De repente foi como se o mundo que conhecia tivesse parado de girar. O ch�o abriu-se engolindo Bynar ao se dar conta de onde se encontrava.
Seus sentidos agu�ados se interiorizaram.
Seu olhos estarrecidos focavam o al�m...
Nada viam.
Sua respira��o acelerou-se de forma descompassada...
Apenas escutava o ritmo alucinado de seu cora��o explodindo no peito...
A garganta estreitada n�o permitia que emitisse qualquer som...
Sua cabe�a girava como um turbilh�o.
Tudo o que podia pensar era em sair dali o mais r�pido poss�vel, pois fora descoberto...
Um frio intenso percorreu todo o seu corpo...
Arrepiando-o por completo quando tomou consci�ncia de que...
Sua vida corria riscos incalcul�veis!
Sem perder tempo Bynar olhou a sua volta avaliando suas chances e, confiando em sua intui��o, rumou a passos largos - que se transformaram em corrida desenfreada - para a porta azul met�lica � sua esquerda. Girou a ma�aneta e entrou rapidamente.
N�o gostou do que viu...
Um hall enorme...
Mal iluminado, ambiente impregnado de umidade...
Paredes escuras em tons de verde musgo com finas guias de cor cobre partindo em v�rias dire��es pelos corredores como se fossem um circuito integrado.
Bynar foi surpreendido por uma descarga de energia que invadiu o ambiente percorrendo as mesmas guias de cor de cobre nas paredes iluminando por completo o hall e indo perder-se em infinitos corredores...
" � ela!- Pensou - Eu sinto!!...
Est� perto...
Corra!!!...corra!!". - Pensou desarvorado.
Abriu caminho pelo corredor a sua direita apressado...
Ainda podia escutar as batidas de seu cora��o latejando no peito...
" Por que?...
Por que a Criatura quer o meu fim?...
Que sentimento forte e poderoso � este chamado Medo! ". - constatou.
Esquerda...direita...em frente...de novo a direita... um labirinto sem fim...
Vez por outra Bynar dirigia seu olhar para as guias nas paredes, pois aprendera que esta era a melhor maneira de saber o qu�o perto 'Criatura' estava.
Durante a sua fuga para a seguran�a perguntava-se:
" Por que tudo isso me � t�o familiar?!
Guias...corredores...os mesmos suores frios e sentimentos de medo e impot�ncia...
Um sonho ruim?!...
N�o!...
Um verdadeiro pesadelo!!" .
"Estranho...
Como sei que este � o caminho a seguir?
O que me faz t�o seguro disto afinal? ".
Isto o incomodava al�m da conta...
Sabia que seu inconsciente era c�mplice deste fato...
Mas n�o podia dar-se ao luxo de pensar nisto agora...
Sua vida dependia de concentra��o.
" Corra Bynar!...
Como nunca correu em toda a sua vida!!...
Corra!! "
Ap�s v�rios desvios completamente exausto e sem f�lego, parou e escorou-se na parede a sua frente com as m�os apoiadas nos joelhos flexionando o abd�men para restabelecer a respira��o. Gotas de suor escorriam de sua fronte profusamente. Olhou a sua volta tentando sentir o lugar...
Sentidos agu�ados e em alerta.
De repente sua nuca retesou-se com um arrepio...
A presen�a maligna encontrava-se � poucos metros dali...
Estava assim como ele...
Parada...
Avaliando a situa��o...
A espreita...
Quem daria o pr�ximo passo?
As narinas de Bynar dilataram-se e captaram o desagrad�vel cheiro de umidade e mofo outra vez. As guias iluminaram-se de forma gradativa, enchendo o corredor de uma luz branca e cegante, denunciando a presen�a pr�xima da entidade maligna...
...Ela dera o primeiro passo afinal!
Respirando fundo Bynar come�ou a caminhar apressadamente at� alcan�ar um enorme portal...
Com o que lhe restava de for�as abriu com dificuldade a trava e entrou encerrando a porta atr�s de si.
A trava lhe daria minutos preciosos de que tanto necessitava para a sua fuga. A sensa��o que j� estivera naquela ante-sala era muito forte a ponto de Bynar assustar-se, ainda mais porque tinha a certeza que bastava alcan�ar a extremidade da ante-sala e entrar por aquela porta verde met�lica para encontrar-se definitivamente em seguran�a,
e terminar de vez com o maldito pesadelo!
