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Escritos Radiofônicos As Rádios de Rock de Porto AlegreEm Porto Alegre, existem 19 emissoras de FM. Segmentando: são três religiosas, quatro populares, uma tradicionalista, uma de dance music e sucessos pop, duas de música de elevador, uma de antigos sucessos, uma universitária e microscópica, duas de variedades, uma que eu não faço nem idéia do que seja (a Melodia FM, sinto muito) e três de pop rock. Três rádios cuja programação regular inclui o rock e suas variantes muito para alguns, pouco para mim. Mas dado o jabá forçado pelas gravadoras e a cultura brasileira do populacho, não dá pra reclamar. Do trio, a Atlântida (94,1 MHz) é a que atinge melhores níveis de audiência. A maior parte do seu público ainda não chegou aos 20 anos. Egocentricamente auto-intitulada como A Rádio, tem por trás de si toda a força e a grana do grupo RBS de comunicação, e forma uma rede de rádios espalhadas pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É a que mais investe na relação com seus ouvintes seja por festas e shows, pela Revista Atlântida (bimestral, sempre com um CD encartado privilegiando, louvavelmente, a produção regional) e pelo mega-evento Planeta Atlântida, que reúne anualmente centenas de milhares de jovens num festival com atrações nacionais. No mix da programação entra tudo o que um adolescente pode querer ouvir: reggae, surf music, pop e rock este último estilo diluído na programação normal, ou seja, sem nenhum programa dedicado. Nos inúmeros Top 10 divulgados pela rádio na sua página na Internet, figuram nomes como Red Hot Chili Peppers, Bad Religion, Raimundos, Creed, Nickelback e o pop-a-billy da Acústicos & Valvulados. A Atlântida já foi bem mais comercial, mas vem aproximando-se mais do rock nos últimos tempos por estar perdendo terreno para a sua maior rival, a 107.1? Elucubrações à parte, ponto mais negativo é a falta de comunicadores carismáticos exceção feita ao Mr. Pi, do divertido e variado Pijama Show, que começa no meio da noite e segue madrugada adentro. Surgida na Universidade Luterana do Brasil sob o enigmático nome de Feluspe, a 107,1 Pop Rock há alguns anos recebeu uma injeção de ânimo (e dinheiro) para tornar-se gente grande. Comprou o passe de alguns dos melhores comunicadores da cidade Mauro Borba, KG e um pouco do tempo da Kátia Suman, todos ex-Ipanema, e Alexandre Fetter, o melhorzinho que passou pela Atlântida , e o investimento tem se mostrado valioso: a rádio vem consolidando seu nome ancorada na eloqüência e no carisma de seus radialistas. A programação é fiel ao nome da rádio, embora o horário da noite seja mais rock, e a manhã e a tarde, mais pop. O que enche mais, na rádio, é a repetição exagerada dos hits ou candidatos a hits , mesmo fenômeno comercial que ocorre, em pior escala, na Atlântida. Na programação, o Rock Café e a Hora do Lobo seguram a onda mais roqueira do programa. Também a Hora do Rush, programa de Mauro Borba que já passa dos 15 anos de existência, privilegia o rock, porém mesclado a antigos sucessos dos anos 80. Seu público é geralmente formado por aqueles que não conseguem mais escutar a Ipanema mas acham a Atlântida pop demais, além de adolescentes atraídos pelo slogan juvenil A Rádio da Galera. Mas se há em Porto Alegre alguma emissora que mereça o rótulo de rádio rock, esta é a Ipanema (94.9), a mais independente e desorganizada das emissoras da capital. No passado glorioso, costumava ser comparada à ex-extinta (!) Fluminense, do Rio de Janeiro, por seu pioneirismo e alma roqueira. Quando alguém pensou em tocar rock na rádio, a Ipanema já tinha conquistado dessa maneira milhares de ouvintes realmente fiéis. Quando alguém ousava tocar a clássica do Led Zeppelin, Stairway to Heaven, inteira em seus mais de 7 minutos de duração (noutros tempos, muitas e muitas vezes já xinguei a Atlântida por tocar uma versão cortada), a Ipanema já tinha tocado a suíte Echoes, do Pink Floyd, quase 25 minutos de música. Mas as bases começaram a ruir. Diz a lenda que o péssimo desempenho comercial da rádio fez com que os diretores pressionassem Kátia Suman a voz, a mentora, a guerreira, enfim, a tia do radialismo gaúcho para uma abertura lenta e gradual rumo ao capitalismo selvagem. Ela negou-se e desligou-se da rádio. Foi a última dos moicanos: antes dela já haviam saído o inteligente Mauro Borba, fundador, a cool Nara Sarmento e a poço-de-cultura e egocêntrica Mary Mezzari, entre outros grandes nomes que passaram pelos estúdios da Ipanema. Daí em diante a coisa se perdeu. Se antes era possível escutar bossa nova e MPB na programação, hoje isso se mistura a pop e muito, muito reggae. Mais que perder excelentes comunicadores, a rádio perdeu sua cara e sua identidade, mas segue com um bom público hoje um misto entre amo de paixão e não tem nada melhor, sem meios termos. A seu favor, a independência, a democracia e a boa vontade. É a única rádio por aqui a ter um programa dedicado ao metal, o Arrasa Quarteirão. (É verdade que ele está sendo marginalizado: era das 21h às 22h, depois passou a começar às 22h, e hoje vai da meia-noite as duas da madruga. Seguindo neste ritmo, com sorte daqui a algum tempo eu vou poder acordar ao som de Slayer entre a temperatura e a hora certa. Nada mau.) Além dele, A Troca da Guarda privilegia o rock inglês, o Hot Club do Mutuca revisita clássicos do rock n roll old school, e a programação noturna (20h às 23h) é acossada pelo Rock n Geral. Além das supracitadas, os aventureiros de plantão podem tentar a Unisinos FM, rádio da universidade de mesmo nome instalada em São Leopoldo (40 km de Porto Alegre). A programação tem muita coisa roqueira, além de rechear suas madrugadas com blues. A aventura fica na hora de sintonizar: presa nos 103.3 MHz, tem que limitar sua potência por causa de sinais de outra rádio, mais antiga, próximos à sua freqüência. O que chega aqui é a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de captar o sinal com qualidade. Infelizmente. Eu achei também uma blitz, o cara comparou as músicas nas quatro rádios pop rock de Porto Alegre, na ordem:
A blitz foi feita entre os dias 26/10 e 9/11, em horários sem
programação específica. As bandas da mesma linha estavam
tocando no mesmo instante. Compare Ipanema, Unisinos (que agora
está em real audio no www.radiounisinos.com.br),
Pop Rock e Atlântida. (DD)Douglas Dickel [email protected] |