A
história do Iron Maiden começa em 1971, quando o garoto Steve Harris (foto
abaixo à esquerda), com 15 anos, inspirado pelo Wishbone Ash,
Jethro Tull e o primeiro Genesis, comprou um baixo imitação de
Telecaster pelo exorbitante valor de 40 libras. Steve tinha tido
anteriormente visões de um dia estar jogando pelo seu time querido West
Ham, e chegou a assinar com o time através de formulários de
estudantes.
No entanto, a
peneira de talentos da organização juvenil dos Hammers, naquela época,
estava transbordando, e o número de jogadores que realmente conseguiam
chegar ao profissional era muito pequeno. O regime contínuo de jogar e
treinar também significava que o jovem Harry não podia encontrar-se
com seus amigos para beber, assistir a bandas e sair com garotas. Depois
de pensar muito, abandonou as esperanças de seguir a carreira futebolística
e construir um forte desejo e conhecimento de rock. Aprendeu a tocar
baixo sozinho, ouvindo seus discos preferidos e fazendo jams com os
amigos. Isto levou à formação de uma banda chamada Influence, que
depois mudou de nome para Gypsy`s Kiss. Os Gypsies estrearam em um uma concurso
de talentos em Poplar. Steve, detonado por "ambição
explosiva", resolveu trocar de banda e entrou no Smiler. Os demais
membros eram bem mais velhos do que ele, o que lhe garantiu uma experiência
valiosa, apesar de se sentir relegado ao segundo plano. O Smiler era uma
banda "good time boogie" e, embora tocasse uma antiga versão
de "Innocent Exile", desligou a "ambição
explosiva" e deixou claro que não queria que seu baixista pulasse
no palco e escrevesse músicas. Steve percebeu, então, que a única
maneira de fazer o que queria era montar sua própria banda. E, no final
de 1975, nasceu o Iron Maiden. O baixista tirou o nome vendo um filme
antigo de "O homem na Máscara de Ferro". A "donzela de
ferro" era um caixão de metal com pontas na parte interna; as vítimas
eram colocadas nele e espremidas até a morrerem.
Na primavera de
1976, a banda manteve uma residência no pub The Cart and Horses, em
Stratford, no East End de Londres. Os dois primeiros concertos foram
bons, mas Steve ainda sentia que estava faltando alguma coisa. O
vocalista Paul Day foi substituído pelo ex-compositor do Smiler, Dennis
Wilcock e este recomendou um jovem talentoso guitarrista chamado Dave
Murray. Isto enlouqueceu os guitarristas, Terry Rance e Paul Sullivan,
que tomaram aquilo como insulto e foram embora.
Bob Sawyer, que
usava o nome de Bob D`Angelo, foi chamado para ser o segundo guitarrista
e Ron Rebel para a bateria. Assim, foi apresentada a primeira formação
do Iron Maiden. A banda, então, começou a fazer concertos por toda
zona leste de Londres, conseguindo um grande número de seguidores.
Após
seis meses, a formação mudou novamente. Bob saiu quando, ao invés de
complementar a guitarra de David, continuava tentando competir com ele.
E, depois de uma discussão no Bridgehouse, Den despediu Dave, que
juntou-se ao Urchin, banda de seu velho amigo Adrian Smith. Com todas as
disputas, a banda decidiu abandonar temporariamente o conceito de duas
guitarras, e Terry Wapram juntou-se ao grupo como único guitarrista;
Tony Moore foi contratado para os teclados. Nesta mesma época, Ron
Rebel decidiu que não conseguia suportar as desavenças e também saiu.
Foi substituído por Barry Purkis, que mais tarde se chamaria
Thunderstick.
Esta nova formação
fez um show no Bridgehouse e ficou dolorosamente óbvio que os teclados
não davam a resposta esperada. Resultado: sai Moore, seguido por Wapram.
Este reclamava que não conseguia tocar sem teclados! Steve foi a um
show do Urchin e persuadiu Davey a juntar-se novamente ao Maiden.
Entre idas e
vindas, foi a vez de Den dizer adeus ao grupo antes de um show no sul de
Londres. Na seqüência, foi a vez de Thunderstick sair. As coisas
pareciam desoladoras. Steve recrutou o ex-baterista do Smiler, Doug
Sampson, e enquanto os três ensaiavam, eles procuravam por um novo
vocalista.
A Estabilidade
Finalmente,
um amigo de Steve recomendou Paul Di`Anno (foto à esquerda).
