O pequeno quarto era clareado pela luz do sol que batia de encontro às folhas de papelão grudadas à janela e permitiam que a luz passasse através dos largos espaços entre uma folha e outra.
Justino dormia com a cabeça encoberta com um lençol branco que não ajudava muito na tarefa de protegê-lo da claridade que inundava o quarto.
Mário permanecia sentado à beira de sua cama. Pigarreava, tossia, na tentativa de trazer Justino de volta de seu sono profundo.
Ele tinha sono pesado. Sempre conversavam pela manhã, coisas das quais Justino não conseguia se lembrar do conteúdo. Falava dormindo, às vezes chegava mesmo a sentar-se na beirada da cama, conversar por alguns minutos com Mário e depois retornar ao sono. Mais tarde, ao ser indagado sobre a conversa da manhã, não conseguia lembrar-se de nada.
Mário tinha que retornar à casa, sua esposa já deveria ter acordado. Ele questionava-se ainda por quanto tempo conseguiria manter aquela situação, aquela vida dupla.
Amava Josie, amava seus filhos, mas também sabia que amava Justino e haveria de tomar uma decisão.
Não conseguia mais manter relações sexuais com a esposa. Ela também não parecia fazer muita questão de que isto acontecesse. Indagava-se se ainda a amava.
Como era possível amar alguém sem sentir tesão por esta pessoa? Seria aquele o amor dos padres? Havia conhecido um padre em sua adolescência. Chamava-se Padre Adélio e estava a pregar a palavra de Deus pelo interior da Bahia, mas a relação que havia tido com Padre Adélio não era de forma alguma platônica - recordava-se.
Havia conhecido Justino na colheita de 1980. Todos os moradores aglomeravam-se de madrugada na praça central da cidadezinha para esperar o pau-de-arara. O caminhão velho os levava até a fazenda da família Matoso e lá passavam todo o dia a colher na roça.
O sol quente castigava a pele marrom de Mário. De quando em vez uma senhorinha miúda e curvada levava até eles uma jarra com água para que pudessem recuperar o líquido perdido através do suor.
A mulher Joselina - ele a chamava de Josie - trabalhava com o filho mais novo preso à cintura por um arreio de cavalo junto das demais mulheres.
Era uma época difícil. Todos na cidade precisavam daquele trabalho. Tinham sorte de ainda terem trabalho. A seca maltratava o nordeste, só os fazendeiros prestigiados, conhecedores e privilegiados pela técnica da irrigação, não haviam sucumbido.
Justino também era casado. Sua mulher, Lindaura, estava na casa dos pais com o filho recém nascido.
Tinha apenas 6 meses de vida o pequeno Júnior, filho de Justino. Estava muito doente, teve um febrão que o Seu Tonho da farmácia não conseguira curar com as ervas e antitérmicos de que dispunha. Lindaura levara a criança para ser tratada em Salvador, a 400 quilômetros da pequena cidadezinha onde viviam.
Com a desculpa de fazer companhia ao amigo, que andava cabisbaixo com a ausência da mulher e a doença do pequeno Júnior, Mário dormia na casa do "amigo" de vez em quando para lhe fazer companhia.
Paravam de trabalhar por volta das 5 da tarde e todos os homens iam até o lago próximo à fazenda - um dos poucos que ainda não haviam secado totalmente - para se banharem.
Ao terminarem, tomavam conta dos filhos para que as mulheres fossem ao banho.
Naquela tarde Mário e Justino resolveram ficar um pouco mais no lago. Era véspera de Natal e o patrão os havia liberado do trabalho após o almoço.
Ele e Justino brincavam na água barrenta do lago como dois meninos.
Mário tinha 24 anos, já estava casado fazia 3 anos. Conheceu Josie em uma festa junina numa cidade próxima ao vilarejo em que morava. Como os pais de Josie eram muito religiosos e os haviam flagrado em fase adiantada de uma relação sexual - não tiveram outra escolha - casaram-se 3 meses após terem se conhecido.
Seis meses depois nascia a primeira filha do casal, Joseana, seguida por Josiano no ano seguinte. Josie e Lindaura eram amigas e Josie se preocupava com a doença de Júnior. Dizia a Mário que aquilo não era vida de gente, que queria um dia sair da roça e viver na cidade onde seus filhos teriam acesso à escola e às vacinas.
Ela não se conformava com a quantidade de crianças que morriam naquele vilarejo, onde não havia médico ou medicamentos disponíveis à pobre população.
Mário prometia à Josie que um dia sairiam dali e iriam viver em Salvador, mas teriam antes que ter dinheiro para isso.
Mário e Justino divertiam-se a falar de suas épocas de infância e da excentricidade de suas mulheres.
Justino era apenas um ano mais velho do que Mário, tinha 25 anos. Moreno, alto e magro tinha um sorriso branco como giz e a voz rouca de menino tímido. Queixava-se de Lindaura, dizia que a mulher era fria como pedra na cama e reclamava sempre que ele a machucava durante as relações sexuais, arranjando sempre uma desculpa para não transarem.
