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ALEGORIAS




R�pido como um raio Hermes se deslocava de um pal�cio para outro acordando os onipotentes deuses do Olimpo. Zeus ordenara que seu filho convocasse os deuses para um reuni�o em seu pal�cio. Pelo olhar severo do pai Hermes soube que essa ordem deveria ser cumprida imediatamente.

Um a um os deuses do Olimpo foram sendo chamados pelo mensageiro divino. Alguns como Ares e H�racles acordaram visivelmente de maus bofes. Quanto a Dion�sio, n�o houve como negar que a quantidade de vinho ingerida na noite anterior lhe causava uma desagrad�vel dor de cabe�a. Seu semblante n�o negava.

Antes de entrar no pal�cio de sua irm� Athena o mensageiro divino se assustou com o v�o da coruja que sempre acompanha a deusa da sabedoria.

Eros vendo o frenesi de Hermes, gentilmente se prontificou a acordar a bela Afrodite. Desde o nascimento de Hermafrodito que Hermes e Afrodite evitavam conversar.

As pressas Hermes se dirige primeiro para o Hades, seu tio de mesmo nome, Hades, tamb�m era convocado pelo soberano do Olimpo. Depois de convocar o taciturno tio Hermes voa a toda velocidade para o ponto mais fundo do Oceano. Encontra seu tio Poss�idon quando este passeava pelos jardins subaqu�ticos de seu enorme pal�cio.

Com seu tio convocado o apressado mensageiro vai para a cratera do Ves�vio convocar seu meio irm�o Hefestos para a reuni�o que seu pai convocara.

A tia Dem�ter foi encontrada por Hermes em um templo dedicado � deusa nas colinas da �tica.

Os irm�os Apolo e �rtemis se encontravam passeando nos bosques sagrados dedicados aos dois deuses.

Olhando para a lista de quem deveria ser convocado Hermes finalmente p�de atenuar o alucinante ritmo que empreendera at� ent�o. Voltou ao Olimpo com uma velocidade menor do que aquela com a qual iniciara.

Pouco a pouco os deuses convocados foram chegando ao pal�cio de Zeus. Ao adentrarem-se � sala do trono os deuses perceberam que n�o estavam s�s no recinto. Um grupo de pessoas estranhas e desconhecidas tamb�m se encontrava na sala. De seu trono um Zeus s�rio e carrancudo reclamava da demora deste ou daquele convocado, a seu lado a bela Hera fazia uma cara de poucos amigos. Seu semblante era igualmente carrancudo e s�rio.

O pen�ltimo deus a chegar ao pal�cio de Zeus foi Hefestos. O deformado ferreiro divino se apresentou com a mesma roupa que utilizava quando de seu trabalho em sua forja. Desculpou-se pela demora mas mesmo assim n�o escapou a uma s�ria reprimenda de seu pai Zeus.

Finalmente o r�pido Hermes retorna completando assim o conselho dos deuses.

Aquelas pessoas que tamb�m estavam na sala do trono de Zeus mantinham-se calmas. Apenas aqui e ali trocavam algumas conversas dentro de seu pr�prio grupo sem se dirigir aos deuses do Olimpo.

Finalmente Zeus inicia a reuni�o.

- Caras deusas, honrados deuses, por s�culos somos adorados pelo povo grego. Durante esse tempo n�o tivemos rivais na adora��o deste povo. Mesmo o b�rbaro Alexandre, aquele maced�nio insignificante, respeitou nossos cultos e tamb�m nos adorou. Neste tempo todo, n�s os deuses, fomos testemunhas do naufr�gio da Atl�ntida, vimos o nascer e o morrer da civiliza��o Mic�nica e Cretense. Presenciamos a Guerra de Tr�ia, alguns a favor dos gregos, outros a favor dos troianos. Protegemos nosso povo dos persas durante as tr�s guerras que estes lhes moveram. Vimos Atenas se erguer como a maior cidade grega e sua derrota pelos homens de Esparta. Estes por sua vez tombaram sob a rebeli�o de Tebas que se rendeu aos b�rbaros da Maced�nia. Deusas e deuses, tudo isso ocorreu com nosso povo. Mas eles nunca nos abandonaram, sempre nos honraram com suas oferendas, seus sacrif�cios, sua devo��o.