Este passou no teste com louvor. Assim, a banda preparou seu retorno. As
coisas pareciam difíceis no início, uma vez que, em 1977, a
"revolução" punk/new wave estava no auge, e a maioria das
casas de show estavam reservadas apenas para shows destes estilos.
As gravadoras se
comportavam da mesma maneira e impuseram condições para o Maiden
gravar: os membros da banda deveriam cortar os cabelos e virar punk.
Desnecessário dizer a resposta de Harry.
No final de 1978,
a situação melhorou o suficiente para permitir que a banda trabalhasse
em prol de seu retorno e em conseguir shows regulares. Eles perceberam
que precisavam de uma demo e, na passagem de ano, estavam nos Spaceward
Studios, próximo de Cambridge, gravando "Prowler", "Invasion",
"Strange World" e "Iron Maiden". O custo de 200
libras da sessão era tudo o que eles tinham. Sendo assim, a banda não
conseguiu comprar a sua fita master.
Quando eles
voltaram, algumas semanas depois, para pegar a fita e a mixagem, a fita
havia sido apagada, deixando-os apenas com as fitas da sessão original
sem edição e mixagem. Dave deu sua cópia para Neal Kay, um DJ
apaixonado por hard rock, que mantinha noites de rock no Soundhouse,
adjacente ao pub Bandwagon, em Kingsbury, norte de Londres.
Depois desta força,
a banda ganhou espaço fixo no The Ruskin Arms, em Manor Park. Neal
tocou a fita em uma de suas noites no Soundhouse e ficou surpreso com a
reação. Ela tornou-se a mais requisitada durante meses, e o Maiden
começou a tocar lá.
A fita demo também
chegou aos cuidados de Rod Smallwood. Um amigo de rugby de Rod, que também
trabalhava com Steve, pegou a fita e, depois de ouví-la e checar a
banda, ofereceu seus serviços como manager. Rod arranjou concertos por
todo o país, com o objetivo de permitir que a banda construísse uma
legião nacional de seguidores. Também conseguiu concertos próximos do
centro de Londres, para fazer com que as gravadoras fossem ver o Maiden.
Um desses shows foi no Marquee. John Darnley veio da EMI para ver o
Maiden; Rod tinha feito uma aposta com o gerente do Marquee, que o show
estaria com todos os ingressos vendidos (700 fãs) até as 7 da noite.
Rod ganhou a aposta e a EMI contratou o Iron Maiden. No verão, o grupo
apareceu no jornal de músicas "Sounds". Foi nesta aparição
que Geoff Barton (que mais tarde fundaria a "Kerrang!"),
emplacou a frase: "New Wave of British Heavy Metal", ou seja,
Nova Geração do Heavy Metal Britânico, (NWOBHM). O Maiden também fez
sua estréia no Music Machine, em Camden, como convidado especial do Motörhead,
que tocava com o nome de "Iron Fist And The Hordes From Hell".
Antes do ano terminar, a banda tocaria no music Machine mais duas vezes
como atração principal.
Enquanto isso, a
banda, que estava inundada com solicitações de fãs das cópias da
fita demo, decidiu criar seu próprio selo Rock Hard. O EP de 7"
foi batizado de "The Soundhouse Tapes" (ao lado) e,
para mantê-lo especial para os fãs, era apenas vendido em concertos ou
através de solicitação postal. As seis mil cópias esgotaram-se quase
que imediatamente, tornando-se um item de colecionador.
Entre um concerto
e outro, a banda foi para os estúdios da EMI, em Manchester Square,
para gravar "Sanctuary" e "Wrathchild", para um LP
de compilações chamado "Metal for Muthas". Eles também
gravaram quatro músicas para o "The Friday Rock Show", da
Radio One. O guitarrista Tony Parsons foi então chamado para ser o
segundo guitarrista, e o Maiden voltou a ter cinco membros. Durante o
período do Natal, O Iron Maiden passou por mais mudanças na formação.
Doug Sampson teve de sair, por motivos de saúde; Parsons, que sempre
parecia desanimado no palco, foi para o vinagre. Clive Burr e Dennis
Stratton entraram na bateria e guitarra, respectivamente. A banda, então,
foi gravar o seu primeiro álbum, tendo Will Malone como produtor.
Em fevereiro de
1980, enquanto o Maiden saiu para a turnê "Metal for Muthas"
para promover a compilação; seu primeiro single "Running Free"
também foi lançado. Ele excedeu totalmente as expectativas da
gravadora, entrando nas paradas britânicas na posição 44, e fazendo
com que a banda recebesse um convite para aparecer no "Top of the
Pops", na BBC. O Iron aceitou. Foi o primeiro grupo de rock a se
apresentar ao vivo, desde The Who, oito anos antes. Surpreendentemente,
a BBC concordou.