Ele dizia a Mário que não entendia como ela havia engravidado. Em suas palavras, a bicha era tão fria que ele duvidou que um bebê pudesse ter sido gerado dentro daquela frieza toda.
Mário sorria da franqueza do amigo e admirava sua beleza iluminada pelo sol do meio-dia.
Meio sem jeito perguntou ao companheiro:
-Você bate nela?
-Eu não rapaz! Tá doido? Eu não bato em muié não! Meu pai batia muito na minha mãe e eu nunca vou perdoá o desgraçado por isto!
-É que você disse que ela reclama que você machuca ela.
Justino não conteve o riso.
-Ela reclama que meu negócio é muito grande - disse Justino meio sem jeito.
-Oxente! Grande? Isso aí?
Ambos tomavam banho nus e Mário já havia visto Justino nu várias vezes no lago. A água era barrenta mas às vezes Justino saltava e pulava, proporcionando a Mário toda a visão daquele corpo que cobiçava.
-É que agora tá mole né rapaz? As aparência enganam.
Mário sabia que poderia se arrepender daquele ato pelo resto de sua vida, mas não conseguia conter o tesão que sentia por Justino. Aquela conversa era a deixa pela qual esperava havia semanas.
Aproximou-se de Justino, agachado sob a água. O rapagão devia ter quase um metro e oitenta e Mário era baixinho, media um metro e meio no máximo.
Acariciou as coxas de Justino levemente como se passasse a mão naquela região de forma desapercebida, como se houvesse errado o alvo sob a água de cor marrom.
Justino ficou pálido, estava em pé e sentiu suas pernas tremerem. Olhou para os lados, não havia ninguém ali, só eles dois.
-Que é que você tá fazendo rapaz?
-Ora! To vendo se a coisa é assim tão grande mesmo. Você se incomoda?
-E se aparece alguém Mário? Nossas mulhé?
-Você tá preocupado da gente ser visto? Então tá gostando?
Justino fechou os olhos como se não quisesse acreditar naquilo que estava acontecendo. Nunca homem adulto algum havia lhe tocado. Gostava da sensação da mão grossa de Mário a acariciar-lhe a coxa. Fechou os olhos e desejou que o amigo parasse, porque já começava a se excitar com a brincadeira.
Recordou-se das brincadeiras de criança com os colegas da roça. Tomavam banho no rio e sempre que tinham oportunidade faziam apostas nas quais o perdedor era obrigado a deixar os outros garotos colocarem o pênis em meio às suas coxas, sem maiores prejuízos - lembrava-se - gostaria de ter ido até o fim com alguns deles. O Zézinho e o Neguinho tinham uma bunda bonita e lisinha, mas nunca o deixaram colocar seu enorme pênis dentro deles - lamentava-se em seus pensamentos.
A lembrança das traquinagens de menino e a sensação de ser acariciado por Mário começavam a excitá-lo ainda mais.
Mário estava agachado sob a água. Se alguém aparecesse, tudo o que poderiam ver era um baixinho ajoelhado e um grandalhão em pé coberto pela água até a cintura.
Ainda de olhos fechados, sentiu Mário a deslizar os seus dedos ao redor de seu membro.
-Mário, não brinca assim comigo! Nóis somo casado rapaz!
-E daí? Não tamo traino nossas mulhé, a minha mulhé sempre diz que não quer me ver enrabichado com outra, então não é traição! Relaxa!
Mário sentiu o membro de Justino a responder-lhe às carícias. Começava a pulsar em sua mão esquerda e a crescer, inevitavelmente. Mal podia acreditar no que tinha em mãos, era muito grande mesmo, devia medir uns 23 centímetros. Não podia ver o pênis sob a água barrenta, mas podia senti-lo a pulsar em sua mão esquerda.
Puxou Justino para a beira do lago, sob a sombra da jaqueira. De lá tinham uma visão ampla do terreno e poderiam perceber a aproximação de alguém.
Justino tinha as pernas trêmulas e com a voz nervosa disse a Mário:
-Sujeira rapaz! Todo mundo já foi e nossas mulhé vão desconfiar da nossa demora!
-Fica calmo, daqui eu vejo se alguém aparece.
-Eu vou sair.
-Deste jeito? - disse relembrando Justino do enorme pênis que se fazia ereto sob a água.
Justino corou e nada respondeu. Mário o puxou para a margem, próximo ao pé de jaca, em posição em que o pênis de Justino já não mais se encontrava submerso. Não saíram totalmente do lago, caso alguém aparecesse, tudo que teriam a fazer era das alguns passos de volta e o membro de Justino estaria novamente encoberto pela água.
Mário não podia acreditar no que via - as aparência realmente enganam! - deixou escapar em voz alta.