Zeus para com seu discurso inflamado, olhando os apreensivos deuses ali presentes. A fisionomia de todos os deuses demonstrava um misto de d�vida e espanto. Afinal o deus dos deuses citava apenas fatos que todos ali j� sabiam. Qual o motivo daquela reuni�o?

Zeus continua seu discurso.

- Bem meus caros pares, isso que lhes falei todos j� sabem, vivenciaram os fatos. Foram os respons�veis diretos ou indiretos por estes mesmos fatos. Nunca nenhum de n�s ficou sem seus adoradores, nossos templos continuam repletos de fi�is e oferendas. Nossos or�culos continuam sendo consultados. Instigamos em nossos adoradores terror e amor. Somos bons ou maus. Cumulamos com riquezas nossos melhores servos humanos como tamb�m maltratamos cruelmente aqueles que ousam nos desafiar.

Nova pausa de Zeus. Seus pares continuam sem entender a raz�o daquele palavreado todo.

- Pois bem, vamos agora ao motivo desta reuni�o. Como todos viram temos visitas no Olimpo. Essas senhoras e senhores aqui presentes tamb�m se denominam deuses e pasmem meus pares, dizem que vieram nos substituir na adora��o de nosso povo.

- O qu� ?

Um irado Ares � o primeiro a se manifestar, refeito da desagrad�vel surpresa contida no final do discurso de seu pai.

- Vieram nos substituir? A n�s, os senhores do Olimpo. Quem s�o esses seres, como se atrevem a se portar desta maneira perante os deuses.

- Decerto s�o os efeitos do vinho meu caro irm�o.

As palavras de Dion�sio at� tinham sentido.

Uma figura majestosa, vestido com uma manta azul celeste e tendo na m�o direita tr�s raios se destaca do grupo dos desconhecidos solicitando a palavra.

- Caros deuses do Olimpo. Meu nome � J�piter, sou o pai dos deuses e homens, sou o rei dos deuses. Apenas tenho um nome diferente. Meus adoradores s�o os romanos que sa�ram da Pen�nsula It�lica e fizeram um enorme imp�rio. A Gr�cia agora faz parte deste imp�rio. Portanto, eu e meus acompanhantes simplesmente viemos substituir voc�s. J� que a cultura romana est� substituindo a cultura grega como mais importante do mundo nada mais justo que n�s, os deuses romanos substituamos voc�s, deuses gregos na adora��o do povo e tamb�m aqui na morada dos deuses.

Um Hermes irritado interrompe em altos brados a coloca��o daquele desconhecido.

- Ent�o seus servos, os romanos, est�o substituindo os gregos como maior civiliza��o do mundo e os senhores simplesmente acham que podem vir at� aqui e nos substituir. Grande tolo. O que lhes faz pensar que s�o melhores do que n�s. Por acaso algum de voc�s alcan�a as velocidade que eu consigo? Ou tendes algum deus com a for�a de nosso H�racles aqui. Ou ser� que voc�s possuem algu�m que comande as guerras e batalhas como meu irm�o Ares. Ter�o algum artes�o como nosso Hefestos?

Uma deusa, de indescrit�vel beleza, pele branca como o leite, vestindo os trajes de uma ca�adora se adianta do grupo dos outros deuses.

- H�, h�, h�, sua velocidade n�o se compara a de Merc�rio, seu H�racles � uma crian�a ante a for�a de nosso H�rcules. Quanto a guerras e batalhas temos aqui nosso Marte incompar�vel na ferocidade com que comanda as matan�as. E tamb�m duvido que tenham artes�o mais detalhista e perfeito que nosso Vulcano. Seu tempo acabou ol�mpicos. N�s, os deuses de Roma � que dominaremos a partir de agora.