Em 14 de abril, o
álbum de estréia da banda, "Iron Maiden", foi lançado. Logo
chegou à posição de número 4 nas paradas! O Maiden, que continuou a
"Metal for Muthas", com uma abertura de convidado na turnê
britânica "British Steel", do Judas Priest, começou a própria
turnê, fazendo 40 shows em apenas dois meses. Eles também tocaram
novamente no Marquee, incluindo quatro noites consecutivas de ingressos
esgotados.
Em agosto, a
banda foi convidada pelo Kiss a abrir seus shows na turnê européia. E
também para tocar em Reading como convidados especiais do UFO, dando a
Steve a oportuidade de tocar na mesma noite de Pete Way, do UFO, um de
seus heróis de sempre. As duas bandas se deram muito bem; e com o Kiss,
o número de
seguidores da banda no continente, cresceu imensamente. na volta da turnê
do Kiss, foi anunciado que, devido à "diferenças musicais",
Dennis Stratton estava deixando a banda. O gosto musical de Dennis era
bem diferente do restante da banda, e suas idéias não estavam de
acordo com a linha do Iron. A separação foi amarga no começo, mas
atualmente Dennis e a banda são bons amigos, tanto que ele administra o
Cart and Horses. O Maiden não precisou ir muito longe para procurar um
substituto. Adrian Smith juntou-se a eles. Na verdade, a banda já havia
tentado Adrian antes de Dennis, mas como ele achava que o Urchin parecia
estar dando certo, decidiu desistir. Uma mini excurão britânica foi
apressadamente arranjada para apresentar Adrian (foto à esquerda).
Depois, eles começaram a trabalhar em um novo álbum, com Marchin Birch
produzindo. Eles interromperam as gravações para tocar em um concerto
especial de Natal, no Rainbow Theatre de Londres, que foi filmado para
lançamento futuro em vídeo. Foi dado um presente quando a segunda
metade do show teve de ser tocada novamente, devido a problemas com a
gravação do som. Ninguém saiu mais cedo!
O álbum "Killers"
saiu em fevereiro de 1981, enquanto a banda embarcava em sua primeira
excursão mundial. Ele chegou ao 12º lugar nas paradas britânicas e
deu à banda discos de ouro em vários países importantes. Além da
Europa, a Killer World Tour visitou pela primeira vez o Canadá, os
E.U.A. e o Japão. Um EP ao vivo, feito nos shows gravados no Japão,
foi lançado com o nome de "Maiden Japan". Em março, um vídeo
de 30 minutos do concerto de Natal do Rainbow foi lançado, com o nome
de "Live at the Rainbow". À medida que a turnê Killer
chegava ao fim, ficava claro que os dias de Paul Di`Anno estavam
contados. Ele tinha acreditado viver o estilo de vida do Rock and Roll
ao máximo, apesar dos avisos do restante da banda, Rod e os médicos.
Resultado: danificou suas cordas vocais e a saúde. Ele também estava
se afastando muito do Hard Rock tocado pelo Maiden; estava na direção
de um estilo mais blues, tipo Whitesnake. Mais uma vez um substituto
estava às mãos: Bruce Bruce, dos conterrâneos Samson, havia ficado
desencantado com a mudança de direção da banda para o tipo de música
que, ironicamente, Paul estava abraçando. Então, ele se submeteu à
uma audição e estava dentro, revertendo para seu nome normal, Bruce
Dickinson.
A Era Bruce Dickinson - os
anos dourados do Maiden
Algumas datas
foram apressadamente arranjadas na Itália para apresentar Bruce (foto
abaixo) no Maiden e ele realizou uma estréia britânica triunfante
no Rainbow. A banda também aproveitou a oportunidade para tocar algumas
músicas novas que estavam atualmente sendo gravadas para o novo álbum.
Bruce foi batizado de "a sirene de ataque aéreo" pelos fãs,
devido
ao seu vocal potente. Se 1981 poderia ser visto como um ano de sucesso
para a donzela, 1982 superou todas as expectativas. A banda já estava
engajada em uma parte totalmente vendida da turnê britânica "The
Beast on the Road", quando o single do novo álbum, "Run to
the Hills" alcançou o número 7 nas paradas do país.