Olhou para os lados certificando-se de que realmente não havia ninguém ali e começou a masturbar Justino vagarosamente. O rapagão não o olhava nos olhos, olhava para o céu, para o alto da jaqueira, como a querer disfarçar que aquilo tudo não estava a acontecer.
Mas a sua natureza não o deixava mentir. Mário sentia o pênis grosso e imenso de Justino a latejar em sua mão esquerda, com a qual fazia movimentos leves de vaivém no amigo.
Justino arriscou uma olhada no amigo. O sol quente daquele dezembro batia na face de Mário que tinha uma expressão safada. Ele nunca havia visto aquela expressão no rosto do amigo.
Um outro Mário se desnudava à sua frente - e ele gostava disto - já não podia mais conter o gozo.
Mil pensamentos vinham à mente de Justino naqueles segundos, minutos que se passavam. Não conseguia deixar de se lembrar das brincadeiras sexuais da infância e da vontade de penetrar um macho como Mário. Admitiu para si mesmo naquele momento que achava o amigo meio estranho, mas jamais lhe tinha passado a idéia de que fosse bicha - afinal de contas era casado e tinha dois filhos.
Admitiu para si mesmo que nos banhos que tomavam no lago, havia arriscado umas olhadas na bunda de Mário, a qual lhe atraía decerto. Imaginou-se a forçar-lhe a entrada do ânus com sua longa e grossa ferramenta, e foi com este pensamento que seu esperma jorrou por entre os dedos de Mário.
Mário percebeu que Justino já estava chegando ao orgasmo e começou a gemer independentemente da situação perigosa em que se encontravam. Masturbava-se com a mão direita sob a água.
-Goza Justino, goza que eu também to...
Justino deu um banho de esperma na água marrom do lago e sentiu as vistas escurecerem. Ajoelhou-se na água de frente para Mário e ergueu a cabeça de encontro ao sol que batia em seu rosto. Respirava ofegante e não teve coragem de olhar para o rosto de Mário, que também não fez menção de dizer coisa alguma.
Justino saiu do lago e foi de encontro à Lindaura que o esperava impacientemente ao lado de Josie, que balançava Josiano nervosamente a chorar pendurado à sua cintura.
-Que que houve homem? Se perdeu mais o Mário foi?
-A gente agarrou no papo, se esquecemo da hora, ele já vem aí.
-Nóis tava esperando vocês, mó de dá banho nas criança homem! Que coisa!
-Parece que vocês dois vive no mundo da lua! Hoje é véspera de Natal, se esqueceu que vamo pra casa da minha família em Salvador? Nóis mais eles passar o Natal com nossa família? Se a gente não pegá o ônibus das quatro a gente só chega lá depois do Natal Justino!
Justino lembrou-se que haviam convidado Mário e Josie para passarem o Natal com eles na casa dos sogros em Salvador. Os pais de Josie haviam morrido em um acidente de ônibus na estrada um ano após terem se casado, e Mário só tinha mãe que havia se mudado com uma irmão mais velha para São Paulo, não a via fazia anos já. A ultima vez em que a havia visto foi quando de seu casamento com Josie.
Durante vários dias Mário e Justino só se falavam na presença de outras pessoas. Assim foi na noite de Natal e por mais alguns dias.
Na noite de Ano Novo todos foram à festa na praça central da cidadezinha e beberam até de madrugada.
As mulheres voltaram para casa com os filhos e os homens ficaram a conversar madrugada adentro. Justino e Mário não se falavam, só se olhavam de quando em vez. Por volta das 3 da manhã, Mário entregou um pequeno pedaço de papel a Justino. Ele foi até o banheiro do boteco em que estavam e no reservado leu o bilhete que dizia em garranchos:
"Preciso conversar com você, hoje ainda 4 horas lá no pé de jaca na beira do lago"
Quando Justino retornou à mesa do boteco, Mário já havia se ido. Perguntou aos amigos sobre Mário e eles disseram que ele já tinha ido embora.
Ele imaginou que Mário já havia se encaminhado ao local e lá o esperaria. Esperou mais meia hora a bater papo com os amigos e se retirou dando a volta na praça para que não o vissem seguir na mesma direção na qual Mário havia provavelmente seguido.
Chegou ao lago, olhou no relógio, eram 3 e 50 da manhã. Não viu Mário, ficou a esperar. Olhava a lua cheia no céu a iluminar o lago que tinha a água negra como o céu e refletia a luz do luar.
-Justino, eu to aqui.
-Mário? Onde?
-Aqui! Atrás da jaqueira!
Justino andou até a jaqueira e viu Mário encostado atrás da mesma.
-Feliz 81 pra você - disse mostrando uma garrafa de sidra ao amigo e segurando dois copos de plástico.
-Onde é que você arrumou isto rapaz? Não acha que já bebemo muito por este ano?
-Trouxe lá do boteco do Mané. Ele tava tão bêbedo que nem viu eu pegá a garrafa detrais do balcão.
