CONJUGADO
Wagner Alvarenga
Desce ladeira
Quarto e sala
Pelo olho mágico
Vejo ladeira
Subo ladeira
O sino toca
Olho abaixo
Quarto e sala
Ando prá lá
Ando prá cá
Como sobreviver
Em buffes escassos?
L
Wagner Alvarenga
Núpcias de outono
Havia uma mulher em dúvida
Ou meu irmão ou eu
Nem com ele nem comigo
Um outro novo
Escolhido
SONHOS DE VERÃO
Wagner Alvarenga
Move o tempo em
Credências
Cadências de
Notas esparças
Ontem um luar
Sereno negrume
Vagar da madrugada
Entrando pela fresta
Casa sem portas
Gavetas vazias
Divina paisagem
Que o passado anuncia
Não esqueço
Nem perdôo
Vivo cada noite
Desalojado
CAMPO
Wagner Alvarenga
Existem flores no campo
E também o perfume da flor
O nome da mulher
Lotus
Nascida na lama
Fenix da noite
Uno fato
Maravilha no final dos tempos
Labaredas de fogo
Anjos de luz
Verbo de deus
Lotus
RAIOS DE LUA
Wagner Alvarenga
Noite caída
Eu lustro as palavras
Faço lua e luar
Doce névoa
Pombos revoados
Branquinhos
Flores silenciosas
Nem dizem por mim
Do meu bem querer
LAÇOS
Wagner Alvarenga
Meu olhar sombrio e noturno
É suspiro suado
Meu olhar sorridente
Camuflado
Misturo todos os perfumes:
Alfa
Vivências
Evidências
Sem me seduzir
Pela realidade
Busco a cor púrpura escondida
O som de trivela
Um chute - um gol
IARA
Para o Kiko
Wagner Alvarenga
Tudo passa em tempo lento
A parede amarela
Na memória
Escuta os segredos
No broto frágil
A flor grená
De natureza febril
Perde a cor
Vagos dias vividos
Em sonhos precários
Um corpo flecha
Lançado na dor
Açúcar mascavo
Amargo regresso
São telhas quebradas e o
Vendaval passou, deixando
Grafitados dias
Vaidade das vaidades
Tudo é em vão
Na sombra do tempo,
Tapetes molhados
De ácido sereno
Por erros carnais
GAIOLA
Wagner Alvarenga
Voa voa voa passarin
Voa voa voa serafin
Sua terra lá na mata
Tem beija e tem flor
Voa voa passarin
Voa voa até o fim
Sua mata tem lagoa
Sua gente tem calor
Voa passarin
Voa meu clarin
Seu canto é outro mundo
Seu rito majestoso
OVELHAS
Wagner Alvarenga
Vem o pastor
Seu cajado
Contador de nuvens
Besta faminta devora suas ovelhas
Bééééééééééeeéééeeééééééééééééé
OVELHA
Wagner Alvarenga
Verde é campo
Branco é ovelha
Alvo
Serena
MOVENDO MONTANHAS
Wagner Alvarenga
O erro de português
O erro de inglês
O erro do alemão
O erro do judeu
LINGUAGEM DERIVADA
Wagner Alvarenga
Falar sempre morre na memória
Palavras fáceis de dizer
Entre lobos e vadios fui criado
Comi a rua: grande manjar
Abelhas de mel em farta sobremesa
Um cavalo passando ligeiro
Na noite revoada de pássaros pardos
Clarão e relâmpago
Fazendo dormir minha natureza
NOVA ERA
Wagner Alvarenga
Corre manso o rio
Correntes de pensamentos
O som das esferas
Sincronia de novo tempo
FRUTO DO ENCANTO
Wagner Alvarenga
Nas poltronas macias
O filme do ODEON
Nos lábios da índia
O METROPOLE, já se foi
FILHOS DO SOL
Wagner Alvarenga
Fogo do sol
Liberdade conquistada
Lançando rede ao mar
Marujos pescadores de Alá
Praiamar
O mar também é sertão