O novo álbum,
"The Number of the Beast", arrasou a concorrência, estreando
em primeiro lugar nas paradas britânicas e chegando ao top 10 na
Europa. Ele também emplacou nas paradas norte-americana e canadense. A
turnê "The Beast On The Road" estava de acordo com seu nome,
pois a banda fez 180 apresentações em oito meses. Mais uma vez, a
banda quebrou fronteiras, tocando na Austrália e Nova Zelândia pela
primeira vez; em 29 de julho, fizeram seu primeiro concerto com
ingressos esgotados nos E.U.A., no Palladium, de Nova York. Em agosto, a
banda interrompeu a turnê norte-americana e foi para a Inglaterra tocar
no Reading Festival para 35 mil fãs.
No final da turnê,
outra casualidade na formação do Maiden foi Clive Burr. Uma série de
problemas pessoais e a estafante programação do Maiden foram
suficientes para ele deixar a banda. Então, em janeiro de 83, o Iron
voou para Nassau para gravar o próximo álbum, já com Nicko McBrain na
bateria. O Maiden encontrou Nicko durante a turnê britânica de Killers,
quando ele tocava com os roqueiros franceses do Trust, que haviam aberto
para o grupo em alguns shows.
Na América, a
banda foi rotulada de satanista por um pequeno grupo de indivíduo
mal-informados e presunçosos, que se enganaram completamente. Suas
acusações - totalmente irreais - deram maior publicidade à banda.
Baterista, bom
contador de piadas e cabeça redonda, Nicko (foto abaixo à esquerda)
recebeu seu "batismo de fogo" durante as gravações de "Piece
of Mind", em Nassau. A banda fez uma pausa nas gravações para
filmar um vídeo promocional para o próximo single "Flight of
Icarus". O roteiro exigia que alguém usasse maquilagem azul e se
vestisse com roupa de monge. Nicko, como novato, "voluntariou-se"
para o papel.
Em
maio, o novo álbum saiu e entrou na terceira posição nas paradas britânicas,
e a banda começou a World Peace Tour, no Hull City Hall. A turnê, mais
uma vez, foi assunto mundial, com a banda adquirindo status nos países
onde se apresentava. Nos E.U.A., tocaram para platéias cada vez
maiores, com ingressos esgotados em quase todos os lugares. A excursão
terminou em Dortmund. Como clímax para o show, a banda atacou
ferozmente o Eddie andante. Aparentemente, havia idéias de dispensar os
serviços de seu mascote monstro, mas felizmente os relatórios da
demissão de Eddie foram absurdamente exagerados, e ele voltou às capas
de disco, e aos palcos no ano seguinte.
O Maiden foi para
o novo ano com a mesma formação, encarando as perspectivas de seu ano
ainda mais trabalhoso. O ano de 1984 teve início com um confiante (mas
não complacente) Iron Maiden, tendo um intervalo de três semanas antes
de começar a trabalhar no novo álbum. Ele foi ensaiado em Jersey, e
novamente gravado em Nassau. Na época (setembro) em que "Powerslave"
chegou às lojas, a banda já estava há três semanas na estafante
World Slavery Tour, empurrando as fronteiras ainda mais para a frente.
A banda começou
a turnê na Polônia - a primeira vez que um importante show de Rock
aconteceu no país -, com uma produção de palco totalmente ocidental.
A banda também tocou na Hungria e Iugoslávia. A super-turnê "Iron
Maiden Behind The Iron Curtain" foi um tremendo sucesso, e recebeu
atenção da mídia mundial. Naqueles dias, com a Cortina de Ferro ainda
firme no lugar, uma turnê naqueles países foi uma grande aventura. Foi
filmada, para um documentário, que também foi lançado mais tarde como
"Behind the Iron Curtain" (Atrás da Cortina de Ferro).
Do Leste Europeu,
a banda voltou, via Itália, para a Grã-Bretanha, onde o álbum "Powerslave"
foi lançado, e ocupara o segundo lugar nas paradas. O álbum
apresentava a mais elaborada arte gráfica e a produção de palco
mostrava isso. O Maiden tocou quatro noites no Hammersmith Odeon,
incluindo uma com os roqueiros do Bad New.
Eddie era, então,
um monstro de seis metros de altura, aparecendo no final da música
"Iron Maiden".
