Minha duplicata e o jarboriano haviam colocado minas em diversas naves daquelas estacionadas no espaçoporto, eu por minha vez estava me dirigindo para o gigantesco porta-aviões zrraal, um gigantesco fogo de barragem tentava impedir que me aproximasse, os malditos estavam usando equipamento pesado na tentativa de nos deter, minha estrutura orgânica estava extremamente dura, não fosse isso não conseguiria resistir ao fogo concentrado que me dirigiam, quando a situação parecia quase perdida Talul apareceu por trás dos malditos espalhando a destruição, finalmente consegui espalhar as minas que roubáramos dos clones em volta do porta-aviões e saí em disparada, neste momento os primeiros membros da tripulação chegavam as portas da nossa nave que se encontravam abertas, o combate era terrível, pelo menos 30 membros de minha gente já havia perecido nos combates, somente o fato de estarmos lutando com três jarborianos de nosso lado é que nos dava alguma chance, neste instante visualizei uma grande concentração de plataformas antigravitacionais que vinham em nossa direção, exatamente do lado do porta-aviões, mesmo na forma do jarboriano sabia que não conseguiríamos enfrentar tal quantidade de inimigos, quando as tropas dos clones e zrraals se aglutinaram o acaso veio em nosso auxílio, um tripulante de minha nave acertou um tiro em cheio em uma das minas adiantando a explosão daquele monstro, a violência da explosão detonou outras minas e um verdadeiro inferno foi desencadeado no espaçoporto, infelizmente muitos de meus tripulantes pereceram na explosão, mas o caminho para a USS BRASIL estava finalmente livre, aqueles que ainda não haviam conseguido chegar até a nave correram como nunca aproveitando o caos formado em volta, as explosões se sucediam de maneira incrível e violenta.
Foi quando vi um milagre, ali, naquele emaranhado de explosões e destroços estava intacta uma nave anderlechiana, uma nave para dez tripulantes, equipada com o mesmo sistema de conversores que possibilitaram á minha nave de pesquisa a viagem de três milhões de anos luz para cá, uma chance de voltar para minha casa, somente o ruído ensurdecedor das explosões que continuavam me trouxe de volta á realidade, se conseguisse alcançar aquela nave poderia voltar para Anderlech em três anos, telepaticamente enviei ordens para minha duplicata abrir caminho até aquela nave, meus tripulantes haviam aproveitado a grande confusão reinante entre clones e zrraals e conseguiram entrar na nave, Talul também entrara na mesma, ou seja apenas eu e minha duplicata ainda estávamos do lado de fora, neste momento teria sido fácil voltar á minha forma de Marlon e entrar correndo na nave, a mesma ainda estava sendo colocada em condições de vôo, mas Karin já ligara os sistemas de defesa e mesmo em terra fustigava a base zrraal com os canhões de chasers, mas aquela nave anderlechiana estava ali, ao meu alcançe, voltar para meu querido Anderlech após 300 anos de ausência era uma chance talvez única que o destino me oferecera em todos estes anos, finalmente me decidi, fui decidido na direção daquela nave, esmagando os poucos clones que tentaram opor alguma resistência, telepaticamente instruí minha duplicata a se dirigir para ela também, no espaçoporto haviam restado poucas naves intatas, mesmo estas eram as da Frota Estelar que estavam dadas como desaparecidas, por sorte conseguíramos destruir todas as naves dos zrraals, era claro que estes malditos iriam tentar interceptar a USS BRASIL na confusão de poeira que caracterizava Zeugma, sem mais resistências cheguei finalmente na nave Anderlechiana, ao entrar os dois zrraals que estavam na nave tentaram me impedir, seu fim foi rápido e doloroso, a duplicata estava fechando a retaguarda mas não encontrava oposição, aparentemente a destruição das naves e o início da fuga da USS BRASIL deixaram nossos inimigos totalmente desorientados, quando minha duplicata entrou fechei as comportas e recolhi a mesma, pela primeira vez em séculos assumi a forma anderlechiana no comando de uma nave, os controles eram os mesmos iguais, aos que estava acostumado, com simplicidade ergui-a do solo, no mesmo instante que Dênis e Sílvia conseguiam decolar com a USS BRASIL e sua tripulação, resolvi acompanhar a nave, deixamos atrás um inferno de caos e destruição, parecia que ninguém conseguiria nos impedir, tinha certeza que com o relatório de Dênis a Frota iria tomar providências para ocupar essa base e ficariam alertas contra o perigo destes malditos zrraals.
