HAICAI
Tenho a mente aberta
E as asas aparadas
Como posso voar
Para pensar
GUIGO
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CAMONIANA
O AMOR S�O MATIZES
QUE S� CEGOS V�EM
SONS GAL�TICOS
IMPOSS�VEIS DE ESCUTAR
S�O RESPOSTAS
QUE O VENTO N�O CONT�M
O AMOR � UMA PERGUNTA
QUE NINGU�M SABE EXPLICAR
GUIGO
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CINCO ESTROFES
Sentei a observar o vento
Mas seu movimento � lento
E n�o chega a mexer as plantas
Que ficam harmoniosas como santas
Sons caminham pelo eterno
Anunciando um longo inverno
E o tempo por entre as notas
Lembra-me de �pocas remotas
O c�u veste-se de azul
E as nuvens surgem ao sul
Um brilho fraco ao norte
�s estrelas, clama a morte
Em meus sonhos habitam cores
Como milhares de belas flores
E neles sinto sua pele, seu ardor
E provo a vida por seu amor
A morte eleva suas ci�ncias
A vida traz reminisc�ncias
E eu carrego esta cruz
Por procurar a minha luz
GUIGO
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DESESPERADO
Quisera arrancar a tristeza de meu todo
E encarnar a felicidade em um canto
Manter a alegria viva, mas n�o tanto
E combater a amargura com denodo
Quisera cobrir teu corpo com um manto
Matizar tua nudez provocante, cristalina
Com o talco de mil s�is, alma bailarina
E partir em dois, o mundo, como se fora santo
Quisera ser romano e raptar-te qual sabina
Fugir pelo deserto, por tempestades de areia
Colher ventos e tuf�es que o Universo semeia
Ter-te em meu leito, fazer-te minha concubina
O! amor atroz que me arde e me incendeia
Amor verdadeiro, que enlouquece, que alucina
Corre para mim, depressa, pois a vida nos destina
Somos feitos um para o outro, aranhas da mesma teia
GUIGO
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ESTRELAS E LUGARES
Acordar com o vento,
Que flui por entre a cer�mica
E sentir que se pode
Medir a montanha,
Por uma pedra
Subir �s copas de uma mangueira
E colher a chuva
Que cai em lugar nenhum
Beber a luz do sol
Absorver o arco-�ris
Chorar com o luar
Ter na m�o dinheiro bastante
Para trocar por um cora��o
Que se espatifa, apaixonado, pois...
As vezes, a selvajaria
Traz o amor e o amor
Sempre acompanha a paz
Conversar com a tempestade,
Chocar-se contra o furac�o,
Ser castigado pelo granizo
E mudar o curso de um rio
Dissolver o �dio pelo prazer
Engolir a ironia com a f�
Deliciar-se com a vida
Morrendo sempre por ela
E pelo apego ao barro da terra
GUIGO
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AUTO DA AMADA
N'esta noite de fremosura
C� nam hei ti?
Onde estam teus olhos?
Que auondam mi pensamento
N'este dya de frescura
Ledo passa el tempo
El amor qu'arde en mi
Torna-se un tormento
Assi, pobre de mi
Sin razon de viver
Estarey pleno de locura
Coita vam, mia lou��
Qual cajon de morrer
Per una rosa de gran dul�ura
GUIGO
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SONETO
Universos de rimas em manh�s de janeiro
Eu sou seu, voc� sabe, ainda ap�s fevereiro
Arco-�ris de aconchego, no mel da sua boca
Por carinhos, voc� sabe, que a fazem ficar louca
Raios de luz abrochando entre serras distantes
Os p�ssaros, voc� sabe, dizem que somos amantes
Nuvens brancas diluindo por rendas de calor
Desejei, voc� sabe, entregar-lhe meu amor
Venha calar a paix�o que me alucina
Venha mostrar o corpo que me seduz
Venha afagar o cora��o que incendeia
Pois um dia a farei, minha messalina
Para possu�-la e lhe dar minha luz
Somos do mesmo estofo, sangue da mesma veia
GUIGO
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R�QUIEM POR UM AMOR MALDITO
Se voc� sentisse o que sinto
Amasse como eu amasse
N�o teria os sonhos que pinto
E coragem de olhar minha face
Sentiria nos l�bios o fel
Veria o mundo, em dois, cortado
Dias negros, cobertos por um v�u
E chagas no corpo, maltratado
Maldito seja nosso estranho amor
Excelsa ang�stia, feita pesadelo
Paix�o terr�vel, que nos trouxe dor
Que os c�us desabem sobre n�s
E desembaracem-me deste novelo
Livrando-me deste sentimento atroz
GUIGO
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