USS BRASIL
CAPÍTULO 04 - OS MISTÉRIOS DO SUBQUADRANTE ZEUGMA

Partimos naquela tarde mesmo, a USS BRASIL capitaneava uma flotilha composta da nossa e mais 04 naves menores, as mesmas ficariam em rota estacionária no início do subquadrante Zeugma, seriam nossa base de apoio em caso de alguma necessidade.

Antes de chegar ao objetivo da missão expus aos oficiais e membros da tripulação qual era a missão e quais as ordens, sempre gostava de deixar os homens e mulheres sob meu comando bem a par da situação, ajudava a manter elevado o moral de todos.

- Bem senhores, as ordens são essas, devemos nos locomover até o subquadrante Zeugma e verificar o que aconteceu com as outras naves enviadas antes da nossa, nossas ordens são de localizar as naves, verificar se há sobreviventes, quais seriam os motivos que impediram a volta destas naves e se há alguma anomalia neste setor do espaço, bom em síntese é isso, alguém quer falar alguma coisa?

- Senhor, oficial Lastra pede permissão para falar.

- Permissão concedida oficial.

- Senhor, segundo relatos que correm na frota o subquadrante Zeugma é conhecido como sendo uma região aonde misteriosamente os meios de comunicação não funcionam, se houver algum problema com nossa nave como conseguiremos alertar a frota que ficara nas imediações senhor.

- Bom oficial Lastra a pergunta somente poderá ser respondida após nossa entrada no setor. Mais alguém ?

- Senhor, Talul pedindo permissão para falar.

- Permissão concedida Talul, desde que fale em um nível que seja suportável pelos ouvidos humanos.

A risada do jarboriano feriu ainda mais os tímpanos de todos.

- Senhor, meu povo desenvolveu um equipamento de rádio que funciona em bases hexadimensionais, eu tenho um aparelho destes em minha bagagem, em caso de alguma falha no equipamento convencional podemos tentar usar este modelo, seu manuseio é fácil, acredito que com poucas instruções a austriana conseguirá operar o equipamento senhor.

- Ótimo Sr. Talul, mais alguma coisa ?

- Sr. Primeiro Oficial Dênis pedindo permissão para falar.

- Permissão concedida primeiro oficial.

- Senhor o subquadrante é conhecido por estar em uma região onde a poeira estelar é encontrada em grande intensidade, pelo menos na região periférica conhecida, isso não pode interferir em nossos equipamentos ?

- Pode Sr. Dênis, mas se for assim invertemos o sistema de navegação para forma manual, essa nave é muito fácil de pilotar e responde rapidamente aos comandos, mesmo sendo manual, acredito que Silvia não teria dificuldades em uma pilotagem manual se necessário.

- Bem senhores, se ninguém tiver mais nada, vamos voltar aos nossos afazeres, temos um trabalho a ser feito, e o faremos.

As naves seguiam em direção ao seu objetivo, por causa das naves que a seguiam a USS BRASIL não podia entrar em dobra superior a 9, as outras naves não conseguiriam segui-la se assim o fizesse.

- Data estelar 3.2.2.3 primeiro oficial Dênis, chegamos á concentração de poeira e gases estelares denominada subquadrante Zeugma, as naves da base Alfa II que nos seguem já estão em órbita em torno de um sol vermelho que existe aqui nas proximidades, estamos preparando a USS BRASIL para entrar nesta região do espaço, não sabemos o que vamos encontrar, mas seja lá o que for as ordens são claras.

- Capitão na ponte.

- Oficial Lastra, como estão os equipamentos de transmissão ?

- Em ordem senhor, estou captando enorme estática.

- Sr. Dênis, velocidade sub dobra, vamos entrar nesta nuvem e descobrir o que está acontecendo.

- Sim senhor, oficial Sílvia, velocidade 0.9 de dobra, vamos entrar.

A nave foi entrando lentamente na grande nuvem de gases e poeira que marcava o início do subquadrante Zeugma, as imagens na tela mostravam apenas um vermelho intenso, ao fundo, era como se tempestades gigantescas estivessem em curso, nossos sensores estavam ligados no máximo da capacidade, o que para uma nave como a USS BRASIL significava um alcance em torno de 50 anos luz, a visão era fantasmagórica.

- Senhor, grande quantidade de energia localizada há 1 ano luz setor 3.4.3.3. origem desconhecida.

- Lastra, algum sinal de comunicação?