Apolo e �rtemis se entreolham desconfiados. Dem�ter, Afrodite, Hera e Athena mant�m-se distantes da discuss�o que se instala naquela hora. Uma infinidade de deuses e deusas toma a palavra. Cada qual arvorando para si e seus pares as melhores qualidades. Como contrapartida das deusas gregas temos no lado romano Ceres, V�nus, Juno e Minerva que tamb�m se mant�m quietas e afastadas da acirrada disputa verbal que se trava na sala do trono de Zeus.

Uma voz en�rgica e forte irrompe no aquela balb�rdia de sons. Era Hades, o taciturno senhor das regi�es infernais que muitos tamb�m chamavam de Hades.

- Pois que seja feita uma disputa entre n�s os deuses gregos e voc�s os ditos deuses dos romanos. O vencedor ficar� com a adora��o dos homens e tamb�m com o Olimpo. Nos Campos El�seos tenho um homem correto que pode ser o juiz desta disputa. Seu nome � Minos.

Os romanos sorriem com a sugest�o de Hades. O contraponto romano do deus grego, chamado pelos romanos de Plut�o j� havia alertado os seus que nenhum homem seria mais imparcial para analisar uma disputa do que Minos.

- Eu J�piter, em nome dos deuses romanos aceito a disputa e o juiz que voc�s designaram. J� est� na hora de verem que somos muito superiores a voc�s gregos.

Hades olha taciturnamente para seus advers�rios e desaparece, ia � regi�o dos Campos El�seos chamar Minos para servir como juiz daquela disputa.

No meio desta confus�o toda H�lio, o deus Sol j� terminara seu turno sobre Gaia (a Terra ) que a partir de ent�o teria como companheira no espa�o Cibele ( a Lua ).

Os deuses romanos s�o convidados pelos deuses gregos para pernoitar no Olimpo. No dia seguinte Hades e Minos j� estariam de volta e as disputas come�ariam. O pr�mio daquela disputa: a adora��o dos homens e o direito de viver no monte Olimpo.

O dia seguinte traz Apolo conduzindo o carro de H�lio, anunciando a chegada de um novo dia. Os deuses romanos e gregos acordam cedo. As disputas teriam lugar no pr�prio monte Olimpo. Uma multid�o de deuses gregos que n�o participariam da disputa acorre ao Olimpo para torcer por seus representantes. Os romanos permaneciam calmos e comedidos. Pareciam achar que a disputa seria resolvida de forma r�pida e satisfat�ria para eles.

Minos, o escolhido para ser o juiz daquela disputa � colocado a par da situa��o e concorda em ser o mediador.

A primeira disputa seria de velocidade. Do lado grego Hermes, vestindo apenas uma t�nica vermelha, tendo na m�o direita o Caduceu, por cima da cabe�a o elmo alado provido de asas. Nos p�s desnudos do deus, como protuber�ncias que saltavam de seu calcanhar as duas asas que simbolizavam a rapidez do deus grego. O velocista romano atendia pelo nome de Merc�rio. Tamb�m vestia uma t�nica vermelha, sendo no entanto mais velho que o jovem mensageiro do Olimpo. Seu elmo tamb�m apresentava asas, assim como seus p�s.

Minos chama ambos os representantes para lhes passar a tarefa.

- Ambos se dizem deuses. Portanto para um deus nada pode ser imposs�vel. Ambos sabem que distante daqui, localizado nas profundezas de Urano ( o c�u estrelado ) existe um planeta lindo e enorme. Neste planeta existe uma flor que n�s chamamos de Rosa de Belisquer. Pois os contendores devem viajar at� esse mundo distante e o primeiro que chegar at� aqui com uma Rosa de Belisquer ser� declarado vencedor. Ao meu sinal partam.

Minos d� ent�o o sinal. A velocidade com que os contendores partem rumo � imensid�o do cosmos � fant�stica. Um pequeno redemoinho forma-se no local onde antes estiveram os deuses.