Mário abriu a garrafa que pipocou com a pressão feita pela sidra. A espuma jorrou na barriga de Justino, que tinha a camisa aberta. Ele desculpou-se e começaram a conversar e a beber até terminarem a garrafa.
O mundo girava, a lua também, ambos podiam sentir a rotação da terra a olhos nus.
Mário abraçou Justino fortemente. Era bem mais baixo do que Justino, sua cabeça encostava-se ao peito de Justino.
-Você tá arrependido? Nem me olha mais de frente.
-To envergonhado do que aconteceu entre a gente.
-Você não gostou? - Mário perguntou afastando-se.
-Gostei sim, claro que gostei. Mais me sinto culpado pelas nossas esposa.
-Pela minha eu não me sinto culpado. Ela nem gosta de transar, acho que é um alívio pra ela. Desde que eu tive com você, nunca mais toquei nela.
-Na minha eu não toquei porque ela também não quer. Sempre com aquela história de que eu machuco ela.
-Então Justino, que mal tem isto? - perguntou aproximando-se novamente do amigo.
Abriu-lhe a camisa e começou a lamber-lhe o peito que tinha o gosto da sidra por ele derramada. Sugou-lhe os mamilos e desceu em direção à braguilha abrindo a fivela do cinto de couro de Justino que já não conseguia mais conter a ereção que sentia.
Mário deitou Justino sobre a grama seca que beirava o lago e livrou-se das roupas que vestia tirando também as roupas de Justino que não fazia um movimento sequer para impedir a ação do amigo.
Mário puxou-lhe a calça pelos pés arrancando-lhe as sandálias de couro que calçava. Voltou com a boca para o membro duro de Justino e começou a chupar seu imenso membro com a vontade de um bezerro faminto. Despejou a pouca sidra que restava em seu copo sobre o membro de Justino que gemeu ao contato com o líquido gelado. Levantou o pescoço e olhava com tesão Mário a sugar-lhe o pênis com muita vontade e sem nenhuma culpa.
-Mulher de sorte a Lindaura.
-Ta louco homem? Falar na minha mulhé agora?
-Desculpa, é que você disse que ela não agüentava isso tudo. Não sabe o que tá perdendo!
-E você agüenta?
Justino não respondeu; agiu. Pôs-se de cócoras sobre o amigo a gemer sob o luar do sertão e de súbito sentou-se sobre o seu membro latejante.
Justino sentiu o ânus apertado e quente a circular-lhe a glande e fez força com o corpo para cima.
-Não se mexe - disse Mário - devagar a gente consegue, eu cuido disto.
Mário sentou-se sobre o pênis de Justino e sentiu aquele naco de carne a invadir-lhe as profundezas.
Sentiu um pouco de dor e retirou-o de dentro, na tentativa de relaxar e dilatar os músculos.
Tentou novamente e novamente e na terceira tentativa podia sentir os testículos de Justino a tocar-lhe as nádegas.
Justino sentiu um prazer imenso sem mover-se. Era diferente, diferente de tudo que havia experimentado até então.
-Tá gostando? Pode se mexer agora, sou todo seu! - disse Mário com um sorriso de satisfação nos lábios.
Ainda de cócoras sobre Justino, Mário fazia rápidos movimentos de sobe e desce sobre o amigo e não sentia dor alguma, só um prazer que queria que não tivesse mais fim.
Abaixou-se curvando-se sobre Justino e segurou-lhe o pescoço. Podia ver seus grandes olhos negros arregalados e iluminados pela lua azul daquela noite. Teve vontade de beijá-lo , mas temeu não ser correspondido.
Justino sentia que ia gozar e abraçou Mário com seus braços longos e finos apertando-o de encontro ao seu corpo. Sentiu o rosto de Mário e a barba por fazer a roçar-lhe o rosto liso e bem barbeado. Gostou daquela sensação, fechou os olhos e inseriu violentamente sua língua na boca de Mário. O mesmo retribui-lhe o beijo com furor e beijaram-se longamente.
Mário abafava em sua boca o gemido do gozo de Justino e sentia-lhe o pênis a latejar em jorros de esperma dentro de si.
Sem tirar Justino de dentro de si deitou-se ao seu lado e ficaram por alguns minutos a admirar o luar azul daquela noite.
-Foi bom?
-Demais! Mas você não gozou né?
-Põe a mão aqui.
Justino não moveu a mão mas Mário a levou até seu pênis que estava semi ereto e completamente banhado de esperma.
-Você gozou sem se tocar?
-Viu só o que você faz comigo?
-Eu não te machuquei?
-Nem um pouco meu lindo. Posso te chamar assim?
Meio sem graça Justino respondeu que sim, e temeu pela realidade. Estava gostando de Mário, apaixonava-se por um homem, como ele...e era muito bom aquele sentimento.
-Pelo menos você não vai ficar grávido - disse Justino dando um sorriso tímido.