Estrelas dos cactos
Areia do mar
Amor maltratrado
Ilusão da memória
Seu árido amor
Afogado em lágrimas
INSPIRAÇÃO
Wagner Alvarenga
Teu olhar sombrio
É suspiro noturno
Vaga na noite
Camuflado
Mistura de perfumes:
Alfa
Vivência
Evidência
A cor púrpura dos corpos
Incendeia a vergonha
Outro perfume:
Opium
PERSONA
Wagner Alvarenga
No espelho
Eu não sou eu
Sou outro
Estranho de mim mesmo
No espelho
Transparente pele
Olhos de brilho
O frio dos lábios
No espelho
Transcende o sono
A morte
Refletida
AP
Wagner Alvarenga
DUPLEX
TRIPLEX
FILET
ELES
Wagner Alvarenga
Tudo estava acabado
Chinelo molhado
Palavras avessas
Prerrogativas
Mulheres perdidas
Voláteis
Poderes passageiros
Mulheres da vida
A casa e o muro
Entre eles e elas
Um fundo quintal
Sem frutos ou flores
GOL DE LETRAS
Wagner Alvarenga
Partida começada...lance livre
Passe de bola
Bola na área
Gol
Gol de trivela
Bate pronto
Gol de falta e pênalti
Gol contra
O goleiro é camisa um
O atacante, camisa dez
Camisa oito pivô
Gol de letras
POEMA 62
Wagner Alvarenga
Nascimento
De outro mundo
Estrela de vênus
Vem
Soa o pop
Seu...
Todo
Sem fronteiras
E porque
Gera o filho
Novo rito
Amanhã
MEDICATÉIA
Wagner Alvarenga
Som
Ultra-sonografia dos corpos
Íntima coreografia
Outros corpos imersos
Dentro do vendaval, alcatéias
Lobos adrenalínicos
Mordem minha alma
Taquicardias sinusais
Abro livros antigos
Encontro a receita certa
Para o que sofre e é só memória
Lembrança do que não foi
MUNDO
Wagner Alvarenga
Busco no mundo
Teor das alturas
Alegres figuras
No fundo do mar
E tudo do mundo
Te faz encantar
Nos leitos do rios
Arariboias sombrios
COMUM DE DOIS GÊNEROS
Wagner Alvarenga
Entrou em transe
alcoólico
Somou taças de vinho
na mão
Consolidou o tempo perdido
vermelho
Marcou seu coleante cáos
cicatriz
Navegou ao bel prazer
Gozou a favo e mel
Abelha desesperada
Pista única
CACTOS
Wagner Alvarenga
O amor embala o fruto
Seu filho imaturo
Em festas ciumentas
Riachos de tormentas
Um sopro acontece
E tece a vida contida
Brilhando a foto da memória
E o espírito enternece
Cactos de verdes desertos
Na pele fina
Crava sua branca flor
Mareja seu ultimo espinho
VAIDADE
Wagner Alvarenga
açúcar mascavo e pinga salina
amargo regresso...
são telhas quebradas e o
vendaval passou deixando
grafitados os dias
vaidade das vaidades
tudo é vaidade
na sombra do tempo,
tapetes molhados de
ácido sereno
por erros carnais.
VOZES
Wagner Alvarenga
aveludadas vozes
canções matinais
marquizes
marginais
bate o pé na fome
catálogo de fotografia
viagem vaga na noite
do cafezal selvagem
profundo mistério de ser..,
escritas bizarras
denunciam falta a ter
em gritos de araras.
LAÇOS
Wagner Alvarenga
teu olhar sombrio na calada da noite
é suspiro noturno
outro olhar sorridente
camuflado desde a Calábria
mistura perfumes
alfa
vivências
evidência
a cor púrpura escondida nas telas
produz um som de trivela
o homem mora no seu soneto
e a vida sonha até nos escombros.