A dist�ncia entre a Terra e Belisquer � de 52 milh�es de anos luz, os deuses lan�am-se com �mpeto pelo espa�o. A velocidade que alcan�am � fant�stica. Duas horas ap�s a partida da Terra os deuses gregos e romanos, percebem dois pontos se aproximando rapidamente. Um impacto terr�vel anuncia o pouso violento, duas crateras formam-se no local. Ao se abaixar a poeira percebe-se que os causadores daquele estrago nada mais eram que os deuses grego e romano. E na m�o de cada deus uma Rosa de Belisquer. A chegada fora no mesmo exato momento. Minos declarou empate naquela primeira prova.

A segunda prova colocaria frente a frente os dois deuses de maior for�a f�sica. Um gigantesco H�racles, de 1,97 M de altura, um corpo sem uma grama sequer de gordura, um feixe de m�sculos extremamente bem cuidados. H�racles era versado em todos os tipos de luta, desde a luta de m�os nuas, que posteriormente originou a luta greco-romana, at� o manejo de ma�as, espadas, lan�as, tridentes e todas as armas fabricadas naquela �poca. Para fazer frente a esse gigante apresentou-se uma outra massa muscular de olhar r�gido e de poucas palavras. O H�rcules romano.

Minos chama os contendores, explicando a ambos as regras da luta. Essas regras se restringiam a duas. Os contendores lutariam at� a exaust�o completa de algum deles ou de ambos. O �ltimo que permanecesse de p� ap�s o combate seria declarado o vencedor. Golpes abaixo de linha da cintura desclassificariam o contendor.

Os dois gigantes se olham com faces carrancudas. O H�racles grego iniciou o combate com seu escudo e seu machado, todos os artefatos b�licos foram feitos por Hefestos. Do lago romano H�rcules preferiu a rede e o tridente que seu meio irm�o Vulcano confeccionara.

A luta � tit�nica, a cada golpe de H�racles um forte contragolpe de H�rcules. O tridente de H�rcules � feito em peda�os pelo deus grego, a segunda arma a ser utilizada pelo deus romano � a pesada ma�a de guerra , empunhando essa arma H�rcules consegue cortar o cabo do machado do deus grego.

O escudo de H�racles � transformado em uma monte de ferros retorcidos, os golpes de ma�a de H�rcules s�o fortes e potentes. Abandonando o escudo o deus grego pega sua espada e em um golpe bem medido corta o cabo da ma�a do rival. E assim uma a uma as armas dos oponentes v�o sendo inutilizadas pelo rival. Sem mais nenhuma arma para utilizar os tit�s se atracam para a luta corpo a corpo. Os deuses ao redor dos gladiadores divinos gritam e incentivam seu lutador. Por horas e horas a luta se desenrola sem que no entanto se consiga apontar alguma vantagem para esse ou aquele lutador.

O cansa�o � vis�vel nos rostos dos lutadores. A noite chega no Olimpo sem que algum deus, seja o grego ou o romano possa ser declarado vencedor. Cansado daquele combate sem defini��o Minos interrompe a luta, chama Zeus e J�piter para conversar e declara novo empate na disputa entre gregos e romanos. Exaustos, H�rcules e H�racles concordam com a decis�o do juiz.

O segundo dia da disputa se iniciou com a prova de per�cia na ca�a. Do lado grego a bela e casta �rtemis com sua aljava de flechas e seu arco curto, pr�prio para a ca�a, vestida com os caracter�sticos trajes de ca�adora a bela deusa grega acreditava em uma vit�ria f�cil. Do lado romano Diana tamb�m portava seu arco e sua aljava de flechas. Suas roupas eram um pouco mais pesadas do que a utilizada pela deusa grega, mas eram igualmente apropriadas para uma ca�adora. Minos escolhera tr�s animais: um urso, um veado e um le�o. A ca�ada teria lugar nos buc�licos campos da �tica. A primeira deusa que voltasse ao Olimpo trazendo os tr�s animais seria declarada vencedora. Somente animais machos poderiam ser abatidos.

