesmarias e administrar a
justiça. O sistema de
capitanias hereditárias
implicava na divisão de terras vastíssimas, doadas a
capitães-donatários que seriam responsáveis por seu controle e
desenvolvimento, e por arcar com as despesas de colonização.
Foram doadas aos que possuíssem condições financeiras para
custear a empresa da colonização, e estes eram principalmente
"membros da burocracia estatal" e "militares e navegadores
ligados à conquista da Índia" (segundo
Eduardo Bueno em "História de
Brasil"). De acordo com o mesmo autor, a sugestão teria sido
dada ao rei por
Diogo de Gouveia, ilustre
humanista português, e respondia a uma "absoluta falta de
interesse da alta nobreza lusitana" nas terras americanas.
Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas longitudinais de
diferentes larguras que iam de acidentes geográficos no litoral
até o
Meridiano das Tordesilhas, e
foram oferecidas a doze donatários. Destes, quatro nunca foram
ao Brasil; três faleceram pouco depois; três retornaram a
Portugal; um foi preso por
heresia (Tourinho) e apenas um
se dedicou à colonização (Duarte
Coelho em Pernambuco).
-
Primeira capitania do Maranhão:
doada a
João de Barros e
Aires da Cunha
-
Segunda capitania do Maranhão:
doada a
Fernando Álvares de Andrade
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Capitania do Ceará: doada a
António Cardoso de Barros
-
Capitania do Rio Grande:
doada a
João de Barros e
Aires da Cunha
-
Capitania de Itamaracá:
doada a
Pero Lopes de Sousa
-
Capitania de Pernambuco ou Nova
Lusitânia: doada a
Duarte Coelho
-
Capitania da Baía de Todos os Santos:
doada a
Francisco Pereira Coutinho
-
Capitania dos Ilhéus: doada
a
Jorge de Figueiredo Correia
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Capitania de Porto Seguro:
doada a
Pero de Campos Tourinho
-
Capitania do Espírito Santo:
doada a
Vasco Fernandes Coutinho
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Capitania de São Tomé:
doada a
Pero de Góis
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Capitania do Rio de Janeiro:
doada a
Martim Afonso de Sousa
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Capitania de Santo Amaro:
doada a
Pero Lopes de Sousa
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Capitania de São Vicente:
doada a
Martim Afonso de Sousa
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Capitania de Santana: doada
a
Pero Lopes de Sousa
Das quinze capitanias originais, apenas as capitanias de
Pernambuco e de São Vicente prosperaram. As terras brasileiras
ficavam a dois meses de viagem de
Portugal. Além disso, as
notícias das novas terras não eram muito animadoras: na viagem,
além do medo de "monstros" que habitariam o oceano (na
superstição européia), tempestades eram freqüentes; nas novas
terras, florestas gigantescas e impenetráveis, povos
antropófagos e não havia
nenhuma riqueza mineral ainda descoberta. Em
1536, chegou o donatário da
capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira
Coutinho, que fundou o
Arraial do Pereira, na futura
cidade do
Salvador, mas se revelou mau
administrador e foi morto pelos tupinambás. Tampouco tiveram
maior sucesso as capitanias dos Ilhéus e do Espírito Santo,
devastadas por
aimorés e tupiniquins.
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Governo-Geral (1549-1580)
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Tomé de Sousa
Após o fracasso do projeto de capitanias, o rei João III
unificou as capitanias sob um
Governo-Geral do Brasil e
em
7 de janeiro de
1549 nomeou
Tomé de Sousa para assumir o
cargo governador-geral. A expedição do primeiro governador
chegou ao Brasil em 29 de março do mesmo ano, com ordens para
fundar uma cidade para abrigar a sede da administração colonial.
O local escolhido foi a Baía de Todos os Santos e a cidade foi
chamada de
São Salvador da Baía de Todos os Santos.
As condições favoráveis da terra, o clima quente, o solo fértil,
a excelente posição geográfica, fizeram com que o rei decidisse
reverter a capitania para a Coroa (expropriando-a do donatário
Pereira Coutinho). As tarefas de Tomé de Sousa eram tornar
efetiva a guarda da costa, auxiliar os donatários, organizar a
ordem política e jurídica na colônia. O governador organizou a
vida municipal, e sobretudo a produção açucareira: distribuiu
terras e mandou abrir estradas, além de fazer construir um
estaleiro.
Desse modo, o Governo-Geral centralizou a administração
colonial, subordinando as capitanias a um só
governador-geral que tornasse
mais rápido o processo de colonização. Em 1548, elaborou-se o
Regimento do Governador-Geral,
que regulamentava o trabalho do governador e de seus principais
auxiliares - o
ouvidor-mor (Justiça), o
provedor-mor (Fazenda) e o
capitão-mor (Defesa).
O governador também levou ao Brasil os primeiros missionários
católicos, da ordem dos
jesuítas, como o padre
Manuel da Nóbrega. Por ordens
suas, ainda, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças
de gado, de novilhos levados de Cabo Verde.
Ao chegar à Bahia, Tomé de Sousa encontrou o velho Arraial do
Pereira com seus moradores, e mudaram o nome do local para Vila
Velha. Também moravam nos arredores o náufrago Diogo Álvares
"Caramuru" e sua esposa
Paraguaçu (batizada como
Catarina), perto da capela de Nossa Senhora das Graças (hoje o
bairro da
Graça, em Salvador). Consta que
Tomé de Sousa teria pessoalmente ajudado a construir as casas e
a carregar pedras e madeiras para construção da capela de Nossa
Senhora da Conceição da Praia, uma das primeiras igrejas
erguidas no Brasil.
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Duarte da Costa
Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado do cargo e
substituído por
Duarte da Costa, fidalgo e
senador nas Cortes de Lisboa. Em sua expedição foram também 260
pessoas, incluindo seu fiho,
Álvaro da Costa, e o então
noviço
José de Anchieta, jesuíta basco
que seria o pioneiro na catequese dos nativos americanos. A
administração de Duarte foi conturbada. Já de início, a intenção
de Álvaro em escravizar os indígenas, incluindo os catequizados,
esbarrou na impertinência de Dom
Pero Fernandes Sardinha,
primeiro bispo do Brasil. O governador interveio a favor do
filho e autorizou a captura de indígenas para uso em trabalho
escravo. Disposto a levar as queixas pessoalmente ao rei de
Portugal, Sardinha partiu para Lisboa em
1556 mas naufragou na costa de
Alagoas e acabou devorado pelos
caetés antropófagos.
Durante o governo de Duarte da Costa, uma expedição de
protestantes franceses se instalou permanentemente na Guanabara
e fundou a colônia da
França Antártica. Ultrajada, a
Câmara Municipal da Bahia apelou à Coroa pela substituição do
governador. Em 1556, Duarte foi exonerado, voltou a Lisboa e em
seu lugar foi enviado Mem de Sá, com a missão de retomar a posse
portuguesa do litoral sul.
Mem de Sá
O terceiro Governador-Geral,
Mem de Sá (1558-1572), deu
continuidade à política de concessão de
sesmarias aos colonos e montou
ele próprio um engenho, às margens do
rio Serjipe, que mais tarde
viria a pertencer ao
conde de Linhares (Engenho
de Sergipe do Conde).
