USS BRASIL
CAPÍTULO 03 - RUMO A ZEUGMA

- Diário de bordo, data estelar 3.2.2.1, a nave se comporta muito bem, a jovem tripulação está se saindo excelente no cumprimento de seus deveres, no momento estamos em dobra 10, rumando para a base Alfa II, lá teremos finalmente desvendado o destino de nossa primeira missão. Comandante Marlon desligando.

Na cabine de comando se vivia uma situação de completa normalidade, a nave seguia em dobra 10, sem nenhum tipo de anormalidade que pudesse ser notada, Marlon se encontrava na ponte de comando quando resolveu dar uma treinada em seu oficial de armamentos, até aquele momento Karin não havia tido a chance de demonstrar os armamentos daquela nave.

- Oficial Talul, me informe qual o maior meteoro em rota por esta região.

- Senhor, temos um na rota 4534, é um grande senhor, cerca de 2 Km.

- Computador, alerta 01 em toda a nave, travar nas coordenadas 4534, rota de colisão com o meteoro, deixar destravado apenas os controles de armamento, velocidade aumentada para dobra 11, calcular tempo de impacto com meteoro.

A ordem deixou a todos na sala de comando apreensivos, o que o comandante queria com isso?

- Impacto calculado em 80 segundos a partir deste momento.

A impessoal voz do computador se fez ouvir.

- Sr. Karin, estamos em rota de colisão com um meteoro que nos destruíra os comandos de armamentos são os únicos que se encontram destravados, você possui menos de 80 segundos para salvar a USS BRASIL, Sr. Karin no momento as ordens são suas.

Karin, deu uma risada sarcástica, havia entendido aonde o comandante queria chegar, afinal até aquele momento o setor de armamentos da nave não havia sido testado.

- Computador, travar chasers em 4534, ligar escudos fotônicos ao máximo, preparar torpedos 1, 2 e 3, atirar com intervalos de 05 segundos, aguardar minhas ordens para disparar.

- Impacto em T-60 segundos.

Uma risada retumbante cortou a apreensão de todos na nave, era o jarboriano, a risada deste gigante afetava os ouvidos de todos os tripulantes da ponte de comando.

- Impacto em T-50 segundos.

A cada 10 segundos o computador informava a perspectiva da catástrofe eminente.

- Atenção computador disparar canhões de chasers, mais 15segundos.

Marlon permanecia impassível, com toda a nave travada pelo comando de alerta 01 só lhe restava aguardar seu oficial de armamentos dar a ordem que salvaria sua nave.

- Iniciando disparo de chasers, conforme comando.

- Iniciar disparo dos torpedos 05 segundos após a confirmação do impacto dos chasers.

Excelente, pensou Marlon, ele é extremamente consciente do que está fazendo, o impacto dos chasers fará diminuir a velocidade do meteoro, o impacto dos torpedos destruíra o mesmo, a diferença de 05 segundos entre os lançamentos é a certeza de que os destroços serão pulverizados e destruídos, assim realmente aconteceu.

O impacto dos chasers foi tremendo, com a nave em dobra 11 o impacto conseguiu colocar um freio na velocidade do meteoro, o impacto dos torpedos fez o trabalho, a destruição do corpo espacial foi completa, a USS BRASIL passou por sobre a nuvem de poeira cósmica em que havia se transformado aquele meteoro 03 segundos após a sua destruição, o cálculo de velocidade de Karin havia sido perfeito.

- Oficial Karin informando senhor, ordens já cumpridas, o meteoro foi reduzido a cinzas, passamos por ela há pouco menos de 05 segundos.

- Computador, revogar alerta 01, Sr. Karin, excelente trabalho, eu o parabenizo pelo excelência do cálculo realizado.

- Obrigado senhor, em meu mundo costumamos deixar uma margem de segurança menor, aqui na nave resolvi aumentar a margem para três segundos, conforme instruções dos manuais da Academia Espacial.

- Senhor, primeiro oficial Dênis Batista gostaria que fosse incluído no diário de bordo sua discordância em relação á trava de todos os comandos da nave em virtude de alerta 01 senhor, poderíamos Ter sido destruídos.

- Computador, faça a anotação do primeiro oficial, Oficial Sílvia, retorne ao nosso curso, vá agora em dobra 12,5 precisamos repor o tempo gasto neste treinamento de armamentos.

A USS BRASIL lançou-se espaço afora com seu sistema como que travado na velocidade de dobra 12.5, Silvia havia, por conta própria chegado até 12.8, a nave respondia aos comandos de forma normal, isto já era um novo record de velocidade na frota estelar, e segundo informações técnicas a nave ainda poderia alcançar dobra 14 ou mais.

O resto da viagem transcorreu sem problemas.

- Data estelar 3.2.2.2 - finalmente chegamos á base Alfa II, a nave pousou suavemente em seu hangar naquela base, um posto avançado da Federação, aqui receberemos nossas novas ordens, Primeiro oficial Dênis desligando.