Mário retribuiu-lhe o sorriso e o abraçou. Ficaram juntos até as 6 horas da manhã quando o sol nasceu e retornaram às suas casas.
Mário contou a Justino que no dia em que estiveram juntos pela primeira vez no lago, Josie lhe disse que como demoravam muito a retornar, ela havia ido procurá-los no lago enquanto Lindaura ficou tomando conta de Josiano e Joseana.
Ela contou a ele que achou muito estranha a proximidade de ambos dentro do lago e se escondeu atrás de uma pedra a observá-los. Viu tudo e correu para junto de Lindaura dizendo à ela que os dois estavam conversando e ela não quis interrompê-los.
Mário ficou perplexo com a narrativa da esposa. Mais perplexo ainda ficou com sua frase final:
-Eu conheço dessas esquisitice. Tenho um irmão assim também que morava em Salvador. Painho deu muita sova nele mais num conseguiu consertar. Largaram de mão, ele foi pra São Paulo e tem a vida dele lá sem incomodá a família. Eu não me importo, assim não tenho que cumprir minhas obrigação de mulhé, desde que vocês sejam discreto.
Ele mal podia acreditar no aval que acabava de conseguir da esposa, mas resolvera não contar nada a Justino até que o mesmo lhe desse um parecer sobre o que havia achado daquilo tudo.
Só contou a ele quando realmente sentiu que ele também gostava dele. Mesmo sabendo do aval da esposa, nunca havia deixado claro para ela se haviam dado continuidade àquela relação. Apenas poupou-a de suas investidas sexuais noturnas, o que para ambos era um alívio.
Seis meses haviam se passado desde que tudo havia começado. Mário e Justino sempre davam um jeito de se encontrarem à noite no lago.
Naquela semana em que Lindaura estava em casa dos pais em Salvador e ele estava fazendo "companhia" quase que todos os dias a Justino, mesmo assim, fazia questão de dizer à Josie que iria passar a noite com Justino porque ele andava muito triste com a doença do filho e a ausência da esposa.
Josie acenava com a cabeça como a aprovar-lhe a história e lhe dava um beijo de boa noite despedindo-se do marido que se dirigia à casa de Justino.
Mário finalmente conseguira acordar Justino que reclamava da claridade que passava pelas frestas dos papelões grudados à janela desprovida de vidros ou cortinas.
-O que foi Mário?
-São 7 e meia da manhã Justino. A moça da telefônica veio dar um recado, disse que a Lindaura ligou de Salvador e chega hoje de noite.
-Aconteceu alguma coisa com o Júnior?
-Ela não disse nada, só pediu pra eu te dar o recado e ficou assustada quando me viu abrindo a porta da sua casa - disse com um sorriso safado no rosto.
-A cidade toda sabe que nóis somo amigo e que a Lindaura e a Josie também são. Não vejo nada demais nisso!
-Eu também não!
Mário descobriu Justino como a não dar-lhe chances de retornar ao sono e surpreendeu-se com o que viu sob a cueca samba canção que Justino vestia.
-Tudo isso assim cedo é por mim?
-Não seu bobo, é vontade de mijar mesmo.
Justino levantou-se tomaram banho juntos. Despediram-se com um beijo e Mário foi para o trabalho. Já não trabalhavam mais na roça, haviam conseguido emprego na prefeitura.
O tio de Mário, seu Belarmino, havia ganho as eleições e Mário e Justino abandonaram a colheita e passaram a trabalhar na prefeitura. Não tinha vergonha de lhe acusarem na cidade de estar levando vantagem em cima da candidatura do tio, também não tinha saudade do trabalho na roça.
O salário que receberiam mensalmente era mais do que ganhariam na roça em seis meses trabalho. Lindaura e Josie poderiam se dedicar à casa em tempo integral e viveriam juntas a passear pela cidade, orgulhosas dos cargos dos seus maridos.
Mário estava feliz, sabia que tinha futuro na prefeitura. O trabalho era coisa fácil, ajudar o tio a despachar. Entrava no trabalho 9 da manhã e as 4 da tarde já estava livre em casa para brincar com seus amados filhos, Joseana de 3 anos e Josiano de 2 anos. Eram sua alegria de viver, daria aos filhos tudo que não havia tido em sua infância, a começar por educação.
Iriam à escola e se formariam, seriam doutores, quem sabe? Médico Josiano e adevogada Joseana. Falava com orgulho aos amigos pronunciando vagarosamente cada sílaba da palavra: a-de-vo-ga-da - orgulhava-se Mário.
Justino também não fazia muito. Era motorista do prefeito, que viajava muito e raramente lhe necessitava os serviços.
Na noite daquele mesmo dia Justino bateu à porta de Mário e Josie com os olhos avermelhados.
-O que foi Justino? Aconteceu alguma coisa com a Lindaura? - perguntou-lhe Mário.