POESIA DE RUA
Wagner Alvarenga
Perdi uma palavra
podia ser ela apalavra
mágica palavra
perdi uma palavra a mais
O vôo razante
o asfalto frio
uma ausência profunda
recolhimento em tantos silêncios
Talvez o meu recreio
meu caminhar parado
minha medicação
Contando passos retilíneos
sempre passo a passo
na língua
VIDA
Wagner Alvarenga
Quanto mais a garoa tece
Tanto mais a garota desce
DECLARAÇÃO
Wagner Alvarenga
Teu abraço quente
Sabe tanto
Quanto sabe
A uva quieta
Na parreira
EXITE
Wagner Alvarenga
Há um rio, um negrume
Tudo que você queria
Faca de dois gumes
Vício fatal
Fim de noite na estrada
No deserto de murmúrios
Alvoroçado beijo
Por cima, amor primeiro.
RÉDIA
Wagner Alvarenga
Seios matinais...
Meu reino está além mar.
Oh mãe gentil!
Revoada de pombos.
Sou o homem
Que mora em seu soneto.
INTERCURSOS
Wagner Alvarenga
Orgônios temporários
De tardes suarentas
Refúgios e crepúsculos
Com damas de xadrez
Pomares abundantes
No doce da fruta sonhanda
O veneno mais que perfeito
A culpa sempre escarlate
No negrume das sombras
O avesso da cabra
Cega volúpia
De bestial impulso
ROCHA VIVA
Wagner Alvarenga
Lua do meu segredo
Rochedo dos meus silêncios
Guardo besteiras
Pote de surpresas
Lembranças antigas
De tolas maneiras
No peito uma razão
Bandeirolas
Estandartes
Brumas para o coração
SOLUÇÃO
Wagner Alvarenga
Nesse brilho voraz pereço
Meu pensamento me devora
Uma culpa sem endereço
Do crime que me arvora
Ouço a voz que me acusa
O canto da musa
No quarto fechado
SEREIAS
Wagner Alvarenga
Na cidade vazia
Onde estão os homens de boa fé?
Meu pai joga gamão
Ninguém de prontidão
Decifro enigmas...
Coisas fáceis ou não
Amando na gleba celestial
Brancas gaivotas
Espumam mares e sereias
NESTA ESTRADA
Wagner Alvarenga
Noite lente
Pequenuras banis
Amanhecem nos meus olhos
Viagem vaga
Prazer metalinguistico
Senhor do Brasil
Marinheiros da velha babel
Comunhão de almas
Minha palma
FLAGRA
Wagner Alvarenga
Na esquina labareda
Seus sonhos cansados
Fazendo da noite
Um rito e um traço
Segredo secreto
Na luz da noite
Postura ereta
A erva matuta
Invenção e brinquedo
Proibido que seja
Alucina meu peito
Açoita meu juízo
AURORA
Wagner Alvarenga
Aurora vida pulsa
No destino e no altar
Velas acesas no castiçal
Violento vendaval
Tufão
Furação
Florestas rasgadas
O gado prontidão
Na rua, cortejos de pedra sabão
Congonhas do campo
Medo e solidão
SELO BRASILEIRO
Wagner Alvarenga
Mulheres donzelas
Falam do fruto da vida
Mas
Comem maçãs
Mulheres robustas
Todas a luta
Mulheres rendeiras
Amam a vida inteira
Ciranda nos quartéis
Mulheres fardadas
Protela na noite
O filho sentinela
A guerra acabada
Suada a gravata
Conquistou territórios
E a Deus farejou
POESIA DE RUA
Wagner Alvarenga
Havia uma palavra na rua...