Ao sinal de Minos as duas belas deusas iniciam a descida do Olimpo rumo ao campo de ca�a escolhido. Foi uma prova r�pida, em menos de duas horas as deusas se apresentavam perante o juiz, cada qual prostrou aos p�s de Minos os animais abatidos. Novo empate foi declarado. A pr�xima prova seria da beleza. Pelo lado grego Afrodite, a bela deusa do amor foi se preparar para a prova. As deusas que compunham a delega��o romana se dirigem com sua representante V�nus para prepar�-la para o concurso.

Os deuses se espremiam uns aos outros, cada qual tentando uma melhor vis�o para o quadro deslumbrante e fant�stico que se desenrolaria em sua frente.

Minos convocou primeiro a desafiante. A bela deusa romana apareceu fantasticamente vestida com uma t�nica imaculadamente branca com detalhes em dourado, esses detalhes eram desenhos de animais bordados com maestria por Minerva. O cinto que ostentava trazia a ef�gie da Medusa decapitada. Nos cabelos um prendedor de ouro maci�o segurava o belo penteado feito por Juno. As delicadas sand�lias com detalhes em prata e ouro completavam com maestria a indument�ria da deusa romana. Entre os deuses que estavam acompanhando a prova surge como que um frenesi de espanto ao ver a beleza da deusa romana. Muitos pensavam que Afrodite n�o teria como competir com t�o encantadora beleza.

A deusa grega � ent�o convidada a se exibir perante Minos. Se V�nus j� causara muito espanto com sua beleza arrebatadora, esse espanto n�o diminuiu em nada com apresenta��o de Afrodite.

A deusa grega estava com uma t�nica vermelha, detalhes bordados em azul celeste. Seu cinto apresentava-se emoldurado pela cabe�a da G�rgona, nos cabelos um adorno em forma de escaravelho moldado pelo artes�o dos deuses Hefestos. A t�nica da deusa grega era mais curta que a da concorrente romana, deixando certas partes das esculturais pernas � mostra. A pr�pria deusa romana se demonstrou espantada com a beleza da concorrente grega.

N�o havia como eleger esta ou aquela concorrente como sendo a mais bela. Minos resolve fazer novo desfile, desta vez, seguindo um costume adotado pelos espartanos, as deusas deveriam desfilar nuas. O novo desfile somente aumentou a incerteza, Afrodite era mais baixa que a rival, mas as formas perfeitas e esculturais da deusa. N�degas bem delineadas, um par de bustos que poderiam ser definidos como simetricamente perfeitos. O mesmo se verificava na nudez da n�o menos bela V�nus. Realmente n�o se poderia apontar essa ou aquela deusa como vencedora daquele concurso, qualquer decis�o, por mais justa que se mostrasse na verdade seria injusta. N�o havia como escolher.

Um racional Minos declara novo empate. Com essa decis�o encerra-se o segundo dia das disputas entre gregos e romanos.

O terceiro dia das provas se iniciou com a prova da fertilidade da Terra. Dem�ter representante grega, Ceres a concorrente romana. A tarefa era simples, deveriam as deusas percorrer os campos e fertilizar ao m�ximo as terras dos lavradores e alde�es. A deusa que conseguisse fazer o trecho de terra sob sua responsabilidade gerar os mais belos frutos e cereais seria declarada vencedora.

Por tr�s horas as deusas percorrem as terras gregas. Premiando os agricultores com uma fertilidade em suas terras at� ent�o desconhecida. Findo o prazo Minos e uma comitiva escolhida pelos lados concorrentes foram verificar os resultados. Nos campos da deusa grega uma profus�o de macieiras totalmente forradas de belas e enormes ma��s. Os olivais estavam repletos de azeitonas, algumas com o tamanho de p�ssegos. As hostes de trigo cresceram tanto que mais se pareciam com �rvores. Por todo lado fartura e abund�ncia.