Para enfrentar os colonos franceses estabelecidos na
França Antártica, aliados aos
Tamoios na
baía de Guanabara, Mem de Sá
aliou-se aos
Temiminós do cacique
Araribóia. O seu sobrinho,
Estácio de Sá, comandou a
retomada da região e fundou a cidade do
Rio de Janeiro a
20 de Janeiro de
1565, dia de
São Sebastião.
União Ibérica (1580-1640)
-
Com o desaparecimento de D. Sebastião, Portugal ficou sob
união pessoal com a Espanha, e
foi governada pelos três reis Filipes (Filipe
II,
Filipe III e
Filipe IV, dos quais se subtrai
um número quando referentes a Portugal e ao Brasil). Isso
virtualmente acabou com a linha divisória do meridiano das
Tordesilhas e permitiu que o Brasil se expandisse para o oeste.
Várias expedições exploratórias do interior (chamado de "os
sertões") foram organizadas, fosse sob ordens diretas
da Coroa ("entradas")
ou por caçadores de escravos paulistas ("bandeiras",
donde o nome "bandeirantes").
Estas expedições duravam anos e tinham o objetivo principalmente
de capturar índios como escravos e encontrar pedras preciosas e
metais valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes famosos,
entre outros,
Fernão Dias,
Bartolomeu Bueno da Silva (Anhangüera),
Raposo Tavares,
Domingos Jorge Velho,
Borba Gato e
Antônio Azevedo.
A União Ibérica também colocou o Brasil em conflito com
potências européias que eram amigas de Portugal mas inimigas da
Espanha, como a Inglaterra e a Holanda. Esta última atacou e
invadiu extensas faixas do litoral, fixando-se principalmente em
Pernambuco e na Paraíba por quase vinte anos.
Estado do Maranhão e Estado do
Brasil (1621-1640)
Das mudanças administrativas durante o domínio espanhol (ver
Colonização do Brasil), a mais
importante sucedeu em
1621, com a divisão da colônia
em dois Estados independentes: o
Estado do Brasil (de Pernambuco
a atual Santa Catarina) e o
Estado do Maranhão (do atual
Ceará à Amazônia). A razão se baseava no destacado papel
assumido pelo Maranhão como ponto de apoio e de partida para a
colonização do norte e nordeste. O Maranhão tinha por capital
São Luís, e o Estado do Brasil
sua capital em Salvador.
Quando o rei
Filipe III (IV da Espanha)
separou o Brasil e o Maranhão, passaram a existir três
capitanias reais: Maranhão, Ceará e Grão-Pará, e seis capitanias
hereditárias. Em
1737, com sua sede transferida
para
Belém, o Maranhão passou a ser
chamado de Grão-Pará e Maranhão. Tal instalação era
efeito do isolamento do extremo norte do Estado do Brasil, pois
o regime de ventos impedia durante meses as comunicações entre
São Luís e a Bahia. No século XVII, o Estado do Brasil se
estendia do atual Rio Grande do Norte até Santa Catarina, e no
século XVIII já estariam incorporados o
Rio Grande de São Pedro (atual
Rio Grande do Sul) e as regiões
mineiras.
Economia colonial
A economia da colônia, iniciada com o puro extrativismo de
pau-brasil e o escambo entre os colonos e os índios,
gradualmente passou à produção local, com os cultivos da
cana-de-açúcar e do
cacau. O
engenho de açúcar (manufatura
do ciclo de produção açucareiro) constituiu a peça principal do
mercantilismo português,
organizadas em grandes propriedades. Estas, como se chamou mais
tarde, eram
latifúndios, caracterizados por
terras extensas, abundante
mão-de-obra escrava, técnicas
complexas e baixa produtividade.
Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os portugueses
começaram, a partir de meados do
século XVI, a importar
africanos como
escravos. Eles eram pessoas
capturadas entre tribos das feitorias européias na África (às
vezes com a conivência de chefes locais de tribos rivais) e
atravessados no Atlântico nos
navios negreiros, em péssimas
condições de asseio e saúde. Ao chegarem à América, essas
pessoas eram comercializadas como mercadoria e obrigados a
trabalhar nas plantações e casas dos colonizadores. Dentro das
fazendas, viviam aprisionados em galpões rústicos chamados de
senzalas, e seus filhos também
eram escravizados, perpetuando a situação pelas gerações
seguintes.
Nas feitorias, os mercadores portugueses vendiam
principalmente armas de fogo, tecidos, utensílios de ferro,
aguardente e tabaco, adquirindo escravos, pimenta, marfim e
outros produtos.
Até meados do século XVI, os portugueses possuíam o monopólio
do tráfico de escravos. Depois disso, mercadores franceses,
holandeses e ingleses também entraram no negócio, enfraquecendo
a participação portuguesa.
Gilberto Freyre comenta:
«O Brasil nasceu e cresceu econômica e socialmente com o
açúcar, entre os dias venturosos do pau-de-tinta e antes de
as minas e o café o terem ultrapassado. Efetivamente, o
açúcar foi base na formação da sociedade e na forma de
família. A casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau,
da fazenda de café, da estância. Foi base de um complexo
sociocultural de vida».
Houve engenhos ainda nas capitanias de São Vicente e do Rio
de Janeiro, que cobriam cem léguas e couberam ambas a
Martim Afonso de Sousa. Este
receberia o apoio de João Ramalho e de seu sogro Tibiriçá. No
Rio, funcionava o engenho de
Rodrigo de Freitas, nas margens
da
lagoa que hoje leva seu nome.
Ao entrar o
século XVII, o açúcar
brasileiro era produto de importação nos portos de Lisboa,
Antuérpia,
Amsterdã,
Roterdã,
Hamburgo. Sua produção, muito
superior à das ilhas portuguesas no Atlântico, supria quase toda
a Europa.
Gabriel Soares de Sousa, em
1548, comentava o luxo reinante
na Bahia e o padre
Fernão Cardim exaltava suas
capelas magníficas, os objetos de prata, as lautas refeições em
louça da Índia, que servia de
lastro nos navios: «Parecem uns condes e gastam muito»,
reclamava o padre.
Em meados do
século XVII, o açúcar produzido
nas
Antilhas Holandesas começou a
concorrer fortemente na Europa com o açúcar do Brasil. Os
holandeses tinham aperfeiçoado a técnica, com a experiência
adquirida no Brasil, e contavam com um desenvolvido esquema de
transporte e distribuição do açúcar em toda a Europa. Portugal
foi obrigado a recorrer à
Inglaterra e assinar diversos
tratados que afetariam a economia da colônia. Em
1642, Portugal concedeu à
Inglaterra a posição de "nação mais favorecida" e os
comerciantes ingleses passaram a ter maior acesso ao comércio
colonial. Em
1654 Portugal aumentou os
direitos ingleses; mas poderiam negociar diretamente vários
produtos do Brasil com Portugal e vice-versa, excetuando-se
alguns produtos como bacalhau, vinho, pau-brasil). Em
1661 a Inglaterra se
comprometeu a defender Portugal e suas colônias em troca de dois
milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões de Tânger e
Bombaim. Em
1703 Portugal se comprometeu a
admitir no reino os panos dos lanifícios ingleses, e a
Inglaterra, em troca, a comprar vinhos portugueses. Data da
época o famosíssimo
Tratado de Methuen, do nome de
seu negociador inglês, ou tratado dos Panos e Vinhos. Na época,
satisfazia os interesses dos grupos dominantes mas teria como
conseqüência a paralisação da industrialização em Portugal,
canalizando para a Inglaterra o ouro que acabava de ser
descoberto no Brasil.