-Com ela não, mas o Júnior...o Júnior não resistiu à infecção e meu anjinho se foi meu amigo - disse-lhe com os olhos marejados de lágrimas abraçando o amigo em frente à Josie que os olhava também a soluçar. Ela abraçou ambos e tudo que fizeram foi chorar por alguns minutos, sem nada a dizer.
-Eu queria te pedir um favor. Queria que você avisasse seu Belarmino da morte do meu filho e avisasse que eu vou pra Salvador com o carro da prefeitura, pro enterro do meu anjinho.
-É claro que eu aviso meu amigo. Você quer que a gente vai com você?
-Carece não meu amigo, vai ser coisa simples, só eu e a mulhé e os sogros, só.
Despediram-se do amigo com um abraço e naquela noite Mário e Josie dormiram abraçados como dois irmãos. Ele amava a esposa, era uma boa mulher, compreensiva e amava os filhos acima de tudo. Isto lhe bastava.
Josie pensava abraçada ao marido - será que os dois ainda fazem aquelas coisa? Se fazem disfarçam muito bem.
-Coitada da Lindaura, eu gostava de fazer alguma coisa por ela - disse ao marido acordando-o do cochilo que tirava.
-Ela vai precisar de apoio Josie, você é mulher. Ela é fechada, vai precisar de uma amiga mais do que nunca.
-Eu sei Mário, eu vou fazer o que eu puder pra eu ajudar ela.
Dois anos se passaram e a amizade de Mário com a família de Justino estreitava-se mais e mais. Haviam mudado de casa, moravam perto do centro.
Mário e Justino alugaram casas espaçosas para suas famílias. Mário morava em uma boa casa assobradada com 3 quartos e tinha um sítio em sociedade com Justino no interior.
A casa de Mário era destas casas do interior da Bahia. A porta dava diretamente para a rua. Do lado de fora não se podia imaginar o tamanho da casa que havia sido construída em terreno recuado.
Justino e Mário, sempre que podiam passavam os finais de semana no sítio. Lindaura e Josie não gostavam do sítio, diziam que tinham asco à roça e gostavam de se manter o mais longe possível do mato.
Eles não se queixavam da ausência de ambas - pelo contrário - amavam-se ao ar livre no sítio afastado da civilização. Só tinham como testemunha o gado, poucas cabeças que criavam no sítio. Era tarde de domingo e ambos descansavam deitados juntos em uma rede na varanda do sítio.
-Vocês pensam em ter outro filho Justino?
-De que jeito? Só se for milagre, minha mulhé não dá pra mim desde que nosso filho morreu. Já num dava antes, agora...
-Seu safado! E você quer comer ela é?
-Quero não meu lindo. Mas se fosse pra ter outro menino, eu fazia o sacrifício - disse sorrindo.
-Se você não tivesse mais a Lindaura, assim...se ela te faltasse, você ia procurá outra mulhé?
-Ia não Mário. Sou feliz com você, não gosto muito desta situação, mas se é assim que tem ser. Sua mulhé nunca mais perguntou nada sobre a gente?
-Nunca rapaz! Acho que ela tá feliz com a amizade com a sua mulhé, num sente falta de sexo. Mulhé tem dessas esquisitice, num é mesmo?
-É...mulhé é bicho estranho. Às vez eu penso, se a gente tivesse se conhecido antes de se casar, tudo ia ser diferente né?
-Ia meu lindo, mas eu não ia ter a Joseane e o Josiano, dou minha vida por eles.
-Isso é verdade, também gosto deles.
Mário e Justino sempre voltavam do sítio separados. Sempre retornavam à noite, mas naquela tarde Mário resolveu voltar mais cedo porque tinha uns documentos da prefeitura para separar para o prefeito Belarmino.
A casa na praça central tinha uma grande porta de madeira que saía da calçada. O rádio estava ligado no andar debaixo e Josie não ouviu o marido chegar. Ele subiu até os quartos das crianças. Não estavam em seus quartos, dormiam em frente à TV ligada na sala de jantar.
Andou até o quarto e pôde ouvir que havia alguém com Josie no quarto do casal - era Lindaura.
As duas conversavam entretidas e Mário não as interrompeu, não pode evitar de ouvir a conversa atrás da porta.
-Você acha que o que a gente faz é errado Josie?
-Não acho que a gente seja pior do que nossos marido, você acha?
-Não, não acho não. Eu gosto de estar com você, sinto prazer com você. Nunca senti isto com o Mário.
Ele teve vontade de surpreendê-las com sua presença, sentia-se atônito diante daquele diálogo. Devia estar entendendo errado, não podia ser verdade. Resolveu continuar ali, sentia-se humilhado diante da esposa do amante, mas queria ouvir mais.
-O Justino também nunca me deu prazer. Só pensa nele com aquele negócio imenso que tem! Nunca se preocupou comigo, eu já te disse isso, só aprendi o que era gozar com você Josie.
