SOBRE A GUERRA CIVIL AMERCANA

Uma das práticas mais condenáveis no metier do historiador é fantasiar sobre o passado. "Se" não existe em história. Criar hipóteses de que as sociedades seriam desta ou daquela forma se um determinado evento não tivesse ocorrido significa abrir mão do parco estatuto de cientificidade que ela carrega (tem historiador que acha que história não é ciência, mas isso é outro assunto). Mas como boa brasileira, fiquei pensando se a história do reino da coca-cola e dos hambúrgueres tivesse sido diferente, como estaríamos hoje. Pura falta do que fazer. Quem não gosta nem um pouquinho de história, o mínimo que seja, pode parar por aqui; visite o site da revista Caras que vai ter mais proveito.

Para acabar com os Estados Unidos, acho que o momento certo teria sido a Guerra Civil Americana. E se essa guerra tido outro desfecho? Se, ao invés do norte, formado de pequenos proprietários, com grande potencial para a mecanização, baseado no trabalho livre, o Sul tivesse ganho a guerra? Aquele Sul, que se desenvolvia de uma forma que nós brasileiros conhecemos tão bem, baseado no trabalho escravo, no latifúndio monocultor de algodão. Não poderíamos mais falar em sul dos Estados Unidos da América, quando nos referíssemos a estados como o Texas, por exemplo, porque estaríamos falando de um novo país, os Estados Confederados da América. O mundo deixaria de ter apenas um país sem nome, e passa a ter dois (já pararam para pensar que "Estados Unidos" não é nome de país?).

Os Estados Unidos da América, teria tido grandes perdas materiais e humanas durante a guerra civil, afinal, na minha imaginação, perdeu a guerra. Seria um país arrasado. O "destino manifesto" teria se desenvolvido de maneira contrária, pois não só não conseguiria manter a união com o sul como também perderia todas as possibilidades de conquistar novas terras no oeste, pois os Estados Confederados da América as anexaria rapidinho.

Dessa forma, os EUA seriam, no fim da década de sessenta do século passado, um país sem nenhum atrativo para a grande potência econômica da época (Inglaterra), pois sua produção não era voltada para a exportação de matéria-prima; da mesma maneira, a produção de bens manufaturados também não apresentaria o mesmo vigor de antes da guerra. Os EUA, praticamente, não teriam com quem comercializar seus produtos.

Os Estados Confederados da América, em contrapartida, sairiam da guerra bastante fortalecidos. Conquistariam a maior parte todo o Oeste, além de anexar regiões como Kentucky e o Missouri; esta grande extensão de terras se prestaria muito ao tipo de agricultura em que estava baseada a economia do hipotético país: a monocultura, em grandes propriedades, com trabalho escravo, para a exportação, principalmente de algodão, produto muito apreciado pelas manufaturas inglesas.

Os Estados Unidos da América, passariam por período da reconstrução, em que teriam que adequar sua economia diante do cenário mundial. Sem uma indústria própria fortalecida, a base de sua economia passaria a ser a agricultura, em pequenas propriedades, para a exportação, buscando cada vez mais se espelhar no seu mal engolido vizinho.

Ainda que base da economia dos EUA fosse se assemelhando cada vez mais à dos ECA, jamais conseguiria chegar ao mesmo volume de exportação deste país, já que este último teria muito mais tradição na produção de matéria-prima para a exportação, além de possuir uma extensão de terra praticamente três vezes superior aos EUA.

Já é possível perceber que, em minha mente, os Estados Unidos iriam de mal à pior... Mas as coisas podem piorar ainda mais. Vou fazer um "salto" histórico e descrever a participação dos dois países na Segunda Guerra Mundial e a conseqüente posição que esses países passam a ocupar no cenário mundial. Já adianto aos leitores que, no meio desse salto que dei teve a Primeira Guerra Mundial, e os Estados Unidos, esse país já tão debilitado, teve de subordinar-se ainda mais às potências européias.