Do lado romano a mesma d�diva era encontrada. Os trigais mais se assemelhavam a pequenas florestas. As �rvores frut�feras estavam carregadas com os mais diversos tipos de frutas e frutos poss�veis. Toda profus�o de alimentos que a terra podia gerar era encontrado nos campos visitados por Ceres. As d�divas encontradas eram id�nticas, n�o havia como fugir a um novo empate.

O outro desafio do dia seria o confronto entre Poss�idon, o majestoso deus dos mares gregos e seu similar romano Netuno. Para palco desta prova uma ilha deserta, localizada em alto mar, longe das rotas comerciais foi a escolhida.

O deus romano trajava uma bel�ssima t�nica vermelha, com muitos detalhes bordados em dourado que representavam imagens da vida marinha. Seu enorme tridente ficava resplandecente sob a luz do Sol. Sua barba enorme lhe chegava ate a altura de seu umbigo. Como primeira provid�ncia o deus romano bateu seu enorme tridente na terra desolada daquela desconhecida ilha fazendo brotar uma bela fonte de �gua salgada, dali saiu um enorme touro branco. Andando por aquele in�spito peda�o de terra Netuno foi criando fontes e lagos. Se dirigindo para o mar que cercava a ilha o deus romano fez daquele peda�o do mar um ambiente extremamente prop�cio para a pesca. Peixes de todos os tamanhos e variedades foram criados pelo tridente do deus, um verdadeiro para�so para pescadores. O deus romano arrancou, mesmo entre os concorrentes exclama��es de j�bilo e admira��o. Sua obra era extremamente bela e no caso da ilha futuramente vir a ser habitada todas as obras feitas pelo deus seriam muito bem aproveitadas.

Chegou a vez de Poss�idon, sua barba n�o era t�o longo como a do rival romano. Sua face no entanto se mostrava mais majestosa do que a do deus romano. Seu tridente, de menor tamanho do que o do concorrente, brilhava em todas as cores do arco-�ris. Sua t�nica era de um verde que lembrava o encontrado entre as algas marinhas, essa t�nica era majestosamente bordada com imagens que igualmente lembravam a vida marinha. Poss�idon bateu seu tridente com for�a no mar ao redor da ilha fazendo surgir um enorme vagalh�o de �gua que cobriu totalmente o local da disputa. Ap�s isso, utilizando seus poderes sobre os animais da �gua convocou enormes baleias e golfinhos para habitar a regi�o em volta, novo golpe do tridente fez com que as �guas que cobriram a ilha fossem afastadas e novamente o peda�o de terra no qual se desenvolvia aquela disputa apareceu, mas com formato diferente do antigo. Olhando-se de cima a ilha agora se assemelhava a uma sereia. As fontes de �gua criadas por Netuno tiveram sua posi��o modificada no novo relevo da ilha. O touro branco que tanta admira��o causara entre os deuses fora afogado pelo vagalh�o invocado pelo deus grego.

Minos ficou com d�vidas. De um lado Netuno proporcionara a cria��o de vida, a cria��o de fontes de �gua que futuros habitantes poderiam aproveitar. Do lado de Poss�idon o vagalh�o de �gua e a modifica��o do formato da ilha mostrava claramente o que um deus irado poderia fazer. Com muita pondera��o o juiz daquela disputa decreta novo empate, n�o sem ouvir alguns protestos de lado a lado. Mesmo com protestos a decis�o do juiz foi respeitada.

O quarto dia da disputa come�ou com uma novidade. Um ser humano se apresentava perante os port�es dourados do Olimpo, solicitando uma audi�ncia com os deuses. Ao tomar conhecimento desta not�cia Zeus se mostra confuso e irado.