-Eu não posso dizer o mesmo, o Mário me dava prazer mas nunca se interessou muito por mim. Na verdade a gente nunca devia ter se casado, não fosse pelas criança a gente num tava mais junto. Com o tempo eu fui percebendo que ele não era muito interessado em mim, e fui me desinteressando também.
-Ele sabe que eu sei dele e do Justino?
-Não menina! Num pode nem desconfiar, senão vira uma pouca vergonha, não é mesmo?
-É...você tá certa.
-E depois...agora nós somo mulhé de funcionário da prefeitura. A gente sofreu muito na roça, num vamo largá tudo pro alto agora que a gente tá bem né?
-Você tá certa! E depois eu gosto do Justino. A gente podia viver junto os quatro né?
Josie não conteve a gargalhada.
-Até que seria bom né? Pra nóis, pras criança, pra todos.
-Ué? Num tem triângulo amoroso? A gente ia ser o quadrado amoroso - Lindaura disse abraçando a amiga e dando-lhe um beijo na boca.
Mário não podia mais ouvir aquilo tudo. Desceu as escadas vagarosamente e saiu silenciosamente, como havia chegado.
Sua cabeça estava uma confusão só. A sua mulher e a mulher de Justino eram amantes. Engraçado os caminhos que a vida tomava. Depois de muito pensar decidiu que ainda preferia aquilo a acontecer às escondidas a ser chamado de corno pelas esquinas da cidade em que viviam.
Sempre temia que Josie arrumasse um amante que lhe satisfizesse as vontades. Mas nunca imaginaria que ela seria satisfeita por outra mulher. Muito menos a mulher do homem que amava.
Que confusão meu Deus! - pensou com seus botões a falar sozinho dentro do carro.
Pegou a estrada de retorno ao sítio e contou tudo a Justino. O amigo ficou furioso com o que ouviu. Quis ir imediatamente para a cidade tirar satisfações com Lindaura.
-Com que direito Justino, você vai cobrar alguma coisa daquela coitada! Ela nunca te quis, bem verdade, mas você também colaborou!
-Cê tem razão. Deve ter encontrado consolo na Josie depois que nosso anjinho se foi.
-Você sempre me disse que era não era muito chegada - disse Mário sem conter o riso.
-É verdade - concordou Justino com um sorriso nervoso.
-E o que é que a gente vai fazer agora meu amor? Diz pras duas que eu ouvi a conversa e termina logo com este teatro?
-E seus filhos Mário?
-É verdade, eu penso que pra criação das criança não ia ser um bom exemplo né?
-Rapaz! Nós tamo em 1983! Talvez no ano 2000 essas coisa aconteçam, mas agora a gente ia ser escorraçado da cidade com certeza!
-Você tem razão Justino. Vamo deixá o barco corrê, pra vê aonde é que ele chega né?
-É isso aí. Vamo dá tempo ao tempo, devagar as coisa se ajeita.
Mais um final de semana terminava e Lindaura e Josie conversavam sentadas na cama de Mário e Josie.
Mário havia levados as crianças juntamente com Justino para o sítio e elas tinham a casa só para ambas.
Lindaura certificava-se de que a porta do quarto estivesse trancada e deitava-se ao lado companheira. Ela tinha os seios fartos, de bicos grandes e negros. O cabelo negro caía-lhe sobre os ombros e Josie descansava sua cabeça sobre seus seios.
-Não acha que eles vão voltar cedo Josie?
-Aqueles dois? Ainda com as crianças? As crianças não voltam até o sol se pôr, querem aproveitar cada minuto no sítio, você sabe.
-Tem razão, então tem tempo da gente se divertir um pouco mais?
-É claro que tem minha linda.
Josie abocanhou o seio direito de Lindaura. Eram como dois melões sadios pedindo para serem tocados. Os mamilos duros e negros pareciam suplicar-lhe beijos. Ela beijava suavemente um a um os seios de Lindaura e massageava sua vagina com a mão esquerda.
Lindaura gemia de prazer e segurava a mão de Josie com força como que a pedir-lhe que adentrasse aquele território de forma carinhosa, como só ela sabia fazer.
Lindaura abriu-se para Josie a gemer de prazer. Josie por sua vez afastou-lhe as pernas colocando-as bem separadas e invadiu-lhe a gruta com a língua tesa na ânsia de presentear a amante com todo prazer que lhe era merecido.
Mordiscava-lhe o clitóris e massageava-lhe a vagina e o ânus com uma das mãos. Lindaura urrava de prazer e sentia-lhe o gozo a tomar-lhe conta do corpo.
Retribuiu-lhe o carinho puxando-a para o seu lado na cama e ambas deliciaram-se na posição que havia visto na revista pornográfica - chamavam aquela posição de 69 - ela achou engraçado quando viu, mas nunca mais deixou de praticá-la.
Josie puxou Lindaura para cima de si e abraçaram-se selvagemente. Roçavam seus corpos em um frenesi sem tamanho até que ambas chegaram exaustas ao orgasmo.