No nordeste brasileiro se encontrava a
pecuária, tão importante para o
domínio do interior, já que eram proibidos rebanhos de gado nas
fazendas litorâneas, cuja terra de
massapê era ideal para o
açúcar. Estuda-se bem o açúcar no item dedicado à
invasão holandesa.
A conquista do sertão, povoado por diversos grupos
indígenas foi lenta e se deveu
muito à pecuária (o gado avançou ao longo dos vales dos rios) e,
muito mais tarde, às expedições dos
Bandeirantes que vinham prear
índios para levar para São Paulo. A esse respeito, consultar o
extenso capítulo sobre
Entradas e Bandeiras.
O Ciclo do Ouro
No final do
século XVII descobriu-se ouro
nos ribeiros das terras que pertenciam à capitania de São Paulo
e mais tarde ficaram conhecidas como
Minas Gerais. Descobriram-se
depois, no final da década de 1720,
diamante e outras gemas
preciosas. Esgotou-se o ouro abundante nos ribeirões, que passou
a ser mais penosamente buscado em veios dentro da terra.
Apareceram metais preciosos em
Goiás e no
Mato Grosso, no século XVIII. A
Coroa cobrava, como tributo, um quinto de todo o minério
extraído, o que passou a ser conhecido como "o quinto". Os
desvios e o tráfico de ouro, no entanto, eram freqüentes. Para
coibi-los, a Coroa instituiu toda uma burocracia e mecanimos de
controle. Quando a soma de impostos pagos não atingia uma cota
mínima estabelecida, os colonos deveriam entregar jóias e bens
pessoais até completar o valor estipulado — episódios chamados
de
derramas.
O período que ficou conhecido como
Ciclo do Ouro iria permitir a
criação de um mercado interno, já que havia demanda por todo
tipo de produtos para o povoamento das Minas Gerais. Era preciso
levar,
Serra da Mantiqueira acima,
escravos e ferramentas, ou, rio São Francisco abaixo, os
rebanhos de gado para alimentar a verdadeira multidão que para
lá acorreu.
A essa época maioria da população de Minas Gerais ,
aproximadamente 78%, era formada por negros e mestiços. Ao
contrário do que se pensava na Capitania do Ouro a riqueza não
era mais bem distribuída do que em outras partes do Brasil. Hoje
se sabe que foram poucos os beneficiados no solo mais rico da
América no século XVIII.
As condições de vida dos escravizados na região mineira eram
particularmente difíceis. Eles trabalhavam o dia inteiro em pé,
com as costas curvadas e com as pernas mergulhadas na água. Ou
então em túneis cavados nos morros, onde era comum ocorrerem
desabamentos e mortes. Os negros escravizados não realizavam
apenas tarefas ligadas à mineração. Também transportavam
mercadorias e pessoas, construíam estradas, casas e chafarizes,
comerciavam pelas ruas e lavras. Alguns proprietários alugavam
seus escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram
chamados de “escravos de ganho”. Era o caso, por exemplo, das
mulheres que vendiam doces e salgados em tabuleiros pelas ruas.
A Sociedade Mineradora e as
Camadas Médias
O Brasil passou por sensíveis transformações em função da
mineração. Um novo pólo econômico cresceu no Sudeste, rela-ções
comerciais inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado
interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana.
A camada média, composta por padres, burocratas, artesãos,
militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na sociedade.
As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços
e ofícios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos,
mestre-escolas entre outros. No entanto foi intensamente
escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana as custas da
exploração da mão de obra escrava. A mineracao também provocou o
aumento do controle do comercio de escravos para evitar o
esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os
escravos eram os únicos que trabalhavam.
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos
índios, através das bandeiras, que com intuito de abastecer a
região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil. Apesar de
modificar a estrutura economica, manteve a estrutura de trabalho
vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que
compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de
desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração de
minas em maior profundidade, o que estenderia o período de
exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o
centro-sul da colônia e o Rio
de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto
por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos.
A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha
das províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos
foi a capital do Brasil.
Conflitos coloniais
Amador Bueno é aclamado "Rei do Brasil" em
1641
A época colonial foi marcada por vários conflitos, tanto
entre portugueses e outros europeus, e europeus contra nativos,
como entre os próprios colonos. O maior deles, sem dúvida, foi a
Guerra contra os Holandeses (ou
Guerras Holandesas, de 1630 a
1647, na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Ceará.
A insatisfação com a administração colonial provocou a
Revolta de Amador Bueno em São
Paulo e, no Maranhão, a
Revolta de Beckman. Os colonos
enchiam os navios que aportavam no Brasil, esvaziando o reino, e
foram apelidados "emboabas" porque andavam calçados contra a
maioria da população, que andava descalça. Contra eles se
levantaram os paulistas, nas refregas do início do século XVIII
que ficariam conhecidas como
Guerra dos Emboabas e paulistas
e ensanguentaram o rio que até hoje se chama
Rio das Mortes.
Em Pernambuco, a disputa política e econômica entre
mercadores e canavieiros, após a expulsão dos holandeses, levou
à
Guerra dos Mascates. Os
escravos negros que fugiam das fazendas se refugiavam nas serras
do agreste nordestino e lá fundavam
quilombos, dos quais o mais
importante foi o de
Palmares, liderado por
Ganga Zumba e seu sobrinho
Zumbi. A campanha para
destruí-lo foi a
Guerra de Palmares (1693-1695).
No sul, a tentativa de escravizar indígenas levou a
confrontos com os missionários jesuítas, organizados nas
"reduções" (missões)
de catequese com os
guaranis. As
Guerras Guaraníticas duraram,
intermitentemente, de
1650 a
1757.
Já com o Ciclo do Ouro, a capitania de Minas Gerais sofreu a
Revolta de Filipe dos Santos e
a
Inconfidência Mineira (1789),
seguida pela
Conjuração Baiana em Salvador
dez anos mais tarde.
Mudança da Corte e Abertura
dos Portos
Em
novembro de
1807, as tropas de
Napoleão Bonaparte obrigaram a
coroa portuguesa a procurar abrigo no Brasil.
Dom João VI (então
Príncipe-Regente em nome de sua mãe, a
Rainha Maria I) chegou ao
Rio de Janeiro em
1808, abandonando Portugal após
uma aliança defensiva feita com a Inglaterra (que escoltou os
navios portugueses no caminho).
Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas
(designadamente, a
Inglaterra). A abertura dos
portos se deu em
28 de janeiro de 1808 por outra
carta régia de D. João,
influenciado por
José da Silva Lisboa. Foi
permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros, fazendas e
mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências
que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em
navios portugueses. Os gêneros molhados (vinho, aguardente,
azeite) pagariam 48%; outros mercadorias, os secos, 24% ad
valorem. Podia ser levado pelos estrangeiros qualquer
produto colonial, exceto o pau-brasil e outros «notoriamente
estancados» (produzidos e armazenados na própria colônia).