- Um ser humano aqui no Olimpo? O que este insignificante ser deseja dos deuses. Ele que v� orar nos templos. Quando tivermos tempo veremos o que pede e vamos decidir se vai ser atendido ou n�o. Ah esses humanos, ser� poss�vel que n�o percebem que os deuses t�m muito mais a fazer do que ficar prestando aten��o aos seus desejos desprez�veis?

A resposta do deus dos deuses foi levada at� o tranq�ilo e pacato ser humano que simplesmente retrucou que ficaria aguardando uma audi�ncia com os deuses.

Deixando aquele insignificante ser humano de lado a disputa entre os deuses romanos e gregos continuou pelo quarto dia. Seriam duas provas. A de sabedoria que colocaria frente a frente a bela romana Minerva e sua rival grega Athena. Em caso de empate nesta prova a decis�o seria entre os dois representantes m�ximos dos deuses. Zeus e J�piter.

Minos preparara um extenso e meticuloso teste de conhecimento e sabedoria. As perguntas eram as mesmas para as duas concorrentes. Aquela que terminasse primeiro e com menor n�mero de erros seria declarada vencedora.

A bela Athena com seus elmo e sua armadura que brilhavam sob o Sol pegou seu question�rio come�ando imediatamente a responder �s perguntas de Minos, a seu lado sua insepar�vel mascote, a coruja, s�mbolo da sabedoria. Do lado romano a n�o menos bela Minerva, trajando uma leve t�nica azul celeste respondia calmamente ao mesmo question�rio, demonstrando uma calma at� certo ponto irritante. Por quatro horas as deusas ficaram debru�adas sob seus question�rios em um sil�ncio quase absoluto. Podia se ouvir o vento que soprava ou os alegres pios e trinados dos p�ssaros que eventualmente passeavam pelo Olimpo. Ambas entregaram suas respostas ao mesmo tempo. Por mais quatro horas o sil�ncio permaneceu enquanto Minos conferia as respostas das deusas. Ao final da confer�ncia o juiz decreta novo empate. Ambas as deusas responderam corretamente a todas as perguntas formuladas. O embate entre Zeus e J�piter se tornou ent�o inevit�vel para que se conseguisse fazer com que um vencedor fosse declarado naquela disputa acirrada.

O ignorado ser humano que se apresentara perante os port�es do Olimpo ainda permanecia ali, aguardando a audi�ncia que solicitara perante os deuses.

O raiar do quinto e �ltimo dia daquela disputa entre deuses demonstrava que H�lio, o deus do Sol grego estava animado naquele dia, o c�u que iluminava os mortais se apresentava belo e majestoso. Poucas nuvens vagavam aqui e ali, As aves e animais silvestres percorriam os c�us e as florestas com incontida alegria como a saudar o belo dia.

Zeus se encontrava em seu quarto, assessorado pelos Ciclopes que trabalharam a noite inteira fazendo os raios do senhor do Olimpo que seriam utilizados no embate contra o J�piter romano. Este por sua vez, mais prevenido que o deus grego, trouxera em sua aljava um bom n�mero de raios.

A disputa seria entre os dois deuses, como imortais j� sabiam que n�o pereceriam naquele embate, mas mesmo um deus quando solicitado ao extremo, apresenta sinais de cansa�o. O primeiro que apresentasse esses sinais perderia aquela disputa.

Antes do in�cio da disputa os guardi�es dos port�es celestiais do Olimpo novamente se apresentaram perante os deuses informando que o mortal que ali permanecera desde o dia anterior insistia em ser recebido pelos deuses.

Um irado Zeus manda que a seguinte resposta.

- Mas esse humano est� a� ainda? O que ele quer dos deuses que n�o pode esperar a decis�o de nossa disputa.

O sil�ncio foi a �nica resposta.

- Pois tragam esse mortal aqui. Fa�o quest�o de fulmin�-lo com meus raios pessoalmente.

Alguns instantes depois um tranq�ilo mortal se apresenta perante os deuses gregos e romanos ali presentes.

