contra os monstros



blasfêmias são sussurradas

e uma morte é anunciada

brilham em meu quarto escuro

estes seres tão impuros


órfão é o que sou agora

meu pranto perdura por horas

e sem que nenhum vá embora


uns fitam-me de frente

seus olhos indiferentes

assombram-me intensamente


não respeitam meu sofrimento

grito-lhes sem grande alento

uma tentativa frustrada

e respondem-me com risadas


tento pedir-lhes que se vão

os meus joelhos tocam o chão

mas não me dão atenção


ajoelhado e suplicante

olho para os meus visitantes

mas não é o bastante


e desisto de lutar

um gesto desesperado

concentrado em minha dor

o que quero é chorar


resta-me o meu choro absorto

pois nada mais me importa

o meu pai está morto



donimo

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