Perdida palavra
Podia ser a palavra
Mágica palavra
Perdi uma vez mais
O vento na palavra
O vôo razante
No asfalto frio
Sem o dito possível
Mais uma noite muda
Talvez seja o meu recreio
Meu passo parado
Minha hesitação meditada
Contando passos retos
Passo a passo ao luar
Esperando o texto indecifrável
Meu enigma
HOTEL FAZENDA
Wagner Alvarenga
Porcelana é a xícara
Leite e mel
Pó vermelho
Estradas inteiras
Arbustos noturnos
Alfaces na mesa
Tomates verdes
Alamedas inteiras
Grutas nascentes
Pulverizadas a prata
Água da vida
Rios inteiros
VIOLETA
Wagner Alvarenga
Chama rosa
Flor de algodão
Ardente
Floração
Verde relva
Violetas de barro
Sonolentas
Bárbaras
Sobe rua
Desce ladeira
Vida lida
Pergaminosa
ANJO BRANCO
Wagner Alvarenga
Cabe uma blusa
No corpo frágil
Lapidada pedra
Ouro vulgar
Nome de anjo
Estrela cinzenta
CEDO
Wagner Alvarenga
Manhã de galos
Brisa anunciando a briga
Maritacas cantando
Depois o dia quente
O sexo faminto
A tarde molhada
O canto da coruja
A noite branca
A janela fechada
O desassossego
Vivente
PARTIDA
Wagner Alvarenga
Sairei feliz
Por sair
Vou a algum lugar
Por aí
Voltarei feliz
Mesmo assim
Imensidão azul
Neste lugar aqui
Profundo mistério
Sair
Voltar
Ser
ESTRELADO
Wagner Alvarenga
Fonte de luz
Ladeira clara
Evidência de fantasia
Lenta noite de sábado
O mundo gira as fadas
Ascende a madrugada
No lençol azul
De amor maduro
A colheita tatuada
Nódoa de banana cortada
Sombra de rico formato
Em vida alucinada
PROPÓSITO
Wagner Alvarenga
Filha da terra
Um sopro
Herda semente
Um enigma
Filho da terra
Herda do tempo
Tétrico caos
Testa seu fruto
Na simplicidade
CERTO
Wagner Alvarenga
No meio da solidão
Sou eu diminuído
Isolado
Quando muitos
Afastados
Sou eu
Desconhecido
Dividido
Gêmeo de mim mesmo
Sou vários
Múltiplo
Pensando mar
Além de tudo
Efêmero
Mais brisa
No encontro brutal
Com o que não sou
PORTA CHORA
Wagner Alvarenga
Choro pelo olho mágico
Um rio de lágrimas
Em Copacabana
Sou água viva
Sal quente e solar
Sou roda e mar
Pacífico-audaz
Sou terra e paz
A onda invade a porta
Cristas e vendavais
Solitária paisagem
Chuvarada
PEQUENOS
Wagner Alvarenga
Pequenos versos
Merece o tempo
Momento
Monumento
De emoções transitórias
BRILHA
Wagner Alvarenga
Vejo brilho no horizonte
Belo como as virgens
Cidade de montes
Vila rica
Estradas antigas
De charretes e cascalhos
Passaram tantos
Encontros duradouros
Minha pele transparente
Faz pulsar o coração
Face a face
Com Marília
DEDO E ANEL
Wagner Alvarenga
Entrego corpo e alma
Para ter liberdade fecunda
Seu corpo me faz rima
Mata minha sede
Leva meu anel
SORTE
Wagner Alvarenga
Dama de espada
Em cruel cartada
Promete sorte entre
Encantos e catres
Aragão olhou no decote de Clarice
Viu seu destino se abismando
Não viu o olho opaco de Clarice
Aragão se ofereceu ao seu mando
Dama de catre
Com espada cruel
Atinge o valete
Em fatal prazer
RITMOS DA NOITE
Wagner Alvarenga
Poesia fria
Brota no meio do caos
Meiga e suculenta
Avarenta
Poética
Fática
Metalinguística e maquinal
Senhora da alvorada
Patética
Nem diz, é só
Leão de safari
Boca de chafariz.
VIA SACRA
Wagner Alvarenga
Manhã tem
Vai
Tarde tem
Vai mais
Noite vai
Vem
Manhã vai
Vem mais
Tarde vem
Cai
Noite vem
Cai mais
NOVA ERA
Wagner Alvarenga
Ressoam sinos e cânticos
O universo vibra aquarius
Projetos objetivos
Retomam seu lugares livres
Manso rio
Corre indiferente