A turnê foi um
sucesso esmagador; a banda estava no nível de sua potência, a produção
de palco era incrível e a receita do merchandising quebrou recordes em
muitos locais. A banda interrompeu a parte norte-americana de sua turnê
e fez a primeira visita à América do Sul, quando tocou para um público
de 200 mil pessoas no festival "Rock In Rio". O ponto alto da
turnê norte-americana foi na Long Beach Arena, no sul da Califórnia,
quando o Iron Maiden tornou-se a primeira banda a ter os ingressos
esgotados por quatro noites consecutivas - público total de 52000
pessoas. Os shows de Long Beach Arena foram filmados com a intensão de
lançar um outro vídeo e álbum ao vivo. A turnê chegou a uma
exaustante conclusão em julho de 1985. Um álbum-duplo ao vivo, e um vídeo,
ambos chamados "Live After Death", saíram em outubro. O
primeiro chegou ao segundo lugar e o vídeo foi o mais vendido entre os
vídeos musicais durante meses.
O novo álbum,
"Somewhere In Time", foi gravado em Nassau e Munique, e lançado
em setembro de 1986. Ele emplacou o terceiro lugar na Grã-Bretanha e
ganhou disco de ouro e platina em todos os países importantes. Com o
objetivo de promover o álbum, a banda saiu com a "Somewhere on
Tour". O novo álbum apresentou uma marcante mudança no estilo da
banda, com o uso de sintetizadores como fundo para várias músicas. Porém,
alguns fãs que temiam que isso pudesse diluir o estilo do Maiden,
precisaram apenas escutar "Heaven Can Wait" ou "Alexander
the Great".
A turnê
novamente começou com uma visita pela Cortina de Ferro, tendo início
em Belgrado e terminando oito meses depois, em Osaka (Japão). A produção
de palco foi, mais uma vez, espetacular. Eddie havia sido transformado
em um ciborg e o ponto alto do show foi quando a banda toda foi içada
ao ar, enquanto a cabeça e garras imensas de Eddie, infladas,
apareciam. A banda também foi filmada e entrevistada para um documentário
em vídeo lançado em 1987, intitulado "12 Wasted Years" - uma
crônica em vídeo de sua ascensão ao topo, apresentando filmagens de
arquivo, inéditas, com pessoas importantes envolvidas no sucesso do
Iron Maiden.
Com a turnê
terminada com sucesso, era a hora de começar a pensar no álbum
seguinte. "Seventh Son Of A Seventh Son" foi uma obra-prima épica;
marcou a primeira (e até então) única vez em que o Iron Maiden gravou
um álbum conceitual. Esta não era a idéia original, mas à medida em
que a banda escrevia e ensaiava, as músicas pareciam estar ligadas por
um tema comum. A arte gráfica da capa também mostrava uma mudança
marcante, sendo mais suavizada do que qualquer coisa anteriormente
vista. A Seventh Tour Of A Seventh Tour (foto abaixo à esquerda)
também quebrou uma tradição do Iron Maiden. Começou nos Estados
Unidos.
O
ponto alto desta turnê aconteceu em agosto, quando o Maiden foi o grupo
principal no lendário festival "Monsters of Rock", em
Donington. Apoiado por uma das mais fortes programações já vista no
festival (Kiss, David Lee Roth, Megadeth, Guns 'n' Roses e Helloween), a
banda tocou para um público recorde para o evento, de 102 mil pessoas.
O Maiden tocou um set incrível e o show do palco foi fantástico,
culminando em uma grande queima de fogos de artifício. A banda, então,
levou os shows do "Monsters of Rock" para a Europa, antes de
terminar a turnê em casa, com uma série de shows em ginásios - pela
primeira vez a banda tocou em grandes locais na Grã-Bretanha. As duas
noites no NEC, em Birmingham - certamente os melhores shows fora o
festival - foram filmados para um novo vídeo ao vivo, que seria
co-dirigido e editado por Steve Harris. A turnê terminou em 12 de
dezembro, de volta ao Hammersmith Odeon - o cenário de tantos outros
triunfos do Maiden.
Sem um álbum
programado para 1989, a banda pegou uma folga para recarregar as suas
baterias e passar algum tempo com suas famílias. Bruce e Adrian
"descansavam" gravando álbuns-solo, enquanto Steve passava a
maior parte do tempo editando as filmagens de Birmingham.
A banda,
finalmente, juntou-se novamente em novembro de 1989 para o lançamento
do vídeo "Maiden England". A EMI e a Sanctuary fizeram uma
festa luxuosa. O hall foi decorado com bandeiras da Grã-Bretanha e os
representantes da mídia mundial foram convidados para jantar peixe com
batatas fritas, e beber bitter, enquanto a banda passava seu tempo sendo
fotografada e entrevistada. O "Maiden England" foi mais uma
vez um sucesso de vendas.