Sempre acompanhando a nave alcançamos em poucos minutos o espaço que denomináramos zona morta, a região livre de poeira que havia em volta daquele asteróide gigante que os zrraals haviam transformado em planeta e construído sua base, meu cosmoscomunicador se acionou e pude escutar a voz de Lastra.
- Nave desconhecida se identifique ou seremos obrigados a abrir fogo.
Deuses com certeza eles abririam fogo, enviei uma mensagem simples e condensada na mesma freqüência da frota.
- Não se preocupem comigo, aproveitei a confusão que vocês causaram para escapar também, não sou desta galáxia, voltarei para casa.
É claro que enviei a mensagem sem acionar o contato visual, neste momento uma tremenda onda atingiu a USS BRASIL fazendo-a balançar perigosamente, pude perceber que 05 naves da frota haviam alçado vôo da base zrraal e estavam atirando na nave, somente atiravam na nave terrana, a minha não era atingida.
Por sorte os escudos da USS BRASIL eram tríplices, poderiam agüentar por alguns momentos o fogo das cinco naves adversárias, escutei pela freqüência aberta a possante voz de Picard exigindo a rendição incondicional da nave sob pena da mesma ser destruída, então Zrraal 1 usava os clones para pilotar a nave da Federação, malditos, nova descarga dos clones atingiu meus companheiros, desta vez o fogo concentrado quase vence os escudos.
A resposta foi imediata, pude ver que os canhões chasers começaram seu trabalho de destuição, Karin aparentemente atirava em todas as direções, a nave dos clones que se encontrava mais próxima explodiu em uma fantástica profusão de cores, mas enquanto destruía esta novos tiros atingiram os escudos.
Como estava na freqüência da frota acompanhava as conversas entre meus subordinados.
- Senhor, escudos reduzidos a 50%.
- Karin, dispare com tudo que tiver, Sílvia nos tire deste inferno.
Foi quando aconteceu, se materializando diretamente do sub-espaço surgiu uma enorme nave de combate zrraal, não poderia haver momento pior para ela aparecer, a Segunda nave dos clones explodiu sob um fogo concentrado dos chasers de Karin, contra as naves da Federação a USS BRASIL poderia se sair bem, mas mesmo ela não teria chance contra a nave zrraal, a mesma se dirigia para a base, talvez houvesse tempo de escapar ainda.
As naves dos clones mudaram sua tática, as três restantes fizeram uma formação bombardeando em um ponto único, usando tudo que tinham, pelos comunicadores escutei as dificuldades de minha gente.
- Sr Dênis, escudos há 40%, se este bombardeiro continuar vamos perder todos os escudos.
- Karin envie alguns foguetes contra aquelas coisas, vamos mostrar do que somos capazes.
- Silvia, dobra 2 nos tire de perto desta base.
A explosão da mais duas naves dos clones confirmou que Karin estava utilizando os torpedos multifotônicos, uma novidade em armamento na frota, seu poder de destruição era pelo menos 20 vezes superior ao dos torpedos fotônicos até então em uso pelas naves da frota, a nave fugia para a aglomeração de poeira que caracterizava o subquadrante Zeugma, sendo perseguida pela última nave dos clones, pelo jeito a nave zrraal não iria se juntar aos combatentes, com isso na mente comecei a programar o computador de bordo para a rota que me levaria para fora daquela confusão, pensei que os terranos estariam nesta altura se dirigindo na velocidade máxima permitida naquelas condições para longe dali.
Por via das dúvidas liguei os sensores da nave em que estava e descobri o rumo tomado pela nave terrana, me dirigi em velocidade para a mesma rota, se havia alguém que poderia sair daquilo era Sílvia, e eu logicamente aproveitaria a "carona".