A recepção da nave na base foi cordial e formal, como sempre acontecia nessas ocasiões, o comandante da base, General do ar Armandillo nos deu as boas vindas em nome da Federação e nos indicou que as novas ordens somente seriam passadas no dia seguinte, inesperadamente a tripulação ganhou um dia de folga, algo raro de acontecer, Mecano aproveitou o tempo para dar uma checada em todas as máquinas o jarboriano e Karin ficaram na cantina da base bebendo enormes quantidades de bebida e comendo como um verdadeiro batalhão, quem tivera a idéia de reunir um jarboriano e um shyrtwaniano na mesma tripulação ? Lastra aproveitou para entrar em contato com sua família, a convivência familiar era algo muito arraigado no império Austri, Sílvia ficava na cantina flertando alegremente com os rapazes da base espacial e com membros da tripulação, ah esse juventude, apenas Dênis permaneceu em seu camarote, o primeiro oficial não era muito dado a convivências sociais, por minha vez fiquei com os oficiais da base até 22:00 h, tempo padrão, me recolhendo posteriormente ao meu dormitório, lá coloquei tudo em alerta 01 e recompus minha forma original, não que não gostasse da forma humana, mas para nós anderlechianos sempre era gostoso reassumir nossa forma física original, é claro que essa parte de minha fisiologia não era conhecida de nenhum humano ou povo deste lado da galáxia, sentia saudades de Anderlech, meu mundo natal, mas sabia que dificilmente o veria de novo, afinal 3 milhões de anos luz eram uma distância praticamente impossível de ser vencida pelos antiquados conceitos científicos dos seres deste lado da galáxia, até parecia que tinha sido há pouco tempo que minha nave havia entrado inadvertidamente em um buraco negro, nossos sensores estavam com defeito não conseguimos localiza-lo á tempo, nossa nave era de pesquisas, estávamos há cerca de 1 ano pesquisando este lado da galáxia, nossa nave era experimental, a primeira de meu povo a pular o grande abismo, acho que fui o único sobrevivente, nunca fiquei sabendo de mais nenhum anderlechiano neste setor da galáxia, meu módulo de sobrevivência reduziu minhas necessidades fisiológicas ao mínimo possível, quando aquela nave da Federação me localizou fui desperto pela nave e sondei a mente dos meus salvadores, acabei adotando o padrão físico de uma jovem tenente daquela nave que no momento pensava em seu namorado, meus dotes psíquicos me ajudaram a montar a imagem, a pobre tenente levou um susto quando apareci na frente dela com todo o charme e desenvoltura de seu namorado.

Uma das coisas ruins em ser um anderlechiano é com referência ao tempo de repouso, ficava horas e horas sem Ter nada que fazer, afinal não podia ficar andando para lá e para cá em minha forma original e na forma de Marlon iriam começar a perguntar se o capitão nunca dorme, seria difícil responder a isso sem levantar algum tipo de suspeita, o problema era nos momentos em que meu ciclo de sono se iniciava, quando estava em comando de alguma nave, como poderia explicar que precisava dormir pelo menos 120 horas seguidas?

Mas isso eram preocupações para quando chegasse a hora, no momento me preocupava com todo o mistério que envolvia essa missão, normalmente uma nave sai da doca com um destino certo e uma missão definida, essa aqui era um mistério em cima de outro mistério.

O dia seguinte me encontrou disposto, minha tripulação também parecia disposta e alegre, aquele dia inesperado de folga fez muito bem a todos(as), apenas Karin estava com uma cara não muito amigável, parece que havia perdido para o jarboriano quando começaram a disputar quem bebia mais, não me preocupei com isso, sabia que tanto Karin, quanto o jarboriano possuíam um sistema fisiológico que diluía o excesso de álcool em pouco tempo, àquela hora o excesso já estava diluído na fisiologia destes seres.

Fui chamado á sala do comandante da base, acabei solicitando que Dênis e Sílvia me acompanhassem, afinal eram meus substitutos imediatos.

Ao chegar lá já encontrei o General do Ar Armandillo e seus oficiais mais graduados, as ordens foram enviadas através de psicoholograma, somente a senha especial de Armandillo e a minha juntas conseguiriam abrir o lacre desta mensagem, eram medidas de segurança raras de serem tomadas.

Decodifiquei minha senha, e esperei Armandillo fazer o mesmo, imediatamente a figura do Almirante Porus se apresentou, Porus era comandante supremo da Frota Estelar naquele quadrante, algo muito estranho e talvez até perigoso aguardava meus homens nesta missão.

Porus foi suscinto nas informações, nos deu as ordens que deveriam ser seguidas tanto pela minha tripulação, quanto ao apoio que deveria ser dado pela base, ao sair percebi um misto de temor e desilusão nos olhos de meus dois oficiais, ninguém havia sequer conjecturado que nosso destino era aquele.

Nossa rota - Subquadrante Zeugma, missão, procurar as naves da Federação perdidas naquele setor do espaço.

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