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Uma história de Baco, o guerreiro



Meu nome é Bacco. Eu sou um guerreiro. Caminho errante pela vida, sem destino, sem morada. Busco apenas pela emoção e pela aventura. Meus dias só são bons dias se há neles uma boa peleja. Minhas tardes só são boas tardes se nelas estou hora sob o céu do crepúsculo, hora adentrando uma boa taverna. Minhas noites só são boas noites quando tenho em uma mão uma grande caneca de vinho e em outra uma bela mulher. Meu nome é Bacco. Eu sou um guerreiro. Não tenho família, nem pais nem irmãos, nem parentes conhecidos. Todos os que amava e que me amavam foram mortos. Uns em batalhas sangrentas, outros, friamente assassinados numa emboscada ao meu povoado. Pequenino ainda, fui poupado para me tornar um escravo, servindo bebidas no clã inimigo. Mais tarde, caí nas graças do chefe armeiro desta minha nova morada. Ele me ensinou a arte de forjar e manusear espadas e machados de combate. Aos poucos fui adquirindo destreza e habilidade, fui me tornando um grande soldado. Fui adotado definitivamente pelo clã maldito que me arrancou a inocência da infância, colocando em seu lugar, o ódio e o rancor dos adultos. Mesmo assim, permaneci impassível diante dessa situação. Um dia eu me vingaria. Não como um covarde, mas como um guerreiro. Ganhando a confiança de todos, comecei a acompanhar meus "aliados" em suas campanhas. Lutei em muitas de suas guerras e milhares de seus inimigos tombaram sob o fio de minha espada. Um dia, ao cair da tarde, senti em todos os ossos de meu corpo que havia chegado o momento, a hora da verdade. Com todo o ódio que estava guardado em meu peito e toda a mágoa que vinha sendo curtida em minha alma, desafiei o chefe do clã para um duelo. Um duelo até a morte. A princípio, todos acharam graça no que pensavam ser uma brincadeira, mas meu nome é Bacco. E eu sou um guerreiro. Vendo o fogo do rancor que brilhava em meus olhos, os outros foram silenciando um a um, escondendo o riso jocoso e vestindo suas máscaras de seriedade. Saí da tenda e fiquei aguardando no terreiro da vila. Logo depois, o imponente chefe veio ao meu encontro. Espada ainda enfiada na bainha, pendurada na cintura, com um sorriso nervoso nos lábios. Pare com isso garoto, disse ele. Brincadeira tem limite. Sem dizer uma palavra sequer, libertei minha arma de seu casulo e assumi posição de luta. A tensão que tomou conta das pessoas ao redor era quase palpável. Todos me olhavam atônitos, recusando-se a acreditar no que estavam vendo. Durante algum tempo, espadas brandiram no ar, vez por outra, trocando beijos mortais que se traduziam em fagulhas. Porém, a juventude e a agilidade estavam a meu favor. Um golpe preciso fez rolar a cabeça do assassino de minha família. Finalmente, após todos esses anos, meu clã estava vingado. Não por um covarde, mas por Bacco, o guerreiro. Agora sigo pelo mundo. A caminhar errante. Esperando que meus dias sejam bons dias, que minhas tardes sejam boas tardes e minhas noites sejam, cada vez mais, boas noites. Meu nome é Bacco. Eu sou um guerreiro...


Marcelo Torrecillas
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