A PARTICIPAÇÃO DOS DOIS PAÍSES NA 2ª GUERRA MUNDIAL

Durante a Segunda Guerra Mundial, os dois países tomariam posições divergentes. Os Estados Unidos da América, pressionados pela Inglaterra, adeririam ao países aliados. Na verdade, este país não poderia ter grandes pretensões na nova definição dos mercados mundiais, pois ele próprio se constituíria um mercado inglês (Só para constar: as guerras mundiais, nada mais foram do que o último recurso para resolver as crises do capitalismo, redefinindo seus mercados).

Os Estados Confederados da América, ao contrário, iriam paulatinamente diminuindo a dependência que tinham da Inglaterra, principalmente apos à 1ª Guerra Mundial. Contudo, os europeus passariam a perna na gente, não reservando uma boa "fatia" aos nossos mercados com o fim da Primeira Guerra. Portanto, na Segunda Guerra, tanto o Brasil quanto os ECA, se aliariam aos que perderam a Primeira: Alemanha, Japão e Itália.

Estes países (Brasil e Estados Confederados da América), contudo, não representariam um grande ganho para os países do eixo, pois seu poderio militar era bastante limitado. Na verdade, apenas obstaculizariam o avanço dos países aliados, devido à posição geográfica estratégica que esses países ocupavam.

As grandes potências mundiais, Inglaterra e União Soviética, conseguiriam derrotar os países do Eixo e, a demonstração da superioridade bélica desses países culminaria com o ataque à Memphis, no Mississippi e Chattanooga, no Tenesse, em agosto de 1946, com uma bomba atômica de fabricação soviética.

Após este episódio, a guerra chegaria ao fim, e o mundo seria "retalhado" entre as potências vencedoras.

A partilha seria desigual. A União Soviética sairia como a grande vitoriosa desse confronto, cabendo-lhe os territórios mais importantes do globo.

Aos Estados Unidos da América, não cabe nenhum território na nova configuração mundial, por tratar-se de um país periférico do mundo capitalista. Mas cabe-lhe uma baita crise econômica e uma subordinação sem precedentes da Inglaterra. Tanto que, alguns anos mais tarde, seria o primeiro de uma série de países a instalar uma ditadura militar sob as ordens de Londres.

Na Europa, a região Leste é dominada pela URSS. A Itália passa a ser zona de influência da Inglaterra e França, enquanto a Alemanha é zona de influência soviética. Na Ásia, o Japão é dividido ao meio entre o mundo capitalista e socialista.

Na América do Sul, o Brasil é dividido em quatro partes, sendo que o mundo capitalista ficou com o Nordeste (França) e parte do Centro-Oeste e do Sul (Inglaterra); o mundo socialista (União Soviética) fica com a região amazônica e o sudeste. O restante da América do Sul é dividida entre França e Inglaterra. Contudo, no hemisfério norte, Os Estados Confederados da América passa a ser controlado pelo mundo socialista, mantendo o desequilíbrio que pôde ser percebido no resto do mundo.

É,na minha imaginação arrasei com os Estados Unidos, mas não vi outra forma de fazer isso senão nos colocando ao lado dos nazistas na Segunda Guerra; uma possibilidade que nem foi tão distante, afinal de contas, Vargas teve uma quedinha pela suástica.

O grande problema é que dei tanto poder à Stálin e não consigo pensar numa forma de tirá-lo; talvez faça o Trotsky escapar do atentado e fugir para a Colômbia, organizar uma guerrilha camponesa, que lá já estava prestes à explodir e retirar o poder das mãos do ditador sanguinário... realmente prefiro o Comandante Che no poder, espalhando seu humanismo revolucionário aos quatro cantos; o problema é que burocracia não é a praia dele e ao se deparar com o monstro burocrático criado por Stálin ele provavelmente teria a maior crise asmática de sua vida...



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