Zeus olha a estranha figura que se apresenta. O mortal era dotado de uma boa estatura, perto de 1,82 M de altura, seus olhos azuis emanavam uma miseric�rdia e uma bondade inexistentes nos semblantes dos outros deuses. Em suas m�os e p�s observavam-se estranhas chagas, como se aquele ser j� tivesse tido algum cravo a lhe varar as carnes. A figura se apresentava com uma pele clara, levemente queimada pelo sol, como a denunciar que nascera em uma regi�o mais quente do que a H�lade. Uma aura estranha, de poder e de mist�rio emanava daquela figura.

- Quem sois v�s mortal, e o que o leva a solicitar as d�divas dos deuses.

- Eu sou a luz e as estrelas. Eu sou aquele que aben�oara os pobres e as crian�as. Sou o templo de Salom�o. Sou o deus de Mois�s, de Josu�, de Davi. Sou a verdade e a vida.

- Fala por met�foras mortal, de onde vens.

- Eu estou aqui agora, e tamb�m estou em todo lugar. Estou nas ora��es dos fi�is, e mesmo no cora��o dos infi�is. Sou o futuro do mundo. Sou a reden��o das almas.

As palavras daquele homem eram dotadas de um enigma que ao mesmo tempo assustava e encantava a todos os deuses.

- Chega de falat�rio sem sentido homem. O que veio fazer aqui na morada dos deuses, perante os senhores dos destinos do homem?

- Eu vim substitu�-los. Sou s�bio como Athena e Minerva. Sei ser h�bil como Hefestos e Vulcano. Posso ser belo como Afrodite e V�nus. Domino os mares como Poss�idon e Netuno. Posso iluminar os c�us como Apolo e H�lio. Cuido bem das almas dos mortos como Hades e Plut�o. Eu sou todos voc�s e nenhum de voc�s.

- Mais um deus querendo concorrer com os deuses do Olimpo. O que acontece no mundo? De repente todos os deuses inferiores querem disputar conosco. Pois bem aguarde o vencedor da minha disputa com J�piter que iniciaremos a disputa com voc�.

- N�o haver� mais disputas Zeus, nem contigo, nem contra os deuses romanos. A partir de agora um s� deus ser� o regente dos homens.

Com um grito de ira Zeus pega das m�os de um Ciclope um de seus raios e lan�a em dire��o ao mortal. Este apenas ergue sua m�o direita, uma luz forte ilumina o ambiente. O raio de Zeus bate na m�o do mortal e se dissolve numa profus�o de luzes.

Passado o susto inicial Zeus n�o desiste e lan�a mais raios em dire��o �quela figura, desta vez seu rival romano tamb�m participa do ataque. Um a um os raios lan�ados se dissolvem.

- Eu sou a verdade eterna.

Dito isso o humano ergue as duas m�os para o alto, uma luz muito forte � vista. � a �ltima vis�o dos deuses do Olimpo e de seus concorrentes romanos. Um a um estes come�am a se dissolver. Os deuses v�o se dissolvendo numa profus�o de luzes das mais diversas cores e matizes. A ess�ncia destes volta sob a forma de uma chuva de luzes em dire��o � terra. Os pal�cios do Olimpo v�o se tornando transparentes at� sumirem completamente. Deuses gregos e romanos tentam escapar, apenas para verem horrorizados que n�o conseguiam se mover, sendo ent�o atingidos pela luz que emanava daquele simples mortal.

Finalmente o �ltimo deus grego se dissolve, o �ltimo pal�cio se desfaz.




- " Portanto a gra�a de Deus, nosso Salvador, apareceu a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando � impiedade e aos desejos dos s�culos, vivamos neste s�culo s�bria, justa e piamente, aguardando a esperan�a bem-aventurada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo, que se deu a si mesmo por n�s, a fim de nos resgatar de toda a iniq�idade e purificar para si um povo aceit�vel, zeloso pelas boas obras. Ensina essas coisas, exorta e repreende com toda a autoridade. Ningu�m te despreze."




( Ep�stola a Tito )


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