Era efeito também da expansão do capital; e deve-se recordar
a falência dos recursos coatores portugueses e a tentativa de
diminuir, abrindo os portos, a total dependência de Portugal da
Inglaterra. No Reino, desanimaram os que se haviam habituado aos
generosos subsídios, às 100 arrobas de ouro anuais, às derramas,
às tentativas de controle completo. Um autor português do século
XIX comenta que foi
"uma revolução no sistema comercial e a ruína da
indústria portuguesa; era necessária, mas cumpria
modificá-la apenas as circunstâncias que a haviam ditado
desaparecessem; ajudando assim o heróico Portugal em seu
esforço generoso, em vez de deixar que estancassem as fontes
da prosperidade!"
D. João, sua família e comitiva (a Corte), distribuídos por
diversos navios, chegaram ao Rio de Janeiro em
7 de março de 1808. Foram
acompanhados pela Brigada Real da Marinha, criada em Portugal em
1797, que deu origem ao
Corpo de Fuzileiros Navais
brasileiros. Instalaram-se no
Paço da Cidade, construído em
1743 pelo
Conde de Bobadela como
residência dos governadores. Além disso, a Coroa requisitou o
Convento do Carmo e a
Cadeia Velha para alojar os
serviçais e as melhores casas particulares. A expropriação era
feita pelo carimbo das iniciais PR (de Príncipe-Regente)
nas portas das casas requisitadas, o que fazia o povo, com
ironia, interpretar a sigla como "Ponha-se na Rua!".
A abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos
introduzidos no Brasil. No dia
1 de abril do mesmo ano, D.
João expediu um decreto que revogava o alvará de
5 de janeiro de
1785 pelo qual se extinguiam no
Brasil as fábricas e manufaturas de ouro, prata, seda,
algodão,
linho e
lã. Depois do comércio, chegava
"a liberdade para a indústria". Em
13 de maio, novas
cartas régias (decretos)
determinaram a criação da
Imprensa Nacional e de uma
Fábrica de Pólvora (até então, a pólvora brasileira era
fabricada na
Fábrica de Pólvora de Barcarena,
desde
1540). Em
12 de outubro foi fundado o
Banco do Brasil para financiar
as novas iniciativas e empreitadas. Tais medidas do Príncipe
fariam com que se pudesse contar nesta época os primórdios da
independência do Brasil.
Em represália à França, D. João ordenou ainda a invasão e
anexação da
Guiana Francesa, no extremo
norte, e da banda oriental do
rio Uruguai, no extremo sul, já
que a Espanha estava então sob o reinado de José Bonaparte,
irmão de Napoleão, e portanto era considerada inimiga. O
primeiro território foi devolvido à soberania francesa em
1817, mas o Uruguai foi mantido
incorporado ao Brasil sob o nome de
Província Cisplatina. Em
9 de fevereiro de
1810, no Rio de Janeiro, foi
assinado um Tratado de Amizade e comércio pelo Príncipe Regente
com
Jorge III, rei da
Inglaterra.
Enquanto isso, na Espanha, os liberais (ainda acostumados com
certa liberdade econômica imposta por Napoleão enquanto ocupara
o país, de 1807 a 1810) se revoltaram contra os restauradores
Bourbon (dinastia à qual pertencia a
Carlota Joaquina, esposa de D.
João) e impuseram-lhes a Constituição de Cádiz em
19 de março de
1812. Em reação, o rei
Fernando VII (irmão de Carlota),
dissolveu as cortes em
4 de maio de
1814, mas a resposta viria em
1820 com a vitória da Revolução Liberal (ou constitucional). Por
isso, D. João e seus ministros se ocuparam das questões do
Vice-Reinado do Rio da Prata, tão logo puseram o pé no Rio, e
daí surgiria a questão da
incorporação da Cisplatina.
É importante lenbra que o Brasil foi elevado a
Principado do Brasil em (1645–1816)
tendo sido o Brasil uma
colônia do
Império Português, careceu de
bandeira própria por mais de trezentos anos. Não era costume, na
tradição
vexilológica lusitana, a
criação de bandeiras para suas colônias, quando muito de um
brasão. Visto que seu o título uso era exclusivo aos herdeiros
aparentes do trono português, o pavilhão dos
príncipes do Brasil pode ser
tido como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre
campo branco – cor relacionada à monarquia – inscreve-se uma
esfera armilar – objeto que
viria a ser, por muito tempo, o símbolo do Brasil. Já no
pavilhão pessoal de
D. Manuel I, aparece este que
foi um objeto crucial para viabilizar as explorações marítimas
de Portugal. Contudo, como
Principado não possui nenhum
previlegio administrativo, militar, economico e social, pois
ainda era visto como uma colonia portuguesa.
Elevação a Reino Unido
Brasão do Vice Reino do
Brasil, de 1815
No contexto das negociações do
Congresso de Viena, o Brasil
foi elevado à condição de Reino dentro do Estado português, que
assumiu a designação oficial de Reino Unido de Portugal,
Brasil e Algarves em
16 de dezembro de
1815. A carta de lei foi
publicada na
Gazeta do Rio de Janeiro de
10 de janeiro de 1816, oficializando o ato. O Rio de Janeiro,
por conseguinte, subia à categoria de Corte e capital, as
antigas capitanias passaram a ser denominadas províncias (hoje,
os estados). No mesmo ano, a rainha Maria I morreu e D. João foi
coroado rei como João VI. Deu ao Brasil como brasão-de-armas a
esfera manuelina com as quinas, encontradas já no século
anterior em moedas da África portuguesa (1770).
Revolução no Porto e Retorno
de D. João VI
D. João VI deixaria o Brasil em 1821. Em agosto de 1820
houvera no Porto uma revolução constitucionalista (revolução
liberal portuguesa de 1820), movimento com idéias
liberais que ganhou adeptos no reino. Em setembro de 1820, uma
Junta Provisória de Governo obrigou os portugueses a jurarem uma
Constituição provisória, nos moldes da Constituição espanhola de
Cádiz, até redação de uma constituição definitiva. Em janeiro de
1821, em Portugal, aconteceu a solene instalação das Cortes
Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa,
encarregadas de elaborar a
constituição, mas sem
representantes brasileiros. Em fevereiro, D. João VI ordenou que
deputados do Brasil (bem como dos Açores, Madeira e Cabo Verde)
participassem da assembléia.
Em março, as Cortes em Portugal expediram decreto com as
bases da constituição política da monarquia . No Rio, outro
decreto comunicava o retorno do rei para Portugal e ordenava
que, «sem perda de tempo», fossem realizadas eleições dos
deputados para representarem o Brasil nas Cortes Gerais
convocadas em Lisboa. Chegaria em abril a Lisboa um delegado da
Junta do Pará,
Maciel Parente, que por exceção
conseguiu discursar e foi o primeiro brasileiro a falar perante
aquela Assembléia. Em abril, no Rio, realizou-se a primeira
assembléia de eleitores do Brasil, que resultou em confronto com
mortos, pois as tropas portuguesas dissolveram a manifestação.
No dia seguinte, cariocas afixaram à porta do Paço um cartaz com
a inscrição "Açougue do Bragança", referindo-se ao Rei como
carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois,
em 16 de abril de 1821, deixando seu primogênito
Pedro de Alcântara como
Príncipe-Regente do Brasil.
