Voltar a escrever. Mas o que? É certo que estou num momento em que algumas modificações venho sentindo no meu corpo, espelho fiel do meu espírito. Sinto-o mais inteiro mediante aos acontecimentos que vem se dando, embora por vezes ainda vacile, tropeçe em dúvidas e inseguranças que diria não mai cabíveis. No entanto, por outro lado o vejo cada vez mais transparecer uma incerteza das coisas, uma tal ânsia e angústia vitais para o exercício desse corpo. Tais sentimentos são graças que parecem agora querer render este corpo de um pouco mais de paixão. Uma paixão como ainda não havia sentido. Uma paixão com um tal grau de incerteza e de certeza, com tanto erro e tanto acerto, uma tal senhora, com seu suave véu translúcido a me envolver em seu devaneios e entorpecer-me com seus agudos e febris gritos, quase ensurdecedores e quase acalentadores. Desculpe se insisto no quase. Não entenda agora com tal palavra que opto pela imprecisão como estratégia emocional ou quem sabe literal, pois nenhum nem outro traduziria a grandeza que remeto a esse "quase" quase tudo. Quase humano, quase febril, quase inconsciente, quase pueril. Faz parte mesmo da condição contemporânea uma tal imprecisão que possa descodificar todas as cifras que já arrumamos em nossos escaninhos diminutos de paz e de tranquilidade. Trata-se de um vôo torto, uma vertigem no andar descarrilhado, um vômito em pleno passeio público, um beijo enjoado em boca de quem nem se conhece rosto. Trata-se de uma pulsão des-qualquer dígito que se encaixe aí. Voltar a escrever me surgiu nesse momento como um quase, que dizer precisava agora. Mas não pense o sr. ou sra. ou quem sabe ainda um outro qualquer, que me retira esta imprecisão do lugar que quero estar, não! Aí reside o engano, a cifra que os menos avisados se inflam em se considerarem adivinhos. Aí nesse lugar que falo quase é aquele onde o corpo estremece, o passo não sabe do outro que se esboça em segundo depois, mas não esqueça, nunca esqueça que o filho se sabe sempre que o é quando seu coração de forma urgente implora pela mãe. Implora pelo seu mais profundo desconhecido ser, pelo seu ventre.

09/97

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