| No rancho fundo |
Bem pra lá do fim do mundo |
Onde a dor e a saudade |
Contam coisas da cidade... |
No rancho fundo |
De olhar triste e profundo |
Um moreno canta as mágoa |
Tendo os olhos rasos d'água... |
Pobre moreno |
Que de tarde no sereno |
Espera a lua no terreiro |
Tendo o cigarro por |
companheiro |
Sem um aceno |
Ele pega da vida |
E a lua por esmola |
Vem pro quintal deste moreno |
No rancho fundo |
Bem pra lá do fim do mundo |
Nunca mais houve alegria |
Nem de noite e nem de dia |
Os arvoredos |
Já não contam mais segredos |
E a última palmeira |
Já moreu na cordilheira |
Os passarinhos |
Internaram-se nos ninhos |
De tão triste essa tristeza |
Enche de treva natureza |
Tudo por quê? |
Só por causa do moreno |
Que era grande, hoje é pequeno |
Para uma casa de sapê |
[Voltar]
|