Em
1821, o Brasil elegeu seus
representantes, em número de 81, para as Constituintes em
Lisboa. Em agosto de 1821, as
Cortes apresentariam três projetos para o Brasil que irritaram
os representantes brasileiros com medidas recolonizadoras que
estes se recusavam a aceitar. Depois de Maciel Parente, o
monsenhor
Francisco Moniz Tavares,
deputado pernambucano, seria o primeiro brasileiro a discursar
oficialmente, em vivo debate com os deputados portugueses
Borges Carneiro,
Ferreira Borges e Moura, contra
a remessa de mais tropa para Pernambuco e a incômoda presença da
numerosa guarnição militar portuguesa na província.
A separação do Brasil foi informalmente realizada em janeiro
de 1822, quando D. Pedro declarou que iria permanecer no Brasil
("Dia
do Fico"), com as seguintes palavras: Como é para o
bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao
povo que fico. Agora só tenho a recomendar-vos união e
tranquilidade.
Porém, a separação do
Brasil se é dada no dia
7 de setembro de
1822, com o "grito do Ipiranga"
que foi romantizando, apesar da separação anteriormente.
Império (1822-1889)
Primeiro reinado
-
Após a
declaração da independência, o
Brasil foi governado por
Dom Pedro I até o ano de 1831,
período chamado de
Primeiro Reinado, quando
abdicou em favor de seu filho,
Dom Pedro II, então com cinco
anos de idade.
Logo após a independência, e terminadas as lutas nas
províncias contra a resistência portuguesa, foi necessário
iniciar os trabalhos da Assembléia Constituinte. Esta havia sido
convocada antes mesmo da separação, em julho de
1822; foi instalada,
entretanto, somente em maio de
1823.
Logo se tornou claro que a Assembléia iria votar uma
constituição restringindo os poderes imperiais (apesar da idéia
centralizadora encampada por
José Bonifácio e seu irmão
Antônio Carlos de Andrada e Silva).
Porém, antes que ela fosse aprovada, as tropas do exército
cercaram o prédio da Assembléia, e por ordens do imperador a
mesma foi dissolvida, devendo a constituição ser elaborada por
juristas da confiança de Dom Pedro I.
Foi então outorgada a
constituição de 1824, que
trazia uma inovação: o
Poder Moderador. Através
dele, o imperador poderia fiscalizar os outros três poderes.
Surgiram diversas críticas ao
autoritarismo imperial, e uma
revolta importante aconteceu no Nordeste: a
Confederação do Equador. Foi
debelada, mas Dom Pedro I saiu muito desgastado do episódio.
Outro grande desgaste do Imperador foi por o Brasil na
Guerra da Cisplatina, onde o
país não manteve o controle sobre a então região de Cisplatina
(hoje,
Uruguai). Também apareciam os
primeiros focos de descontentamento no
Rio Grande do Sul, com os
farroupilhas.
Em
1831 o imperador decidiu
visitar as províncias, numa última tentativa de estabelecer a
paz interna. A viagem deveria começar por Minas Gerais; mas ali
o imperador encontrou uma recepção fria, pois acabara de ser
assassinado Líbero Badaró, um importante jornalista de oposição.
Ao voltar para o Rio de Janeiro, Dom Pedro deveria ser
homenageado pelos portugueses, que preparavam-lhe uma festa de
apoio; mas os brasileiros, discordando da festa, entraram em
conflito com os portugueses, no episódio conhecido como
Noite das Garrafadas.
Dom Pedro tentou mais uma medida: nomeou um gabinete de
ministros com suporte popular. Mas desentendeu-se com os
ministros e logo depois demitiu o gabinete, substituindo-o por
outro bastante impopular. Frente a uma manifestação popular que
recebeu o apoio do exército,não teve muita escolha, assim criou
o quinto poder.
Mas, não deu certo a idéia, e não restou nada ao imperador a
não ser a renúncia, no dia
7 de abril de
1831.
Período regencial
-
Durante o período de 1831 a 1840, o Brasil foi governado por
diversos regentes, encarregados de administrar o país enquanto o
herdeiro do trono, D.
Pedro II, ainda era menor.
A princípio a regência era trina, ou seja, três governantes
eram responsáveis pela política brasileira, no entanto com o ato
adicional de 1834, que, além de dar mais autonomia para as
províncias, substituiu o caráter tríplice da regência por um
governo mais centralizador.
O primeiro regente foi o Padre
Diogo Antônio Feijó , que
notabilizou-se por ser um governo de inspirações liberais,
porém, devido às pressões políticas e sociais, teve que
renunciar.
O governo de caráter liberal caiu para dar lugar ao do
conservador
Araújo Lima, que centralizou o
poder em suas mãos, sendo atacado veementemente pelos liberais,
que só tomaram o poder devido ao golpe da maioridade.
Destacam-se neste período a instabilidade política e a
atuação do tutor
José Bonifácio, que garantiu o
trono para D.
Pedro II.
Teve início neste período a
Revolução Farroupilha, em que
os gaúchos revoltaram-se contra a política interna do Império, e
declararam a
República Piratini.
Também neste período ocorreram a
Cabanada, de
Alagoas e
Pernambuco; a
Cabanagem, do
Pará; a
revolta dos Malês e a
Sabinada, na
Bahia; e a
Balaiada, no
Maranhão.
Segundo reinado
-
O
Segundo Reinado teve início com
o
Golpe da Maioridade (1840),
que elevou
D. Pedro II ao trono, antes dos
18 anos, com 15 anos.
O período pode ser divido em três etapas principais:
- a chamada fase de consolidação, que se estende de
1840 a 1850. As lutas internas são pacificadas, o
café inicia a sua expansão,
a tarifa
Alves Branco permite a Era
Mauá.
- o chamado apogeu do Império, um período marcado
por grande estabilidade política, permitida pelo sistema
parlamentarista (o parlamentarismo às avessas) e pela
política de conciliação. Em
termos de
Relações Internacionais, o
período é marcado pela
Questão Christie e pela
Guerra do Paraguai.
- o chamado declínio do Império, marcado pela
Questão Militar, pela
Questão Religiosa, pelas
lutas abolicionistas e pelo movimento republicano, que
conduzem ao fim do regime.
Libertação dos escravos
Os primeiros movimentos contra a escravidão foram feitos
pelos missionários jesuítas, que combateram a escravização dos
indígenas mas toleraram a dos africanos. O fim gradual do
tráfico negreiro foi decidido no
Congresso de Viena, ainda em
1815. Desde 1810, a Inglaterra fez uma série de exigências a
Portugal e passou a reprimir violentamente o tráfico a partir de
1845, com a
Lei Aberdeen. Em
1871, o Parlamento Brasileiro
aprovou e a
Princesa Isabel assinou a Lei
2.040, conhecida como Lei Rio Branco ou
Lei do Ventre Livre,
determinando que todos os filhos de escravos nascidos desde
então seriam livres a partir dos 21 anos. Em
29 de setembro de
1885, promulgou-se uma outra
lei, a
Lei dos Sexagenários (Lei
Saraiva–Cotegipe) que determinava que escravos a partir de 60
anos poderiam ser livres, mas na verdade era uma ironia, pois os
escravos raramente passavam dos 45 anos. Desde 1880, havia sido
criada a
Sociedade Brasileira Contra a Escravidão
que, juntamente com a
Associação Central Abolicionista
e outras organizações, passou a ser conhecida pela Confederação
abolicionista liderada por
José do Patrocínio, filho
de uma escrava negra com um padre. Em 1884, os governos do Ceará
e do Amazonas resolveram abolir a escravidão, no que foram
pioneiros.
