Taquicardia
�s portas do meu cora��o eu bato, querendo entrar. O caminho at� ali, que � t�o perto, foi �rduo e bastante deserto. Nem uma hemoglobina, para me acompanhar, apareceu. Elas devem estar todas ocupadas com o chumbo da nicotina, que meu sangue comporta.
Comportei-me mal, �s v�speras de um novo romance comigo mesmo. Meu cora��o estava trancado pra mim. E eu fiquei ali parado, com um buqu� de rosas atr�s das costas e uma caixa de bombons com nozes se amassando embaixo do bra�o.
Num canto do olho esquerdo, uma l�grima brotava... e escorria, desastrada, at� ir parar em volta de um dos lados dos l�bios que sorria.
Tudo em mim se comovia. (cinzas de uma estrelazinha). Uma sombra se infiltrou para dentro do meu cora��o de poeta. A alma do poeta se fechou para ele.
Tudo o mais anoitecia. Sem luzes.
Num deslize, abro a caixa de bombom e mastigo uma a uma a uma a uma as unhas de uma m�o. N�o havia como negar a dor que se estabelecia na flor que em minhas costas enegrecia.
� noite, sem ter o que fazer ali parado, sozinho, com o cora��o trancado e um negrume entre as m�os, me viro de lado e, pisando em falso sobre rosas espalhadas com nozes por sobre o ch�o, caminho numa quase imensa escurid�o. Volto correndo, para as portas do meu cora��o arrombar; num ataque cardiovascular. Foi por isso que eu morri; por n�o saber me amar.
Lucas Puntel Carrasco
3/10/2000