Beijaram-se lentamente e tomaram uma longa ducha na suíte do casal.
Vestiram-se e aprontaram-se para esperarem a chegada dos maridos e dos filhos de Josie. Eram ambas mulheres jovens, bonitas e felizes. Haviam sofrido muito na vida, mas eram felizes com a vida que tinham ao lado de seus maridos.
Era trinta e um de dezembro de 1989. Todos na sala comemoravam a chegada da nova década. Mário e Justino haviam conseguido através do cartucho do tio prefeito de Mário, emprego na prefeitura de Salvador.
Fazia dois anos haviam se mudado para Salvador. Alugaram ambos apartamento no mesmo andar em um prédio em um bairro de classe média na cidade.
Na sala Joseano e Josiano, ambos com 11 e 10 anos, brincavam com os brinquedos que haviam ganho de presente de Natal dos pais. Tratavam os pais de Lindaura como se fossem seus avós, e eles na ânsia de terem netos, os adotaram como tais.
Moravam próximos da filha e do genro, e não ficavam uma semana sequer sem visitar as crianças de Josie e Mário.
As crianças não haviam conhecido os avós maternos, pois haviam morrido em um acidente logo depois que os pais se casaram. A avó paterna morava em São Paulo e eles só a conheceram quando eram pequenos. Fazia 3 anos a mãe de Mário havia falecido.
Dona Lourdes e Seu João amavam aquelas crianças como se fossem seus verdadeiros netos.
Admiravam a amizade estreita que sua filha Lindaura e o marido tinham com o casal Mário e Josie. Lindaura não tivera mais filhos desde a morte de Júnior e eles só tinham mais um filho solteiro que era estéril e casado, mas negava-se a adotar uma criança.
Arrependiam-se de terem apenas dois filhos. As famílias do nordeste costumavam ser numerosas, mas Dona Lourdes tinha a saúde complicada e não pudera dar à luz a mais filhos.
Mário e Justino ainda costumavam ir quase todos os finais de semana para o sítio no interior, que ficava próximo a Salvador.
De vez em quando levavam as crianças para darem férias às esposas, mas sentiam falta de terem sua privacidade, corriqueiramente arrumavam maneiras de se encontrarem às escondidas em motéis baratos onde faziam vistas grossas à presença de dois homens, mas gostavam mesmo era de ficar juntos no sítio no interior.
Dona Lourdes e Seu João brincavam com as crianças em um canto da sala espaçosa do apartamento.
Lindaura e Josie conversavam sentadas no sofá de couro branco e observavam os maridos a conversarem na ampla sacada do apartamento.
Lá fora Justino e Mário admiravam a vista da sacada e conversavam discretamente para que não fossem ouvidos.
-Sabe que dia é hoje Justino?
-Claro que sei! 1º de janeiro de 1990.
-Não é disto que eu estou falando e você sabe.
-Sei sim, to brincando com você. Hoje faz 9 anos que eu te dei o primeiro beijo, no ano que vem vai fazer 10 anos, depois 20, depois 30 - ambos sorriam felizes embalados pelos goles de champanhe que haviam bebido.
-O melhor de tudo é que 9 anos atrás nós tomamos um porre de sidra barata que me deu uma baita dor de cabeça, e agora - disse a gargalhar - este champanhe é francês, e do bom!
-E é só isso que é o bom da história é seu moço?
-To brincando com você. O melhor da história é que eu te amo, que você me ama e pelo que me parece as meninas lá da sala também se amam muito.
-Elas nunca desconfiaram que a gente sabe delas.
-E nem devem meu amor. Deixa as coisas como estão, se somos felizes assim, pra que mexer? Não se deve mexer em time que está ganhando.
-Não vejo a hora de te dar o primeiro beijo do ano Justino.
-Mais tarde, mais tarde. A gente vai até o elevador e dá um defeitinho nele.
Mário não conseguiu conter o riso. Eram mestres na arte de parar o elevador para que pudessem se abraçar e se beijar. Nunca haviam transado no elevador, mas do jeito que as coisas andavam, aquele dia não tardava.
Na sala Josie e Lindaura também conversavam descontraídamente.
-Parece que os dois pombinhos estão felizes lá na sacada.
-Eles lá e nós aqui!
-Será que nunca desconfiaram de nós Josie?
-Se desconfiaram não tiveram coragem de dizer nada.
-Então um brinde à hipocrisia da sociedade contemporânea - disse Lindaura erguendo taça de champanhe e tilintando-a de encontro à taça de Josie.
-Você anda lendo muito e falando muito difícil depois que voltou a estudar Lindaura - respondeu Josie assustando-se com os estilhaçar das taças.
A força empenhada no brinde das duas amigas foi suficiente para que ambas as taças se estilhaçassem e caíssem em cacos ao chão.
Da sacada, entendendo tudo o que se passava na sala, Mário e Justino sorriram para suas esposas.
Autor: Anderson Ferreira