As fugas de escravos prosseguiam. O exército se negava a
perseguir os negros fugidos. Há que lembrar ainda os
Caifases, liderados por
Antônio Bento, que promoviam a
fuga dos negros, perseguiam os capitães-de-mato e ameaçavam os
senhores escravistas. A abolição definitiva era necessária.
Diz-se que havia 720 mil escravos para população de 13,5 milhões
habitantes: cerca de 5%.
Finalmente, o primeiro-ministro conservador João Alfredo
promoveu a votação de uma lei que determinava a extinção
definitiva da escravidão. Em 13 de maio de 1888, a
Princesa Isabel assinou a
Lei Áurea, que já havia sido
aprovada pelo Parlamento, abolindo toda e qualquer forma de
escravidão no Brasil.
A aristocracia escravista, oligarquia rural arruinada com a
abolição sem indenização, culpou o governo e aderiu ao Partido
Republicano na oposição ao regime: uma das conseqüências da
abolição seria a queda da Monarquia. A economia cafeeira
paulista, porém, quando comparada à de outras regiões, não
sofreu abalos, pois já se baseava na mão-de-obra livre,
assalariada.
Muitos escravos negros permaneceram no campo, praticando uma
economia de subsistência em pequenos lotes, outros buscaram as
cidades, onde entraram num processo de marginalização.
Desempregados, passaram a viver em choças e barracos nos morros
e nos subúrbios. O Brasil foi o último país das Américas a
abolir a escravidão.
República (1889-2008)
República Velha (1889-1930)
-
Em
15 de novembro de
1889, o Marechal
Deodoro da Fonseca decretou o
fim do período imperial numa quartelada quase sem força política
e nenhum apoio popular (golpe militar de Estado), e o início de
um período republicano ditatorial, destituindo o último
imperador brasileiro, D. Pedro II, que teve de partir em exílio
para a
Europa, após 4 anos de
ditadura com um caos e várias
mortes de federalistas , negros lutando por seus direitos, entre
outros, iniciou-se a era civil da
República Velha, uma farsa
democracial que só serviu para atrasar o país, se no Império já
tinhamos
PIB igual ao dos EUA , veio com
a Proclamação um grande atraso econômico e constitucional. O
primeiro ato dos militares republicanos foi o de aumentar o
salário de cada ministro em 10 vezes o valor do que cada membro
da família real recebia. Após a Primeira República, esse atraso
se agigantou, aumentando a dependência externa. O
Brasil de império independente,
torna-se uma
República dependente de várias
nações por iniciativa própria e sem recursos para sustentar a
imensa onda de imigrantes europeus. O nome do país mudou de
Império do Brasil para Estados Unidos do Brasil.
A primeira
constituição da
República do Brasil foi feita
dia
15 de novembro de
1890.
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República do Café com Leite
Entre
1889 e
1930, o governo foi
oficialmente uma democracia constitucional e, a partir de 1894,
a presidência alternou entre os estados dominantes da época
São Paulo e
Minas Gerais. Como os paulistas
eram grandes produtores de café, e os mineiros estavam voltados
à produção leiteira, a situação política do período ficou
conhecida como
Política do Café-com-Leite.
No
século XIX o
café começou a substituir a
cana-de-açúcar como o principal
produto de exportação. A riqueza trazida pelo café deu fama
internacional e prestígio ao Brasil, o que atraiu muitos
imigrantes, principalmente da
Itália e
Alemanha. O país desenvolveu
uma base industrial e começou a se expandir para o interior do
país.
A República Velha terminou quando um golpe de estado foi
implantado por
Getúlio Vargas, um civil,
instituindo-o presidente provisório, até que novas eleições
fossem convocadas.
Os presidentes do período foram:
Era Vargas (1930-1945)
-
Em 1930, a Junta de Governo foi substituída por
Getúlio Dorneles Vargas, como
presidente do Governo Provisório. Ele foi eleito presidente pela
Assembléia Constituinte.
Logo após a tomada do poder em novembro de
1930,
Getúlio Vargas nomeou
interventores federais para governar os estados. Para
São Paulo foi nomeado o
tenentista
João Alberto, fato que ficou
atravessado na garganta das elites políticas paulistas,
desejosas de recuperar o poder perdido. Ao se iniciar o ano de
1932, crescem os reclamos dessa
elite liderada pela
FUP (Frente
Única Paulista).
Os
paulistas, que mantinham um
esquema de domínio político durante a primeira república, tentam
articular um golpe em 1932 para depor Vargas. A justificativa
encontrada pelas oligarquias locais para buscar apoio do povo é
que o país precisava de uma Constituição - pois desde 1930
Vargas dizia que "assumia provisoriamente" a presidência e que o
mais cedo possível entregaria uma nova Constituição ao país, com
a subsequente realização de eleições para presidente. Daí o nome
de
Revolução Constitucionalista de 1932,
deflagrada a
9 de julho. Os paulistas foram
apoiados provisoriamente pelo estado do
Mato Grosso, mas as tropas
federais garantiram uma rápida vitória para Vargas.
Em
1934, no entanto, o país ganha
uma
Constituição. Getúlio Vargas é
eleito presidente, tendo três anos seguintes como governante
constitucional.
Seguem-se anos conturbados, em que ocorre certa polarização
na política nacional. De um lado ganha força a esquerda,
representada principalmente pela
Aliança Nacional Libertadora
(ANL) e pelo
Partido Comunista Brasileiro
(PCB); de outro a direita, que ganha forma num movimento de
inspiração fascista chamado
Integralismo.
Uma articulação revolucionária de esquerda é tentada em
1935, por parte de um setor das
forças armadas e de alguns indivíduos ligados a
URSS. O movimento fracassa, e é
apelidado jocosamente de
Intentona Comunista. Um dos
principais líderes desse movimento foi o ex-tenente do exército
Luís Carlos Prestes, que fica
preso e incomunicável por 10 anos. Sua mulher, a comunista e
judia
Olga Benário, tem um destino
pior: os agentes de Vargas a enviam para a polícia política da
Alemanha Nazista. Olga acaba morrendo em um
campo de concentração,
concluindo um dos episódios mais vexatórios da política externa
brasileira.
O escritor
Graciliano Ramos também é preso
depois da
Intentona Comunista,
supostamente por praticar atividades subversivas. Um retrato de
seus dias na prisão e da situação política instável do país está
gravado em seu livro
Memórias do Cárcere.
Graças ao clima de pânico provocado pela polarização política
(os integralistas tentam um putsch algum tempo depois),
Vargas articula uma situação que lhe permite decretar um
golpe de estado um ano antes de
novas eleições presidenciais. Em
10 de novembro de
1937, Vargas anuncia o
Estado Novo.
A justificativa primária do golpe é a existência de um plano
comunista para a tomada do poder, "apoiado por Moscou" - é o
chamado
Plano Cohen. Posteriormente
descobriu-se que o plano foi uma armação dos agentes de Vargas.
O apoio da classe média garante o sucesso do golpe, pois há
algum tempo cresciam os temores de que o comunismo poderia
aterrissar no Brasil.
Vargas consegue prolongar seus anos de presidência até
1945. É emblemático notar que
uma das figuras mais conhecidas de seu governo foi o chefe de
polícia
Filinto Muller. A
censura oprime a expressão
artística e científica: em
1939 é criado o
DIP, Departamento de Imprensa e
Propaganda. Além da censura, o
DIP atuava na propaganda
pró-Vargas, fazendo com que a imagem do presidente fosse
exaltada ao extremo.