Em janeiro de
1990, a banda se juntou na casa de Steve Harris para começar a
trabalhar no novo disco "No Prayer For The Dying". O trabalho
tinha quase começado quando, pela primeira vez em sete anos, houve uma
mudança no pessoal. Adrian, recém saído de seu álbum-solo, revelou
que não tinha certeza se poderia ainda dar ao Maiden cem por cento e,
através de consenso comum, ele deixou a banda.
Felizmente, a
solução estava novamente muito próxima. Janick Gers (foto à
direita), que era bem conhecido da banda por ter tocado com Gillan,
entre outros, e que havia trabalhado recentemente com Bruce Dickinson em
seu álbum-solo e turnê, passou pela audição e foi convidado à
juntar-se ao grupo. A gravação do álbum continuou na programação.
Pela primeira vez desde "The Number Of The Beast", a banda
gravou um disco em casa, no estúdio de Steve, em um celeiro convertido,
ao lado de sua casa, em Essex.
O conteúdo do álbum
teve um clima mais sério, uma vez que as letras da banda começaram a
lidar com temas contemporâneos. A arte da capa e embalagem tinha um ar
mais sinistro. O álbum foi lançado em 1 de outubro de 1990 e chegou ao
segundo lugar das paradas britânicas.
Depois de ficar
sem subir aos palcos por dois anos, a banda estava pensando em sair e se
apresentar novamente. A turnê No Prayer On The Road foi aberta com um
show "secreto" em Milton Keynes, em 19 de setembro de 1990.
Depois da produção mastrodôntica da turnê anterior, desta vez foi um
approach "de-volta-ao-básico", com o mínimo de produção de
palco e iluminação. Isto habilmente mostrou que o Iron podia
apresentar um grande show, sem ter de estar cercado por mega-watts de
som e luzes e uma super produção. Janick também fez uma grande
diferença ao vivo. O seu entusiasmo energético e esgares no palco,
esvaneceu à todos, até mesmo Davey. A banda e seus fãs adoraram estar
próximos entre si novamente, alimentando-se do entusiasmo remanescente
dos primeiros dias. A turnê terminou em Salt Lake City, em março de
1991. Ela estava originalmente programada para seguir ao Japão e Austrália,
mas as dificuldades das viagens e depressão causada pelo início da
Guerra do Golfo, trouxeram o final prematuro.
Quando chegou a
hora de pensar sobre o novo álbum, a banda e a gerência decidiram que
Eddie precisava de uma mudança de imagem para a década de 90. A partir
de revistas de terror, ficou decidido que Eddie deveria ser um terror
mais direto e, para esse objetivo, Derek Riggs e vários outros artistas
foram convidados a apresentar suas idéias sobre o "novo"
Eddie. Um desenho apresentado por Melvyn Grant foi o escolhido.
O álbum "Fear
of the Dark" foi lançado em maio de 1992, enquanto a banda abria a
turnê de disco na Escandinávia. O disco deu à banda o seu terceiro
primeiro lugar nas paradas britânicas. O Iron Maiden foi mais uma vez
requisitado à tocar em Donington, em agosto. A banda fez um show ainda
mais forte do que aquele em 1988. Eles sabiam o que os esperava e, desta
maneira, tinha um maior controle sobre os nervos. Todo o show foi
filmado para um vídeo, lançado no ano seguinte.
Vários shows
também foram gravados para um futuro álbum ao vivo. A produção de
palco estava mais elaborada, embora sem o excesso de 88; Eddie apareceu
como uma criatura gigante, como na capa do álbum. A turnê terminou em
4 de novembro e, enquanto a banda voltava do Japão, eles não sabiam da
bomba que cairia em março de 1993.
Bruce
(ao lado) havia pensado durante algum tempo em deixar a banda.
Sempre um workaholic, Bruce tinha vários projetos em andamento fora do
Maiden e, com uma jovem família, as exigências sobre o seu tempo
estavam chegando ao ponto de saturação. Algo tinha de acontecer e
Bruce sentiu que tinha ido o mais longe que podia com o Maiden. Foi
decidido que, ao invés de lançar um álbum-duplo ao vivo, conforme
tinha acontecido com "Live After Death", o novo set ao vivo
seria lançado em dois álbuns diferentes. O primeiro apresentaria
material da banda após "Live After Death", enquanto o segundo
apresentaria um material mais raro. Os fãs, então, teriam a escolha de
comprar ambos, ou só o material de cada época. Quando saiu o primeiro
álbum ao vivo, "A Real Live One", e a banda se preparava para
a Real Live Tour, eles anunciaram a procura de um novo substituto de
Bruce. Resultado: eles foram sufocados por milhares de fitas, CDs, e vídeos
dos mais esperançosos aos sem esperanças.
