Vermelho





   Era uma vez um cara, num motel barato e fedorento no meio da estrada. Ele tem as mãos sujas de sangue e na sua frente está Marina, uma garota retalhada e coberta por um tapete de sangue. Este cara olha para a faca no meio dos órgãos genitais de Marina. O cara dá um sorriso só com o canto da boca (a verdadeira expressão boçal) pela sua nova obra de arte.

   Seus lábios estão mais secos que um crânio, seus olhos não querem mais piscar, sua mão parece a de um alcoólatra que não pára de tremer quando não tem o que beber. Como um gato à caça do rato, ele corre em direção à sua mesa suja com garrafas de cerveja, tocos de cigarro, preservativos com sêmen, outros rasgados e sangue. Depois pega uma caneta bic azul e um pequeno papel sujo de sangue e começa a escrever como se estivesse hipnotizado:






   O cara arregala seus olhos e começa a ler o que ele pensa que escreveu. Num reflexo ele olha para trás e vê no chão do banheiro o corpo de Marina (nisso seus órgãos internos estão para fora).

   - Meu Deus! - Ele começa a vomitar todo seu almoço (e pelo jeito foi um almoço bem simples) - Quem é esse Bob?

   Ele começa a vestir suas roupas: uma calça jeans, um all star velho, uma camisa branca. Sem perceber suja um pouco sua camisa com o sangue de suas mãos. Vai até a torneira e começa a lavar com as mãos sujas a pequena sujeira na camisa. Ele coloca seu casaco de couro vermelho surrado, depois rasga aquela pequena folha com sangue; pega a chave do quarto e sai rápido como uma bala de pistola daquele cenário pesado e vermelho.






   - Que cor você mais gosta?

   - Vermelho - Foi o que Adriana respondeu para aquele cara de olhar calmo, diferente daquele olhar perturbado e assassino que estava no quarto com Marina.

   O lugar onde os dois trocam suas idéias é um bar fudido, poeirento e com clima pesado. Bebuns e aquelas gordas com vestidos apertados (para os olhos daqueles chatos puritanos era um desfile do submundo), mas também muita putinha bonita de beira de estrada como Adriana: Cabelos negros, olhos azuis e uma linda pele bronzeada. Era uma honra ao mérito estar com Adriana. A música que toca no rádio do bar é "Walk in the wild side" do poeta maldito Lou Reed. Aquela melodia aumentava o clima bizarro daquele bar.

   Ele já estava alegre com quatro cervejas e uma dose de uísque que tomou sem gelo.

   - Você quer dividir um quarto de motel comigo? - Ela pergunta com um sorriso de canto de boca para o cara.






   Ela começa a tirar a roupa dele lentamente enquanto ele tira a dela. Ela fica só de calcinha vermelha e com os bicos dos seios duros de tesão.

   Um quarto escuro, suor, tesão se misturam naquele ar estranho e cheio de mistério.

   - Como é o seu nome? - Ela pergunta para aquele que como ela só quer mergulhar num mar de prazer.

   - Gabriel - Ele responde com cara de bebê crescido. Então sem medo ela fecha seus olhos e se prepara para dar uma boa trepada.






   Gabriel começa a ler aquelas palavras com sangue na parede do quarto. Ele olha para o chão e está Adriana, nua, morta e com um saca-rolha cravado no meio dos seus órgãos genitais. Ele começa a suar frio e a tremer. Gabriel corre até o bannheiro, lava sua mão suja de sangue, veste sua roupa, pega a chave do quarto e sai daquele lugar pesado e vermelho.






   FIM.

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Texto de Marcos Caldeira

Digitação de Rita Barboza



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