Por essas características é que, iniciada a
Segunda Guerra Mundial, não se
sabia se Getúlio Vargas apoiaria o
Eixo (com quem parecia ter mais
afinidade) ou os
Aliados. O clima de tensão
culminara na adesão aos países aliados em
1942, após ataques alemães em
navios mercantes brasileiros que resultaram na morte de dezenas
de pessoas. A barganha getulista obtivera vantagens econômicas e
militares: instituiu-se um acordo econômico com os
Estados Unidos que
possibilitara a implantação da
Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN). Além disso, outro acordo possibilitara o reaparelhamento
das forças armadas brasileiras. A pressão popular pela criação
de uma força expedicionária torna-se concreta, mesmo contra a
vontade de Vargas, que afirmara que o envio de tropas brasileira
ocorreria quando "a cobra fumar". Posteriormente, percebendo a
crescente pressão interna (camadas médias urbanas) e externa (os
Estados Unidos temiam uma possível desestabilização de poder no
Brasil, não desejosa em tempos de guerra), Vargas cedeu, criando
a
Força Expedicionária Brasileira
(FEB); cujo lema fora "A Cobra Vai Fumar". A compensação
à ajuda financeira deu-se de forma logística e material:
garantiu-se o suprimento de matérias-primas aos aliados (2º
ciclo da borracha), e permitiu-se a instalação de uma
base militar na região Nordeste (Rio Grande do Norte), garantido
o domínio logístico e militar dos aliados sobre o atlântico sul.
Ao término da guerra, fazia pouco sentido que Vargas
continuasse no poder. O
fascismo fora derrotado, e os
brasileiros notaram isso. Getúlio Vargas é forçado a renunciar
em
29 de outubro de
1945 pelas forças armadas,
seguindo para seu estado natal, o
Rio Grande do Sul, e
elegendo-se senador.
República Nova (1945-1964)
O período conhecido como República Nova ou
República de 46 inicia com a renúncia forçada de Vargas, em
outubro de 1945. O General
Eurico Gaspar Dutra foi o
presidente eleito e empossado no ano seguinte. Em
1946 foi promulgada nova
Constituição, mais democrática
que a anterior, restaurando direitos individuais.
Em
1950, Getúlio Vargas foi mais
uma vez eleito presidente, desta vez pelo voto direto. Em seu
segundo governo foi criada a
Petrobrás, fruto de tendências
nacionalistas que receberam suporte das camadas operárias, dos
intelectuais e do movimento estudantil. Porém, os tempos não
eram mais os mesmos, e Getúlio não conseguiu conduzir tão bem o
seu governo. Pressionado por uma série de eventos, em
1954 Getúlio Vargas comete
suicídio dentro do
Palácio do Catete. Assumiu o
vice-presidente,
João Fernandes Campos Café Filho.
Em
1955,
Juscelino Kubitschek foi eleito
presidente e tomou posse em janeiro de
1956, ainda que tenha
enfrentado tentativas de golpe. Seu governo caracterizou-se pelo
chamado
desenvolvimentismo, doutrina
que se detinha nos avanços técnico-industriais como suposta
evidência de um avanço geral do país. O lema do
desenvolvimentismo sob Juscelino foi 50 anos em 5. Em
1960, Kubitschek inaugurou
Brasília, a nova capital do
Brasil.
Já em
1961,
Jânio Quadros (eleito em 1960)
assumiu a presidência, mas renunciou em agosto do mesmo ano.
Jânio, um ex-professor paulista que pregava a moralização do
governo e era membro da
UDN, fez um governo
contraditório: ao lado de medidas esdrúxulas (como a proibição
de
biquínis nas praias), o
presidente condecorou o revolucionário
argentino
Ernesto Che Guevara, para a
supresa da UDN. Com a condecoração, Jânio tentava uma
aproximação com o bloco socialista para fins estritamente
econômicos, mas assim não foi a interpretação da direita no
Brasil, que passou a alardear o pânico com a "iminência" do
comunismo.
Acredita-se atualmente que Jânio Quadros tentou promover o
auto-golpe, ou seja, renunciar para voltar com plenos poderes,
apostando que o congresso não aceitaria a renúncia por causa do
vice, ligado à esquerda trabalhista. Mas, se for verdade,
falhou, e o congresso aceitou sua renúncia.
O vice-presidente
João Goulart, conhecido como
Jango, assumiu após uma rápida crise política: os militares não
queriam aceitá-lo na presidência, alegando o "perigo comunista".
Além de ex-ministro trabalhista, Goulart encontrava-se na
China quando da renúncia de
Jânio Quadros (que, pela teoria do auto-golpe, tentou
aproveitar-se dessa viagem de seu vice). Uma solução
intermediária é acertada e instala-se o
parlamentarismo no Brasil. Em
1963, entretanto, João Goulart
recuperou a chefia de governo com o plebiscito que aprovou a
volta do
presidencialismo. Governa até
1964, com constantes problemas criados pela oposição militar, em
parte devido a seu nacionalismo.
Regime Militar (1964-1985)
-
O governo de João Goulart foi marcado por alta
inflação, estagnação econômica
e uma forte oposição das
forças armadas. Em
31 de março de
1964 as Forças Armadas realizam
um
golpe, destituindo João
Goulart. Os líderes do golpe, dentre eles os governadores dos
estados do Rio de Janeiro,
Carlos Lacerda, de Minas
Gerais,
Magalhães Pinto e de São Paulo,
Adhemar de Barros, escolheram
como presidente o General
Humberto de Alencar Castelo Branco,
seguido pelo General
Arthur da Costa e Silva (1967-1969),
o General
Emílio Garrastazu Médici
(1968-74), o General
Ernesto Geisel (1974-79) e o
General
João Baptista de Oliveira Figueiredo
(1979-84). Entre as características adquiridas pelos governos
decorrentes do golpe militar, também chamado de
Contra-Revolução, destacam-se a supressão de alguns direitos
constitucionais dos elementos e instituições ligados à suposta
tentativa de golpe pelos comunistas, e uma forte
censura à imprensa, após a
edição do
AI-5.
Humberto de Alencar Castelo Branco
Em
1965, todos os
partidos políticos então
existentes são declarados extintos, e teve início a
intensificação da repressão política aos comunistas. Somente
dois partidos eram permitidos, a
Aliança Renovadora Nacional
(ARENA), e o
Movimento Democrático Brasileiro
(MDB), que veio a servir de refúgio a toda a esquerda e extrema
esquerda política. Em pequenos municípios, porém, a divisão
entre os dois partidos não era ideológica, mas sim atendia às
divisões das
oligarquias locais.
Em
1967, foi aprovada a
sexta Constituição Brasileira
pelo Congresso, institucionalizando o
golpe/Revolução/Contra-revolução, e estabelecendo eleições
indiretas para Presidente, realizada via Colégio eleitoral, este
eleito diretamente.
