São tantas as coisas que passam pela cabeça da gente que tem horas que não
dá mais pra saber o que é viagem e o que é realidade.
De repente o mundo real se confunde com o da fantasia e uma coisa que era
certa e segura se torna tão etérea como a fumacinha do gênio da lâmpada.
Num piscar de olhos, o que se pensava concreto e definitivo é substituído
por outro assumidamente descartável.
A qualidade não importa mais.
O que é bom, tem que ser bom e barato.
O que é barato, tem que ser bom, nem que seja apenas pela primeira e última
vez.
E a partir do momento em que o bom é substituído pelo barato, o que era bom,
passa a ser apenas... barato.
O que era considerado honra agora é motivo de vergonha.
O que era tido como virtude, hoje é defeito.
O que era essencial agora é supérfluo.
O que é importante hoje já foi considerado inútil, muitas vezes,
prejudicial.
Até quando vamos insistir nesses valores tão fugazes?
Por quanto tempo ainda o que é passageiro vai tomar o importante lugar das
coisas que realmente podem marcar as nossas vidas?
Pra que se contentar com a mesquinhez, quando podemos usar o dom divino das
nossas imaginações e libertar o que cada um de nós traz escondido dentro de si?
O puro é visto como demente.
O inocente é o culpável de emergência.
O ingênuo é visto como fraco.
Mas pobre mesmo é o transparente, que por não esconder nada, não fingir
nada, não interpretar papéis, não chega nem mesmo a ser visto.
Tristes e sombrios dias esses aos quais chegamos. Dias que sonhávamos serem
de ouro, de grandes conquistas, de importantes realizações.
Sonhávamos que conquistaríamos o espaço! Que viajaríamos pelas estrelas. Que
o mundo não teria mais fome, miséria, injustiças... Que se entrássemos numa
guerra, seria contra forças opressoras de outros mundos e que estaríamos
sempre lutando pela justiça e liberdade.
Quantos sonhos... Quantas decepções...
Quantos dos nossos sonhos atuais nos decepcionarão no futuro?
Só depende de nós. Grandes feitos nascem de grandes sonhos.
Grandes inventos nascem de grandes necessidades.
O que mais vai ser necessário para que acordemos?