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Essa noite eu quero que voc� saiba: amanh� irei partir. Vou sumir da sua vida e da minha me esquecer. Eu vou desaparecer. Levarei pouca bagagem e o resto eu deixarei. Sequer sua lembran�a comigo carregarei. N�o quero tuas bobagens; eu as abandonarei. Vou deix�-las aqui, esparramadas sobre o len�ol. Ser� algo com o que se lambuzar, quando enfim voc� acordar. E, ao me procurar, no travesseiro ao lado, querendo ao meu corpo se apertar, voc� mais nada ir� encontrar; a n�o ser as suas bobagens por mim abandonadas.
Sozinha, provavelmente ir� chorar e alguns pratos v�o voar. Retratos? Rabiscados, rasgados, e queimados. Meu nome ser� maldito nesta casa. Meu cachorro, maltratado. Tudo o que, de mim, fizer-te se lembrar ser� por ti amaldi�oado, pois um dia voc� me amou. Voc� pode at� querer me suicidar, contanto que n�o venha mais me procurar. Apagarei minhas pegadas, para que voc� n�o venha atr�s de mim, se arrastando pela escada, se derramando em meio a l�grimas, sem saber pra onde ir. V� visitar a sua m�e, chegando assim sem avisar, inesperada, inventando alguma desculpa esfarrapada... V� e seja feliz!
Mas, enquanto eu ainda n�o partir, conserve bem os meus retratos e o cachorro escovado. N�o v� se deitar muito tarde e aproveite a noite para descansar. Prometo te amar enquanto essa noite durar.
Lucas Puntel Carrasco
01/11/2000