No mesmo ano, diante do crescimento dos movimentos de
contestação, o General Arthur da Costa e Silva assumiu a
presidência. Em dezembro de 1968, fechou o Congresso e decreta o
Ato Institucional nº 5, o
AI-5, que lhe deu o direito de
fechar o Parlamento, cessar direitos políticos e suprimir o
direito de
habeas-corpus. Neste período,
intensificou-se a
luta armada nas cidades e no
campo em busca da derrubada do governo militar. Praticamente,
tudo teve início com o atentado no
Aeroporto Internacional dos Guararapes,
em
Recife, em
1966, com diversos mortos e
feridos, e em diversos outros pontos do país, principalmente em
São Paulo e Rio de Janeiro. Foi após a configuração desta
conjuntura de terror e justiçamentos da parte dos grupos
comunistas que a censura teve sua implantação consolidada.
Em
1969, Costa e Silva sofreu uma
trombose e ficou incapacitado;
uma junta formada pelos comandantes das
Forças Armadas assumiu o poder.
Em outubro, o General Médici foi eleito presidente no Congresso,
e comanda o período mais sangrento da ditadura militar, com a
mais forte repressão aos grupos de terroristas e guerrilheiros
marxistas, com suspeitos e colaboradores sendo presos,
ocasionalmente torturados, exilados ou mortos em confrontos com
as forças policiais do Estado. Nesta época teve início o
movimento guerrilheiro no
Araguaia e a realização de
seqüestros de
embaixadores estrangeiros por
grupos de esquerda. Estes seqüestros eram usados, em sua
maioria, como forma de pressionar o governo militar a libertar
presos políticos. Após a redemocratização do país,
contabilizou-se pouco mais de trezentos mortos, de ambos os
lados.
Em
1974, o General
Ernesto Geisel assumiu a
presidência, tendo que enfrentar grandes problemas econômicos,
causados pela dívida externa criada pelo governo Médici, e
agravados pela crise internacional do
petróleo, e uma alta taxa de
inflação.
Geisel iniciou a abertura democrática que foi continuada pelo
seu sucessor, o
General Figueiredo (1979-85).
Figueiredo não só permitiu o retorno de políticos exilados ou
banidos das atividades políticas durante os
anos 60 e
70, mas também autorizou que
concorressem nas
eleições municipais e estaduais
em
1982.
O período termina com as eleições indiretas para presidente
em
1984, com
Paulo Maluf concorrendo pelo
PDS e
Tancredo Neves pelo
PMDB apoiado pela
Frente Liberal, dissidência do
PDS liderada por
José Sarney e
Marco Maciel.
As eleições, as últimas indiretas da história brasileira,
foram precedidas de uma enorme campanha popular em favor de
eleições diretas, levada a cabo por partidos de oposição, a
frente o PMDB, que buscava a aprovação pelo Congresso Nacional
da Emenda Constitucional que propunha a realização de eleições
diretas. A campanha foi chamada de "Diretas
já", e tinha a frente o deputado
Dante de Oliveira, criador da
proposta de Emenda. Em
25 de abril de 1984, a emenda
foi votada e obteve 298 votos a favor, 65 contra, 3 abstenções e
112 deputados não compareceram ao plenário no dia da votação.
Assim a emenda foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de
votos para a aprovação da
emenda constitucional.
Nova República (1985-2008)
O primeiro presidente civil eleito desde o golpe militar de
1964 foi
Tancredo Neves. Ele não chegou
a assumir, sendo operado no dia
14 de março de 1985 e
contraindo infecção hospitalar. No dia da posse,
15 de março de
1985, assume então
José Sarney de modo interino, e
após
21 de abril, data do
falecimento de Tancredo Neves, como presidente em caráter pleno.
Em
1° de março de
1986, Sarney e sua equipe
econômica comandada por
Dilson Funaro, ministro da
Fazenda, lançam o "Plano
Cruzado", conjunto de medidas para conter a inflação,
entre as quais o
congelamento de preços e a
criação de uma nova moeda, o
cruzado (Cz$), valendo mil
cruzeiros (Cr$) (moeda da
época). Sarney apelou para a população que deu amplo apoio ao
plano, inclusive com as pessoas se declarando "fiscais do
Sarney" e denunciando violações ao congelamento de preços. O
PMDB vence as eleições para
governadores de 1986 em todos os estados (à exceção de Alagoas),
porém após as eleições, em
21 de novembro de 1986, o
governo decreta o "Plano
Cruzado 2", com os preços sendo liberados. Isto
ocasionou um descontentamento do povo para com o governo, pois o
plano cruzado foi visto por muitos como uma simples estratégia
política para vencer as eleições. A inflação volta a subir, a
crise se alastra e em
20 de janeiro de
1987 o governo decreta
moratória, deixando de pagar a
dívida externa.
Em
29 de abril de 1987, o governo
substitui Funaro por
Luis Carlos Bresser Pereira,
que com a inflação em alta, lança o "Plano
Bresser", com novo congelamento de preços, em junho
de 1987 e acabando com a moratória. A inflação volta a subir e
em
6 de janeiro de 1988, Bresser é
substituído por
Maílson da Nóbrega. Em
15 de janeiro de
1989 Maílson lança o "plano
verão", com o lançamento de uma nova moeda, o
cruzado novo (Ncz$) valendo
então 1000 cruzados.
Fernando Collor foi eleito em
1989, na primeira eleição direta para Presidente da República
desde 1964. Seu governo perdurou até
1992, quando renunciou devido a
processo de "impeachment"
movido contra ele. O processo de afastamento ocorreu em
decorrência de uma série de denúncias envolvendo o Presidente
Collor em esquemas de
corrupção, que seriam
comandados pelo seu ex-tesoureiro de campanha,
Paulo César Farias, conhecido
como PC Farias. A queda de Collor será resultado de uma imensa
Revolução Democrática, protagonizada pela juventude e pelo
movimento estudantil, no movimento conhecido como "Fora Collor".
O vice-presidente, Itamar Franco, assume em seu lugar.
No governo de
Itamar Franco é criado o
Plano Real, articulado por seu
Ministro da Fazenda,
Fernando Henrique Cardoso. O
governo Itamar contou com a presença de vários senadores como
ministros. Historiadores chegam a classificar este fenômeno como
uma espécie de um "parlamentarismo branco". Fernando Henrique
articulou a base partidária de apoio para a sua eleição. Embora
tenha tido o apoio do então presidente Itamar, um rompimento
entre os dois ocorreu durante o primeiro mandato de Fernando
Henrique.
Fernando Henrique Cardoso (FHC)
foi eleito em 1994 e reeleito em 1998. Cumpriu dois mandatos e
transmitiu, democraticamente, a faixa presidencial ao seu
sucessor em
1° de janeiro de
2003. O ex-presidente Itamar
Franco foi eleito, pelo PMDB, governador do estado de Minas
Gerais, nas eleições de 1998 e não se candidatou à reeleição,
embora o candidato por ele apoiado, o deputado
Aécio Neves, tenha sido eleito
no primeiro turno.
O presidente Fernando Henrique tentou manter a base aliada de
partidos para as eleições presidenciais de 2002, o que não foi
possível. A aliança
PSDB-PMDB-PFL-PTB
perdeu os dois últimos partidos. O segundo apoiou
Ciro Gomes e o PFL não lançou
candidatos à presidência da República.
Lula e
José Serra disputaram o segundo
turno em
2002. O candidato Luis Inácio
Lula da Silva, do
PT, foi eleito presidente do
Brasil com aproximadamente 61% dos votos válidos. Lula repetiria
o feito em
2006, sendo reeleito no segundo
turno disputado contra
Geraldo Alckmin, do mesmo
PSDB.