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Não ser nem concluir
Régis Antônio Coimbra
Novembro de 1999
Sinto que fracassei profundamente
em tudo o que fiz na vida
inclusive no que levei até o fim
pois o que concluí se acabou
sem a glória e sem as belas conseqüências
nem grandes catástrofes
Minha vida, tão sem catástrofes
foi feita essencialmente de anticlímax
sem nem direito de morrer, pois não vivi
Não vivi ainda e, a essa altura
não viverei jamais
senão como já vivi até demais
A vida eterna não me surpreende
pois minha experiência secular
em poucas décadas, foi nesse ritmo
Ultimamente, a cada ano,
é como se vivesse três ou mais
mas, noto, são só lembranças
O desilusório tempo me rende tanto
pois são tantos os projetos fracassados
que é com se eu morresse várias vidas
E penso que sou uma das pessoas mais felizes deste mundo
pois viver é crescer para depois ir perdendo tudo
e mesmo ao ganhar, perder a liberdade de nada ter ou ser
Ganhei muito, gastei bastante e fui muita coisa
e espero perder e mudar mais ainda
pois não há outra razão para se ter ou ser o que for
Quem me dera eu ficar devendo
arrastando-me mais um pouco
para sempre e para nada
Quem me dera eu virar totalmente outro
virar mulher, virar bicho ou planta, e depois máquina
Pois tudo o que eu queria era não ser nada, sendo algo
ou ser tudo sem ser nada em particular
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