Et cetera


R�gis Ant�nio Coimbra
Porto Alegre, 29/09/93; 05:55h


Ai, ai... minha querida Adriana,
ser� que eu te amei?
ou � a dist�ncia e o tempo
que, enfraquecendo a lembran�a
fortalece a fantasia, a ilus�o?

Ai, ai... minha remota Adriana,
ser� que n�o te amei?
ou � a dor de tua falta
que atormentando o sentimento
refugia-me na hipot�tica raz�o?

Raz�o hipot�tica, hipoc�rdia, hipot�rmica...
que hipop�tamom�nte, mente desengon�ada,
com pernas curtas, insustent�vel e insuficiente
em sua hipert�nica e coura�ada intranq�ilidade
de hipoclor�drica autofagia ulcerosa;
em sua hipot�nica regurgitada inconsist�ncia,
mais pegajosa que os mais melosos sentimentos
de eu me borrar todo nas cal�as, fl�cido, impotente
depois de me apertar, roxo, sufocado, tenso e insenc�vel,
oito-ou-oitentamente intermin�vel repeti��o de birra e rendi��o.

Com hemorr�idas hemorr�gicas escrevo hemogr�ficos versos...
hemof�bicos? hemof�licos? hemat�fagos? ...hemocionais?

Escrevo em rolo de pap�l higi�nico? expresso-me das entranhas
botando as tripas e o sangue e o cora��o pelo cu?

Ou estou cagando pela boca?
emerdando o teclado e as l�udas do cont�nuo formul�rio da
matricial niobel�tica desesperada gritante impressora
onde desenrolo o canastr�o papel anti-higi�nico de conquistador
que conquista a dor e a leva para casa, insensato trof�u,
cativas Briseide, Criseide e Helena catastr�ficas,
raptadas e rapinantes, a docemente sugerir "keres? n�o queres?"
e escolho sempre a pior...

Foi assim que te escolhi? com a insensatez de Aquiles?

Foste a pior? deste-me fulminante gl�ria, vigor, triunfo?

Ent�o te amei. Trouxe uma tela de tua m�e, desenhos teus,
uma camisa que comprei de tua Val�ria prima,
outra que ganhaste e com a qual me presenteaste... (avisando
que se eu, por minha vez, a desse de presente a outrem,
por tal impiedade sacr�lega seria amaldi�oado),
e o colar que fizeste e com o qual me encantaste
no primeiro, em ex�tico cen�rio, encontro.

Poderia ser pior?

...te amei. Trouxe diversos tesouros conquistados, raptados,
roubados, surrupiados, pirateados, contrabandeados,

emprestados, pintados, desenhados, contados e at� comprados...
...e te deixei, sem um pio, um lamento, um suspiro,
sem hesita��o nem �xito.

...agora solu��o � s� um grande solu�o, a repetir
convulso, algum sentimento avulso:
o mais perto que chego do amoR
� em rom�ntica invertida refer�ncia a Roma
onde os cl�ssicos antigos romanos eram gente muito pr�tica,
mais para engenheiros que para amantes,
(nem do saber nem dos sabix�es, como era costume entre os gregos)
e os celibat�rios sacerdotes apost�licos romanos contempor�neos,
� de se supor, versam formas pouco convencionais de sexo e amor,
comungando ritual�sticos canibalismos, flagela��es auto-er�ticas,
masturba��o, onanismo (m�todo contraceptivo "natural" e b�blico),
pederastia (no que resgatam os gregos) e fornica��o.

...eu, secular mortal sul-latino-americano gentio,
restrinjo-me a �ltima modalidade, embora sem o can�nico valor
...ou adjetivo. Sou s� solteiro... ou xoxoteiro?

Pretendo ser objetivo, mas tergiverso, e proso subterf�gios,
em mais e demais versos e aversos de amor e dor, em Roma...
correndo ao redor de �lion, ou Tr�ia... Pomp�ia, Cartago,
Canudos... Hiroshima, Nagasaki... Gomorra, Sodoma
et cetera e meu peito e meu pinto e minha nem sei que soma
de pintar o setecentos vezes sete, chover enxofre ou, antes,
por quarenta dias e quarenta mil-e-uma noites chover no molhado;
amoR, em Roma ou n�o, a somar somente solit�rias ru�nas s�s,
ruidosas rangentes ru�nas ro�das que registro ratanazado,
realmente roto,

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