"Ahh inconsciente... abra tuas portas e permita-me vislumbrar teus mist�rios!!...Porque eu sei que sei...mas o que sei n�o posso recordar ainda!". Lamuriou-se consigo mesmo.
A ante-sala era enorme por assim dizer...
Capaz de acomodar mais de uma centenas de indiv�duos...
As paredes eram muito altas mas sem o aspecto l�gubre de todas que tinha visto at� ent�o...
Na verdade eram alvas e sem nenhum sinal de guias cor de cobre. Bynar n�o gostou disso...
Como saberia antecipadamente os passos da Criatura?...
"Mas que import�ncia tinha isso agora?...
Mais alguns metros e...
Liberdade!!"
" Pensa Bynar! Recorda-te! O que acontece agora? ...
Por que este arrepio repentino gelou-te a alma? ...
O que � que � t�o importante que j� deveria saber?!..Interrogou-se mentalmente."
" INCONSCIENTE MALDITO !!!! " - Berrou com o punho em riste.
Bynar voltou sua aten��o para a porta verde met�lica a metros de dist�ncia � sua frente e iniciou uma t�mida corrida. Um sentimento de al�vio invadiu-lhe o corpo a medida que aproximava-se de seu objetivo final. Acelerou a corrida banindo qualquer pensamento que n�o fosse a liberdade. Logo ali a sua frente encontrava-se a salva��o! ...
"A Porta Verde Met�lica!...
Vou conseguir!...
Vou conseguir afinal!". - Pensou triunfante.
A pouco mais de dois metros para a liberdade Bynar estacou...
Seu olhos arregalaram-se com o que seu inconsciente acabara de lhe confidenciar!...
...Consciente de t�o terr�vel realidade, um peso enorme instalou-se sobre seu cansado e suado corpo...
Deixou cair os ombros em total des�nimo e deu meia volta...
Aceitando resignado a sua sina.
Olhos com ar derrotado encaravam o ch�o, notou ent�o pela primeira vez que as guias cor de cobre percorriam todo o assoalho da ante-sala. A criatura j� estava a espera a algum tempo sem que Bynar percebesse, sa�da de uma pequena ranhura do assoalho que, reparando bem... era a base de um grande Chip, fixado em uma enorme Placa M�e...
O mundo que Bynar conhecia era um poderoso Computador usado para testes de massa em um Centro de Pesquisas de Estat�stica Avan�ada.
A Criatura maligna na verdade era um programa execut�vel cuja �nica diretriz b�sica resumia-se em: Contaminar e Destruir tudo o que encontrasse pela frente.
E l� estava Bynar....
Cara a cara com a Criatura...
Ciente de que fazia parte de uma coletividade chamada Linguagem Bin�ria...
Ciente de que fora tra�do por seu Inconsciente...
Ciente de seu Destino Final...
A Criatura avolumou-se diante de Bynar enchendo-se de pura luz emanada das guias de cor cobre do `assoalho`, projetando sua enorme e sinistra sombra sobre ele...
Pronta para aplicar o Abra�o Vir�tico Fatal...
Bynar suspirou fundo em total submiss�o...
Fechou os olhos a espera do fim...
Com a mente livre pela primeira vez desde que acordara para viver este pesadelo...
"Est� acabado afinal...
Que se cumpra meu destino!"
- Maldito V�rus!!! Algu�m pelo amor de Deus chame o programador respons�vel !! Estamos com problemas de LOOPING na sub-rotina de endere�amento do sistema outra vez!!... - Berrou o Chefe do setor de Testes do Instituto de Pesquisas de Estat�stica Avan�ada.
E o destino se cumpriu...
De repente foi como se o mundo que conhecia tivesse parado de girar. O ch�o abriu-se engolindo Bynar ao se dar conta de onde se encontrava.
Seus sentidos agu�ados se interiorizaram.
Seu olhos estarrecidos focavam o al�m...
Nada viam.
Sua respira��o acelerou-se de forma descompassada...
Apenas escutava o ritmo alucinado de seu cora��o explodindo no peito...
A garganta estreitada n�o permitia que emitisse qualquer som...
Sua cabe�a girava como um turbilh�o.
Tudo o que podia pensar era em sair dali o mais r�pido poss�vel, pois fora descoberto...
Um frio intenso percorreu todo o seu corpo...
Arrepiando-o por completo quando tomou consci�ncia de que...
Sua vida corria riscos incalcul�veis!..................
O FIM ?! C. Furtado