- Não senhor, apenas estática.

A nave seguia, continuávamos em subdobra, apesar da enorme quantidade de poeira Silvia controlava a nave com maestria, Lastra ainda conseguia enviar mensagens para as naves de nossa escolta, nada parecia indicar algum perigo imediato, se soubéssemos como estávamos enganados naquele momento.

- Senhor

- Sim oficial Talul

- Meus aparelhos registram uma grande massa de matéria sólida há 02 anos luz daqui, setor 3.3.2.4, parece ser um planeta.

- Um planeta nessa massa de nuvens e gases, confira oficial, nossos cientistas nunca acreditaram na existência de planetas nessa massa gasosa.

- Os aparelhos confirmam senhor, é um planeta, pouco menor que a Terra.

- Oficial Lastra, como estão as comunicações ?

- Ainda consigo enviar mensagens e captar as que a frota de apoio nos envia capitão.

- Oficial Sílvia, siga para as coordenadas 3.3.2.4, velocidade de dobra 1.5, nesta velocidade alcançaremos as coordenadas deste planeta em 05 horas, Lastra informe á frota que vamos investigar esse planeta misterioso.

Conforme nos aproximávamos daquele misterioso planeta as condições de vôo se deterioravam, Sílvia usava todos os aparelhos para poder conduzir a nave, Lastra não desgrudava um segundo de seus cosmoscomunicadores e o gigante jarboriano, Talul, estava indócil, controlando seus aparelhos adaptados, o resto da tripulação mantinha-se apreensiva.

Conforme nos aproximávamos das coordenadas onde Talul havia indicado a presença do misterioso planeta a concentração de gases e poeira aumentava consideravelmente, a tela externa nos mostrava um universo poucas vezes visto, era lindo e ao mesmo tempo pavoroso, as descargas elétricas eram constantes e ameaçadoras, estávamos com os escudos ligados, mas mesmo assim um raio poderia nos atingir, as leituras dos aparelhos indicavam que alguns raios de grande concentração energética passavam a pouco menos de 1 km da nave, espero que não sejamos atingidos.

- Senhor, os aparelhos indicam uma zona estável bem á nossa frente.

- Uma zona estável? Explique sr. Talul.

- Bem senhor, meus aparelhos indicam uma região com pouca poeira e sem descargas elétricas, parece que nosso planeta fica dentro dessa zona de calmaria.

Aquilo era impossível, uma região estável dentro de uma nuvem de poeira como essa que era a Zeugma ?

De repente, lá estávamos entramos em uma região que nos lembrava o cosmos normal, vimos algumas poucas estrelas, e conforme a descrição de Talul, lá estava ele, o planeta misterioso.

- Sr. Estamos recebendo uma tranmissão, ela vem do planeta, com áudio

- Ponha na tela.

O que vimos nos deixou aterrorizados, principalmente a mim, do outro lado da tela um ser parecido com um monstro, saído dos piores pesadelos estava na tela, era enorme, sua pele azul dava um contraste pavoroso com seus olhos vermelhos, somente na cabeça se notava uma vasta cabeleira totalmente branca, a cabeça daquela coisa era parecida com a de Talul, um excrecência em forma de meia lua que saía diretamente do tronco, sem pescoço, parecia possuir três olhos, se percebia que possuía uma força física descomunal, sim não havia dúvidas, eu conhecia aquela raça, em minha galáxia natal, distante 03 milhões de anos luz desta eles não eram nada populares, eram Zrraal, a raça mais odiosa de minha galáxia, eram donos de metade de nossa galáxia e tentavam conquistar o restante. A visão de um zrraal tão longe de seu lugar de origem me deixou apavorado, como essas coisas chegaram aqui?

Alguns sons inarticulados saíram da boca daquela coisa, eu conhecia aquele idioma, mas não teria como explicar isso para a tripulação, não sem Ter de relatar toda a verdade que eu escondia há 300 anos terrestres.

- Ligar tradutora universal, vamos ver se conseguimos entender o que dizem.

- Senhor, outra transmissão está se sobrepondo.

- Lastra ponha na tela rápido.

Um ser humano apareceu na tela, usava o uniforme da frota, tinha insígnias de capitão de astronave, na ponte de comando ficamos estupefatos, ali sem dúvida estava o capitão de uma das naves perdidas nesta região.

- Capitão, permita-me me apresentar, sou o capitão Jean Luc Picard, da USS ENTERPRISE.

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