À PRIMAVERA


Senti na pele, o vento açoitando-me e violentando-me a mente
Ouvi, distante, o canto triste dos pássaros e o desabrochar das flores
Vi, no fundo do lago, minha imagem espelhando-se azul-celeste
Cantei odes de amor, àquela que malvada me renega
Descansei o corpo, sob o tronco maduro da figueira
Observei, ao fundo, o vôo rítmico da garça
Chorei de raiva, pelo belo dia....
E pensei, malgrado, que alguns não podem tê-lo!
Anoiteci, cansado, torturado, os olhos em lágrimas
E esperei para ver o primeiro Sol primaveril
Amanheci, solene, com as folhas caindo sobre mim
E respirei satisfeito...
Inflei os pulmões com o ar rico matinal
E conservei, no tórax, o saudável elixir da vida
Ouvi, alegre, o piar confuso da carriça e do pardal
Carreguei, nas costas, o peso dos raios solares
E refleti que: o mundo não pode ser tão ruim!
E amei, desesperado, sua imagem formada em minha mente
E quis tê-la ao meu lado e beijar a sua boca
E tentei ser gentil, para que não fugisse de meu abraço
Que percebi ter ganho mais luz para minha alma
E saí, então, correndo, dando voltas por todo o planeta
E explodi, qual natureza, em milhares de cristais coloridos
Que enfeitei, com meus cromados, o halo da primavera
E fui levado por ela e de tanto amor morremos


Autor: GUIGO - 14/09/1972
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