Defasado com notícias que desejava fossem minhas , mais ocupado com um cotidiano enfadonho e tedioso, ainda procuro por uma tal que desconheço e que espero consiga reconduzir-me a um outro lugar. Quando falo quase sempre digo coisas imprecisas, coisas que precisavam de um pouco mais de espírito, embora muitos considerem que essas coisas estão plenas de humor espiritual. Mas há de ressecar toda essa humidade que pareço ainda conseguir captar se tão logo não avistar uma tal notícia que se distingua das demais que venho digerindo há tempos. Um corpo dilacerado em sentidos que me inspire uma certa teologia que sempre soube pertencente a mim mesmo. Um odor certeiro que não me faça mais errar o alvo, um eriçar de pelos que retire toda a solidez que se carrega na sola de um sapato, um gosto que me dê a certeza de um amargo que só pode ser o meu, meu e de mais ninguém. E repito o meu ritual em tempos quase sempre iguais, dias após meses com os mesmos sós e luas sempre minguantes ou novas. Uma condição humana ou não-humana, importa muito pouco em distinguir a substância que me revela uma ou outra realidade. Retorno sempre ao meu início que acena já com intenção de fim: essa imcompreenção aflitiva e apaziguadora, que arrebenta meus olhos esbugalhados por tão pouco sono, que não suporto mais essa pausa, ou então a queria ininterrupta, uma sequência de pausas como formulações diferenciadas de um sonho que durasse apenas a medida dos seus acontecimentos, e prosseguisse adiante em pedaços de nada. Mas acontece que hoje estou tranquilo e não preciso me preocupar tanto com essa notícia, embora pressinta que a anunciação não se dá em lugar fora ao sagrado que é todo ele a notícia mesma que tanto espero.
09/97
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