Enquanto isso, a
banda visitou Moscou. A recepção dos felizes headbangers russos foi
incrível. Assim que a turnê terminou, era a hora de sentar-se e fuçar
as milhares de fitas demos de vocalistas potenciais. Bruce recebeu um
"sutil" e pavoroso bota-fora no final de "Rising Hell"
- um show de mágica e som pay-per-view apresentando o mágico Simon
Drake, que foi televisionado para o mundo inteiro.
A entrada de Blaze Bayley
Depois
de uma busca intensiva, foi anunciado no final daquele ano que o
substituto de Bruce era Blaze Bayley (foto à direita), do
Wolfsbane. O Wolfsbane tinha sido a banda de apoio do Iron Maiden em sua
turnê britânica de 1990. A banda teve a oportunidade de ver Blaze em ação
e sabia do que ele era capaz. Blaze foi o preferido desde o início e,
depois de ouvir todas as fitas e fazer as audições, ninguém pareceu
ser mais adequado para a banda.
Uma vez que toda
a euforia da entrada de Blaze havia terminado, os membros da banda
iniciaram um período intensivo de ensaios, de maneira que eles e Blaze
pudessem se acostumar entre si, e começar a trabalhar no novo álbum.
A banda não
tinha apenas um novo vocalista, mas também um novo produtor. pela
primeira vez, desde 1980, um álbum de estúdio do Maiden não seria
produzido ou co-produzido por Martin Birch. Desde a metade dos anos 80,
Martin estava em meia-aposentadoria, apenas retornando à mesa de
mixagem para o Iron Maiden. Agora, ele havia decidido se aposentar
definitivamente. Foi decidido que Steve iria dividir a cadeira de
produtor com Nigel Green. Nigel tinha sido originalmente o operador de
fitas de "Killers" e "The Number Of The Beast",
tendo desde então tornado-se um produtor de primeira linha por seus próprios
méritos. O novo álbum levou mais um ano para ser terminado. A importância
do álbum significava que cada passo era dado para assegurar que tudo
estava correto. O novo disco foi batizado "The X Factor", como
em X - o desconhecido. Ele finalmente chegou às lojas em outubro de
1995, com a turnê The X Factour começando logo após.
A turnê abriu
com datas em Israel e África do Sul - pela primeira vez em cada país -
e a experiência e recepção dos fãs locais, fizeram com que a banda
desejasse voltar novamente. Eles também deveriam tocar em Beirut, mas o
governo libanês rejeitou os seus vistos e, mesmo as intervenções
através de canais diplomáticos, não surtiram efeito.
A banda tirou
proveito da calmaria inesperada para voar de volta à Grã-Bretanha,
para fazer o "Most Wanted" da MTV. Eles então voaram para a
Romênia, atrás da Cortina de Ferro, para realizar a primeira turnê
completa do leste Europeu (Bulgária, Eslovênia, Hungria, Polônia, República
Tcheca e Romênia). Quaisquer dúvidas quanto à capacidade de Blaze e
reação dos fãs foram colocadas de lado, uma vez que a banda teve uma
calorosa recepção por parte dos fãs, especialmente em casa. O show de
Brixtol foi um dos melhores de todos os tempos. A banda estava incendiária,
como também a platéia. Na época próxima do natal e no começo do
ano, o Maiden tocou na Europa ocidental antes de ir para os Estados
Unidos, Canadá e Japão. No verão, participou de festivais europeus e
excursionou pela América do Sul, incluindo a participação como banda
principal no "Monsters of Rock", com um público de 50 mil
pessoas no Estádio do Pacaembú, em São Paulo.
Em 1996, a banda
lança uma coletânea com os principais sucessos de sua trajetória, de
Paul Di'anno, passando por Bruce até Blaze Bayley, foram lançados um
álbum-duplo com um livreto sensacional dando uma noção da história
do Maiden e com 27 músicas no total e um álbum simples com 16 das 27 músicas
do álbum-duplo, fazendo com que o preço ficasse mais acessível.
