CAPÍTULO 11 - A VOLTA DO CAPITÃO


Momentos antes de desfalecer reassumi a forma de Marlon, o sistema de manutenção de vida de minha nave entrou imediatamente em ação, antes de desfalecer ainda escutei a voz monótona do computador de bordo.

- Nave extremamente avariada, auto reparo não é possível, iniciando processo de manutenção das formas orgânicas.

O que se passou depois eu não estava consciente para perceber.

O computador ao iniciar o processo de manutenção de forma orgânica fez descer sob meu corpo um suave raio de conservação celular, essa era a primeira fase, a Segunda consistia em acionar a cápsula vital, os cientistas de nosso povo haviam inventado um salva vidas energético, ou seja as formas orgânicas de uma nave irremediavelmente avariadas eram envoltos em uma armadura energética que se solidificava, assumindo a aparência de uma cápsula de conservação vital, após a solidificação era ejetado ao espaço na esperança de que alguma outra nave recolhesse essa cápsula salvando a vida orgânica que se encontrasse nessa nave destruída.

Isso se passava em questão de segundos, e no exato momento em que minha nave explodia fui ejetado ao espaço, estava inconsciente e assim permaneceria até que alguém abrisse a cápsula energética sólida que envolvia meu corpo.

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Diário do Primeiro Oficial

A nave desconhecida nos ajudou no combate, finalmente nossos armamentos conseguiram furar a defesa da nave zrraal, mas nos esquecemos da nave dos clones, enquanto destruíamos os malditos nosso aliado misterioso recebeu em cheio o impacto de 03 torpedos e se desmanchou numa infinidade de partículas.

Nos viramos para enfrentar a nave dos clones, com a USS BRASIL não teríamos como perder, Karin mostrou sua competência novamente, nova saraivada de chasers bem orientados combinados com o disparo do novo torpedo hiperfotônico foram demais para o adversário, a explosão que se seguiu demonstrou de uma vez por todas a superioridade de nossa nave.

- Capitão

Sim Lastra.

- Os sensores detectaram uma célula de sobrevivência rota 3489, há forma orgânica viva por lá.

- Silvia rota 3489, capture aquela célula com nossos raios tratores e vamos dar um jeito de sair deste inferno antes que os zrraals mandem mais naves ao nosso encontro.

Sílvia foi soberba, como sempre, em poucos minutos interceptamos a célula de sobrevivência e a trouxemos a bordo, com a destruição da frotilha que nos perseguia teríamos algum tempo para determinar de uma vez por todos a rota que nos levaria para fora daquele inferno, havia muito trabalho a ser feito, infelizmente mesmo com o aparelho de hiperádio de Talul as comunicações permaneciam impossíveis, Lastra havia tentado de tudo, usara todas seus conhecimentos e técnicas mas a estática daquele inferno de poeira e radiações vencia o mais potente dos aparelhos.

A equipe médica finalmente informou sobre a forma de vida que resgatamos do espaço, o espanto na torre de comando foi geral, havíamos recolhido o capitão Marlon á bordo.

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Ao recuperar os sentidos me vi no compartimento médico da nave, uma infinidade de fios me ligavam a aparelhos diversos, meu relógio biológico me informou que dois dias haviam se passado desde o momento em que fui ejetado para o espaço pelo programa de sobrevivência do computador anderlechiano.

Abrindo os olhos pude ver nosso médico de bordo, ao lado dele Dênis e Talul me olhavam com curiosidade e alívio pela minha recuperação.

Tentei me levantar, somente para deitar de novo, com certeza mesmo meu metabolismo anderlechiano não conseguira ainda colocar meu corpo em ordem.

- Fique deitado capitão, ainda está muito fraco para fazer qualquer coisa, a nave está bem, conseguimos finalmente estabelecer uma rota para fora deste setor, acredito que em cinco horas estaremos fora de Zeugma.

- Muito bem oficial Dênis, como está a tripulação?

- Em ótimo estado senhor, dentro das circunstâncias, tivemos perto de 40 perdas na fuga da base zrraal.

Dito isso desmaiei novamente, nosso bom doutor havia me aplicado mais um pouco de relaxante muscular tonificado, dormiria mais algumas horas e quando acordasse me sentiria novo em folha.

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Quartel General da Frota Estelar, escritório do almirante Xanther.

- Senhor

- Pois não Xaria?

- Ligação da base estelar Alfa II, capitão Nertze.

- Passe para cá, computador alerta 01 neste escritório, desligar sistemas de gravação e vídeo.

O rosto de Nertze apareceu na tela holográfica

- Almirante, o imprevisto aconteceu, entrar com o plano Delta, Delta, Alfa, desligo.

Aquele maldito escapara.

- Xaria, me ligue com a USS PONTOMAC, capitão Darmon.

- Pois não senhor.

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A USS PONTOMAC era uma nave nova, estava sendo testada no quadrante Beta, seu capitão era considerado um dos melhores, senão o melhor oficial combatente de toda Frota Estelar, a performance deste homem - capitão Darmon, no recente conflito na lua Endor IV havia sido brilhante, com uma única nave havia derrotado 04 naves inimigas, isso com os modelos antigos.

- Senhor, comunicado do almirante Xanther, ponho na tela.

- Não, transfira para meus aposentos.

Entrando no quarto Darmon colocou seu dormitório em alerta 01, o rosto do almirante Xanther demonstrava que o mesmo não estava muito satisfeito.

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Finalmente o metabolismo anderlechiano, ajudado pelos medicamentos terranos me colocaram de novo em forma, responder á pergunta de como fui parar em uma nave estranha foi um pouco complicado, mas expliquei á minha tripulação que os dois jarborianos haviam me libertado e chegaram a me acompanhar em direção áquela nave estranha, menti que os comandos eram simples, bem parecidos com os utilizados na Frota Estelar e com isso consegui sair do planeta, por sorte a direção tomada havia sido a mesma da USS BRASIL, e quando vi a nave em perigo utilizei-me dos sistemas de armas da mesma ajudando na destruição da nave zrraal.

Percebi que Talul e Dênis ficaram com diversas dúvidas, o que havia sido feito dos jarborianos que nos ajudaram, qual a razão de não Ter entrado em contato com eles antes, e como havia escapado e conseguido entrar naquela estranha cápsula de sobrevivência que agora era analisada no hangar da nave.

Deixei meus oficiais com essas perguntas em sua cabeça, afinal a resposta poderia colocar em risco minha verdadeira identidade á tona, e isso era a última coisa que eu gostaria que acontecesse.

Dentro da USS PONTOMAC

- .... e assim senhores, o almirante Xanther possuí provas mais do que conclusivas para afirmar que a USS BRASIL teve sua tripulação substituída por clones desta estranha raça descoberta no subquadrante Zeugma, como a nave em questão é do mesmo tipo especial que a nossa, coube á nossa tripulação dar um fim nestes malditos, a ordem do almirante é destruir a USS BRASIL.

As palavras ditas por Darmon espantaram a tripulação, mas essa era formada por excelentes oficiais e tripulantes, a ordem fora dada, não cabia nenhum tipo de dúvida, um dos representantes de maior hierarquia dentro do almirantado havia dado ordem direta.

A USS PONTOMAC, cessou seus exercícios e se dirigiu em dobra 14 para ZEUGMA.



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