Depois do sucesso
da The X Factour, o Iron Maiden tratou de começar a trabalhar no próximo
álbum. Como o ano do lançamento do disco coincidia com um ano de Copa
do Mundo, a banda decidiu homenagear seu esporte preferido no nome do
novo disco, como no futebol são 11 jogadores de cada lado e, além
disso, ser esse disco o décimo primeiro gravado em estúdio, o Maiden
batizou-o de Virtual XI, um ótimo disco, Blaze parecia cada vez mais
entrosado e integrado ao estilo Maiden, as letras abordavam
principalmente temas futurísticos.
De
carona com o álbum, veio o jogo Ed Hunter, um jogo onde o jogador deve
caçar o Eddie passando por vários cenários, cenários estes que fazem
parte dos desenhos dos álbuns e singles, isto tudo ao som dos maiores
sucessos da banda, o jogo é no estilo Doom e foi feito principalmente
para atingir o público que é amante de jogos de computador, mas não
conhece direito o som do Maiden. Para a escolha das 20 músicas que
viriam fazer parte do jogo, a Banda organizou uma pesquisa entre os seus
fãs, através de seu Website.
As 20
músicas escolhidas foram:
1-
Iron Maiden
11-
Powerslave
2-
Phantom Of The Opera
12-
Wasted Years
3-
Wrathchild
13-
Stranger In A Strange Land
4-
Killers
14-
The Evil That Men Do
5-
The Number Of The Beast
15-
Tailgunner
6-
Run To The Hills
16-
Be Quick Or Be Dead
7-
Hallowed Be Thy Name
17-
Fear Of The Dark
8-
The Trooper
18-
Man On The Edge
9-
Aces High
19-
Futureal
10-2
Minutes To Midnight
20-
The Clansman
Tudo parecia
estar voltando ao normal na carreira da Donzela, quando surge um boato
sobre a saída de Blaze, a banda tenta preservar a imagem do vocalista e
critica, através de seu Website, os supostos boateiros. Mas não
adiantava, as evidências eram claras, Blaze não andava mais nos mesmos
veículos dos outros integrantes, mal se falavam; no entanto, a gota d'água
foi o show no Monster Of Rock '98, em Buenos Aires, encerramento da
Virtual XI World Tour, onde Blaze mais uma vez perdia o tempo certo da música,
errava as letras, nós mesmos (webmasters da página) pudemos ver isso,
quando no Skol Rock '98, em Curitiba, quando Blaze errou grosseiramente
a letra de 2 Minutes to Midnight, sendo que a letra é dividida em 3
partes e ele cantou a primeira e depois cantou duas vezes a terceira
parte.
As especulações
sobre o nome do novo vocalista corriam soltas, a maioria delas davam a
volta de Bruce Dickinson como certa, mas a bem sucedida carreira solo e
os desentendimentos do passado pareciam impedir a volta de Bruce.
Bruce Dickinson e Adrian Smith retornam, o Maiden agora
é um sexteto
Porém,
no dia 10/02/1999, certamente um dia que vai ficar na memória dos fãs
do Maiden, a banda convocou uma entrevista coletiva, onde foi anunciada
oficialmente a saída de Blaze e a volta de Bruce Dickinson e Adrian
Smith, isso mesmo, a Donzela agora é um sexteto (ao lado), com
3 guitarristas. Nessa entrevista também foi anunciado o lançamento em
breve do jogo para PC Ed Hunter e que o Iron Maiden começaria a gravar
um disco ainda esse ano, com músicas inéditas (a banda prometia fazer
o melhor álbum desde The Number Of The Beast) e o começo da turnê dos
20 anos de estrada da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos,
sendo que o set list seria o escolhido na votação do Ed Hunter.
Agora
temos mais dois álbuns lançados pelo sexteto: brave new world e dance
of death.
2005 promete muito pra banda
O Iron Maiden com
certeza hoje voltou ao topo, novamente é a maior banda de Metal do cenário
Mundial. Bruce Dickinson mantém sua performance inigualável no palco e
a parede de três guitarristas funciona muito melhor do que todos os críticos
imaginavam. Os palcos voltaram a ser maravilhosos, os fãs (continuam
mais fanáticos do que nunca) ganharam um novo ânimo com a entrada
dos mestres e a volta de músicas como Aces High, Run To The Hills e
Phantom Of The Opera.
Nós brasileiros,
argentinos, americanos, franceses ou seja lá o que for, devemos agora
lotar os estádios, clubes, teatros e mostrar porque essa banda é a
mais fantástica do mundo, sentir novamente o sangue do Maiden correndo
em nossas veias. Vamos lutar contra essa mídia hipócrita e demonstrar
o que é ser um fã de Heavy Metal.